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TAREFAS DA CATEQUESE

No documento DIRETÓRIO PARA A CATEQUESE (páginas 37-40)

CAPÍTULO II - A identidade da catequese

4. TAREFAS DA CATEQUESE

Cristo, não é a única a favorecer a prossecução desta finalidade, convergindo com as outras dimensões da vida de fé: na experiência litúrgico-sacramental, nas relações afetivas, na vida comunitária e no serviço aos irmãos, acontece efetivamente algo de essencial para o nascimento do homem novo (cf. Ef 4,24) e para a transformação espiritual pessoal (cf. Rm 12,2).

77. A catequese amadurece a conversão inicial e ajuda os cristãos a dar um significado pleno à sua existência, educando para uma mentalidade de fé conforme ao Evangelho31, até chegar gradualmente a sentir, pensar e agir como Cristo. Neste caminho, em que intervém de forma decisiva o próprio sujeito com a sua personalidade, a capacidade de acolher o Evangelho é proporcional à situação existencial e à fase de crescimento da pessoa32. Reitera-se, no entanto, que «a catequese dos adultos, uma vez que é dirigida a pessoas capazes de uma adesão e de um empenho realmente responsáveis, deve ser considerada como a principal forma de catequese, para a qual todas as outras, não por isso menos necessárias, estão orientadas. Isso implica que a catequese das demais idades deve tê-la como ponto de referência»33.

78. A comunhão com Cristo implica a confissão de fé no Deus único: Pai, Filho e Espírito Santo. «A profissão de fé, intrínseca ao Batismo, é eminentemente trinitária. A Igreja batiza “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19), Deus uno e trino, ao qual o cristão confia a sua vida. […] É importante que a catequese saiba unir bem a confissão de fé cristológica, “Jesus é o Senhor”, com a confissão trinitária, “Creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo”, uma vez que são tão somente duas modalidades para se exprimir a mesma fé cristã. Aquele que, pelo primeiro anúncio, se converte a Jesus Cristo e o reconhece como Senhor, inicia um processo, ajudado pela catequese, que desemboca necessariamente na confissão explícita da Trindade»34. Tal confissão é com certeza um ato pessoal do indivíduo, mas só atinge a sua plenitude se for feita na Igreja.

4. TAREFAS DA CATEQUESE

79. Para realizar a sua finalidade, a catequese leva a cabo algumas tarefas, interligadas entre si, que se inspiram no modo como Jesus formava os seus discípulos:

dava a conhecer os mistérios do Reino, ensinava a rezar, propunha as atitudes evangélicas, iniciava-os à vida de comunhão com Ele e entre si e à missão. Esta pedagogia de Jesus plasmou, depois, a vida da comunidade cristã: «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações» (At 2,42). De facto, a fé exige que as pessoas a conheçam, celebrem, vivam e façam dela oração. Para formar para uma vida cristã integral, a catequese leva a cabo, portanto, as seguintes

tarefas: leva ao conhecimento da fé; inicia à celebração do Mistério; forma para a vida em Cristo; ensina a rezar e introduz à vida comunitária.

Levar ao conhecimento da fé

80. A catequese tem a missão de favorecer o conhecimento e o aprofundamento da mensagem cristã. Deste modo ajuda a conhecer as verdades da fé cristã, introduz ao conhecimento da Sagrada Escritura e da Tradição viva da Igreja, favorece o conhecimento do Credo (Símbolo da fé) e a criação de uma visão doutrinal coerente, que seja um ponto de referência na vida. É importante não subestimar esta dimensão cognitiva da fé e estar atentos a integrá-la no processo educativo de amadurecimento cristão integral. Com efeito, uma catequese que opusesse conteúdos e experiência de fé acabaria por se revelar como desastrosa. Sem a experiência de fé, ficar-se-ia privados de um verdadeiro encontro com Deus e com os irmãos; sem conteúdos impedir-se-ia o amadurecimento da fé, capaz de introduzir ao sentido da Igreja e de viver o encontro e o confronto com os outros.

31 Em EN 44, a finalidade da catequese é de «formar para hábitos de vida cristã».

32 Acerca do processo de receção pessoal da fé, cf. n. 396 deste Diretório.

33 DGC 59; cf. também CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, Directório Catequístico Geral (11 de abril de 1971), 20 e CT 43. 34 DGC 82.

Iniciar à celebração do Mistério

81. Além de favorecer o conhecimento vivo do mistério de Cristo, a catequese tem também a missão de ajudar à compreensão e à experiência das celebrações litúrgicas.

Através desta missão, a catequese ajuda a compreender a importância da liturgia na vida da Igreja, inicia ao conhecimento dos sacramentos e à vida sacramental, especialmente ao sacramento da Eucaristia, fonte e cume da vida e da missão da Igreja.

Os sacramentos, celebrados na liturgia, são um meio especial, que comunicam plenamente Aquele que é anunciado pela Igreja.

82. Além disso, a catequese educa para as atitudes que as celebrações da Igreja exigem: alegria para o carácter festivo das celebrações, sentido de comunidade, escuta atenta da Palavra de Deus, oração confiante, louvor e ação de graças, sensibilidade aos símbolos e aos sinais. Através da participação consciente e ativa nas celebrações litúrgicas, a catequese educa para a compreensão do ano litúrgico, verdadeiro mestre da fé, e do significado do domingo, dia do Senhor e da comunidade cristã. A catequese ajuda também a valorizar as expressões de fé da piedade popular.

Formar para a vida em Cristo

83. A catequese tem a missão de fazer ressoar no coração de cada cristão o chamamento a viver uma vida nova, que corresponda à dignidade de filhos de Deus, recebida no Batismo, e à vida do Ressuscitado, que se comunica mediante os

sacramentos. Esta missão consiste em mostrar que à altíssima vocação à santidade (cf.

