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UNIDADE 4 FUNDAMENTOS DE HISTOLOGIA

9 TECIDO NERVOSO

O tecido nervoso consiste num complexo sistema de comuni-cação entre o meio ambiente e o organismo, denominado sistema nervoso.

O sistema nervoso possui as funções de receber as informa-ções sensoriais (temperatura, dor, tato, pressão, visão, audição, paladar) do meio ambiente e do próprio organismo, além de pro-cessar ou integrar essas informações e produzir uma resposta que pode ser uma contração muscular, uma secreção hormonal ou uma contração visceral. É dividido anatomicamente em sistema nervoso central (SNC), composto pela medula espinhal, tronco encefálico, cérebro e cerebelo; e sistema nervoso periférico (SNP), composto pelos nervos (espinhais e cranianos), pelos gânglios sensitivos e pelas terminações nervosas (receptor e placa motora).

O tecido nervoso é constituído por células e pouca quanti-dade de matriz extracelular. As suas células são os neurônios e os vários tipos de células da glia ou neuroglia (Figura 18).

Figura 18 Corte histológico do tecido nervoso, mostrando os neurônios e as células gliais.

Neurônio

O neurônio é a unidade funcional do sistema nervoso re-sponsável pela recepção e transmissão das informações sensoriais e motoras. Reconhecemos dois tipos de neurônios, os aferentes (sensoriais) e os eferentes (motores). Vejamos, a seguir, a funcio-nalidade de cada um:

1) Neurônios aferentes: são responsáveis por transmitir as informações sensoriais para a medula ou encéfalo (cére-bro, tronco encefálico e cerebelo).

2) Neurônios eferentes: transmitem os impulsos (respos-ta) gerados no SNC para o órgão efetuador (músculos e glândulas).

Todos os neurônios possuem um corpo, chamado pericário, em que estão localizados o núcleo e o citoplasma. Do corpo, par-tem prolongamentos semelhantes a galhos de árvores, os dendri-tos, e outro prolongamento longo, delgado e único, denominado axônio. O axônio é o responsável pela transmissão das informa-ções para outros neurônios, músculos ou glândulas. A transmissão da informação ocorre através de um ponto de contato denomi-nado sinapse. Para melhor entendimento, observe a Figura 19:

Figura 19 Desenho esquemático dos neurônios e seus componentes.

De acordo com o número de prolongamentos, os neurônios podem ser classificados em:

1) Neurônio unipolar: possui um único prolongamento a partir do corpo celular, não sendo encontrado nos seres humanos.

2) Neurônio bipolar: possui dois prolongamentos que saem do corpo celular, um dendrito e um axônio, sendo encontrados no ouvido interno (gânglio coclear e vesti-bular), na retina e na mucosa olfatória.

3) Neurônio pseudounipolar: possui um prolongamento saindo do corpo celular, que, a seguir, se divide em dois:

um se dirige para a periferia e outro para o SNC, sendo denominados, respectivamente, axônio periférico e axô-nio central. São os neurôaxô-nios sensoriais que transmitem os impulsos nervosos da periferia para a medula espi-nhal.

4) Neurônio multipolar: possui mais de dois prolongamen-tos que saem do corpo celular, os dendriprolongamen-tos e o axônio, sendo a maioria dos neurônios do sistema nervoso.

Veja os tipos de neurônios ilustrados na Figura 20:

Fonte: Lundy-Ekman (2004, p. 29).

Figura 20 Desenho esquemático dos tipos de neurônios: (A) bipolar, (B) pseudounipolar, (C) multipolar, (D) multipolar do cerebelo, (E) interneurônio.

Células gliais ou neuroglia

As células da glia estão localizadas entre os neurônios, e suas funções não são de gerar impulsos nervosos, mas, sim, de dar

suporte estrutural e funcional para os neurônios. Acredita-se que há cerca de dez células da glia para cada neurônio.

