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11 T ■ Fig 5.17 Fachada norte do convento, Rua da Madeira í

Fonte: AHMP Fig. 5.18 Vista do convento Fonte: AHMP

1 Localização

0 convento de São Bento de Avé-Maria situava-se no local hoje ocupado pela Estação de S. Bento. 0 edifício e a sua cerca foram demolidos para a construção desta estação que se localiza em pleno centro histórico da cidade. Delimitado a poente pela Praça Almeida Garrett, a norte pela rua da Madeira, a sul pela rua do Loureiro e a nascente a rua de Cimo de Vila e a escarpa da Batalha, onde desemboca o túnel ferroviário, o edifício da estação destaca-se na envolvente pela sua monumentalidade.

O convento, como mostram as fotografias, era igualmente imponente e ocupava aproximadamente a mesma área que a estação.1

A sobreposição da planta de 1892, apresentando a implantação do Convento e respectiva cerca, com a planta actual comprovam a similariedade das duas implantações. As fotografias demonstram a correspondência tanto em área como em elevação do convento com a estação de S. Bento. (Fig.5.3 pag.175)

A crescente passagem da centralidade das activividades antes entre a Ribeira e São S. Domingos e posteriormente para o Campo das Hortas, lugar do convento, e a extinção das ordens religiosas provocaram a destruição desta estrutura em finais do século XIX, já desactivada da sua função e abandonada.

A demolição do corpo poente para o alargamento da praça Almeida Garrett como proposta de melhoramento das ruas da cidade e como acesso à praça D. Pedro V, onde a Câmara fazia a frente norte, foi o início da aniquilação do edifício.

2 Implantação

S. Bento de Avé-Maria é o quinto convento a implantar-se no Porto e o segundo feminino em inícios do século XVI.

Do lado nascente do Convento dos Lóios e no interior das muralhas foi implantado poucos anos mais tarde o Convento de Avé-Maria.

Em inícios do século XVI, este local de implantação era ainda periférico. Numa cidade ainda pouco povoada no interior da muralha fernandina, o novo convento feminino veio situar-se no "Campo das Hortas", encostado à muralha, no lado norte e junto à Porta dos Carros. O enquadramento visual é o do convento a uma cota baixa relativamente ao morro da Sé e ao convento de Santa Clara, a norte e nascente destes respectivamente, e a poente e a norte, e muito próximo, do convento de S. Eloy e da muralha. Como o nome indica o local era de hortas.2

A sua implantação insere-se numa política de centralização de poder de D. Manuel I que implicava concentrar os mosteiros femininos nas cidades, levando a um maior controlo do poder eclesiástico da época.3

Os Mosteiros de Rio Tinto de S. Cristóvão, Vila Cova das Donas de S. Salvador de Sandim, Tarouca de Santa M- Maior de Tarouquela e Tuias no Marco de Canavezes foram extintos e anexados no Porto em Avé-Maria.4

Estavam também incluídas nesta transferência as monjas de Vairão, mas estas recusaram a mudança.

. « Enorme, tomando a rua do Loureiro para a qual fazia frente, vinha a estender-se para pela Praça de Almeida Garrett e ia fechar-se com a rua da Madeira.» tripeiro - Porto - Série 1, Ano 3, n8106 (1913) - p.541. Convento de São bento d'Ave-Maria. Crónica do passado / Matias Lima

. "Mandou el-rei D. Manuel, se fizesse uma casa e um convento no sítio das Hortas chamado do Bispo, ou cividade dentro dos muros da cerca do Porto" Sousa Reis, Apontamentos para a verdadeira história antiga e moderna da Cidade do Porto. IV volume. Manuscritos inéditos da BPMP. Porto -1999. pag.170

, "Tirar dos montes os mosteiros das religiosas, concentrando-os nas cidades, foi uma preocupação de D. Manuel que com isso pretendia reforçar o movi- mento de centralização e exercer um maior controlo da vida monástica da época." CARDOSO, Augusto Pedro. Abadessas, priorescas e subpriorescas do Convento de São Bento de Ave-maria nos séculos XVI e XVII / Augusto Pedro Cardoso. Tripeiro - Porto - Série Nova, Ano 6, n510 (1987) - p.300.

