COMO LIDAR COM CADA TIPO DE PESSOA DIFÍCIL
1. O TANQUE DE GUERRA
O comportamento agressivo do “tanque de guerra” tem como objetivo afastar-nos ou eliminar o obstáculo que nós representamos para ele. Nesse momento somos parte do problema da pessoa difícil e o seu alvo.
O nosso objetivo principal deverá ser transmitir confiança e respeito, porque o
“tanque de guerra” não costuma atacar pessoas que respeite ou que considere assertivas, mas sim aquelas que considera serem mais fracas.
Atitudes que devemos ter em conta:
• Não contra-atacar: devemos evitar confrontar diretamente o “tanque de guerra”. Além de ser combustível para este tipo de pessoa difícil, mesmo que ganhemos os argumentos, se o “tanque de guerra” se sentir atacado, pode depois tornar a situação pessoal e querer sempre atacar-nos no futuro e formar alianças para fazê-lo.
• Evitar desculpas e justificações: arranjar desculpas e justificações passa a imagem que somos mais fracos e isso não vai ajudar a ganhar o
seu respeito. Aliás, o “tanque de guerra” não tem qualquer interesse em explicações e justificações.
• Não fugir: é normal sentirmos medo ou não querermos comunicar com o “tanque de guerra”, mas evitar as conversas com o “tanque de guerra”
vai fazer com que ele sinta que tem razão e dá-lhe mais poder para continuar os seus ataques.
Comportamentos que devemos utilizar:
• Defender o nosso ponto de vista: sem nos tornarmos ofensivos e atacarmos o “tanque de guerra”, devemos defender o nosso ponto de vista. Devemos deixá-lo verbalizar o seu ataque e no fim dizer aquilo que iremos fazer ou aquilo que dissemos ao início que poderia acontecer.
Vamos imaginar que queríamos evitar a conversa, caso chegasse a um certo ponto. Não devemos fazê-lo no meio, pois isso irá dar-lhe poder, o que devemos fazer é verbalizar que se a conversa chegar a um certo ponto, vamo-nos afastar. E caso isso aconteça, devemos verbalizar que vamos fazer o que tínhamos dito ao início e afastamo-nos mesmo. Dessa forma, estamos a ser assertivos e a cumprir o nosso ponto de vista e o
“tanque de guerra” vai entender que cumprimos realmente o que tínhamos afirmado anteriormente.
• Interromper o ataque: podemos deixar o “tanque de guerra” atacar um pouco, mas se percebermos que está a ficar descontrolado, uma boa forma de puxar a sua atenção é chamá-lo pelo seu nome várias vezes enquanto ele está a atacar. Devemos repetir o seu nome com um tom assertivo e com um volume ligeiramente abaixo do tom do “tanque de guerra”, de forma a passar uma mensagem de assertividade e não de agressividade.
• Repetir o que foi dito: quando conseguimos a atenção do “tanque de guerra” (habitualmente escutando até ao fim do ataque ou interrompendo o ataque), devemos repetir as palavras chave que ele disse. Isto mostra que ouvimos com respeito e que escutamos o que ele disse. Devemos repetir um rápido resumo, pois o tempo de atenção e paciência do “tanque de guerra” é curto. Se ele começar outra vez a
disparar, repetir os dois últimos passos. Isto dá uma mensagem de clareza e assertividade.
• Redirecionar a conversa para o tópico principal: depois de repetir o que foi dito e termos a atenção do “tanque de guerra”, devemos redirecionar a conversa para o assunto realmente em questão, mas sempre de forma assertiva, sem rodeios, curta e direta, pois este tipo de pessoas não gosta de muita conversa. Podemos mostrar que ambos queremos o mesmo, dizendo algo como “Nós os dois queremos o melhor para este projeto” ou podemos perguntar qual o caminho que ele quer seguir, dizendo algo como “Então, dentro desta tarefa, qual é o próximo passo que pensas que devemos fazer?”.
• Terminar a conversa: se conseguirmos redirecionar a conversa para o tópico principal e obter um plano de ação a seguir, excelente. Caso o
“tanque de guerra” continue a atacar, mesmo interrompendo o ataque, repetindo o que foi dito e redirecionando a conversa, podemos terminar a conversa, mas sem sermos agressivos e sem fecharmos a porta na cara dele. Devemos deixar sempre a porta aberta e até podemos dar-lhe a última palavra, mas sempre depois de deixarmos claro o que queremos.
