ADRIANA SANAJOTTI NAKAMUTA ALBERTO MARTÍN CHILLÓN
TABELA 1: ACERVOS E COLEÇÕES TOMBADOS (1937-2014)
Nome do bem Cidade/Estado Ano de
tombamento
Coleção arqueológica, etnográfica, histórica e artística do Museu Júlio de Castilhos Porto Alegre/RS 1938 Coleções arqueológicas, etnográficas, artísticas e históricas do Museu Paulista da
Universidade de São Paulo. São Paulo/SP 1938 Museu da União dos Caixeiros Viajantes: acervo Santa Maria/RS 1938 Museu de Magia Negra: acervo Rio de Janeiro/RJ 1938 Museu do Estado de Pernambuco: acervo Recife/PE 1938 Coleções do Museu Mariano Procópio Juiz de Fora/MG 1939 Coleção arqueológica e etnográfica do Museu Paraense Emílio Goeldi Belém/PA 1940 Coleção arqueológica do Museu da Escola Normal Justiniano de Serra Fortaleza/CE 1941 Museu Coronel David Carneiro: coleção etnográfica, arqueológica, histórica e
artística Curitiba/PR 1941
Museu Paranaense: coleção etnográfica, arqueológica, histórica e artística. Curitiba/RJ 1941 Coleção de armas e apetrechos militares do Museu de Armas General Osório Tramandaí/RS 1942 Coleção arqueológica Balbino de Freitas: conchais do litoral sul Rio de Janeiro/RJ 1948 Coleção de armas Sérgio Ferreira da Cunha Petrópolis/RJ 1954 Coleção de arte que constitui o Museu de Arte Assis Chateaubriand São Paulo/SP 1969 Coleção de Arte Sacra da Curia Metropolitana de São Paulo São Paulo/SP 1969 Coleção: Lasar Segall São Paulo/SP 1980** Museu de Arte Contemporânea: acervo São Paulo/SP 1980 Coleção constituída de 89 ex-votos pintados pertencentes ao Santuário do Bom
Jesus de Matozinhos Congonhas/MG 1981 Coleção Arqueológica João Alfredo Rohr composta pelas depositadas nas
dependências particulares do Colégio Catarinense e peças em exposição no Museu Homem do Sambaqui (Colégio Catarinense), todas em Florianópolis/SC.
Florianópolis/SC 1986 Coleção Mário de Andrade do IEB / USP, produto de quatro sub-coleções distintas:
1 ) Sub-coleção de Artes Visuais ; 2 ) Sub-coleção de Arte Religiosa e Popular ; 3 ) Sub-coleção da Revolução de 1932 ; 4 ) Sub-coleção Bibliográfica
São Paulo/SP 1996 Partituras de Heitor Villa-Lobos, depositadas no Museu Villa-Lobos, na Rua
Sorocaba, 200. Rio de Janeiro/RJ 2004 Acervo Histórico da Discoteca Oneyda Alvarenga, no Centro Cultural São Paulo da
Secretaria Municipal de Cultura. São Paulo/SP 2008 Acervo do Museu de Imagens do Inconsciente do Rio de Janeiro Rio de Janeiro/RJ 2005 Coleção de artilharia do antigo Arsenal de Marinha – 4º Distrito Naval Belém/PA 2010** Coleção de Postais de Elysio Custódio Gonçalves de Oliveira Belchior Rio de Janeiro/RJ 2012** Acervo do Museu de Artes e Ofícios Belo Horizonte 2014* Acervo do Museu Nacional do Mar São Francisco do
Sul/SC 2014 Coleção Geyer Rio de Janeiro/RJ 2014* Museu do Trem: Acervo móvel e imóvel do Antigo Centro de Preservação da
História Ferroviária do Rio de Janeiro, situado na rua Arquias Cordeiro, nº 1046 Rio de Janeiro/RJ 2014
NAKAMUTA, Adriana Sanajotti. 2017. Tabela elaborada com base nas consultas realizadas no ACI/RJ, em 2015. * Tombamento provisório
** Ano de abertura do processo; tombamento provisório.
Desses processos que se enquadram na categoria Acervos e Coleções, observa-se que doze tiveram como objeto do tombamento os acervos pertencentes a determinadas instituições, em sua maioria museus, como, por exemplo: o Acervo de Artes e Ofícios, localizado na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais; o Museu Nacional do Mar, na cidade de São Francisco do Sul, Santa Catarina, entre outros. Há ainda os que foram protegidos por meio do tombamento em função de suas coleções de arte, documentação e outros objetos, como o caso do Museu de Arte Sacra, MASP, MAC-USP, e outros. É importante também destacar que no caso de acervos, estes são muitas vezes formados também por coleções e subcoleções. Outro ponto importante a ser observado em relação às práticas de proteção legal de coleções no Brasil é que grande parte desses processos foram abertos e inscritos nos livros do tombo nas primeiras décadas de atuação do órgão federal, como, por
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exemplo, 11 desses processos que foram abertos em 1938 e tombados entre 1938 e 1941 – dois anos –, e 18 abertos entre 1941 e 2012 – setenta e um anos –, sendo tombados em definitivo ou em situação de tombamento provisório.
