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Teatro&Cidade em Intermitentes ou vai e vem

4.2 Experiências artísticas em deslocamento espacial na cena de Belo Horizonte

4.2.1 Teatro&Cidade em Intermitentes ou vai e vem

O grupo Teatro&Cidade foi criado em 2013, como um grupo de pesquisa e extensão do Teatro Universitário da UFMG, sob a coordenação do prof. Dr. Rogério Paulino. Diego Meneses, José Antônio de Almeida, Nayra Carneiro, Pedro Vilaça, Rikelle Ribeiro e Tereza Bruzzi são os outros criadores do grupo que assumem levar a sério as brincadeiras e o ato de brincar. Nas suas criações

[...] o grupo procura reforçar que a rua, assim como a cidade e seus espaços, não são vistos, do ponto de vista teatral, como locais de apresentação de obras acabadas. Antes de tudo, são locais de convivência, locais para serem ocupados das mais variadas formas e ocasiões. Propõe um teatro que aconteça junto com a cidade, sem que seja preciso fechar ruas ou montar palcos. Um teatro em que a ação dos atores depende da sua capacidade de conquistarem seu espaço e, ao mesmo tempo, da generosidade daqueles que partilham a construção das cenas, dos jogos, das brincadeiras e das imagens que surgem a cada esquina, a cada olhar, a cada aperto de mão, a cada tombo ou tropeção, a cada risada37 (Teatro&Cidade, 2018, s/p).

O procedimento do grupo de deslocar a ação teatral, tecendo percursos pelo espaço urbano, fica evidente no projeto Trilogia Andarilha. A trilogia – composta por três manifestações teatrais: Intermitentes ou vai e vem, Trinca-matraca: uma mascarada de rua e

Seis Personagens a Procura de um Lugar – contém os aspectos fundamentais das pesquisas do

grupo Teatro&Cidade: investigação de máscaras tradicionais da cultura popular brasileira em contexto urbano, deslocamentos e criação de percursos pela cidade, intermitência aos fluxos cotidianos, incorporação do ato teatral no espaço público e correspondência com as figuras que se encontram diariamente no local do processo.

Neste estudo, vamos analisar a obra Intermitentes ou vai e vem, primeira manifestação da trilogia, que estreou em junho de 2015. Praticamente todo o processo de criação e ensaio desse espetáculo se deu nas ruas de Belo Horizonte (MG), a partir da ideia de “se deslocar livremente pelo espaço público, sem estabelecer uma relação de palco e plateia ou contar uma história pré-definida” (Teatro&Cidade, 2018, s/p). Por causa disso, surgiu a noção de manifestação teatral, “ato de se expressar cenicamente a partir de um fluxo de elementos ficcionais organizados numa série de jogos e situações que não chegam a configurar uma estrutura formal de um espetáculo” (Teatro&Cidade, 2018, s/p).

70 Figura 15: Intermitentes ou vai e vem. Fonte: Teatro&Cidade38.

Para o grupo Teatro&Cidade, a cidade é comum a todos e seu uso pelo teatro deve ser entendido como mais uma das práticas espaciais que a habitam (capítulo 3), de maneira que a cena “é mais um dos elementos que tá compondo a cidade; assim como tem o trânsito e as pessoas que passam, tem também algumas pessoas fazendo teatro”39. A proposta de criar e existir artisticamente na cidade faz com que os artistas, com seu meio de expressão, participem da construção de um espaço mais convivial, ou de certo modo, problematizem esse aspecto que é o uso dele, como nos conta o diretor Rogério Paulino ao lembrar-se de um caso que traz à tona essa questão:

Uma coisa que me interessa nos tipos de trabalho que eu desenvolvo no Teatro&Cidade é que em nenhum deles eu preciso reservar um espaço ou pedir autorização de uma rua pra fazer. Então, eu reivindico a minha possibilidade de estar na cidade, de um jeito bastante peculiar que é a partir da criação cênica. Quando eu tô apresentando as obras, se vier um policial ou um agente público perguntando: “Você tem autorização?” Eu respondo: “Autorização pra que? Pra eu caminhar pra lá e pra cá pela cidade?” Já que nós não montamos nenhuma estrutura de cenário, de luz ou de som, não chega a configurar a necessidade por alguma autorização. Mas o meu interesse é problematizar exatamente isso, tanto que nos festivais eu sempre falo que não há necessidade de reservar rua alguma porque nossa manifestação se constrói numa outra relação com a cidade, que é a de recuperar o espaço público como espaço de convivência. A gente apresentou recentemente pelo Sesc Carmo em São Paulo e foi uma experiência bastante interessante de perceber o quanto que o espaço público cada vez mais tem sido visto como espaço privado, e o uso dele também. O Sesc por ser um órgão que tem toda uma relação com o comércio e com a cidade, recortou o espaço que a gente podia usar. Na praça que ia acontecer a apresentação nós não podíamos nem atravessar pro outro lado da rua porque o Sesc só tinha autorização pra

38 Disponível no site: <https://www.teatroecidade.com/trilogia-andarilha>. Acesso em: jul. 2018. 39 PAULINO, Rogério. 17 jul. 2018. Entrevista a Felipe Cunha.

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utilizar o espaço da praça. Nesse caso, essa minha justificativa de ocupar a cidade fica limitada, porque eles enquanto promotores do evento ficam preocupados com as burocracias para usar a cidade. Então, este tipo de trabalho me interessa por trazer essa perspectiva de que eu posso estar na cidade. Ela não é apenas um lugar de passagem ou um lugar instrumentalizado só pra o trabalho e pra produção de bens de consumo, a cidade é um lugar pra viver, inclusive fazer arte como a gente tem desenvolvido (PAULINO, Rogério. 17 jul. 2018. Entrevista a Felipe Cunha).

Com base na investigação de um teatro que se faz na cidade e a partir dela, o grupo estabelece outra relação com o espaço urbano, que é de conviver com ele, assim como com seus habitantes. Essa compreensão do uso da cidade no decorrer do processo criativo é tão importante quanto a manifestação em si. Rogério Paulino afirma que, ao fazer teatro na cidade, ele, enquanto diretor, não está “interessado em apresentar na cidade, mas sim em estar na cidade, nessa dimensão da convivência”40.

Com relação à convivência social, que na maioria do processo se deu nos arredores do edifício JK e da Praça Raul, Soares em Belo Horizonte, Intermitentes ou vai e vem tem em si a noção de estética relacional, conceito formulado por Nicolas Bourriaud (2009) para caracterizar as obras de arte que tem como princípio as relações humanas. Uma vez que a estética relacional é pensada para estabelecer relações, dialoga diretamente com a experiência do Teatro&Cidade que, ao conviver na região para consolidar sua manifestação teatral, procura entender as práticas espaciais daquele determinado lugar e, consequentemente, tecer relações com elas.

Esse teatro que traz o relacional na sua criação tem a capacidade de estimular o transeunte e/ou espectador para outras possibilidades de habitar o mundo, além de apresentar novos pontos de vista dentro da realidade. Ou melhor, ele se interessa em dar existência a novas situações, particularidade diretamente ligada às filosofias situacionistas, sobre as quais já discutimos anteriormente.

Por mais que o diretor não tenha utilizado as práticas situacionistas para a criação do espetáculo, é notória a relação delas com a experiência, principalmente no que tange a romper com a lógica do cotidiano e provocar uma reflexão acerca da arte enquanto lugar de consumo. O espetáculo inventa outros caminhos a partir do meio urbano, fazendo da cidade um lugar favorável para momentos criativos e de prazer entre as pessoas.