. "Este resultou da fusão de 4 mosteiros : Rio Tinto de S. Cristóvão, Vila Cova de S. Salvador de Sandim, Tarouca de Santa Ms Maior e Tuias no Marco de Cana-

3 Ordem de S. Bento

A Regra de S. Bento, introduzida em Portugal entre 1080 e 1115, adoptava as principais estruturas da forma de vida monástica: oração, valorização da liturgia, vida de renúncia e afastamento do "mundo", estando sujeitos à jurisdição do bispo da diocese onde se integravam.5

Foi com a Regra de S. Bento, provavelmente no século XII, que apareceram os primeiros mosteiros femininos autónomos, pois até aí apenas havia comunidades formadas por monges e monjas, que, embora vivendo separadamente, dependiam de um único superior.6

Nunca as religiosas beneditinas formaram uma congregação, continuando, assim, a estarem dependentes do bispo da diocese a que pertenciam, no entanto, com a reforma da Ordem, nos séculos XVI e XVII, as abadessas passaram a ser eleitas por triénios.

4 Fundação, edificação e transformações 4.1 Convento

O convento foi fundado em Junho de 1518 por el-rei D. Manuel. As obras de construção iniciaram- se nesse ano, como indica o contrato celebrado a 10 de Junho com o mestre pedreiro João Lopes

7e terminaram em 1528 no reinado de D. João I I I .8

A mudança das freiras para o Porto efectuou-se a 6 de Janeiro de 1535 num acto de posse oficial pela abadessa D. Maria de Melo e religiosas na presença do senado e da nobreza.9

As descrições e dados gráficos sobre a estrutura e organização do edifício conventual não descrevem de forma sistemática todos os seus componentes.

Faremos por isso a descrição que obtivemos através dos dados encontrados.

0 edifício foi construído no início do século XVI numa arquitectura Manuelina, austera, como ditava a regra beneditina. Era uma estrutura imponente tanto pelas suas dimensões como configuração e tipologia.10

Quando faleceu D. Manuel, em 13 de Dezembro de 1521, a construção do convento estava praticamente concluída, faltando apenas terminar "a segunda claustra, os ferros, as grades e os lageamentos".11

A sul, virada para a rua do Loureiro, encontrava-se a porta lateral da igreja ao centro da fachada como é habitual nos conventos femininos. A entrada principal do convento com a sua portaria encontrava-se igualmente nesta fachada e na fachada poente com duas portas: uma de cada um dos lados das fachadas, fazendo igualmente a entrada para o claustro exterior.

Encostados ao corpo da igreja e do lado norte deste mesmo corpo estavam os dormitórios.

5 Fonte: SOUSA, Bernardo Vasconcelos e, Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento guia histórico. Lisboa. Livros Horizonte. 2005. B Fonte: P77/ DIAS ISBN : 972-589-091-4 DIAS, MARINA Tavares, Porto desaparecido. (0 Convento de S. Bento de Ave-maria

j «Determinada a sua construção por D. Manuel I e assim o declara o instrumento de contrato celebrado, para esse efeito, a 10 de Junho de 1518, com o

mestre pedreiro João Lopes morador em Lamego no sítio das hortas do bispo, onde chamavam a cividade.» TAVARES, Ernão. Mosteiro, S. Bento de Ave-maria na memória do património perdido / Tripeiro - Porto - Série Nova, Ano 2, ns7/8 (1983] - p.240-243. Mosteiro de São Bento de Ave-maria na memória do património perdido. P.240

g «Principiado em 1518, foi destinado pelo rei D. Manuel para as religiosas beneditinas, e foi concluído dez annos após pelo seu filho D. João I I I . » Tripeiro - Porto - Série 1, Ano 3, na106 (1913) - p.541. Convento de São bento d' Ave-Maria. Crónica do passado / Matias Lima Sousa Reis "Teve começo a obra decretada por este

monarca em 1518... a conclusão conseguindo-a no ano de 1528"

g "6 Janeiro de 1535, a senhora abadessa D. Maria de Melo e as religiosas, tomou posse deste convento" ASSUNÇÃO, Lino de, O Convento de Ave-Maria no

Porto e a sua fundação/ Lino de Assunção. Tripeiro - Porto - Série 1, Ano 3, n'79 (1910) - p.99,119,157.0 Convento de Ave-Maria no Porto e a sua fundação. Pag.99 "Reuniu pois esta abadessa todas as freiras extintas das casas e fez sua entrada nesta cidade a.. .de 1535 sendo esperadas... que as acompanharam até ao novo conven- to..." Sousa Reis, Apontamentos para a verdadeira história antiga e moderna da Cidade do Porto. IV volume. Manuscritos inéditos da BPMP. Porto -1999. Pag.170

1 Q «O Convento de São bento d' Ave-Maria tinha o aspecto vibrante de uma fortaleza erguida à fé. Era uma construção grandiosa com severidade de linhas.

