• Nenhum resultado encontrado

5. Ciclo 04 – Resultados e Discussão

5.2. Teóricos e bibliografia

Nas entrevistas também foi investigado qual a bibliografia utilizada pelos psicólogos na prática, tanto que auxiliam teoricamente seu trabalho, quando os que são de relevância para entender e realizar a prática clínica.

Retomando o que foi dito na seção metodológica, fizemos algumas perguntas no decorrer das entrevistas para aprofundar a narrativa das participantes sobre o seu fazer clínico.

Esses questionamentos parecem indicar que em um primeiro momento as entrevistadas respondem de modo mais ou menos automático sobre sua identidade teórica. No caso, como estão no campo da transpessoal, explicam que usam teóricos da transpessoal, como podemos perceber no quadro sobre teóricos. No decorrer da entrevista ao serem questionadas sobre o que consideram que é essencial para a sua prática, se referem a literatura e autores que estão mais presentes no seu dia-a-dia, se referindo a obras de autores que não necessariamente estejam no corpo teórico da Psicologia Transpessoal.

Nossa hipótese para essa aparente contradição é que a resposta ao nosso primeiro questionamento circunscreve as entrevistadas ao campo transpessoal. Assim elas se reconhecem fazendo parte dessa abordagem. Por outro lado, a sequência das perguntas convidam-nas a uma reflexão mais detida sobre a prática clínica cotidiana. Assim, elas evocam livros e autores que estão mais presentes na lida com as crianças e que podem ou não ser alinhados ao campo transpessoal.

A partir do que foi apontado como as principais referências e os principais autores, organizei em uma tabela. Para a construção da tabela tomei como referência uma outra organizada por Ferreira, Silva e Silva (2015) que fizeram um levantamento dos principais autores e obras internacionais com maior relevância no âmbito nacional, que utilizei abaixo, como forma de relacionar com os autores e a bibliografia utilizada pelos entrevistados. Em outra tabela também retirada do livro “Psicologia Transpessoal: história, conquistas e desafios”

(2015), estão as obras nacionais publicadas sobre Psicologia Transpessoal, a qual também fiz referência para equiparar com o que é conhecido pelos psicólogos que estão na prática clínica.

Tabela 01 – Autores e obras nacionais

AUTOR (A) OBRA

Pierre Weil

A Consciência Cósmica, Introdução à Psicologia Transpessoal - ED. VOZES, Petrópolis. 1972. 2ª Edição

As Fronteiras da Evolução e da Morte - ED. VOZES, Petrópolis. 1979 Pequeno Tratado de Psicologia Transpessoal em Colaboração com outros autores -

ED. VOZES, 1979. 5 volumes. Volume I - Cartografia da consciência humana

Volume II - A mística e a ciência

Volume III - Psicofisiologia da consciência cósmica Volume IV - Experiência cósmica e psicose Volume V - Medida da consciência cósmica

A Revolução Silenciosa, Autobiografia Pessoal e Transpessoal - EDITORA PENSAMENTO, São Paulo. 1983

A Neurose do Paraíso Perdido - ED. ESPAÇO TEMPO. DISTRIBUIDORA VOZES. Rio, 1987

Ondas à Procura do Mar - ED. AGIR, Rio, 1987. A Palha e a Trava - ED. VOZES. Rio, 1988.

Meu Deus Quem é Você - ED. VOZES (1989), Petrópolis. 1991 A Nova Ética - Ed. Rosa dos Tempos, Rio. 1993

A Arte de Viver em Paz - ED. GENTE, São Paulo. 1993, Apoio UNESCO A Morte da Morte - ED. GENTE, São Paulo, 1995.

Antologia do Êxtase - ED. PALAS ATHENAS. São Paulo.1992. - VERSÃO COMPLETA DISPONÍVEL

Holística: Uma Nova Visão e Abordagem do Real - ED. PALAS ATHENAS, São Paulo, 1990. - VERSÃO

COMPLETA DISPONÍVEL

Sistemas Abertos: A Nova Transdisciplinaridade. Em colaboração com Ubiratan D’Ambrósio e Roberto

Crema - SUMMUS EDITORA. São Paulo, 1993.

Lágrimas de Compaixão: E a Revolução Silenciosa Continua! - EDITORA PENSAMENTO. São Paulo, 1999.

