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UNIDADE 4 FUNDAMENTOS DE HISTOLOGIA

6 TECIDO EPITELIAL

O tecido epitelial é constituído por células justapostas, isto é, intimamente aderidas umas às outras, formando uma camada celular contínua com pouquíssimo material extracelular.

Distinguem-se basicamente dois tipos de tecidos epiteliais, segundo sua estrutura e função, sendo eles o epitélio de revesti-mento e o epitélio glandular.

Os epitélios de revestimentos, como o próprio nome sugere, revestem as superfícies externas e as cavidades do corpo, como pele, cavidade bucal, tubo digestório, mucosas das fossas nasais, árvore respiratória etc. Já os epitélios glandulares são formados por células com capacidade de secreção, como, por exemplo, glân-dulas salivares e sudoríparas.

Não podemos deixar de falar de um tipo especial de epitélio, cuja função é captar estímulos externos como luz, odor, gosto, de-nominado neuroepitélio.

Vamos, agora, estudar esses epitélios isoladamente.

Epitélio de revestimento

Como já foi dito, os epitélios fazem o revestimento das su-perfícies externas e das cavidades do corpo. Devido à sua local-ização, apresentam funções de proteção do organismo, formando uma barreira contra a entrada de micro-organismos, além de atuar na absorção de nutrientes e na divisão do organismo em compar-timentos funcionais.

Como característica geral, as células epiteliais apresentam em sua superfície uma delgada camada de proteína chamada gli-cocálice ou glicocálix, que são fundamentais para os processos vi-tais destas células. Além do glicocálice, possuem uma lâmina basal, na qual as células epiteliais se prendem e também se separam do tecido conjuntivo adjacente. A lâmina basal, por ser muito delga-da, não pode ser observada no microscópio óptico e é constituída por colágeno tipo IV. No entanto, em algumas regiões, apresen-tam inúmeras fibras reticulares presas a ela, formando uma estru-tura visível ao microscópio óptico, denominada membrana basal.

Portanto, a membrana basal é formada pela lâmina basal mais as fibras reticulares. As estruturas do tecido epitelial podem ser ob-servadas na Figura 1.

Fonte: Junqueira e Carneiro (1995) (Fig. 5. 4 do Atlas colorido).

Figura 1 Corte histológico de uretra masculina, mostrando a membrana basal e o tecido epitelial.

O tecido epitelial pode ser classificado segundo a morfologia (forma) de suas células, número de camadas celulares, presença da proteína estrutural queratina e presença de especializações.

De acordo com a morfologia celular, o epitélio pode ser clas-sificado em:

1) Cuboide, cuboidal ou cúbicas: células com formato cú-bico, com a altura, largura e profundidade equivalentes.

2) Colunar ou prismático: células com a forma de colunas altas, nas quais a altura é maior que o comprimento e a profundidade.

3) Pavimentoso: células com o formato achatado.

4) De transição: a forma da célula muda conforme a posi-ção do órgão que reveste.

Já de acordo com o número de camadas celulares, o tecido epitelial pode ser classificado em:

Simples: possui apenas uma camada de células presas à lâmina basal.

Estratificado: possui mais de (uma) camada de células.

Pseudoestratificado: possui a aparência do estratificado, porém todas as suas células estão presas à lâmina basal.

Para nomear os epitélios, os dois critérios, isto é, a morfolo-gia celular e o número de camadas, podem ser utilizados; assim, podemos ter:

1) Epitélios simples.

2) Tecido epitelial cúbico ou cuboidal (sempre simples):

formado por uma camada de células com formato cú-bico, cuja função é de absorção, secreção e proteção.

Exemplos: revestimento dos ovários, túbulo renal.

3) Tecido epitelial pavimentoso simples: formado por uma camada de células com formato pavimentoso. Devido à sua pequena espessura, atua na troca de gases. Exem-plos: revestimento de vasos (endotélio), alvéolos pulmo-nares, como também revestimentos das cavidades peri-toneal, pericárdica e pleural (mesotélio).