Outras funções relacionadas a essas células, além de supor-te, são de sustentação e defesa do sistema nervoso, revestimento ou isolamento das fibras nervosas e modulação da atividade neu-ronal.

Os tipos de neuroglia encontrados no sistema nervoso cen-tral são os astrócitos, os oligodendrócitos, as células ependimárias e as micróglias. No sistema nervoso periférico, encontram-se as células de Schwann. As principais características e funções de cada uma dessas células serão brevemente estudadas a seguir:

1) Astrócitos: são as maiores células gliais, com o forma-to de estrela, possuindo diversos prolongamenforma-tos, cujas funções estão relacionadas com as trocas metabólicas entre neurônios e sangue, oferecendo, também, uma barreira adicional, denominada barreira hematoence-fálica, que controla a entrada de substância no tecido nervoso, aumentando as defesas do sistema nervoso.

Os astrócitos sintetizam importantes substâncias para o metabolismo neuronal e removem do meio extracelular os restos celulares, excessos de neurotransmissores e íons.

2) Oligodendrócito: são menores que os astrócitos e pos-suem poucas ramificações e prolongamentos. Estão dis-postas em fileiras entre os neurônios e são responsáveis pela produção e pela manutenção da bainha de mielina, bainha protetora que envolve os neurônios e aumenta a velocidade da condução nervosa.

3) Células ependimárias: são as células que revestem as cavidades ventriculares do encéfalo e do canal medular.

Suas funções estão envolvidas com a produção e movi-mento do líquor (líquido encefalorraquidiano). O líquor é um fluido aquoso e incolor que tem como função a proteção mecânica do sistema nervoso central.

4) Micróglias: são as menores das células gliais e têm como função fagocitar resíduos e estruturas danificadas do

sis-tema nervoso central, tendo, portanto, função de defesa do tecido nervoso.

5) Células de Schwann: são células que envolvem os axô-nios do sistema nervoso periférico, sendo responsáveis pela formação da bainha de mielina desse sistema.

Os neurônios cujos axônios são revestidos pela bainha de mielina são denominados de mielínicos, enquanto os que a não apresentam são denominados amielínicos. A bainha de mielina é interrompida entre cada célula de Schwann (SNP) e cada prolon-gamento do oligodendrócito (SNC) pelo nódulo de Ranvier. Sua função é promover isolamento elétrico das fibras, aumentando a velocidade da condução nervosa, de tal modo que o impulso ner-voso em uma fibra mielínica é conduzido cerca de 100 vezes mais rápido do que na fibra amielínica. O impulso nervoso é passado de um nódulo de Ranvier para outro nódulo de Ranvier, como se saltasse, sendo, portanto, chamada de condução saltatória.

Para melhor compreensão dos tipos de neuroglia encontra-dos no sistema nervoso central, observe a Figura 21:

Fonte: Lundy-Ekman (2004, p. 22-23).

Figura 21 Desenho esquemático das células da glia (A) astrócito e (B) oligodendrócito (A) e Células de Schwann (B).

Todos os neurônios possuem um potencial elétrico através de suas membranas, denominado potencial da membrana. Em

re-pouso, esse potencial é negativo no interior da membrana e positi-vo no seu exterior; é essa diferença de concentrações iônicas entre os meios que mantém o potencial da membrana.

É importante saber que essa polaridade ocorre devido à alta concentração de íons sódio, com carga positiva, no meio extrace-lular, enquanto o líquido intracelular possui alta concentração de íons potássio e de grandes moléculas de proteínas, portadoras de cargas negativas que nunca saem do interior da fibra.