Porém, segundo Pinho Leal, ressentia-se a sua arquitectura de não ser toda manuelina como a primitiva, pois era de muito mais sumptuosidade que a outra," Tripeiro - Porto - Série 1, Ano 3, n'106 (1913) - p.541. Convento de São bento d' Ave-Maria. Crónica do passado / Matias Lima

, , "Em 13 de Dezembro de 1521, dia em que faleceu o real fundador, todo o principal dela estava acabado faltando apenas para completar os ferros, grades, lajeamentos e a segunda claustra apenas então começada." Sousa Reis, Hist. Porto. IV volume. Manuscritos inéditos da BPMP. Porto -1999. Pag.170

Na ala norte e ao longo da rua da Madeira e da muralha Fernandina, conseguimos perceber pelas descrições e pelas fotografias mais dormitórios no piso superior, sendo o inferior ocupado por casas, cozinhas e depósitos.

O incêndio que destruiu a igreja em 10 de Outubro de 1783 levou à construção da nova igreja de estilo barroco. No entanto as modificações no edifício foram sendo realizadas conforme as necessidades e gosto das diferentes épocas, sem muitas vezes ter havido grandes preocupações nas diferenças estilísticas. O aumento do número de religiosas ditou a necessidade das muitas transformações. "O n9 de professas passa de 80, que com as educandas seculares e serventes

chega ao de 300 pessoas."12

Neste caso e pelas fotografias do fim do século XIX, denota-se coerência estilística nas fachadas poente e sul, sendo o interior o que apresenta maior diversidade de soluções arquitectónicas, tanto na variedade dos pisos como nas arcadas.

Contudo, mesmo antes do incêndio de 1783, já pouco devia existir da traça original do edifício, pois tinham sido feitas sucessivas alterações, alterações essas que seguiam o gosto das madres abadessas e as necessidades de albergar o cada vez maior número de religiosas.13

O edifício do século XVIII tinha duas frentes, uma virada para a rua do Loureiro denunciada pela fachada e porta da igreja e uma segunda virada para a Praça Almeida Garrett. A fachada virada a sul (rua do Loureiro) contrasta pela sua sumptuosidade de arquitectura barroca do século XVIII, com a fachada norte (rua da Madeira) encerrada num grande muro, em uma parte da muralha fernandina, fachada esta, nunca exposta nas fotos existentes do edifício. A fachada poente virada para praça Almeida Garrett tinha menos um piso que a fachada sul e apresentava-se como um bloco mais fechado e austero, com pequenas fenestrações nos dois pisos superiores e com grandes muros no piso da rua onde apenas duas portas abriam as entradas do convento.

Este corpo poente foi também o primeiro a ser demolido para o alargamento da rua como proposta de melhoramento das ruas da cidade e como acesso à praça D. Pedro V, onde a Câmara fazia a frente norte desta praça.

Em 1783, a reedificação do convento conferiu-lhe mais beleza e sumptuosidade.14

"Do lado sul ficava a igreja que tinha sofrido um grande incêndio em 1783, e que se erguia para o céu com uns ares triunfantes de Lazaro ressuscitado."15

O claustro externo, servindo de ante-câmara para a entrada do convento, tinha uma porta a sul e outra a poente, possibilitando a entrada por ambos os lados das fachadas, entre os quais se encontrava uma vasta escadaria de pedra cortada e substituída por uma varanda de ferro. Já no interior deste claustro havia 3 arcos de granito, debaixo dos quais em forma de galeria se encontrava o acesso à portaria principal do convento, as duas rodas para o locutório, assim como o acesso ao espaço recepção das visitas.16

Lateralmente a esta entrada, e no interior do mesmo claustro, existiam outros dois arcos de granito, quedavam o acesso a uma segunda portaria destinada ao serviço diário do convento.

