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Com a Revolução francesa, foi reforçada a ideia de protecção do património desencadeada pela desenfreada destruição de estátuas públicas dos monarcas, castelos e palácios saqueados e pilhados, brasões arrancados e túmulos violados, pinturas, manuscritos. Os monumentos sofreram aquilo a que Françoise Choay chamou de destruição ideológica, em que foi arrasado tudo o que lembrasse a antiga ordem.29

0 conceito de monumento histórico e a consciência do interesse público levaram à criação de um regime de tutela por parte do estado. Proteger os monumentos implicava o estabelecimento de regras de levantamento e inventário. 0 monumento histórico foi considerado como perda irreparável e irrecuperável.

O objectivo principal da política de salvaguarda francesa, nesta altura, consistia na preservação dos valores históricos de carácter nacionalista, transmitidos pelos monumentos, pelo que o maior interesse da conservação seria garantir a sobrevivência da identidade nacional.

A procura de um estilo unitário levou à remoção de mais-valias arquitectónicas (renascentista, barroca ou neo-clássica) acrescentadas aos monumentos medievais ou tardo-medievais franceses. A procura de uma unidade formal conduziu ao "restauro estilístico". Viollet-le-Duc foi o grande defensor destas ideias.30

Viollet-le-Duc constituiu uma forte influência para as teorias do restauro do séc. XX.31

Viollet-le-Duc interpretou a arquitectura gótica como um exemplo de racionalidade construtiva

„ „ "A pilastra é uma coluna decorativa, é um bastardo, por isso deve ser rejeitada "Fonte:"Teoria da arquitectura, do renascim, aos nossos días"Taschen. Pag.311 „ . Tal como o da pedra talhada, que por ser apenas decorativo não faria parte de uma arquitectura autentica.

„_ Para Laugier a unidade da arquitectura grega é estéril e de uma uniformidade irreflectida. O gótico é pelo contrário o ideal da arquitectura de Laugier. „ „ Laugier, adepto da veracidade e da autenticidade arquitectónica, despertou para uma atitude de restauro nas gerações seguintes. Acreditava em fundamen- tos imutáveis para a arquitectura que fariam do projecto uma ciência cujas leis estavam por definir.

-7 Fonte: "Teoria de la arquitectura, do renascimento aos nossos dias"Taschen. Pag.310

2P A sua influência far-se-á sentir nas investigações formais de Etienne-Louis Boullet (1728-1799): o carácter enfático de uma arquitectura que põe em cena a natureza será o momento determinante das suas criações fantasistas que impressionam pela sua monumentalidade e pela pureza das suas formas geométricas. Ana Cristina Pereira. Hist. Rest, e Recup. Arq.. 5 Dezembro 2003 Prof. Domingos Tavares. Tema 5 "Que pensar das consequências da teoria de Laugier" MIPA FAUP. 2003-2004. _q São também os que lançaram o caos ideológico, os primeiros a tomar medidas de protecção.

r.|-) Pereira, Ana C, O conceito de monumento. Teoiria Pat. Arq.. 28 Nov. 2003, Prof. Domingos Tavares. Tema 1 "O conceito de monumento" MIPA FAUP. 2003-04.

... A Commission des Monuments Historiques confiou a Viollet-le-Duc grandes projectos de restauro de obras-primas da arquitectura medieval, entre os quais Notre-Dame de Paris, as catedrais de Amiens e Clermont-Ferrand, a Basílica de Saint-Denis e a Madeleine de Vézelay, assim como os contrafortes de Avignon e de Carcas- sonne. Ana Cristina Pereira. História do restauro e recuperação arquitectónica. Jan.2004 Domingos Tavares. Tema 7 "A expressão da modernidade no processo de restauro".

(ultrapassando a Leitura espiritual e religiosa), de adequação da funcionalidade à linguagem formal do edifício e da sua harmonia entre uso, estrutura e imagem. Procurou o conhecimento profundo das qualidades formais da arquitectura gótica como forma de experiências reutilizáveis e como forma de exploração de novas tecnologias.32

Em "Entretiens sur L'architecture" publicado entre 1863 e 1872, formulou os princípios da sua arquitectura e sistemas construtivos. Redigiu ainda o "Dictionnaire Raisonné de l'Architecture Française do XI au XVIéme", publicado entre 1854 e 1868.0 profundo conhecimento da arquitectura e de sistemas construtivos góticos, que adquiriu como restaurador, serviu de base para a introdução de um novo material, o ferro, e para a aplicação de um mesmo processo construtivo.33

Aos novos equipamentos do século XIX, tais como mercados, bibliotecas, ferrovias, teatros, edifícios públicos, surgidos com a nova sociedade, juntou o ferro que vai transformar radicalmente a indústria da construção. O ferro tomou a função de suporte e de cobertura da pedra, ideia retirada dos princípios da estrutura elástica da construção gótica.34