40 Idem.

72 Figura 16: Intermitentes ou vai e vem. Fonte: Teatro&Cidade.

A partir de experiências e pesquisas que o núcleo Teatro&Cidade desenvolve, ele conta com o deslocamento e o ritmo dos centros urbanos para suas composições cênicas. Os lugares com que os artistas do núcleo vão se relacionar precisam ter “lojas, estabelecimentos comerciais abertos, ter vida pública. Não tem como apresentar num bairro dormitório, num lugar que só tenham condomínios fechados, por exemplo”, afirma Rogério Paulino41. A escolha por espaços que tenham uma vida pública é justamente para ir de encontro aos fluxos que se condensam neles. As regiões que possuem muitas lojas comerciais, bares, igrejas etc., são lugares que têm importância na vida das pessoas.

O entendimento de fluxo formulado por Canclini (1997) estabelece relações com essa observação, considerando que as regiões centrais das cidades são, frequentemente, espaços de conveniência, pois que muitas pessoas as usam diariamente para fazer compras, pagar contas ou trabalhar. Dessa forma, quando uma prática fantástica (como eles chamam) é introduzida nesses lugares, uma dimensão pouco usual entra em vigor e, assim, os transeuntes se deparam com seus trajetos cotidianos provisoriamente alterados.

Desde o processo até a conclusão do espetáculo Intermitentes ou vai e vem, um grupo de mascarados sai às ruas da cidade de Belo Horizonte, buscando relações com o espaço urbano que, de modo consequente, desembocam em improvisações e composições cênicas. A criação

73 do trabalho conta com a utilização de máscaras inspiradas nas folias de reis42, um recurso cênico que instaura a ficção no espaço percorrido.

[...] não é apenas a máscara por si só um elemento fantástico, mas a forma como os atores jogam com ela no espaço público que gera esta sensação, uma vez que, para os transeuntes não fica claro o que está se passando, afinal o trabalho não tem uma estrutura clássica de espetáculo, pois apesar de ser itinerante, não se desenvolve em forma de cortejo, e sim acontecem ações simultânea dos atores, em diferentes pontos de um mesmo quarteirão, que são intercaladas com outros momentos coletivos. Os mascarados realizam ações que ao mesmo tempo que quebram com a rotina daquele espaço, passam a fazer parte dela, uma vez que estes mascarados, assim como os transeuntes, se mantinham ali presentes de maneira constante mas não contínua, o que nos levou a denominar o espetáculo como Intermitente ou vai e vem. Sendo a intermitência, uma das características fundamentais a qual recorremos para construir toda a estrutura do trabalho, pois é um dos elementos que mais caracteriza o trânsito de pessoas e veículos naquele espaço43.

Por mais que o elemento máscara esteja presente na criação da obra, não vamos nos deter neste componente, já que nossa reflexão pretende dar ênfase à prática de transitar pela cidade. Desde já, no entanto, adiantamos que o percurso como propulsor criativo não desclassifica os outros aspectos implicados na criação da cena, muito pelo contrário, ele se alia aos tantos outros (como a máscara, neste caso) para potencializar a criatividade e a troca dos envolvidos. Sendo assim, o percurso, nesse processo, é um dispositivo tão significativo quanto o mascaramento, pois ele dá impulso para que as relações se constituam, sejam elas com o espaço e/ou até mesmo com os outros. O ato de percorrer, que de modo evidente implica movimento, mesmo no seu sentido mais comum de deslocamento, se mostra um importante motor no processo criativo do grupo.

A gente quer fazer parte da cidade e pra fazer parte da cidade um dos elementos que a gente utiliza é o deslocamento, mas a gente não fica só transitando, a gente também instaura pequenos momentos de ação, pequenas situações em determinados espaços, seja em função do espaço ou da relação com uma pessoa. São momentos efêmeros que não são engessados, fixos... Eles são como a cidade, eles vão se transformando a cada apresentação, a cada dia, a cada momento. Então, pra dialogar de fato com a cidade precisa desse elemento de deslocamento, porque apesar das pessoas quererem eliminar essa dimensão da cidade, ela existe para isso, mas existe também pra você ficar sentado um tempo no banco da praça, pra você parar e ficar observando uma flor, e todas essas questões estão contempladas no trabalho (PAULINO, Rogério. 17 jul. 2018. Entrevista a Felipe Cunha).

