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SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL: DO SURGIMENTO E DO EXEMPLO

4.1 DO EMPREGO DAS MEDIDAS SUSTENTÁVEIS NAS EMPRESAS BRASILEIRAS

A princípio, o conceito de desenvolvimento sustentável surgiu na Conferência de Estocolmo de 1972, como abordado anteriormente, com um viés de ecodesenvolvimento obtido através de 03 (três) critérios fundamentais: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica.

Para DIAS(2009, p.31):

Foi o relatório produzido pela Comissão Brundtland (Nosso Futuro Comum) que apresentou pela primeira vez uma definição mais elaborada do conceito de “Desenvolvimento Sustentável”. Como uma forma de estabelecer uma relação harmônica do homem com a natureza, como centro de um processo de desenvolvimento que deve satisfazer às necessidades e às aspirações humanas.

No Brasil, mais precisamente no Estado do Rio de Janeiro, em 1992, fora realizada a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, com representantes de 179 países que discutiram durante 14 (quatorze) dias os problemas ambientais globais e estabeleceram o desenvolvimento sustentável como uma das metas a serem alcançadas pelos governos e sociedades em todo o mundo.

Entretanto, em nosso país, a prática sustentável tem se propagado sob a influência da legislação ambiental e constitucional.

Data venia, mesmo com a legislação aplicável ao meio ambiente e suas bases principiológicas, a tomada de decisões no exercício da atividade empresarial é voltada para os seus interesses inerentes, nos quais provocam um dano ecológico ao meio ambiente quando realizada de maneira irresponsável.

Todavia, a contaminação do meio ambiente ocorreu primeiramente pelas indústrias no século XIX, com a Revolução Industrial, na qual promovia processos industriais que, ao empregarem os recursos naturais como insumos, (lembrando-se que o processo todo era marcado por certo grau de ineficiência, pois gerava resíduos) contaminavam o meio ambiente, afetando a saúde humana e provocando a escassez dos recursos naturais.

Assim, ao aliarem-se as necessidades econômicas da atividade empresarial às condicionantes sociais e jurídicas da função social da empresa, tem-se à associação de seu exercício para obtenção de lucro à ideia de sustentabilidade, decerto que a maioria das atividades exploradoras da economia agride o meio ambiente.

Desse modo, a palavra sustentável possui origem etimológica do latim “sustentare”, significando sustentar, apoiar e conservar (DIAS, 2009).

O seu escopo está firmado na obediência ao duplo imperativo ético de solidariedade sincrônica com a geração presente e de solidariedade diacrônica com as gerações futuras, sendo utilizado pelas empresas para demonstrar que seus produtos são fabricados sem danificar ou depreciar o meio ambiente, classificando-o como ecologicamente correto e influenciando o seu consumo.

Não obstante, no Brasil, o real sentido da política de sustentabilidade é reconhecer, nas práticas sociais, as opções viáveis para o uso racional dos recursos naturais, isto é, a busca de um ponto de equilíbrio de forma que haja preservação ambiental e desenvolvimento econômico.

O desenvolvimento sustentável nas organizações apresenta três dimensões, que são: a econômica, a social e a ambiental (DIAS, 2009).

Pelo âmbito econômico, a sustentabilidade afere que as empresas devem ser economicamente viáveis, cumprindo assim, o seu papel na sociedade ao considerar o quesito da rentabilidade, isto é, dar retorno ao investimento realizado pelo empresário.

Já no modo social, a empresa deve guardar respeito à necessidade de proporcionar as melhores condições de trabalho aos seus empregados, contemplando a diversidade cultural existente na sociedade.

O modo ambiental, segundo Dias (2009, p. 40):

[...]deve a organização pautar-se pela eco-eficiência dos seus processos produtivos, adotar a produção mais limpa, oferecer condições para o desenvolvimento de uma cultura ambiental organizacional, adotar uma postura da responsabilidade ambiental, buscando a não-contaminação de qualquer tipo de ambiente natural, e procurar participar de todas as atividades patrocinadas pelas autoridades governamentais locais e regionais no que diz respeito ao meio ambiente natural.

Desse modo, fora criado um Protocolo Verde, que é um documento firmado entre o Governo Federal por intermédio dos Ministérios e bancos oficiais brasileiros, que incorpora a questão ambiental na gestão e concessão do crédito oficial, tratando

ainda de seus benefícios fiscais, objetivando a criação de mecanismos que evitem a utilização destes créditos para atividades que sejam prejudiciais ao meio ambiente (DIAS, 2009).

Portanto, o processo de gestão ambiental está interligado às normas elaboradas pelas instituições públicas (União, Estados e Municípios). Dessa forma, os entes públicos possuem um papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável das empresas localizadas em seus arredores.

Neste contexto, algumas empresas, ao analisarem o exercício de sua atividade empresarial na busca de contribuir para a diminuição dos efeitos agressores ao meio ambiente, não deixam de auferir lucro, tendo em vista que os benefícios são desfrutados pela própria empresa.