LG 40)35 corresponde a resposta de um estilo de vida filial, capaz de reconduzir todas as situações à via da verdade e da felicidade que é Cristo. Neste sentido, a catequese educa para o seguimento do Senhor, de acordo com as disposições descritas nas Bem-aventuranças (Mt 5,1-12), que manifestam a sua própria vida. «Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; fê-lo quando nos deixou as bem-aventuranças (cf. Mt 5,3-12; Lc 6,20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão»36.

84. Na mesma linha, a missão catequética de educar para a vida boa segundo o Evangelho inclui a formação cristã da consciência moral, para que, em cada circunstância, o crente possa pôr-se em atitude de escuta da vontade do Pai para discernir, sob a orientação do Espírito e em consonância com a lei de Cristo (cf. Gl 6,2), o mal que deve evitar e o bem que deve fazer, realizando-o mediante uma caridade ativa. Em vista deste objetivo, é importante ensinar a tirar do mandamento da caridade desenvolvido no Decálogo (cf. Ex 20,1-17; Dt 5,6-21) e das virtudes, humanas e cristãs, as indicações para agir como cristãos nos diversos âmbitos da vida. Não esquecendo que o Senhor veio para dar a vida em abundância (cf. Jo 10,10), a catequese saiba indicar «o bem desejável, a proposta de vida, de maturidade, de realização, de fecundidade» para fazer dos crentes «mensageiros alegres de propostas elevadas, guardiões do bem e da beleza que resplandecem numa vida fiel ao Evangelho»37.

85. Além disso, tenha-se em conta que a resposta à vocação cristã comum se realiza de forma encarnada, porque cada filho de Deus, de acordo com a medida da sua liberdade, escutando Deus e reconhecendo os carismas por Ele confiados, tem a responsabilidade de descobrir o seu próprio papel no plano da salvação. Portanto, a educação moral na catequese exerce-se sempre num pano de fundo vocacional, olhando antes de mais para a vida como vocação primeira e fundamental. Todas as formas de catequese procurarão ilustrar a dignidade da vocação cristã, para acompanhar no discernimento da vocação específica, para ajudar a consolidar o próprio estado de vida. É competência da ação catequética mostrar que a fé, traduzida numa vida que se compromete a amar como Cristo, é o caminho para favorecer o advento do Reino de Deus no mundo e para esperar na promessa da bem-aventurança eterna.

35 Sobre o chamamento à santidade no mundo contemporâneo, veja-se:

FRANCISCO, Exortação apostólica Gaudete et exsultate (19 de março de 2018).

36 Ibidem, 63. 37 EG 168.

Ensinar a rezar

86. A oração é, antes de mais, dom de Deus. Na verdade, em cada batizado «o próprio Espírito intercede com gemidos inefáveis» (Rm 8,26). A catequese tem a missão de educar para a oração e na oração, desenvolvendo a dimensão contemplativa da experiência cristã. É necessário educar para rezar com Jesus Cristo e como ele:

«Aprender a rezar com Jesus é rezar com os mesmos sentimentos com que Ele se dirigia ao Pai: a adoração, o louvor, o agradecimento, a confiança filial, a súplica e a contemplação da sua glória. Estes sentimentos refletem-se no Pai Nosso, a oração que Jesus ensinou aos discípulos e que é modelo de toda a oração cristã. […] Quando a catequese é permeada por um clima de oração, a aprendizagem de toda a vida cristã alcança a sua profundidade»38.

87. Esta missão implica a educação tanto para a oração pessoal como para a oração litúrgica e comunitária, iniciando às formas permanentes de oração: bênção e adoração, súplica, intercessão, ação de graças e louvor39. Para atingir estes objetivos, há alguns caminhos consolidados: a leitura orante da Sagrada Escritura, de modo particular através da liturgia das horas e da lectio divina; a oração do coração, chamada oração de Jesus40 , a veneração da Bem-Aventurada Virgem Maria, através de exercícios de piedade como o santo Rosário, as súplicas, as procissões, etc.

Introduzir à vida comunitária

88. A fé professa-se, celebra-se, exprime-se e vive-se sobretudo na comunidade: «A dimensão comunitária não é apenas uma “moldura”, um “contorno”, mas constitui uma parte integrante da vida cristã, do testemunho e da evangelização»41. Ela está bem expressa no princípio clássico: «Idem velle atque idem nolle – querer a mesma coisa e rejeitar a mesma coisa é, segundo os antigos, o autêntico conteúdo do amor: um tornar-se tornar-semelhante ao outro, que leva à união do querer e do pensar»42. Isto é possível através do cultivo de uma espiritualidade da comunhão. Esta leva a alcançar a luz da Trindade também no rosto do irmão, sentindo-o na unidade profunda do Corpo místico como parte de si, partilhando as suas alegrias e sofrimentos para descobrir os seus desejos, cuidando das suas necessidades, oferecendo-lhe uma amizade profunda e verdadeira. Ver no outro sobretudo o que é positivo para o valorizar como dom de Deus ajuda a rejeitar as tentações egoístas que provocam competição, carreirismo, desconfiança e invejas.

89. Quanto à educação para a vida comunitária, a catequese tem, por isso, a missão de: desenvolver o sentido de pertença à Igreja; educar para o sentido de comunhão eclesial, promovendo o acolhimento do Magistério, a comunhão com os pastores, o diálogo fraterno; formar para o sentido de corresponsabilidade eclesial, contribuindo como sujeitos ativos para a edificação da comunidade e como discípulos missionários para o seu crescimento.

No documento DIRETÓRIO PARA A CATEQUESE (páginas 37-40)