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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.3. TAXAS DE ACIDENTES DO TRABALHO

A Figura 6 a seguir, representa a taxa de incidência de acidentes de trabalho ocorridos no Brasil e no estado do Rio Grande do Sul, que é a intensidade que os acidentes de trabalho acontecem, onde é calculado o número de acidentes de trabalho ocorridos com número de trabalhadores expostos à possíveis acidentes de trabalhos, ou seja, é contabilizado apenas os trabalhadores contribuintes à Previdência Social. A taxa é expressa para cada mil trabalhadores. Não estão sendo levados em conta, os trabalhadores autônomos, os militares e os servidores públicos estatutários que possuem seu próprio regimento da Previdência Social ou que contribuem individualmente (AEAT, 2017).

Figura 6 – Taxa de incidência de acidentes do trabalho ocorridos no Brasil e no Rio Grande do Sul entre os anos 2008 à 2017, para 1.000 vínculos ativos.

Fonte: AEAT (2017).

As taxas apresentadas na Figura 6 são de grande importância para avaliar os níveis de segurança em que os trabalhadores estão expostos e também, para avaliar a atenção e eficácia das medidas de segurança propostas pelas empresas para evitar um acidente de trabalho e assim,

17,3 16,2 14,4 13,9 13,2 12,9 12,6 11,4 11,3 10,9 22,7 21,7 19,0 17,8 16,5 17,2 17,1 15,5 15,8 14,8 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Taxa de incidência de acidentes do trabalho

zelar pela saúde e integridade física dos trabalhadores envolvidos. Percebe-se que a taxa de incidência de acidentes do trabalho caiu significativamente tanto no Brasil quanto no estado do Rio Grande do Sul, onde tinha-se 17,3 acidentes do trabalho a cada mil trabalhadores no Brasil e 22,7 acidentes a cada mil trabalhadores no Rio Grande do Sul em 2008, passando para 10,9 acidentes no Brasil e 14,8 acidentes no Rio Grande do Sul em 2017, para cada mil trabalhadores. Segundo especialistas, não foram os acidentes de trabalhos que diminuíram, e sim, os trabalhadores com carteira assinada. Diante da crise econômica houve aumento no número de trabalhadores informais. O orçamento do governo destinado à fiscalização por parte dos auditores do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE também foi cortado em virtude da crise, afetando os resultados dos registros de acidentes de trabalho. Um levantando realizado pelo Ministério Público do Trabalho – MPT em parceria com a Organização Internacional do Trabalho – OIT, apontou através do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho que apenas um em cada sete acidentes de trabalho são notificados, visto que os acidentes com trabalhadores informais não são contabilizados. A crise econômica trouxe, além disso, outro grave problema para segurança dos trabalhadores, onde empresas pequenas e médias, que representam cerca de 90% da totalidade do país, cortam gastos no setor para diminuir custos (FRANÇA, 2018).

O Quadro 8 a seguir apresenta as taxas de incidência de acidentes do trabalho pelo total de acidentes ocorridos no Brasil, distinguindo as três atividades econômicas analisadas. E o Quadro 9 apresenta as taxas de incidência de acidentes do trabalho pelo total de acidentes ocorridos no Rio Grande do Sul.

Quadro 8 – Porcentagem de acidentes do trabalhos pelo total de acidentes ocorridos no Brasil, por atividade econômica, para 1.000 vínculos ativos.

CNAE 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 01.11-3 0,976 1,008 1,049 1,199 1,132 1,041 2,214 0,791 0,736 0,764 01.15-6 1,101 1,501 1,587 1,787 1,937 1,929 1,787 1,914 2,252 2,415 52.11-7 2,673 2,877 3,038 2,775 2,790 2,606 2,409 2,651 2,746 2,823

Quadro 9 – Porcentagem de acidentes de trabalhos pelo total de acidentes ocorridos no Rio Grande do Sul, por atividade econômica.

CNAE 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 01.11-3 3,123 3,019 4,001 4,576 4,441 4,159 3,582 2,372 2,511 2,268 01.15-6 0,536 0,759 0,773 1,088 1,155 0,956 0,750 0,727 0,751 1,027 52.11-7 0,994 1,840 1,923 1,658 1,913 1,442 1,500 1,205 1,147 1,583

Fonte: RAIS (2019).

