3 Metodologia de Investigação
3.5 Técnicas e instrumentos de recolha de dados
Para o presente estudo foram utilizados os seguintes instrumentos de recolha de dados: questionários com perguntas abertas sobre supervisão, com o objetivo de compreender as conceções de supervisão dos formandos inscritos na Oficina de iniciação modelo pedagógico do MEM, questionários com perguntas sobre as expetativas e necessidades formativas, diário do observador (através da observação direta, não participante), audiogravações, conversas informais a meio do processo formativo e questionários, aplicados antes do processo formativo, sobre as conceções de supervisão e sobre as expetativas e motivações dos formandos relativamente à formação e questionários de avaliação da formação (aplicados após o processo formativo). Para um acompanhamento mais em profundidade foram realizadas entrevistas semidiretivas, aplicadas no início e no final da formação, com o objetivo de compreender as conceções dos formandos sobre supervisão e compreender as expectativas dos educadores inscritos na Oficina acerca dos efeitos da formação nas práticas educativas/pedagógicas. De acordo com Almeida e Freire (2008) a diversidade de instrumentos permite identificar aspetos específicos da realidade observada e do seu significado em ambientes de aprendizagem, podendo contribuir de uma forma relevante para a investigação em educação em ciências.
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3.5.1 A entrevista
A entrevista adquire bastante importância no estudo de caso, pois através dela o investigador percebe a forma como os sujeitos interpretam as suas vivências já que ela “é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspetos do mundo” (Bogdan e Biklen, 1994, p.134).
O processo de recolha de dados do estudo aprofundado desta investigação iniciou-se com a elaboração do guião de natureza flexível para os quatro formandos selecionados participantes na Oficina, realizada entretanto no início da formação. Este guião tinha como objetivos gerais conhecer as representações de supervisão dos Educadores de infância selecionados e compreender as expectativas e necessidades dos educadores acerca dos efeitos da formação nas práticas educativas/pedagógicas.
No final da formação elaborou-se outro guião para os mesmos sujeitos selecionados do estudo em profundidade. Este guião tinha como objetivos gerais conhecer se as representações de supervisão se alteraram depois da Oficina de Iniciação ao Modelo da Escola Moderna Portuguesa, compreender se a Oficina de Iniciação ao MEM correspondeu às expetativas dos Educadores de Infância, compreender qual o impacto que a formação teve no desenvolvimento profissional dos formandos e compreender se houve mudanças na representação das práticas educativas
Considerando os objetivos deste estudo, consideramos a entrevista semidirectiva (Quivy & Campenhoud, 1992) a técnica mais adequada, na medida em que, após um guião inicial, elaborado pelo entrevistador, o entrevistado, como referem Lakatos e Marconi (1990), tem a liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. De acordo com Quivy & Campenhoud (1992, p.194) a entrevista semidirectiva:
“não é nem inteiramente aberta, nem encaminhada por grande número de perguntas precisas. Geralmente, o investigador dispõe de uma série de perguntas- guias, relativamente abertas, a propósito das quais é imperativo receber uma informação da parte do entrevistado. Mas não colocará necessariamente todas as perguntas na ordem em que as anotou e sob a formulação prevista”.
O recurso à entrevista semidiretiva tem por objetivo permitir aos entrevistados explorarem, de forma flexível e em profundidade, os seus relatos, e dar-lhes, deste modo, oportunidade de verbalizarem aspetos relativos à formação contínua,
44 considerados relevantes para o desenvolvimento profissional. Desta forma, deixámos, tanto quanto possível, “andar o entrevistado para que este possa falar abertamente, com as palavras que desejar e na ordem que lhe convier” (Quivy & Campenhoud, 1992, p.194).
O guião ( anexo IV e V) possibilitou-nos reencaminhar a entrevista para os objetivos (gerais e específicos) do estudo, atrás enunciados, cada vez que o entrevistado deles se afastava, e “colocar as perguntas às quais o entrevistado não chega por si próprio, no momento mais apropriado e de forma tão natural quanto possível” (Quivy & Campenhoud, 1992, p.194).
Neste sentido, possibilitámos a cada entrevistado a liberdade de falar sobre os conteúdos específicos em estudo, bem como outras questões que considerasse importantes e que não estavam formuladas no guião, fornecendo, deste modo, informações relevantes para a investigação.
Assim, as entrevistas não respeitam com rigor o seguimento das questões, nem a linguagem constante no guião.