Por exemplo, podemos dizer “Quando estiveres pronto para falar sem acusações e concentrarmo-nos no tópico em questão, estou disposto a ouvir as tuas ideias”. E aí podemos encerrar a conversa, mesmo que ele jogue outro ataque. Assim saímos de forma confiante, assertivos e com uma postura não agressiva e dispostos a ouvi-lo.
2. O SNIPER
Como foi indicado no segundo passo, ao contrário dos “tanques de guerra”, os
“snipers” utilizam a agressividade de forma camuflada através de uma fachada de simpatia e cordialidade.
O seu poder vem então dos seus comportamentos camuflados e não de ataques frontais e agressivos, então a estratégia vai mudar ligeiramente, embora este tipo de personalidade também tenha intenções hostis.
Atitudes que devemos ter em conta:
● Não reagir de forma exagerada: se perdermos o controlo, é uma vitória para o “sniper”. A melhor atitude é mostrar curiosidade no que está por trás do comportamento desta pessoa e não levar a peito o que é dito. Tentar focar nele em vez de focarmos em nós.
● Distinguir entre “snipers amistosos” e “snipers maliciosos”:
embora o “sniper amistoso” possa vir com indiretas e certos comentários de mau gosto, pode ser apenas um grito por atenção. Quer que as pessoas se riam com ele e que notem que ele existe. Por outro lado, o “sniper maliciosos” tem uma má intenção e quer que as coisas corram como ele quer, tentando sabotar os outros. É necessário entender que tipo de queremos aqueles tipos de comentários. Se este tipo de pessoa for com a intenção positiva de querer atenção apenas, provavelmente mudará o comportamento connosco.
Comportamentos que devemos utilizar:
• Parar e olhar: o objetivo é tirar o “sniper” do seu esconderijo, ou seja, colocar às claras e sem interpretações possíveis aquilo que está a dizer.
Como o “sniper” costuma enviar sinais confusos, parecendo estar a ser calmo e amigável, enquanto toca em temas através de indiretas ou suposições, quando considerarmos que isso está a acontecer, não devemos deixar passar muito tempo, sob pena de depois parecer que somos nós que estamos a tocar num assunto que nunca existiu. Então, devemos parar e interromper nesse momento e olhar para o “sniper” nos olhos de forma a mostrarmos que estamos atentos.
• Questionar através da repetição de palavras que foi dito: como nós não queremos parecer que estamos na ofensiva, aos olhos da outra pessoa, e para não colocar interpretações em cima do que foi dito, devemos ser factuais e neutros em termos de carga emocional. Então, devemos colocar questões diretas para tentar inferir a intenção e relevância do que o “sniper” disse. Se quisermos saber a intenção, devemos perguntar “Podias-me explicar melhor o que queres dizer quando disseste (repetir o que ele disse)?”. Se quisermos tentar entender a relevância do que foi dito para a situação atual, devemos perguntar “O que é que (repetir o que ele disse) pode ter a ver com este assunto atual?”. Devemos sempre fazer as questões com um tom neutro e um ar curioso e não acusatório.
• Utilizar a estratégia do “tanque de guerra” se o “sniper” ficar hostil: por vezes o “sniper” pode-se sentir exposto e ficar hostil de forma mais transparente, pois viu que o que fez não resultou connosco. Se isso acontecer, é um bom sinal porque o assunto foi revelado e está exposto e todos conseguem ver a real intenção e devemos utilizar as estratégias indicadas com o “tanque de guerra”.
• Tenta entender o que está por trás do que foi dito: se entendermos que o “sniper” está com algum ressentimento contra nós, devemos continuar a ouvir com atenção e repetir o que ele disse para descobrir o que realmente se passa e esclarecer tudo agora que o assunto está a ser conversado.
• Propor uma sugestão futura: no fim da interação devemos sempre sugerir um comportamento alternativo para o futuro. Ou seja, é importante esclarecer que a nossa preferência é que se no futuro existir alguma coisa que essa pessoa não está de acordo ou que pensa que fizemos de errado, que comunique de forma clara e aberta. Quando o
“sniper” tiver uma primeira conversa destas connosco no qual teve de revelar a verdadeira intenção, é muito mais provável que no futuro seja mais direto. E se não for, é repetir a estratégia.
3. O EXPLOSIVO
O explosivo é aquele tipo de pessoa que pode explodir aparentemente do nada.
Esta perda de controlo é muitas vezes uma estratégia de defesa contra um sentimento de falta de importância.