Este autor colocou em questão a noção de Monumento Histórico, pois não é tida em conta a autenticidade do edifício; ao aceitar a utilização de materiais modernos em substituição de peças degradadas defendeu que a cópia e o original se confundissem e que o novo se fundisse organicamente na construção existente. A autenticidade cuja carga histórica Ruskin queria preservar opõe-se ao restauro de Viollet-le-Duc, que considerava que um monumento histórico teria que pertencer simultaneamente a duas épocas: o passado e o presente. Os edifícios por ele restaurados tinham por fim a reutilização, o que era impensável para Ruskin.35

Viollet-le-Duc realçou o seu entendimento selectivo das épocas históricas, definindo o que manter ou eliminar nos edifícios.36

Viollet-le-Duc acentuava o princípio do funcionalismo estrutural e aplicava-o na interpretação arquitectónica gótica. Se a forma era ditada pela função, era também determinada pela tecnologia e pelos processos construtivos. Na defesa da verdade construtiva estava a aceitação de aplicação dos novos materiais e processos de construção que a revolução industrial proporcionava.

A sua teoria do restauro é de natureza projectual e não arqueológica.

O restauro é tomado como uma prática projectual e disciplinar específica, distinta da concepção das novas arquitecturas: para o projecto de restauro, Viollet-le-Duc reclamou um rigor e uma fidelidade estilística absolutos, sem lugar para a criatividade. Para o projecto novo, inspirou-se nos exemplos da arquitectura estrutural do passado que permitia novas e inovadoras concepções espaciais. Viollet-le-Duc, ao contrário de Ruskin, não exaltou a imagem poética das ruínas. Para estas, reclamava a "remise en état", para a possibilidade de o edifício voltar ao seu uso, fosse ele prático ou memorial.

O restauro permitiu a Viollet-le-Duc resolver a questão que este sempre considerou primordial: a imprescindibilidade da reutilização funcional dos monumentos, atribuindo-lhes utilizações

o2 Para Viollet-le-Duc, o restauro não c o n t é m uma i m a g e m ideal. A ele interessa-lhe a lógica do estilo o u o processo d e correspondência da regra c o m u m

t e m p o e as suas possibilidades técnico-formais.

oo A construção e a função foram as determinantes da sua arquitectura, c o m o resultado d e análises históricas, sociológicas e sobretudo tecnológicas. Os i n ú m e - ros escritos d e Viollet-le-Duc p e r m i t i r a m a codificação da arquitectura gótica através da sua explicação racional. Viollet-le-Duc ao introduzir uma gramática estilística gótica a partir d e reconhecimentos construtivos opõe-se a u m e n t e n d i m e n t o p u r a m e n t e arqueológico e d e restituição d o passado através d e processos miméticos.

o . A aparência e a forma dos edifícios pertencem ao processo construtivo: Viollet-le-Duc fez inúmeros estudos de arcos e m pedra, c o m sistema modular para as suas bases, tanto na catedral d e Notre-Dame e m Dijon c o m o e m Saint-Nazaire e m Carcassone. Estudou ainda o v i g a m e n t o de madeira do lanternim da Catedral d e Amiens. Na catedral d e Beauvais, estudou as estruturas leves d o gótico para perceber o seu d e s m o r o n a m e n t o e m 1284.

or Viollet-le-Duc valorizou o g ó t i c o o p o n d o - s e ao clássico e o p o n d o a técnica relativamente à arte. História d o restauro e recuperação arquitectónica. Ana Cristina Pereira. 1 l j a n 2 0 0 4 D o m i n g o s Tavares. Tema 7 "A expressão da m o d e r n i d a d e no processo d e restauro"

oR Afirma a necessidade de u m estilo próprio do século XIX, não estereotipado, mas uma arquitectura inventiva, em q u e se acrescentam e substituem elemen- tos. Viollet-le-Duc e n t e n d e q u e existem épocas históricas estanques entre si, d e f i n i n d o o q u e manter o u eliminar"périodes d'éclat, d e splendeur, et périodes d e barbarie" (Viollet-le-Duc).

concretas enquanto arquitecturas.37

Viollet-le-Duc aceitava o uso de materiais modernos em substituição de peças degradadas, defendendo que a cópia e o original se deviam confundir de modo que os novos materiais se pudessem fundir organicamente na construção. A veracidade histórica resultava da integridade estilística, que podia sempre ser recuperada pelo restauro.38

John Ruskin (1819-1900)

Crítico de arte, rejeitou a industrialização e os seus efeitos, exaltando o retorno às formas góticas. Desenvolveu ideias de uma ética conservadora e de uma sociedade neo-medieval.39

Escreveu "The Seven Lamps of Architecture" em 1849 onde estabeleceu as bases da sua filosofia.