4) Tecido epitelial prismático simples: formado por uma camada de células com formato prismático. Exemplo:

revestimento do intestino delgado.

5) Tecido epitelial pseudoestratificado (sempre prismáti-co): formado por uma camada de células, com núcleos em várias alturas, parecendo que é estratificado. As fun-ções desse tecido são de secreção, absorção, lubrifica-ção, proteção e transporte. Exemplos: revestimento da traqueia, dos brônquios e tubo auditivo. Observe esse tipo de tecido na Figura 3.

Confira, na Figura 2, os cortes histológicos e fique atento aos tipos de tecido epiteliais simples.

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Fonte: Junqueira e Carneiro (1995) (Fig. 4.1 do Atlas colorido).

Figura 2 Cortes histológicos mostrando os tipos de tecido epiteliais simples: (A) tecido epitelial pavimentoso simples, (B) tecido epitelial cúbico e (C) tecido epitelial prismático simples.

Fonte: Junqueira e Carneiro (1995) (Fig.4.2B do Atlas colorido).

Figura 3 Cortes histológicos mostrando o tecido epitelial prismático pseudoestratificado.

Epitélios estratificados

Para classificação morfológica celular dos tecidos epiteliais es-tratificados, utiliza-se como critério a forma das células da camada mais superficial do tecido e, assim, podem ser classificados em:

Tecido epitelial pavimentoso estratificado: formado por várias camadas de células, em que a forma das células mais externa é achatada. Pode ser queratinizado (pre-sença de queratina) ou não queratinizado (ausência de queratina). A pele é um exemplo de tecido epitelial

pavi-mento estratificado queratinizado. Os não queratinizados revestem a boca, a orofaringe, o esôfago e a vagina.

• Tecido epitelial estratificado de transição: é um tipo de epitélio exclusivo do sistema urinário, sendo caracteriza-do por células que mudam sua forma de acorcaracteriza-do com a posição do órgão, no caso, a bexiga urinária.

• Tecido epitelial prismático estratificado: formado por vá-rias camadas de células, em que a forma das células mais externas é prismática. São encontrados, na conjuntiva dos olhos, grandes ductos excretores e uretra masculina, apresentando funções de secreção, absorção e proteção.

Observe, nas Figuras 4 e 5, os cortes histológicos dos tecidos estratificados.

Fonte: Junqueira e Carneiro (1995) (Fig. 4.3A, 4.3B e 4.4 do Atlas colorido).

Figura 4 Cortes histológicos mostrando os tecidos epiteliais estratificados e de transição:

(A) tecido epitelial pavimentoso estratificado não queratinizado, (B) tecido epitelial pavimentoso estratificado queratinizado e (C) tecido epitelial de transição.

Epitélio glandular

O tecido epitelial glandular é formado por células que se es-pecializaram na produção e na secreção de substâncias. São origi-nados do tecido epitelial de revestimento, cujas células se

prolif-eraram, aprofundaram e invadiram o tecido conjuntivo adjacente, apresentando uma lâmina basal ao seu redor, formando, assim, uma glândula.

Há dois tipos básicos de glândulas:

1) Glândula exócrina: apresenta um ducto que conduz o produto da secreção para a superfície epitelial. As glân-dulas exócrinas apresentam, além do ducto secretor, uma porção secretora que produz a secreção. Podem ser clas-sificadas de acordo com a ramificação do ducto (simples e composta), quanto à forma da porção secretora (tubulo-sa, acinosa ou alveolares e túbulo-alveolares) e quanto ao tipo de substância secretada (mucosa, serosa ou mista).

2) Glândula endócrina: não apresentam ductos, e a secre-ção ocorre no meio extracelular e é levada pelo sangue.

As glândulas endócrinas podem ser cordonais, quando as células se dispõem em cordões ao redor dos capilares sanguíneos, ou vesiculares, quando as células formam uma vesícula que armazena os produtos de secreção.

Fonte: Junqueira e Carneiro (1995, p. 57).

Figura 5 Desenho esquemático demonstrando a origem das glândulas exócrinas e endócrinas a partir das superfícies epiteliais.

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