Pode acontecer por sentir que ninguém o está a ouvir, que ninguém quer saber o que ele pensa ou quando se sente atacado. No entanto, quando explode, muitas vezes o “explosivo” sente-se humilhado por ter perdido o controlo à frente das pessoas. Mas este sentimento de humilhação vai ainda servir de gatilho para as próximas situações, aumentando a probabilidade explodir. Então precisamos de ter atenção a este ciclo volátil e instável.
Atitudes que devemos ter em conta:
• Não levar a nossa raiva para a conversa: se estivermos irritados e iniciarmos uma conversa com um “explosivo”, vamos apenas servir de lenha para a fogueira. Devemos apenas entrar nestas conversas com um estado emocional mais equilibrado.
• Aprender a ver o “explosivo” de outra forma: embora este tipo de pessoa tipicamente seja um adulto, muitas vezes tem dificuldade em controlar os seus impulsos explosivos, tal como uma criança que faz birras. Podemos imaginar as suas explosões como se fosse uma criança e isso pode ajudar-nos a ficarmos mais compreensivos e a conseguir lidar melhor com a situação.
• Ouvir o “explosivo”: por trás de uma explosão existe um motivo ou uma intenção. Se estivermos dispostos a tentar ouvir o motivo e não reagir à explosão em si, conseguimos dar a atenção necessária para reduzir a frequência de outras explosões futuras.
Comportamentos que devemos utilizar:
• Conseguir a atenção: quando o “explosivo” tiver uma explosão, devemos deixá-lo ventilar um pouco, mas depois devemos tentar
conseguir a sua atenção, repetindo o seu nome com um tom de voz assertivo, mas com interesse, em vez de um tom agressivo.
• Mostrar interesse: devemos ouvir genuinamente o que se está a passar e tentar entender a origem da explosão. Devemos repetir também as palavras que disse para mostrar que estamos atentos, porque isto ajuda a reduzir a intensidade da explosão.
• Reduzir a intensidade: quando conseguirmos que o “explosivo”
comece a falar dos assuntos e que não está apenas a explodir, devemos ir reduzindo o nosso tom e volume de voz aos poucos, de forma a que a intensidade vá reduzindo.
• Tirar um tempo: se a explosão estiver descontrolada, não vale a pena tentar ter uma conversa razoável e clara com o “explosivo”. Se tentarmos conseguir a atenção e mostrar interesse sem sucesso, podemos dizer que não estamos bem para ter aquela conversa e é melhor descomprimir um pouco. Mas depois devemos voltar ao tema para abordar o que se passa.
• Evitar perturbar o “explosivo”: para um melhor relacionamento a longo prazo, devemos conhecer os gatilhos do “explosivo” e o que mexe com ele. Todos nós temos tópicos sensíveis e se conhecermos esses tópicos do “explosivo” e evitarmos (se for possível) esses tópicos, a relação só tem a ganhar a longo prazo.
4. O RECLAMADOR
O “reclamador” é aquele tipo de pessoa que está a constantemente a reclamar por tudo e por nada, mas não é muito ativo na procura da resolução de problemas.
Então, a estratégia para lidar com este tipo de pessoa para por formar uma aliança de resolução de problemas. Se esta pessoa sente que não consegue resolver as situações, podemos ajudá-las a dar passos para que isso aconteça.
E quando não conseguimos, devemos nos afastar, pois a reclamação crónica só nos irá desgastar.
Atitudes que devemos ter em conta:
• Não concordar nem discordar: podemos sentir a necessidade de concordar com o “reclamador” só para ver se ele para. Mas o que acontece muitas vezes é que ele continua a reclamar. No entanto, quando não concordamos e verbalizamos isso, ele pode continuar a reclamar e a convencer-se que ele é que tem razão e só nos desgastamos.
• Evitar tentar resolver os seus problemas: um “reclamador”
quando tem soluções apresentadas, vai reclamar das soluções. E se não reclamar e nós resolvermos a situação sozinhos, vamos apenas contribuir para que ele continue esse comportamento. Então não devemos resolver os problemas por eles, mas sim ter a sua participação e em conjunto tentar resolver os problemas.
• Não perguntar pelo motivo da reclamação: perguntar a um
“reclamador” porque é que ele está a reclamar, só vai reforçar esse ciclo.
Aqui é diferente de um “sniper” ou “explosivo”, cujo comportamento tem uma origem e precisamos esclarecer. O “reclamador” irá reclamar por tudo, pois a visão dele é encontrar situações para reclamar.