40

Atribuiu à arquitectura um conceito biológico de nascimento, vida e morte, negando a noção de restauro; prevendo, no entanto, a manutenção dos edifícios até à sua consolidação desde que invisível, como forma de respeitar o monumento histórico em questão. Ruskin opôs-se radicalmente à intervenção de restauro dos edifícios, optando por uma conservação ao longo do tempo no sentido da sua protecção.41

A Inglaterra, apesar de ter sido o país de origem da revolução industrial, permaneceu mais apegada às tradições e mais orientada para o passado num "ideal de revivalismo" que o resto da Europa e nomeadamente a França.

O processo de "reconstituição estilística", vigente em França com Viollet-le-Duc, provocava a perda, de forma definitiva, de grande parte do conteúdo documental dos monumentos históricos, assim como afectava a sua autenticidade e o seu valor poético. Esquematicamente, opõem-se duas doutrinas: uma intervencionista que predomina no conjunto dos países europeus, a outra anti-intervencionista, sobretudo característica de Inglaterra.42

Para os ingleses, os monumentos do passado são necessários à vida do presente, portadores de saber, de prazer e fazendo parte do quotidiano.43

Ruskin é o primeiro, seguido por Morris, a incluir os "conjuntos urbanos" na mesma categoria dos

T7 Os monumentos deveriam resolver funções de utilidade económica e social, entendimento claramente incompatível com a valorização estética e simbólica

da ruína tão defendida e admirada pelos românticos como Ruskin.

~fi Articulando uma teoria dispersa, interpretou o restauro monumental como uma disciplina de concepção arquitectónica. No Dictionnaire Raisonnée de

L'Architecture, impresso em Paris entre 1854 e 1868, defende a leitura racional do gótico em vez de um entendimento arqueológico de restituição mimética do passado. Defende que a beleza duma obra resulta do uso cuidadoso de vários materiais. Considerava possível melhorar o equilíbrio medieval com o uso visível do ferro como um novo elemento de restauro. Foi forte adepto da arquitectura gótica, estilo que considerava haver uma total concordância entre a forma e a estrutura, onde tudo está em equilíbrio como um todo.

Na apreciação crítica dos projectos de restauro de Viollet-le-Duc existe uma outra perspectiva de natureza operacional: vivendo-se em plena revolução industrial, estavam bem vivos em França os saberes milenares da construção que permitiam não só reparar como também reproduzir as soluções construtivas presentes nos monumentos, de acordo com as práticas produtivas ancestrais.

Bastava que existissem algumas peças para que fosse ainda possível reproduzi-las ou repará-las, com métodos em grande medida similares aos originais. Ana Cristina Pereira. Historiado restauro e recuperação arquitectónica. Jan.2004 Domingos Tavares. Tema 7 "A expressão da modernidade no processo de restauro".

3n NETO, Maria João Baptista, Memória, Propaganda e Poder. O Restauro dos Monumentos Nacionais (1929-1960). Porto, FAUP Publicações, 2001. Pag.44 4 n Sacrifício, Verdade, Poder, Beleza, Vida, Memória e Obediência são os sete princípios que Ruskin utilizou no seu livro para definir a sua noção de identidade

arquitectónica.

., Ruskin defendeu a preservação dos monumentos e que a dignificação do edifício estava na sua idade. Considerava que se deviam conservar os edifícios de

modo a que não fosse preciso restaurá-los, optando por uma conservação de forma invisível e com continuidade - o que impediria a sua deterioração, para os poder deixar às gerações futuras.

.y Ruskin defendia um anti-intervencionismo radical, até então sem exemplo, e que é consequência da sua concepção de monumento histórico.

. - Ruskin em "The seven lamps"ou "The stones of Venice"ou nas variadas conferências que deu a partir dos anos 50 do séc. XIX defende de forma intransigente a importância da salvaguarda da herança arquitectónica do passado, afirmando que "era dever da nova arquitectura aspirar e atingir uma qualidade tal que lhe permitisse alcançar, ela própria, o estatuto de património, transcendendo os limites do seu próprio tempo". José Aguiar

edifícios individuais no campo da herança histórica a preservar.44

Conferindo aos monumentos um carácter universal, criou a noção de bem europeu, defendendo- os a nível internacional e propôs, em 1854, a formação de uma organização europeia para a sua protecção,45

Contra a cultura massificadora da industrialização, Ruskin revelou a vontade da continuidade e identificação com o passado, preservando um habitat pré-industrial que considerava muito mais humano.46

Quanto às formas de intervir na preservação dos edifícios, Ruskin defendeu teses opostas às de Viollet-le-Duc, considerando o restauro uma impossibilidade prática e uma condenação da autenticidade material do objecto. Nas concepções de Ruskin, as marcas do tempo faziam parte da essência do monumento.47