Analisando os quadros acima é possível perceber que ocorreram situações similares para a mesma classificação da atividade econômica, ao analisar a taxa de incidência de acidentes do trabalho no Brasil e a taxa de incidência de acidentes do trabalho no Rio Grande do Sul pelo número total de acidentes ocorridos. O Cultivo de cereais (01.11-3) apresentou aumento na taxa de 2008 até 2011, decrescendo até o ano de 2017, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul.

O Cultivo de soja (01.15-6) apresentou o dobro do valor da taxa encontrada no ano de 2008 para o ano de 2017, ou seja, a probabilidade de se acidentar nesta atividade econômica vem crescendo e, consequentemente, os acidentes de trabalho no Brasil e no Rio Grande do Sul também, acompanhando o crescimento das áreas plantadas e das produções obtidas. A produção de soja no Brasil foi de 60 milhões de toneladas na safra 2007/2008 para 119,3 milhões de toneladas na safra 2017/2018. No Rio Grande do Sul foi de 7,77 milhões de toneladas na safra 2007/2008 para 17,15 milhões de toneladas na safra 2017/2018 (CONAB, 2019), justificando esse aumento expressivo nas taxas de incidências de acidentes do trabalho.

No setor de Armazenamento (52.11-7), as taxas de incidência de acidentes do trabalho apresentaram comportamento distintos, comparando o Brasil com o estado do Rio Grande do Sul. A taxa encontrada para o Brasil apresentou valores com pouca oscilação durante o período analisado, já no Rio Grande do Sul a taxa dobrou de valor do ano de 2008 para 2010, apresentando uma queda até o ano de 2017, porém, permanecendo acima do valor encontrado no primeiro ano do período analisado.

No Quadro 10 abaixo tem-se as taxas de incidência de acidentes do trabalho pelo número de vínculos ativos, ocorridos no Brasil. No Quadro 11 é apresentado as taxas de incidência de acidentes do trabalho pelo número de vínculos ativos, ocorridos no Rio Grande do Sul. Ambos referem-se ao período de 2008 à 2017.

Quadro 10 – Taxa de incidência de acidentes de trabalhos pelo número de vínculos ativos no Brasil, para 1.000 vínculos ativos.

CNAE 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 01.11- 3 10,408 10,546 10,712 12,461 11,775 10,700 22,357 7,058 6,186 5,980 01.15- 6 10,275 13,035 12,456 13,002 12,990 12,319 10,792 9,750 10,605 10,300 52.11- 7 31,585 31,096 28,663 25,579 23,473 22,085 20,004 20,081 20,367 19,379 Fonte: RAIS (2019).

Quadro 11 – Taxa de incidência de acidentes de trabalhos pelo número de vínculos ativos no Rio Grande do Sul, para 1.000 vínculos ativos.

CNAE 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 01.11- 3 9,999 9,176 11,381 13,495 12,517 12,288 10,375 5,987 6,129 5,115 01.15- 6 4,335 5,837 5,478 7,236 7,349 6,377 4,945 3,903 3,800 4,767 52.11- 7 22,144 41,140 34,945 28,210 31,259 24,383 26,866 19,541 17,694 24,774 Fonte: RAIS (2019).

Nos quadros acima, temos os valores das taxas de incidências de acidentes do trabalho para mil vínculos ativos, observa-se que o setor de Cultivo de cereais (01.11-3) apresentou queda nas taxas tanto no Brasil quanto no estado do Rio Grande do Sul, onde os valores das taxas reduziram pela metade, do ano de 2008 para 2017, porém, o Brasil apresentou um pico no ano de 2014, chegando a um aumento de 114% se comparada com a taxa de 2008. No Rio Grande do Sul, a maior taxa de incidência foi no ano de 2011, aumentando em 35% com relação a taxa de 2008.

No setor de Cultivo de soja (01.15-6), o Brasil apresentou, em 2017, um valor de taxa de incidência homogêneo ao de 2008, entretanto, nos anos de 2009 e 2011 foram registradas variações elevadas na taxa, aumentando em cerca de 27%. Já no Rio Grande do Sul o pico foi registrado nos anos de 2011 e 2012, aumentando em cerca de 68% o valor da taxa de incidência, sendo que, em 2017 o valor ficou próximo ao encontrado em 2008.

