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TABU: CREDIBILIDADE

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CAPÍTULO III – VERTENTES MULTICASTING

3.4 TABU: CREDIBILIDADE

O jornalismo colaborativo sofre uma série de questões relacionadas a sua credibilidade, uma vez que o agente da produção do conteúdo noticioso pode não ser um profissional da comunicação. Assim, uma notícia produzida por um interagente, em que não há o suporte técnico jornalístico e nem a chancela de uma empresa de comunicação, leva à desconfiança, uma vez que, costumeiramente, esperamos que os veículos massivos sejam os porta-vozes dos acontecimentos no mundo real.

Contudo, a viabilidade de produção de notícia por parte dos interagentes leva à população a possibilidade de conhecer informação que pode não ser interessante o suficiente para aparecer na Tv, por exemplo. Assim, através do jornalismo colaborativo,

tem-se acesso a diversas informações e opiniões, deixando livre a circulação do conteúdo informacional. No entanto, há critérios estipulados para a produção de material considerado confiável. Assim, os sites que disponibilizam plataforma para o conteúdo colaborativo tentam sanar essa lacuna, criando critérios para que o interagente seja alguém sério e disposto a arcar com as responsabilidades das informações fornecidas. Para tanto, o interagente precisa fazer cadastros, aceitar os termos de publicações, esperar que algum jornalista (curador) cheque as informações enviadas para que, posteriormente, possa ver sua matéria publicada no portal colaborativo.

Para que haja maior ‘aceitação’ das matérias colaborativas, a identificação do interagente é revelada. Gillmor (2005, p.181) enxerga esse fato como benéfico, uma vez que, “se pretendemos discussões sérias online, penso que deveríamos todos, com raras excepções, estar abertos à verificação da própria identidade ou arricar-nos a que as nossas participações sejam postas em causa”. Essa é uma tentativa de mostrar-se confiável, uma vez que, abre-se a possibilidade de um interagente produzir conteúdo informacional. Porém, esse processo é uma via de mão dupla, uma vez que possibilita uma ampla abertura de veículo para matérias diversas, porém, abre-se também a possibilidade para críticas e julgamentos.

Nesse sentido, algumas empresas jornalísticas estão abrindo as portas para conteúdos colaborativos para não ficarem fora da onda digital e, também, para manter uma grande gama de notícias circulando, uma vez que, a quantidade de profissionais da comunicação pode ser reduzida ou não dar conta de tanto acontecimento possível de ser divulgado/transmitido. Assim, o portal colaborativo utilizaria de mão de obra gratuita para manter-se atualizado e com as mais diversas informações. Por conta disso, além dos portais colaborativos, muitos veículos estão disponibilizando à população um número de Whatsapp48 para receberem fotos, vídeos, áudio e textos sobre algum acontecimento. Por outro lado, o medo da má reputação e da perda de credibilidade, por parte dos conglomerados de mídia é um fator que faz com que tenham receio com esse tipo de abertura, pois, uma vez perdida a credibilidade, não é tão simples recuperá-la.

Embora esse processo de abertura de plataformas para conteúdos colaborativos gere certa desconfiança, tendo em vista que o interagente é o mediador do seu próprio processo de construção da notícia, e assim, tem um posicionamento autônomo frente às notícias de veículos massivos ou até mesmo de empresas jornalísticas que estão em

48 É um aplicativo que permite trocar mensagens, fotos, vídeos, áudios entre celulares, sem pagar o custo

ambiente digital, existe o contraponto que possibilita a população a ter acesso a um número maior de informação e interagir ou deixa-la de lado. Assim, o processo aparentemente é mais aberto à críticas e colaborações de ordens diversas, o contrário do que acontecia com os veículos broadcasts. Segundo Gillmor (2005, p.15), “nós é que dizíamos como as coisas se tinham passado. O cidadão comprava, ou não comprava. Podia até escrever-nos uma carta, que decidíamos se publicávamos ou não”. E graças a internet, atualmente essa lógica está sendo invertida, no sentido de que, “à medida que a internet dissemina o conhecimento, os amadores começam também a ajudar a analisar os dados” (HOWE, 2009, p.34). Dessa maneira, o público tem a possibilidade de escolha entre diversas fontes de informação.

Sobre a criação de plataformas colaborativas, João Canavilhas (2001) crê que, quanto mais visualizada for a página em que consta a matéria colaborativa, mais agrega credibilidade à informação. Assim, o “efeito multidão”, em que o grande número de visitantes à determinada página direcionam o interesse da multidão em determinada direção.

Os algoritmos sociais não servem apenas para avaliar a performance dos participantes, eles também qualificam a relevância do conteúdo publicado. A medição da performance do conteúdo pode ser estimada a partir dos seguintes elementos: número de acessos, de comentários relacionados, de notificações enviadas por e-mail para que outras pessoas acessem, de recomendação de usuários com boa performance, entre outros. Esses dados servem para o sistema avaliar, por exemplo, se um vídeo postado como ‘muito engraçado’ tem realmente essa característica. Se foi assistido muitas vezes e os usuários tiverem publicado comentários e enviado recomendações por e-mail, é sinal de que essas pessoas aprovaram o conteúdo (SPYER, 2007, p.78).

Contudo, o material produzido pelos interagentes não está livre de erros. Porém, antes de publicadas, as matérias passam pelo crivo da equipe jornalística do veículo para que sejam checadas as informações escritas pelo interagente e que se possam fazer possíveis correções. E caso a matéria chegue a publicação, há ainda a possibilidade de o público intervir com comentários, acrescentando ou corrigindo a informação. Dessa forma, “podemos corrigir os nossos erros. Podemos acrescentar novos factos e explicações diferentes.” (Gillmor, 2005, p.36). Essa é uma nova maneira de se olhar a

comunicação, que possibilita que a ‘mídia produzida pelo consumidor’ se torne, segundo a ótica de Carolina Terra (2009, p.13) o quinto poder49.

49 Retirado do site: <liceu.fecap.br/LICEU_ON-LINE/article/download/863/673> - acesso em 02 de

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