Ruskin não propôs nenhum método concreto de salvaguarda patrimonial.48

Ruskin defendia a metodologia de preservação patrimonial em alternativa ao restauro. O seu pensamento marcou a história das ideias de salvaguarda do património no séc. XX, suscitando acesa polémica sobre a dialéctica conservação versus restauro, a qual ressurge periodicamente.49

As questões do património debatem-se hoje pela conservação da forma às vezes cirúrgica com intervenção mínima, servindo Ruskin como referência.50

William Morris (1834-1896)

William Morris, não sendo arquitecto, foi um elemento marcante do revivalismo em Inglaterra, acreditava na reversibilidade da história e elogiava o reencontro com o trabalho manual como fundamento de uma arte popular.51

Ruskin e Morris recusavam o restauro dos edifícios admitindo no entanto a sua consolidação desde que fosse de forma invisível. Esta intransigência devia-se à sua fé na perenidade da arquitectura, enquanto obra de arte.

No âmbito da revolução industrial, as questões sociais eram um factor preocupante, pois a classe operária era muito pobre e os empresários gozavam de grandes riquezas. A defesa dos direitos da classe mais baixa e mais pobre, já defendida por Ruskin, de uma forma romântica, é para Morris uma questão mais profunda "é inútil falar de arte e poesia sem resolver os problemas mais

4 4 Ruskin incluiu a arquitectura doméstica como elemento dos seus conceitos. Sonhou ainda com a continuidade do tecido formado pelas habitações mais humildes.

»r Em 1854 Ruskin propôs a criação de uma organização europeia de protecção de estruturas financeiras e técnicas adequadas e lança a noção de "bem europeu".

4e Esta filosofia conservadora atingiria uma maior dimensão com um seguidor seu, William Morris (1834-1896). Em 1877, Morris publica o Manifesto anti-

restauro, baseado no pensamento de Ruskin.

,-j O lado profundamente moralista e romântico das ideias de Ruskin inseria-se tanto na forma como no contexto, no espírito nostálgico dos movimentos

culturais ingleses {sobretudo literários) dos meados do séc. XIX, profundamente reactivos perante a revolução industrial. O seu desmesurado apreço pelas ruínas é exemplo

,n Ruskin entendia que ao longo da história se criaram estilos tão perfeitos que não valia a pena criar outros novos. Os monumentos históricos seriam o único meio disponível para estabelecer uma herança com o passado. Considera o monumento histórico como o melhor suporte da memória e da nossa identidade.

4g Para Ruskin e Morris, querer restaurar um edifício era ferir a autenticidade que o constitui. Para eles o destino de qualquer monumento histórico seria a ruína e a desagregação progressiva, embora preconizavam a manutenção dos monumentos e admitiam a sua consolidação desde que de forma visível. A intransigência quanto ao restauro deveu-se à sua fé na perenidade da arquitectura enquanto arte.

cn A conservação pura e dura e a manutenção dos edifícios, sejam eles de valor histórico ou arquitectónico ou pertença de um conjunto edificado de determinado valor é no entanto actual e seguida por arquitectos e algumas correntes de arquitectura diferenciando-se neste caso a arquitectura de construções novas da arquitectura da conservação e do património. Ana Cristina Pereira. História do restauro e recuperação arquitectónica. 13fev2004 Prof. Domingos Tavares. Tema 14 "Qual o significado da posição de Ruskin no seu tempo e na actualidade?"

51 Em pleno século XIX, a Inglaterra, apesar de ser a terra natal da revolução industrial, permanece mais ligada às tradições, mais orientada para o passado, sendo por isso que o revivalismo se tornou um movimento, em França, rejeitado. História do restauro e recuperação arquitectónica. História de reabilitação da cidade. Ana Cristina Prerira. 16Jan2004 Prof. Domingos Tavares. Tema 9 O que é o revivalismo.

elementares de comer e dormir."52

É também nesta época que a engenharia toma conta das novas técnicas e descobertas e transporta- as para a construção com as suas novas pontes, edifícios para exposições, estufas, etc., enquanto a arquitectura, (sem conseguir dar resposta às novas solicitações) ficava enredada na imitação dos vários estilos históricos, incapaz de inventar novos standards formais adequados às exigências de produção em série. Perante o ecleticismo imperante, a posição de Morris é explícita: "não vejo porque devemos produzir uma imitação eclética, quando pelo contrário partindo do material que está ao nosso alcance e o modo de usá-lo, podemos identificar uma metodologia que pode pôr-nos em condições de sermos arquitectos vivos e actuais."53

Depois da revolução industrial, o restauro do trabalho artesanal, como trabalho artístico, o renascimento das técnicas nacionais, e os primeiros resultados de uma arte social deveram-se a Morris.54 A obra de Morris representou o renascimento do gosto nacional e significou recriar uma

arte de protestantismo inglês.55