Os Mutantes, Uma nova humanidade para um novo espírito - Ed. VERUS, Campinas, SP. 2003.

NORMOSE. Pierre Weil, Jean-yves Leloup, Roberto Crema. Campinas:VERUS. 2003.

TRANSCOMUNICAÇÃO. O Fenômeno Magenta - Observações e interpretações de fenômenos paranormais ocorridos na presença do sensitivo Amyr Amiden.

EDITORA PENSAMENTO. São Paulo. 2002. Léo Matos

Drogas ou Meditação - Meditação como Alternativa para o Uso de Drogas. VOZES. 1989.

Mente e corpo. VOZES. 1994

Carlos Fregtman Música Transpessoal. CULTRIX. 1984.

Holomúsica – Um caminho de evolução Transpessoal. CULTRIX. 1995 Eliana Bertolucci Psicologia do Sagrado: Psicoterapia Transpessoal. AGORA EDITORA. 1991. Elias Boainaim Jr. Tornar-se transpessoal: transcendência e espiritualidade na obra de Carl Rogers.

SUMMUS EDITOR. 1996 Maria Cristina

Monteiro de Barros (org.)

A consciência em expansão: os caminhos da abordagem transpessoal na educação, na clínica e nas organizações. EDIPUCRS. 1998

Márcia Tabone Psicologia Transpessoal: introdução à nova visão da Consciência em psicologia e Educação. CULTRIX. 1999 (1987).

Vera Saldanha A Psicoterapia Transpessoal. ROSA DOS TEMPOS. 1999

Raissa Cavalcanti O retorno do sagrado. CULTRIX. 2000.

Ana Maria Maeda Como transformar seu corpo em um templo sagrado: feng shui interno, uma visão transpessoal. MADRAS. 2000.

Rita de Cassia Macieira

O sentido da vida na experiência de morte. Uma visão transpessoal em psico- oncologia. CASA DO PSICÓLOGO. 2001.

Lilian Costa Pinto Iluminação espiritual: a emergência do sagrado na tradição iogue e na Psicologia Transpessoal. VOZES. 2001.

Norma Alves de

Oliveira Psicanálise transpessoal e terapia de vivências passadas. PRINT. 2004. Aurino Lima Ferreira

(org.)

Psicoterapia e Psicologia Transpessoal: ampliando as fronteiras da consciência. LIVRO RÁPIDO. 2004.

Francisco Di Biase; Mário Sérgio da Rocha

Ciência, Espiritualidade e Cura: Psicologia Transpessoal e ciências holísticas. QUALITYMARK. 2005.

Caminhos do sucesso: A conspiração holística e transpessoal do terceiro milênio. QUALITYMARK. 2009.

Aurino Lima Ferreira; Eliége Brandão; Salete

Menezes

Psicologia e Psicoterapia Transpessoal: caminhos de transformação. COMUNIGRAF. 2005

Crsitina França Psicologia Transpessoal e uma sociedade secreta. GRÁFICA E EDITORA VITÓRIA. 2005

Isabel Campos

Aprendizagem em treinamento corporativo: inovação, método e resultados sob uma abordagem

transpessoal. ALTANA. 2006 Odete Maria de

Oliveira Conceito de Homem: mais humanista, mais transpessoal. UNIJUI. 2006. Claudio Roberto Freire

de Azevedo; Delzilene Macêdo

Costa (Organizadores)

Ciência e espiritualidade: psique e transpessoalidade. ÓRION EDIÇÕES. 2006

Elydio dos Santos Neto

Por uma educação transpessoal: a ação pedagógica e o pensamento de Stanislaw Grof. LUCERNA. 2006

Mani Alvarez Psicologia Transpessoal: a aliança entre espiritualidade e ciência. ALL PRINT. 2006.

Julio Francisco Dantas de

Rezende

Matrix e a Administração Transpessoal. E-PAPERS. 2007.

Aurino Lima Ferreira Psicologia e psicoterapia transpessoal: desafios e conquistas na contemporaneidade. COMUNIGRAF. 2007

Jorge Trevisol Educação Transpessoal: um jeito de educar a partir da interioridade. PAULINAS. 2008

Vera Saldanha Psicologia Transpessoal: abordagem integrativa. UNIJUI. 2008. Maria Cristina

Monteiro de Barros (org.)

