• Nenhum resultado encontrado

Técnicas Específicas de Engenharia Natural

No documento Valorização ambiental de campos de golfe (páginas 121-124)

5 PLANO DE GESTÃO ECOLÓGICA

5.4. Medidas de Gestão do Plano

5.4.6. Técnicas Específicas de Engenharia Natural

O planeamento, construção e gestão de espaços tendencialmente sustentáveis, otimizam as potencialidades dos sistemas vivos enquanto materiais de construção. Existe já uma panóplia de métodos e técnicas e inclusivamente em Portugal a aplicação e o estudo destas técnicas tem vindo a aumentar (Bifulco, 2013).

Apesar de se poderem aplicar grandes intervenções no âmbito da Engenharia Natural, o objetivo desta, é a maior naturalização dos sistemas através de menores intervenções possíveis. No âmbito da caraterização da situação atual da Herdade da Vargem Fresca, estamos em presença de relevo suave, com declives ligeiros, e não se detetaram situações críticas, que surjam como alvo de intervenções urgentes ou de maior magnitude. Por este motivo, abordam-se aqui apenas, as técnicas básicas e de simples aplicação que poderão ser úteis, na gestão atual ou mesmo em cenário de urbanização com intervenções pouco extremas. Em caso de intervenções extremas no terreno, recomenda-se a pesquisa destas técnicas de acordo com a situação em questão. Alho (2006), Arizpe et al. (2009), Fernandes e Freitas (2011), entre outros, apresentam guias de atuação, existindo também já empresas especializadas na sua implementação em Portugal.

Na situação atual da Herdade da Vargem Fresca, as intervenções potenciais que surgem como mais naturais e de fácil execução, são:

 Valorização das galerias ripícolas das ribeiras de Aivados e de Vale Cobrão

De forma a potenciar a biodiversidade e os habitats de elevado valor para a conservação, pode ser equacionada a valorização das galerias ripícolas das ribeiras de Aivados e de Vale Cobrão, em troços a selecionar ao longo dos seus percursos. Neste âmbito destacam-se duas técnicas:

i. Estabilização de margens

A estabilização das margens é uma das etapas iniciais do processo de recuperação de uma margem, sendo que só após essa estabilização se avança para outras medidas tendentes à recuperação da vegetação ribeirinha. Mesmo em casos em que a erosão ou degradação da margem possa não ser notória, mas em que são tomadas medidas de controlo de infestantes que implicam alguma mobilização do solo (para arranque de raízes), a estabilização da margem torna-se subsequentemente necessária e complementar às ações de revegetação.

108

 Proteção da base da margem recorrendo a faxinas, entrançados ou enrocamentos vegetados, combinados com a reconstrução da vegetação ripícola com o recurso a estacaria de salgueiros e plantações das restantes espécies arbustivas e arbóreas adequadas.

 Tendo em conta a tipologia da ribeira de Aivados, onde o canal apresenta uma largura reduzida, bem como o grau de erosão das margens, que ainda não se apresenta muito elevado, considera-se que a técnica mais adequada é o entrançado combinado com a reconstrução da vegetação ripícola com o recurso a estacaria de salgueiros.

 A técnica do entrançado é adequada para cursos de água com caudais e velocidades médias/baixas. Os entrançados correspondem a uma estrutura formada pelo entrançar de ramos vivos de espécies lenhosas com capacidade de propagação por via vegetativa em redor de estacas de madeira. Em termos de instalação, deverão ser colocados no terreno, paralelamente à margem.

 A par do entrançado deverá proceder-se à reconstrução da vegetação ripícola.

ii. Revegetação ripícola

A revegetação natural apoia-se na reintrodução de espécies com relativa capacidade de fixação e que são concordantes com as condições presentes nos locais, pelo que apresentam maior capacidade de sobrevivência na área em questão. O estabelecimento destas espécies conduz posteriormente ao desenvolvimento de condições para as espécies caraterísticas, mas que necessitam de melhores condições de solo, ensombramento, etc.. Desta forma promove-se a regeneração natural da vegetação ripícola local, desde que as restantes espécies estejam presentes a montante.

 Aplicação de salgueiros, pois apresentam geralmente bons resultados e propiciam posteriormente condições ao desenvolvimento do restante leque caraterístico (incluindo condições para desenvolvimento de espécies mais difíceis de introduzir como o amieiro). Deve optar-se pela utilização das duas espécies detetadas na composição das galerias ripícolas da ribeira de Aivados e de Vale Cobrão - Salix salvifolia subsp. australis e de Salix

atrocinerea. Destaca-se a importância de utilização da subespécie correta de Salix salviifolia, pois trata-se de um endemismo ibérico, com área de distribuição restrita.

 Utilização de freixo, que pode ser utilizado pontualmente, na regeneração ribeira de Aivados e de Vale Cobrão, em locais com algum ensombramento, de forma a ter maior possibilidade de vir a ser bem sucedido.

109

 O salgueiro deve ser introduzido por estacaria e não plantado, pois é uma espécie que se propaga muito bem dessa forma, e em condições de clima mediterrânico é a forma mais aconselhada. Pelo contrário, no caso do freixo Fraxinus angustifolia, este tipo de propagação vegetativa não é viável, pois não forma raízes a partir de estacas. Neste caso recomenda-se a plantação.

 A aplicação de espécies lenhosas nas ações de revegetação dos ecossistemas dulçaquícolas justifica-se pelo interesse da sua ação na recuperação de habitats, uma vez que confere ensombramento, promovendo a recuperação natural de espécies.

 Recuperação de áreas intervencionadas

Na recuperação ecológica e paisagística de habitats terrestres ou de situações que surjam em sequência das ações de construção e edificação, é necessária:

 Aplicação de técnicas de cobertura, consolidação e estabilização de solo exposto e de taludes, que protejam a superfície do solo relativamente à ação erosiva do vento, da precipitação e do esciamento hídrico;

 Assegurar as funções de escoamento e drenagem do solo;

 Recurso a ações de revegetação com o intuito de promover a recuperação dos habitats intervencionados

No caso particular da estabilização de taludes as técnicas adotadas devem considerar a inclinação do declive dos terrenos (Alho, 2006; Fernandes & Freitas, 2011):

i. Estabilização do terreno, através das funções de estrutura e cobertura, em declives menores que 20°:

o Revegetação espontânea, sementeira ou hidrossementeira; o Plantação de arbustos;

o Aplicação das espécies caraterísticas dos habitats em que decorre a intervenção, de acordo com o Quadro 2 (ponto desenvolvido a seguir).

ii. Declives superiores, até 55°:

110

o Criação de faixas de vegetação ou degraus vivos; o Muros de suporte vivos.

As espécies a utilizar devem ser as observadas no terreno, caraterísticas de cada comunidade identificada, pois todas estas apresentam importante função de cobertura e de ação ante a erosão. Se for necessário função de estabilização do sistema, através de raízes de maior comprimento ou resistência, recomendam-se as espécies listadas no Quadro 2 (Ponto 5.4.7. - Espécies Autóctones Locais a Utilizar Preferencialmente).

No documento Valorização ambiental de campos de golfe (páginas 121-124)