42 Manifestação cultural religiosa festiva.

43 PAULINO, 2015, s/p. Disponível em: <http://primeirosinal.com.br/artigos/%E2%80%9Cintermitentes-ou-vai- e-vem%E2%80%9D-m%C3%A1scara-como-motivadora-de-um-processo-criativo-na-rua>. Acesso em: jul. 2018.

74 A descrição da peça que encontramos no site do grupo também transmite uma sensação de movimento pela cidade:

Como um balão que de repente estoura. Pum! Eles surgem. Uma família? Talvez, turistas? Uma liga de super-heróis? Palhaços? Manifestantes? Caminham, ora em grupo, ora sozinhos, descobrindo, desbravando, brincando com o que há ao seu redor. Tudo é muito novo, mas estranhamente familiar. Num ir e vir descontraído, eles chamam a atenção das pessoas, com ações aparentemente comuns, mas que vão se transformando até adquirirem uma dimensão absurda ou fantástica44 (Teatro&Cidade,

2018, s/p).

O vai e vem dos personagens, ou seja, o jogo em percurso, é um elemento da obra que tende a causar rupturas com as lógicas de fluxo da cidade. As ações, por mais simples que sejam, atingem uma conexão íntima com o meio urbano e alteram o cotidiano daquele determinado lugar. Com a movimentação das figuras durante o espetáculo conseguimos também perceber uma movimentação de sentidos dos espaços, despertando assim, outros pontos de vista a respeito do tecido urbano.

Não existe uma apresentação formal dos personagens: ao mesmo tempo que eles surgem, desaparecem. Eles se fundem à trama cotidiana do meio urbano, procurando desenvolver uma relação com o público e, principalmente, com o espaço, improvisando a partir de situações previamente estabelecidas ou não. As ações não se desenrolam para passar uma mensagem, tampouco trazer respostas. Não se sabe o que é acaso e o que é previsto, o inusitado está prestes a acontecer a qualquer momento.

75 Figura 17: Intermitentes ou vai e vem. Fonte: Sou BH45.

Intermitentes ou vai e vem se desenrola numa série de situações que as figuras instauram

na cidade, instaurando o jogo a partir delas, sem necessariamente avançar a partir de um tema. Sem indicação do que vai acontecer, a cada momento essas figuras surgem com um adereço surpresa que eles carregam numa bolsa, mochila ou mala. Sobre o elemento surpresa, Rogério Paulino conta que

Todas as figuras utilizam bolsas ou malas, porque quando a gente começou a andar na cidade uma das coisas que observamos foi que as pessoas sempre estão carregando alguma coisa pela cidade dentro de uma bolsa, uma mala ou uma mochila; por isso todas essas figuras também tem uma “mochila”, e os espaços também são escolhidos tendo esse ponto de vista (PAULINO, Rogério. 17 jul. 2018. Entrevista a Felipe Cunha).

Dessas “mochilas” surgirão os elementos que vão auxiliar os mascarados a instaurarem as ações pela cidade, as quais compõem um roteiro de situações elaboradas durante o processo criativo – como, por exemplo, a inauguração de uma estátua, um piquenique ou uma brincadeira de esconde-esconde. Mas o jogo que se estabelece naquele tempo e espaço tem toda permissão para fugir do roteiro previamente definido que eles seguem, dando uma outra característica ao trabalho que é a não existência de um texto enrijecido, pois a cada manifestação os atores- mascarados interagem com habitantes distintos, o que sempre faz surgir diferentes jogos e situações.

76 Ao longo da peça, público e transeuntes são conduzidos por ambiências próximas, onde acontecem as cenas-situações integradas ao espaço urbano. No jogo cênico de Intermitentes, ou

vai e vem, o coletivo conduz o espectador pela cidade, suscitando, além do deslocamento físico,

outras possibilidades de vivenciá-la. O percurso que agiu efetivamente no processo de criação, age também na cena, provocando aberturas sensórias e fabricando espaços de percepção no espectador e/ou transeunte.