, 2 Costa. Descrição topográfica e histórica da cidade do Porto. Editora frenesi, (fotoc.pag.104-110 - conventos religiosos)

, o "Antes porém do incêndio de 1783 já da obra manuelina pouco devia existir na sua primitiva pureza ; porque no decorrer constante de 2 séculos mesmo ainda na véspera do sinistro ali se fizeram augmentos e modificações talhados ao sabor artístico das madres abbadessas. Além disso os archítectos e artifices dos séculos XVII e X V I I I não se preocupavam em continuar a obra dos seus antecessores no mesmo espírito d'aquelles ; e no que faziam de novo e mesmo no que consertavam punham de parte o primitivo estylo ; tanto mais para desprezar, tendo-o alguns como bárbaro, quanto era profunda a adulteração." ASSUNÇÃO, Lino de. O Convento de Ave-maria no Porto e a sua fundação/ Lino de Assunção. Tripeiro - Porto - Série 1, Ano 3, n»79 (1910) - p.99,119,157.0 Conv. Ave-maria no Porto e a sua fundação. Pag.99-119 , . "Em 1783 se reedificou o estrago com melhor gosto, mais riqueza ainda, propriedade beleza e solidez como vemos presentemente distinguindo-se com facilidade a obra restaurada da antiga, que tão diversa é na forma e feitio." Sousa Reis (pag.170)

,5 Tripeiro - Porto - Série 1, Ano 3, n5106 (1913) - p.541. Convento de São bento d' Ave-Maria. Crónica do passado / Matias Lima

, c "A claustra externa tem uma porta praticada no muro voltada ao sul, outra ao poente, que facultam a entrada por ambos os lados tendo antigamente por eles uma longa escadaria de pedra, a qual embelezam... cortada e substituída por varandas de ferro, conservando assim a livre passagem e ingresso para a respectiva claustra quadrada fazendo lhe face internamente pelo ângulo do Nascente três formosos arcos de granito, debaixo dos quais em forma de galeria se acha a Portaria principal do convento e duas rodas para locutório, bem como a escada para as saletas ou grades de recepção de visitas." Sousa Reis, Henrique Duarte, Apontamentos para a verdadeira história antiga e moderna da Cidade do Porto. IV volume. Manuscritos inéditos da Biblioteca Pública Municipal do Porto. BPMP. Porto -1999. (pag.170-174)

Sobre estas duas entradas elevavam-se janelas de peitoril, em estilo manuelino, encontrando-se, ainda, um outro andar superior a poente designado por mirante.17

A sul, do lado da rua do Loureiro, situavam-se os dois coros reconstruídos após o incêndio e ainda uma parte do primitivo mosteiro não afectada pelo fogo, com as janelas de grades dos dormitírios. Do lado da porta dos carros, encontravam-se as casas de oficinas internas da comunidade rodeadas por grades de ferros que circundavam ainda todo este espaço até ao fim da cerca antiga e da última muralha da cidade e onde estava a maior parte das casas, dormitórios, cozinhas e depósitos,18

Este convento teve referências de Albrech Haupt, em "A Arquitectura da Renascença ", pelo seu traçado e "elegância ". São as palavras do arquitecto que passamos a transcrever : -Não obstante, o famosoedifício do convento das freiras de S. Bento apresenta uma arquitectura valiosa a par de original. E o habitáculo da comunidade, limitando os dois lados do adro, separado da rua por um muro. Das alas uma tem 2 andares, mais baixa que o corpo principal anexo da sumptuosa igreja de estilo barroco; é idêntica a sua arquitectura."19

Com o decreto de extinção das ordens religiosas em 1834, as freiras foram transferidas para o convento de Santa Clara.

Em 1894, o edifício é demolido para a construção da Estação de S. Bento. 20_

4. 2 Igreja

Em 10 de Outubro de 1783, um grande incêndio reduziu a ruínas a igreja, os coros e todas as restantes dependências, daí a necessidade de construir uma nova igreja inaugurada em 1794.21

Não foram encontradas por nós descrições detalhadas do interior da igreja, apenas sabemos que a sua entrada era lateral como na regra dos conventos femininos, tinha dois coros e foi reconstruída em estilo barroco. O seu exterior, como mostram as fotografias, poderá indicar-nos as suas dimensões e a qualidade do seu interior. A porta centralizada e com decoração barroca denotam o cuidado na apresentação da fachada.