A consciência em expansão: os caminhos da abordagem Transpessoal na educação, na clínica e nas organizações. EDIPUCRS. 2008.

Francisco Di Biasi; Mario Sergio Rocha

Caminhos do Sucesso: A Conspiração Holística e Transpessoal do Terceiro Milênio. Qualitymark. 2009.

Ana Montanari; Carlos França; Vera Saldanha; Viviane

Dias

Didática Transpessoal: facilitando o ato de ensinar e de aprender. MERCADO DAS LETRAS. 2010

Anna Mathilde Pacgeco; Chaves Nagelshmidt

Argonautas dos espaços interiores: uma introdução à Psicologia Transpessoal. VETOR. 1996.

Rosalia Monteiro A significação do amor: o maior aprendizado da consciência. EPICON. 1997 Márcia Melo de

Araujo; Reica Barros dos

Santos

Arteterapia Transpessoal. MARCIA MELO. 2010.

Rita de Cássia Macieira (og)

Despertando a cura: do brincar ao sonhar – aspectos psíquicos e espirituais da cura existência. LIVRO PLENO. 2011.

Aurino Lima Ferreira; Nadja Acioly-Régnier;

Psicologia Transpessoal: reflexões e pesquisas no campo acadêmico brasileiro. TOP PRODUÇÕES. 2012.

Maria de Fatima Abrahão Tavares; Marlos Alves

Bezerra (Organizadores) Maria de Fatima

Abrahão Tavares; Claudio Roberto Freire

de Azevedo; Marlos Alves Bezerra

(Organizadores)

Tratado da Psicologia Transpessoal: antigos ou novos saberes em psicologia? (Vol1). EDUFRN. 2012.

João Batista de Castro O que é a mente? 100 casos clínicos de hipnose transpessoal. AMERICA. 2013.. Emílio Figueira Psicologia Transpessoal: Sua história, seus teóricos, suas possibilidades. EBOOK.

2014 João Carvalho Neto

Psicanálise da alma. SAQUAREMA. 2005.

Casos de um divã transpessoal: psicanálise e tvp reunidas em uma proposta terapêutica. PORTAL LITERÁRIO.

Maria Carvalho O que é o transpessoal?. TEMÁTICA.

Elaine Marini Síndrome do pânico: o tratamento na visão da psicologia transpessoal. VETOR. 2008.

Jeronimo Moreira de Oliveira

O que vejo no espelho: uma visão pragmática da psicologia transpessoal. LEOPOLDIANUM. ABRUC EDITORAS ASSOCIADAS / UC. 2004 Sergio Holtz Filho Pedagogia transpessal aplicada na empresa: um novo paradigma na comunicação

social. BOOKESS. 2014. Fonte: retirado de Ferreira et. al, 2015

Como já mencionado, essa tabela nos ajudou na construção da tabela abaixo. Na primeira coluna colocamos os autores citados pelas entrevistadas e na segunda os autores que estavam apoiando o seu fazer clínico. As duas últimas colunas se referem ao trabalho realizado por Ferreira.

Tabela 02 – Autores e obras citadas

Entrevistadas Teóricos Citados Bibliografia que apoia a prática

E1

Victor Frankl Vera Saldanha Stanislav Grof

“Descobrindo Crianças” (Violet Oaklander) “Tornar-se presente” (John Stevens) “Psicologia e Psicoterapia Transpessoal”

(Ferreira, Brandão & Menezes (2005) “Descobrindo sua Força Espiritual” (James

Van Praagh)

“O Lado Sombrio dos Buscadores de Luz” (Debbie Ford)

“Prática de Vida Integral” (Ken Wilber)

E2 Teóricos da fenomenologia Virginia Mae Axline

“Dibs: Em busca de si mesmo” (Virginia M. Axline)

E3 Stephen Gilligan Bert Hellinger

“A coragem de amar” (Stephen Gilligan) “Psicanálise nos contos de fadas” (Bruno

Bettelheim) E4 Aaron Beck “Autores da Gestalt” Victor Frankl Leo Matos Ken Wilber

Não cita livro especificamente

E5 Stanislav Grof

Estudos sobre o feminino

Artigos relacionados aos casos “Descobrindo Crianças” (Violet Oaklander)