A proposta de manifestação que eles trazem para o trabalho tem como intenção alcançar um público para além do habitual espectador do teatro, o que aproxima a proposição da noção de intervenção urbana. Há um vínculo com os transeuntes que habitam os espaços nos quais se desenrolam as ações, são sujeitos constituintes da cena e não apenas público que assiste à ação cênica. Mas, mesmo assim, muitas vezes o espectador tem dúvidas sobre o fato de estar ou não assistindo uma obra teatral.

As ações, durante o período que acontecem, provocam variadas interpretações. Muitos procuram sentido para o acontecimento, revelando o lugar comum de espectador ao tentar compreender as imagens pelos esquemas da razão e da lógica. Alguns passam sem apego e apenas soltam comentários – qualquer reação, seja qual for, é desejada, pois os efeitos acarretados por esse tipo de trabalho são indicadores que ajudam a investigação artística no espaço urbano. No entanto, não é uma prioridade do artista fortalecer a ideia de que ele merece e deve ser visto, afinal esse tipo de proposição sabe que os olhares podem estar centralizados nele ou não.

Durante a apresentação, há um fluxo de transeuntes que para, observa, vai embora. Isto não é algo ruim para a experiência, uma vez que as ruas são ambiências de passagens e nelas as pessoas devem e podem sentir-se à vontade para vivenciar toda a experiência, assistir apenas uma parte da ação teatral ou mesmo irem embora do local; diferentemente dos edifícios teatrais, em que as convenções do espaço inferem que sair é inconveniente.

Essa liberdade do espectador demonstra uma característica própria do trabalho em percurso e a maneira como os trabalhos terminam, na maioria dos casos, não comportam aplausos. Isso acontece em Intermitentes ou vai e vem: quase sempre se gera uma dúvida por parte do público se realmente o espetáculo acabou.

Portanto, o lugar de passagem na cidade grande é desestabilizado pela interferência dessa encenação que provoca uma heterogeneidade no espaço, transformando o lugar de passagem num espaço vivencial. O espetáculo, ao se relacionar com a cidade e com os outros, traz ânimo para os corpos automatizados em trânsito, traz memória e história.

77 A cada cidade em que o trabalho vai ser apresentado é feito um trabalho de pesquisa, chamado visita técnica, sobre o contexto cultural específico de cada lugar. Rogério Paulino46 explica como pensam as possiblidades cênicas de cada espaço e como funciona a adaptação do trabalho para outros lugares:

Sobre as possibilidades do espaço, na verdade é menos pensar e mais experimentá-las concretamente. Quando vamos fazer o Intermitentes ou vai e vem em outros lugares, a gente gasta aproximadamente duas-três horas pra estudar o espaço. [...] A gente faz todo um trabalho de perceber o que tem ao redor e como o jogo pode ser adaptado ali. Demora e é cansativo, por isso a gente tenta fazer esse trabalho sempre um dia antes da apresentação, [...] no mesmo horário que a apresentação vai ocorrer, porque a rua altera muito, às vezes tal lugar fica muito cheio pela parte da manhã e a tarde ela tá completamente vazia.

Intermitentes ou vai e vem, espetáculo do grupo Teatro&Cidade, foi concebido como

estratégia de encontros e irrupções, ou seja, o jogo do teatro com o cotidiano urbano é o que fortalece a intenção do grupo de pesquisar a cidade para encontrar o outro e interferir no espaço público. O percurso, nesse caso, provoca uma receptividade mais ativa, não somente pelo fato do público transitar pelo espaço, mas pelos pontos de vista que a prática traz para o espectador em si; possibilitando a ele a outras formas de estar e de utilizar a cidade. Sendo assim, a experiência do percurso, nesse espetáculo, favorece uma tensão comunicativa entre a cidade e o público-transeunte.