Saliente-se, os empresários brasileiros ainda possuem o receio de praticar medidas sustentáveis em prol do comprometimento da finalidade da atividade empresarial, mas existem alguns exemplos nacionais que comprovam o contrário, como é o caso da Empresa Laticínios Belo Vale LTDA, conhecida como Isis.

4.2 EMPRESA LATICÍNIOS BELO VALE LTDA (ISIS)

A pecuária do leite e a indústria de laticínios contribuem essencialmente para a nutrição humana e destacam-se por exercerem um papel importante no desenvolvimento econômico do nosso país.

Logo, conforme Fernandes e Naval (2017, p. 47): ”De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, em 2017, o país é o quinto maior produtor de leite no mundo”.

Em contrapartida, os alimentos lácteos são os que mais consomem água em seu processo de fabricação, sendo aproximadamente ente 0,2 e 10,0 litros de água por litro de leite processado (QASIM; MANE, 2013).

Dessa forma, em face do volume de água utilizado, o resíduo torna-se efluente por conter elevado teor de matéria orgânica, nutrientes, gorduras e sólidos suspensos.

Contudo, a legislação ambiental passou a regular de forma mais rigorosa o descarte de efluentes na natureza, acarretando a busca de processos de produção mais eficientes e sustentáveis pelas indústrias.

Com isso, surgiu o Codex Alimentarius em 1963, sendo um programa em conjunto da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e Organização Mundial da Saúde, objetivando estabelecer as normas internacionais no âmbito alimentar, ao incluir padrões, diretrizes e guias sobre as Boas Práticas e de Avaliação de Segurança e Eficácia (BRASIL, 2016).

Ressalte-se, o Brasil tornou-se membro da mencionada normatização alimentar na década de 70 (setenta), e é um dos países da América Latina que possui a maior tradição de participação de trabalhos no programa.

Uma das normas do Codex Alimentarius trata-se das orientações sobre a higiene para o reuso de água do processamento fabril, sendo incluídas definições, recomendações e exemplos.

Como um dos exemplos de agente empresarial que atua no âmbito alimentar, com responsabilidade sustentável, tem-se a Laticínios Belo Vale LTDA, mais popularmente conhecida como Isis, situada na Rua Manoel Celestino de Paula, número 101, Bairro Várzea da Cruz, na cidade de Sousa, no Estado da Paraíba.

É importante destacar que o presente estudo foi realizado com base em uma pesquisa de campo feita pela autora em conjunto com a graduada em Direito pela Universidade Federal de Campina Grande, a Sra. Hawylla Monteiro de Oliveira, a fim de averiguar se a Empresa Laticínios Belo Vale LTDA aplicava ideias sustentáveis em seu processo fabril.

Nessa pesquisa constatou-se que a própria empresa praticava medidas sustentáveis ao reaproveitar água proveniente da produção de seus produtos, além de ser a responsável por produzir as suas próprias garrafas plásticas para armazenagens de produtos lácteos.

Entretanto, essas medidas ocorreram após a referida empresa perceber o exagerado gasto de água proveniente na fabricação, bem como o alto custo das embalagens plásticas.

Desse modo, as práticas sustentáveis aplicadas na supramencionada empresa compreendem em: destinar a água utilizada na elaboração de seus produtos para higienização de tubulações, equipamentos, utensílios; e aguagem da grama e capim, que, ao seu turno, servem como alimento para a sua própria criação bovina que fornece a sua matéria-prima, isto é, o leite.

Destaca-se que, de uma forma geral, os efluentes de lacticínios possuem elevadas concentrações de material orgânico, como: lactose, lipídios, caseína, alto

teor de demanda bioquímica e química de oxigênio, elevadas concentrações de sólidos em suspensão, óleos e graxas.

Em face disso, na primeira prática supramencionada, a empresa promove um tratamento no qual a água é submetida à osmose reversa que ocorre em um poço artesiano e noutro do tipo “amazonas” (cacimbão). Já na segunda prática, a água é submetida a uma Estação de Tratamento de Efluentes que utiliza dois compostos químicos principais para retirar os resíduos industriais presentes: o polímero e o sulfato de alumínio.

Outro método de sustentabilidade aplicado pela referida empresa é a fabricação de diversos tipos de garrafas plásticas que são utilizadas para embalagem de seus produtos lácteos, as quais não causam o mesmo impacto ambiental que outras embalagens por serem elaboradas por uma combinação de resíduos, sendo estes biodegradáveis.

Destarte, a atividade empresarial pode atingir a sua finalidade e obter lucro empregando ações ou medidas que auxiliem na preservação ambiental, como ocorre com a empresa empreendedora Isis. Especialmente ao reutilizar a água proveniente da elaboração de seus produtos para limpeza do maquinário, utensílios e aguagem da grama e capim utilizados como fonte de energia para a criação bovina, além de sua própria fabricação de embalagens plásticas para armazenamento dos seus produtos lácteos.

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