Considerando, portanto, esse universo, selecionamos alguns casos para melhor ilustrar as questões relativas à motivação dos tombamentos de coleções de arte.
O primeiro exemplo trata-se da coleção de arte que constitui o Museu de Arte Assis Chateaubriand, conhecidamente por MASP, localizado na cidade de São Paulo, considerado hoje um dos mais importantes museus nesse segmento no “Hemisfério Sul”, inclusive por ter sido o “primeiro museu moderno no país”. (MASP) Seu processo de tombamento, sob o n. 809, foi aberto no ano de 1968 (Processo 809-T-68), no mesmo ano em que o museu foi transferido da antiga sede – rua 7 de abril – para a atual – avenida paulista –, no moderno edifício projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi. A justificativa para a abertura do processo deveu-se às preocupações relativas às saídas de obras de arte pertencentes a essa coleção, considerada, nos autos do processo e parecer de valoração, de caráter “excepcional, de alto padrão e de valor renomado” (DPHAN, Processo 809-T-68). Consta também no processo matérias de jornais sobre a importância dessa coleção e as preocupações sobre essas “saídas de obras para o exterior”, assim como documentos onde se destaca a importância do tombamento para “salvamento” da coleção e desse instrumento necessário e emergencial, haja vista a importância pública da referida coleção. Justificada a pertinência e acolhida pelo Conselho Consultivo a decisão favorável pelo tombamento, a coleção foi inscrita no Livro do Tombo das Belas Artes.
A coleção de Arte Sacra da Curia Metropolitana de São Paulo, localizada no Museu de Arte Sacra de São Paulo, consta no processo de n. 818, do ano de 1969 (Processo 818-T-1969), e foi inscrita no Livro do Tombo das Belas Artes no mesmo ano de sua abertura. O processo, com poucas folhas como o do MASP, é bastante sucinto e composto basicamente por troca de correspondências interinstitucionais. O processo foi aberto a pedido do Diretor do 4º Distrito do DPHAN – como antigamente eram nomeadas as superintendências estaduais do IPHAN, hoje essa é a SE de São Paulo – Luiz Saia. A justificativa pelo tombamento foi sustentada pelo valor de preciosidade das peças artísticas e documentos arquivísticos históricos contidos nessa coleção, de grande importância para a compreensão do Brasil, segundo Saia. (DPHAN, Processo 818-T-1969) Assim como o caso do MASP, há também evidenciado nesse processo a preocupação com as ameaças que as saídas de
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obras de arte do país têm representado naquele momento em matéria de proteção legal das coleções brasileiras.
O acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, conhecido por MAC-USP, também localizado na cidade de São Paulo, é composto por várias coleções adquiridas e recebidas por meio de doações, tendo obras de artistas como Pablo Picasso, Tarsila do Amaral, Lygia Clark, entre outros nomes de grande relevância nacional e internacional. Esse processo foi aberto em 1970, com o número T-829, e foi tombado em 1980, inscrito nos Livros de Tombo Histórico e de Belas Artes. (Processo 829-T-1970).
Por se tratar o tombamento de um acervo, identificamos reflexões e problemáticas apontadas importantes relativas às questões conceituais da definição do objeto da patrimonialização que vai desde a narrativa de valor aos procedimentos para gestão desse tipo de bem, explicitados em dois pareceres dos conselheiros Ulpiano Bezerra de Menezes e Lygia Martins Costa. Ambos apontaram que a maior problemática desse bem estava nas suas características, ou seja, um acervo de arte contemporânea em constante crescimento, o que significaria a incorporação de novas coleções e/ou de novas obras nas coleções existentes. Para o conselheiro Ulpiano, o problema no tombamento de coleções abertas, como o caso da arte contemporânea, é que “deve-se reconhecer que os acréscimos posteriores não poderão considerar-se tombados por contágio, sendo de rigor um adendo ao tombamento” (Parecer de 07 de julho de 1980, grifo nosso). Já para a conselheira Lygia Costa, preserva-se “(...) não como um conjunto intocável, mas pelo contrário, capaz de sofrer intervenções que visem a fortalecê-lo como qualidade” (Processo T-829). Isso porque para ela “(...) estamos diante de uma instituição cultural, cujo corpo técnico, consciente do acervo de sua responsabilidade, é capaz de promover trocas que realmente enriqueçam o Museu” (Processo T-829).
A coleção Mário de Andrade do Instituto de Estudos Brasileiro constante no processo n. 1217, do ano de 1987 (Processo n. 1217-T-1987), foi tombado no ano de 1996 e inscrito nos livros dos tombos de Belas Artes, Histórico e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Trata-se de uma coleção que teve sua justificativa para tombamento pautada na valoração de: “um riquíssimo acervo”; de uma “coleção significativa para a arte brasileira”; pela importância para a “preservação da memória nacional”; por ser “representativa de um intelectual integrante de uma geração decisiva para o desenvolvimento da cultura do Brasil” (IPHAN, Processo n. 1217-T-1987). Outra informação interessante que merece destaque é que Rodrigo Melo Franco de Andrade, em 1945, já faria uma notificação considerando a
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importância, para fins de tombamento, da coleção de Mário de Andrade, fato esse que só ocorreu em 1987, quando o processo foi aberto e dez anos mais tarde tombado em definitivo.