E6 Carl Jung “A coragem de amar” (Stephen Gilligan)

“Descobrindo Crianças” (Violet Oaklander)

Tabela 03 – Autores e obras internacionais com relevância nacional Autores internacionais com

relevância nacional (Ferreira et al., 2015)

Autores e obras internacionais com maior relevância no âmbito nacional (Ferreira et al., 2015)

Roger Walsh, e Frances Vaughan Ken Wilber

Stanislav Grof e Christina Grof Charles Tart Rob Preece Ram Dass Jack Kornifield Mark Epstein Clovis Correa Mariana Caplan John Welwood John Engler

 Roger Walsh, e Frances Vaughan

o “Além do ego: dimensões transpessoais em psicologia” (1995) o “Caminhos além do ego: uma visão transpessoal” (1997)  Ken Wilber

o “O espectro da consciência” (1996)

o “A consciência sem fronteiras: pontos de vista do Oriente e do Ocidente sobre o crescimento pessoal” (1991)

o “Espiritualidade Integral: uma nova função para a religião neste início de milênio” (2006).

 Stanislav Grof e Christina Grof

o “Além do Cérebro: nascimento, morte e transcendência em psicoterapia” (Grof, 1987)

o “Emergência Espiritual: crise e transformação espiritual” (Grof;Grof, 1992)

o “A Psicologia do Futuro: lições da investigação moderna sobre a consciência” (Grof, 2007)

o “Respiração Holotrópica: uma nova abordagem de autoexploração e terapia” (Grof; Grof, 2010)

o “A aventura da autodescoberta” (Grof, 1997)

o “A tempestuosa busca do ser: um guia para o crescimento pessoal através da crise de transformação” (Grof; Grof, 1994).  Charles Tart

o “O fim do materialismo: como evidências científicas dos fenômenos paranormais estão unindo ciência e espiritualidade” (2012)

o “Psicologias transpersonales”.  Rob Preece

o “The Wisdom of imperfection”

A partir das tabelas acima, podemos perceber que, das obras citadas pelas psicólogas entrevistadas, não havia nenhuma da lista dos livros e autores com maior relevância no âmbito nacional, varredura realizada por Ferreira, Silva e Silva (2015) na obra “Psicologia Transpessoal no Brasil: História, Conquistas e Desafios”. O livro “A Coragem de Amar” (2001)

de autoria por Stephen Gilligan, foi citado por duas entrevistadas, a entrevistada 03 e a entrevistada 06 como um dos livros mais utilizados para apoiar a prática clínica. Além do livro citato, a entrevistada 01 elencou os livros “Psicologia e Psicoterapia Transpessoal: caminhos de transformação.” de Aurino Lima Ferreira; Eliége Brandão; Salete Menezes (2005) e “Prática de Vida Integral” de Ken Wilber; Terry Patten; Adan Leonard (2011) como dois dos livros

utilizados na prática clínica com crianças. É importante destacar que nenhum dos livros citados acima são considerados livros de autores da Psicologia Transpessoal, abordam o tema da infância. Entretanto, esses livros falam sobre a teoria da transpessoal, sendo importantes para o olhar sobre o ser humano e o fenômeno que emerge no contexto de trabalho.

O livro “Descobrindo Crianças” de Violet Oaklander (1978) foi o mais citado, sendo

mencionado por três das seis psicólogas entrevistadas (01, 05 e 06). Esse livro utilizado pelas entrevistadas é considerado um clássico da abordagem gestáltica com crianças, se mostrando um modelo e um guia de atendimento infantil na abordagem Gestalt (Pajaro, 2015). Outro livro considerado da abordagem Gestalt também citado foi “Tornar-se presente” de John Stevens

Uma autora também citada que emerge nesse campo como uma referência no modo de se trabalhar com psicoterapia infantil é Virginia M. Axline, autora da perspectiva Humanista, que estabeleceu princípios sobre ludoterapia. Nessa abordagem e autora de um caso representativo, Dibs, dando origem ao livro “Dibs – em busca de si mesmo” (1964), citado pela

entrevistada 04, assim como o livro que estabelece os princípios da ludoterapia, denominado “Ludoterapia – A dinâmica interior da criança” (1974).