Comportamentos que devemos utilizar:
• Escutar os pontos principais: embora não devemos alimentar o ciclo da reclamação, não podemos partir para a solução sem o “reclamador”
sentir que está a ser ouvido. Então devemos ouvir os pontos principais e até podemos tirar notas. O objetivo é que ele reconheça que está a ser detalhe, podemos sugerir que primeiro tem de obter mais informação.
• Mudar o foco para a solução: o “reclamador” perde-se no problema e começa a generalizar e a vaguear à volta do problema. Então, é importante colocar questões que façam mudar o foco, fazê-lo pensar nos passos que podem fazer para ir por um novo caminho. Não devemos sugerir soluções, apenas questionar o “reclamador”.
• Dar suporte futuro: o “reclamador” pode sentir-se desamparado sobre a situação e que no futuro a situação vai continuar assim. Podemos sugerir reunir-nos novamente sobre o tema para ver o progresso, sempre após o “reclamador” ter indicado alguns pontos para trabalhar em direção à solução.
• Separar as águas: se nós ao longo das reclamações constantes tentarmos interromper e ser específicos, embora sem sucesso, mudar o foco para a solução, mas o foco continua no problema, e o “reclamador”
recusar suporte no futuro, devemos então salvaguardar-nos. Ou seja, se fizemos tudo o que realmente conseguíamos, devemos ser claros que falar dos problemas constantemente e recusar ajuda na procura de soluções, não é útil nem para eles nem para nós. É preciso separar as águas sobre até onde a nossa ajuda consegue ir. Podemos sair da conversa com um sentimento que não conseguimos fazer nada e de maior frustração, mas passa uma mensagem clara e faz a pessoa refletir mais.
Adicionalmente, tentamos dar ajuda objetiva e várias vezes, mesmo sem resposta do outro lado, para que o “reclamador” não possa reclamar por falta de ajuda.
5. O SILENCIOSO
Embora o “silencioso” pareça fugir dos conflitos e não comunicar, por dentro podem estar a fervilhar com emoções perturbadoras e até hostilidade. O silêncio pode ser a sua forma de agressão.
Por isso o objetivo para conseguirmos lidar com este tipo de pessoas é quebrar o silêncio e fazê-la falar.
Atitudes que devemos ter em conta:
• Abrandar o ritmo: quando quisermos entender o silêncio e puxar por esta pessoa, precisamos de ter tempo para isso e estarmos num estado calmo e relaxado para sermos persistentes.
• Evitar ficar irritado: como o “silencioso” tenta evitar o conflito e a desaprovação, se ficarmos irritados, ainda irá fechar-se mais. Então, devemos evitar irritar-nos e sermos compreensivos ao longo do processo.
Comportamentos que devemos utilizar:
• Planear tempo suficiente: como foi indicado nas atitudes, para lidar com um “silencioso” será necessário algum tempo. Se tivermos restrições de tempo e estivermos tensos, a precisar de resolver a situação rapidamente, podemos ser muito insistentes e agressivos e a pessoa fecha-se mais. Então, devemos escolher quando falar com essa pessoa de antemão e tentar evitar ter uma conversa improvisada.
• Coloca questões abertas: o “silencioso” gosta de responder apenas
“sim” ou “não” ou fazer alguns sons. Então devemos colocar questões abertas que comecem com “Quem”, “O Quê”, “Quando”, “Onde” e
“Como”. Devemos colocar as questões com a expetativa que vai haver uma resposta e não apenas colocar questões fechadas, sem darmos tempo à pessoa para responder.
• Adivinha: se colocando várias questões abertas o “silencioso” não colabora, uma das técnicas é tentar imaginar, da perspetiva dessa pessoa,
e falar essas possibilidades em voz alta. Se chegarmos perto, essa pessoa pode sentir que estamos a chegar ao que ela pretende e fica mais propensa a elaborar mais a sua comunicação ou a afinar algum detalhe.
Se por outro lado estivermos muito longe do que o “silencioso” está a pensar, pode levá-lo a perceber que estamos completamente “fora” e ter a necessidade de enquadrar a conversa com mais informação. E isso é bom, pois ganhamos a oportunidade de colocar questões abertas à volta do que o “silencioso” disse.
• Mostrar as consequências: se mesmo colocando questões abertas e fazendo adivinhas, o “silencioso” permanecer em silêncio, poderemos ter de mostrar as consequências que o seu silêncio vai gerar. Não é fazer ameaças, mas indicar objetivamente e factualmente como é que o seu silêncio irá prejudicar a tarefa, o projeto ou a relação.