3.5.2 Observação e Diário de bordo
A observação foi não participante e incidiu sobre os comportamentos das formadoras e das interações dos formandos. A observação foi feita sem ajuda de grelhas, para não se correr o risco da observação ser pouco contextualizada e tentar abordar o máximo de interações e comportamentos.
O diário de bordo constituiu um importante instrumento para descrever e analisar as práticas formativas das formadoras. O diário de bordo teve como objetivo ser um instrumento em que o investigador vai registando as notas retiradas das suas observações no campo. Bogdan e Biklen (1994, p.150) referem que essas notas são “o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo”. O diário de bordo representa, não só, uma fonte importante de dados, mas também pode apoiar o investigador a acompanhar o desenvolvimento do estudo. Bogdan e Biklen (1994, p.151) referem que este instrumento ajuda o investigador “a acompanhar o desenvolvimento do projeto, a visualizar como é que o plano de investigação foi afetado pelos dados recolhidos, e a tornar-se consciente de como ele ou ela foram influenciados pelos dados”.
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3.5.3 O Questionário
Segundo Gronlund (1985), Ghiglione e Matalon (1997), ao ser necessária a recolha de factos ou informações das atitudes, opiniões e preferências dos professores-formandos em relação a um Programa de Formação em que participaram, deve-se recorrer a inquéritos. Neste caso escolheu-se o questionário visto que, e de acordo com Henerson, Morris e Fitz-Gibbon (1987) permite que todas as pessoas respondam às questões, viabilizando-se a análise e a interpretação dos dados.
Utilizou-se o questionário com a finalidade de recolher a opinião dos educadores formandos sobre o programa de formação e para compreender as conceções de supervisão dos educadores formandos, tendo sido aplicado um questionário no primeiro dia de formação e no final da mesma. O questionário era constituído por perguntas abertas sobre supervisão e perguntas abertas sobre as motivações e expetativas em relação à ação de formação. Previamente foi solicitada a autorização às formadoras da Oficina para a entrega dos questionários. Os questionários foram aplicados por “administração direta” (Quivy & Campenhoudt, 1998), tendo sido entregues aos formandos, pessoalmente.
Para realizar esta investigação foi necessário explicitar junto dos formandos, na primeira sessão da Oficina, este projeto e perguntar se nenhuma tinha nada a opor. Nessa mesma altura a investigadora também perguntou se poderia entregar um questionário para os formandos preencherem. Como ninguém levantou qualquer objeção a estas minhas solicitações, entreguei os questionários e mantive o anonimato dos formandos. A investigadora explicou as questões relativas ao preenchimento, uma vez que, na visão de Ferreira, (1986), a ação de pesquisa se enforma no ato de perguntar, tendo, para tal, as regras metodológicas o objetivo único de esclarecer o modo de obter respostas, foi marcado um prazo, findo o qual se procedeu à sua recolha, tendo sido devolvidos apenas dez questionários.
Neste primeiro dia foi também as formadoras também solicitaram aos formandos o preenchimento de um questionário de questões abertas sobre as expetativas e necessidades em relação à formação (anexo II) . Os resultados deste questionário também fizeram parte do presente estudo.
Para avaliar o Programa de Formação utilizou-se o questionário elaborado pelo Movimento da Escola Moderna (Anexo III).
46 O questionário utilizado foi dividido em duas partes. A primeira parte contém perguntas ao nível da satisfação das componentes da ação de formação, onde os educadores formandos atribuem uma classificação numa escala de 1 a 6 (1-Não Satisfaz; 2-Satisfaz Muito Pouco; 3-Satisfaz Pouco; 4-Satisfaz; 5-Satisfaz Bem e 6-Satisfaz Muito Bem). Na segunda parte fazem-se perguntas abertas às quais os educadores responderam livremente.
A primeira parte do questionário encontra-se sub-dividida em três níveis: Satisfação global em relação ao programa proposto;
Contributo das atividades para a promoção de novas aprendizagens; Motivação para prosseguir através de trabalho pessoal.
No preenchimento do questionário, os professores teriam de atribuir o número da escala (explicitada anteriormente) que traduzia o seu grau de satisfação relativamente a cada aspeto já referido.
A segunda parte do questionário é constituída por questões abertas, onde era solicitado aos professores que escrevessem sobre aspetos do modelo pedagógico que gostariam de aprofundar, se a formação correspondeu às expectativas e sugestões para aperfeiçoar a ação de formação.