Outro livro citado, por uma única entrevistada, foi “Psicanálise nos contos de fadas” do autor Bruno Bettelheimm. Trata-se também de uma obra situada em outra abordagem teórica clássica: a psicanálise.

Dois livros que se mostraram como livros importantes para a prática dos psicólogos entrevistados foram: “Descobrindo sua Força Espiritual” de James Van Praagh e “O Lado Sombrio dos Buscadores de Luz” de Debbie Ford, ambos citados pela entrevistada 01.

Importante destacar que os dois autores não são considerados teóricos de alguma abordagem específica, se caracterizando como autores que auxiliam no auto desenvolvimento, utilizando conceitos também utilizados pela Psicologia Transpessoal, como o conceito de espiritualidade (no livro de James Van Praagh) e como o conceito de sombra (utilizado por Debbie Ford em seu livro). A busca por essas leituras se tornam acessíveis e, por vezes, trazem diversas técnicas e maneiras de trabalhar com a demanda que surge na clínica, sendo uma alternativa prática aos clássicos teóricos da abordagem.

No que concerne aos teóricos que auxiliam na construção teórica da prática clínica, foram citados conforme a segunda coluna da tabela. Dos teóricos citados, podemos destacar Victor Frankl, Stephen Gilligan, Stanislav Grof e Ken Wilber, como sendo autores internacionais relevantes no âmbito nacional, se destacando pela influência tanto no campo da pesquisa, como no campo da prática clínica em geral. Sobre os autores nacionais, Vera Saldanha e Léo Matos se destacam na fala dos entrevistados como influências no campo da transpessoal

de âmbito nacional. Além dos autores supracitados, outros teóricos e fontes de estudo se destacaram na fala das entrevistadas, como teóricos da fenomenologia, Virginia Mae Axline, Bert Hellinger, Aaron Beck, Carl Jung e de modo mais vago, “estudos sobre o feminino”.

Diante dessas falas, podemos perceber que o profissional que atende crianças pela abordagem transpessoal, se mostra em uma constante busca de teorias que auxiliem a operacionalizar essa prática ligada ao universo infantil ou que auxiliem na compreensão desse universo, lançando mão de diferentes leituras e autores de outras abordagens psicológicas. Revendo a história da Psicologia Transpessoal, Ferreira, Silva e Silva (2015) percebem a dimensão transpessoal como foco da atenção nas principais correntes teóricas ao longo da história, podendo ser essa uma explicação para a variedade de autores não considerados transpessoais e destacados nas entrevistas. Em seu corpo teórico, podemos perceber aspectos da Psicologia Humanista, como Maslow e também da junguiana, trabalhando aspectos do ser humano. Essa constituição da Psicologia Transpessoal em dialogar com diferentes abordagens pode ter relação com o fato das profissionais buscarem também em outras fontes. Uma outra dimensão notória foi o fato de cinco, das seis entrevistadas, já terem trabalhado com outras abordagens para guiar sua visão de homem, de mundo e consequentemente seus atendimentos, seja na graduação ou em outras formações enquanto profissional, fazendo recorrer ao que é conhecido dentro do campo de atuação. Aliado a isso, a transpessoal não objetiva negar o que já foi elaborado pelas outras abordagens psicológicas, o intuito é um olhar para dimensões da vida humana que não foram abordadas anteriormente (Ferreira et al., 2015).

Outro apontamento importante se apresenta nas inúmeras publicações de autores nacionais que não são expressivas na fala dos profissionais entrevistados, entretanto, os profissionais acabam por recorrer a leituras em outras abordagem, muitas vezes por desconhecer a produção na própria corrente teórica. Além disso, alguns livros já não são mais encontrados de maneira fácil, pois as editoras não os publicam mais, sendo esse um fator que

dificulta o acesso as leituras e aos livros da própria abordagem. Essa busca em outras teorias demonstra também uma abertura dos profissionais em buscar dialogar com diferentes saberes, como também a necessidade de aprender a filtrar, refletir e digerir aquilo que pode ser proveitoso dentro da abordagem como um limite teórico-epistemológico (Pajaro, 2015).

A escassez de estudos sobre o tema da infância na abordagem foi outro ponto destacado durante as entrevistas como empecilho para trabalhar nessa abordagem com crianças na clínica. Apesar da mencionada escassez, nada foi comentado sobre a possibilidade de publicações na área.