5 Extinção e permanências 5 . 1 Estação de S. Bento

A construção da estação de S. Bento em finais do século XIX fez parte das transformações verificadas na maior parte das grandes cidades ocidentais dessa época. A chegada do caminho- de-ferro ao centro urbano e a construção de uma imponente estação valorizava o prestígio da cidade.

1 7 "Iguais arcos se vêm para o lado do Norte e faceando também com a mesma claustra, que contem uma segunda portaria destinada ao serviço diário do

mesmo convento. Sobre estas duas arcarias se eleva ainda uma série de janelas de peitoril, lavradas e adornadas ao gosto da época da sua fundação por D. Manuel, tendo assentado ao Nascente o acréscimo de outro andar superior, chamado de o mirante." Sousa Reis (pag.170) Sousa Reis, Henrique Duarte, Apontamentos para a verdadeira história antiga e moderna da Cidade do Porto. IV volume. Manuscritos inéditos da Biblioteca Pública Municipal do Porto. BPMP. Porto -1999. (pag.170-174)

1 8 Sousa Reis (pag.170) "Para o lado da rua do Loureiro, ao Sul, se estende ainda até topar com os dois coros reedificados depois do incêndio, uma não pequena

parte do primitivo Mosteiro que escapou a essa calamidade, o qual apresenta todas as engradadas pequenas janelas, que sem dúvida foram sempre os dormitórios, e para o lado da Porta dos carros são casas de oficinas internas da comunidade esclarecidas apenas pela luz, que lhes transmitem diminutas frestas também com grades de ferro para segurança da claustra, rodeando a desde esse ponto ate ao fim da cerca antiga e ultima muralha da Cidade, que segue pela rua da Madeira, e calçada da Tereza encerrando assim a maior parte das casas, dormitórios, cozinhas e depósitos deste asilo das religiosas Beneditinas." Sousa Reis, Henrique Duarte, Apontamentos para a verdadeira história antiga e moderna da Cidade do Porto. IV volume. Manuscritos inéditos da Biblioteca Pública Municipal do Porto. BPMP. Porto -1999. /pag.170-174)

i g P05/BOL.CULT. ANDRADE, Monteiro de, O Convento de Ave-maria de S, Bento e a estação central de caminhos-de-ferro do Porto, (Pag.169-176)

2Q «E para que do mosteiro nada reste, até se lhe decretou o arrasamento, para em seu lugar se construir uma estação de caminho de ferro, que é um disparate técnico e económico, projectado e levado a efeito, porque igual disparate se realizou em Lisboa. (O conde de Samodães escreveu que o Porto «perdeu um bom edifício, ganhando uma má estação» ROCHA, Hugo. Dum Porto que desapareceu há muito do mosteiro de Ave-maria / tripeiro - Porto - Série 6, Ano 1, ns3 (1961) - p.70.

2i "Um incêndio que destruiu a igreja, os coros e as respectivas dependências - 1 0 Outubro de 1783". ROCHA, Hugo. Dum Porto que desapareceu há muito do

As descrições sobre a escolha do Lugar a ocupar para esta estação reflectiam isso mesmo: preocupações de centralidade e de prestígio. Existiam as ligações de Campanhã ao resto do País, mas faltava à cidade do Porto a sua ambiciosa estação central.

O local escolhido era o ocupado pelo convento e anexos, abrangendo uma área de 16.000m2, de configuração muito difícil como reconhecia o autor do projecto, mas mesmo assim, suficiente para o estabelecimento da nova gare central. Este convento formava um conjunto que pela sua área e volume dominava o centro da cidade e impunha-se pela sua elegância e arquitectura. O Engenheiro H. De Baer, francês, autor do projecto, justificava deste modo o local escolhido para esta obra: "O projecto da construção da estação central do Porto deve corresponder, desta forma ao seu fim principal : trazer viajantes e mercadorias ao centro da cidade, sem necessidade de a atravessar quase todos em omnibus, carros, etc. A realização deste projecto será pois uma das obras mais úteis ao Porto, e a sua importância terá um aumento de reputação aos notáveis trabalhos que já