A taxa de incidência obtida no Armazenamento (52.11-7) no Brasil apresentou queda durante o período estudado, reduzindo em 63% de 2008 até 2017. No Rio Grande do Sul a taxa

apresentou grandes oscilações, onde teve um pico significativo no ano de 2009, porém, no ano de 2017 o valor encontrado ficou 12% acima do ano de 2008. Sendo que no setor de Armazenamento, as taxas de incidências de acidentes do trabalho foram bem mais elevadas que as encontradas nos demais setores analisados, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul.

A taxa de mortalidade de acidentes do trabalho pelo número de vínculos ativos no Brasil, durante os anos de 2008 à 2017, é apresentado no Quadro 12 a seguir. O Quadro 13 apresenta os dados referentes ao Rio Grande do Sul, de taxas de acidentes do trabalho durante o Cultivo de cereais, Cultivo de soja e Armazenamento, pelo número de vínculos ativos no estado. Quadro 12 – Taxa de mortalidade de acidentes do trabalho pelo número de vínculos ativos no Brasil, para 1.000 vínculos ativos.

CNAE 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 01.11- 3 16,924 12,843 17,465 17,307 13,116 18,621 25,518 14,345 12,916 18,511 01.15- 6 12,350 22,494 20,145 20,190 14,089 15,121 22,890 18,011 12,060 11,643 52.11- 7 21,880 23,580 16,140 14,068 12,962 14,165 20,983 20,690 11,399 12,495 Fonte: RAIS (2019).

Quadro 13 – Taxa de mortalidade de acidentes do trabalho pelo número de vínculos ativos no Rio Grande do Sul, para 1.000 vínculos ativos.

CNAE 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 01.11-3 10,100 4,907 4,885 20,370 5,088 9,910 19,303 0 19,303 9,651

01.15-6 0 0 12,173 11,485 0 0 32,967 41,089 10,001 19,863

52.11-7 0 72,176 0 0 0 0 29,851 31,017 61,013 0

Fonte: RAIS (2019).

Ao analisar os quadros acima, que demonstraram as taxas de mortalidade nos acidentes do trabalho ocorridos no Brasil e no Rio Grande do Sul, para cem mil vínculos ativos, é possível observar que as taxas no Cultivo de cereais (01.11-3) apresentam muitas oscilações durante o período estudado, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul, com valores elevados nos anos de 2011, 2014 e 2016, e valor nulo em 2015.

O Cultivo de soja (01.15-6) também apresentou oscilações, contudo, nos três últimos anos analisados, o setor apresenta queda nas taxas de mortalidade no Brasil. No Rio Grande do

Sul, em alguns anos do período estudado, a taxa de mortalidade foi nula, porém, nos últimos anos as taxas apresentaram valores elevados.

No setor de Armazenamento, que está inclusa a etapa de armazenamento dos grãos, os números oscilaram significantemente, não coincidindo com o que retrata os noticiários, cada vez mais frequentes, com relação à acidentes em silos de grãos, fortalecendo a hipótese de que a ausência de um código de CNAE específico para esta atividade prejudica na obtenção de estatísticas mais precisas. Contudo, tanto as taxas de incidência de acidentes do trabalho quanto as taxas de mortalidade neste setor apresentaram-se maiores que as taxas encontradas no Cultivo de cereais e Cultivo de soja, sendo que, conforme visto no Quadro 3, o número de estabelecimentos cadastrados com o CNAE de Armazenamento é bem inferior aos demais.

Segundo Fellet (2018), o ano de 2017 foi o que mais registrou mortes de trabalhadores envolvidos em armazéns de grãos no Brasil, onde foram registrados 24 mortes, número 140% maior do que o registrado no ano anterior. Em 2009 foram registradas 3 mortes, em 2010 e 2011 o número registrado foi o mesmo, 4 mortes em cada ano. Nos anos de 2012 e 2013 os números apresentaram-se elevados, sendo registradas 8 e 15 mortes, respectivamente. Em 2014, 2015 e 2016 foram registradas 11, 13 e 10 mortes respectivamente. Entretanto, esses números podem ser ainda maiores, pois o levantamento de acidentes com mortes foi realizado somente com os casos divulgados nos meios de comunicação, sendo que, nem todos os casos de acidentes são noticiados pela mídia.

4.4. OCORRÊNCIA DE ACIDENTES DO TRABALHO E AS OCUPAÇÕES OS

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