Para controlar o trânsito de íons, a membrana possui inúme-ros canais e, é claro, a bomba de sódio-potássio. Para transmitir um impulso nervoso, é necessário que haja uma alteração súbita das polaridades da membrana, tornando-se positiva no meio interno e negativa no meio externo, o que é conhecido por despolarização da membrana. Quando ocorre a propagação da despolarização por toda a membrana do axônio, gera-se um potencial de ação, que é iniciado pela abertura de canais de sódio, que permitem a entrada do sódio, eletricamente positivo, na célula, tornando a membrana positiva. O potencial de ação propaga-se ao longo da fibra nervo-sa, gerando um impulso nervoso, que transmite as informações de uma parte do organismo para outra. Após a passagem do impulso nervoso, a membrana retorna a seu valor negativo de repouso;

esse estágio é chamado de repolarização (Figura 22).

Figura 22 Desenho esquemático da geração e propagação do impulso nervoso.

A observação macroscópica do sistema nervoso central per-mite-nos identificar a presença de uma parte clara denominada substância branca e uma mais escura denominada substância cin-zenta. A substância branca é composta de células da glia e axônios mielinizados responsáveis por sua coloração branca, ao passo que a substância cinzenta é composta pelos corpos de neurônios, pro-longamentos iniciais dos axônios e células da glia.

10. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS

Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu desempenho no estudo desta unidade:

1) Quais os tipos de tecidos?

2) Qual a constituição e as funções do tecido epitelial?

3) Qual a constituição e as funções do tecido conjuntivo?

4) Qual a constituição e as funções dos tecidos ósseo e cartilaginoso?

5) Qual a constituição e as funções do tecido muscular?

6) Qual a constituição e as funções do tecido nervoso?

11. CONSIDERAÇÕES

Ao longo do estudo desta unidade, foi possível perceber que as células não permanecem isoladas no organismo, mas, sim, diferenciam-se e agrupam-se com outras que apresentam as mes-mas características para constituírem os tecidos corporais. Embora o organismo humano seja bastante complexo, distinguem-se qua-tro tipos básicos de tecidos, o epitelial, o conjuntivo, o muscular e o nervoso, que se associam para formar os órgãos.

O tecido epitelial possui a função de revestimento da superfície externa e das cavidades do corpo e, também, de secreção. Geral-mente, não está sozinho, mas, sim, associado ao tecido conjuntivo.

O tecido conjuntivo pode ser dividido em tecido conjuntivo propriamente dito frouxo, denso não modelado e denso modela-do, tecidos especializados (adiposo, mucoso etc.), tecido cartilagi-noso e tecido ósseo. A principal característica do tecido conjuntivo é a presença de vários tipos celulares (fibroblastos e células prove-nientes do sangue) e de grande quantidade de substância extrace-lular, ou matriz extraceextrace-lular, contendo fibras colágenas, elásticas e reticulares. Suas principais funções são de sustentação, preenchi-mento, defesa, reparo tecidual, armazenapreenchi-mento, transporte e nu-trição.

Os tecidos cartilaginoso e ósseo são tipos de tecidos conjun-tivos com propriedades especiais, de modo que o ósseo é o mais rígido devido à calcificação da matriz extracelular, enquanto o car-tilaginoso, além de revestir as superfícies ósseas que se articulam, serve de molde para o desenvolvimento e crescimento dos ossos.

O tecido muscular é o responsável pelos movimentos cor-porais e viscerais, incluindo os batimentos (contrações) cardíacos.

Suas células possuem proteínas estruturais com alta capacidade de contração, a actina, a miosina, a tropomiosina e a troponina, que se deslizam uma sobre a outra durante a contração muscular.

O tecido nervoso forma um sistema complexo com a fun-ção de receber, processar e conduzir informações, constituindo o sistema nervoso, que é dividido anatomicamente em sistema nervoso central e periférico. As células do tecido nervoso são neurônios (unidade funcional do sistema nervoso) e células da glia, localizadas entre os neurônios, cujas funções estão relacio-nadas com isolamento, preenchimento, defesa e sustentação do tecido nervoso, como também a formação da bainha de mielina.

Para que o professor de Educação Física tenha êxito em suas atividades, é importante que conheça a constituição básica desses tecidos, com o objetivo de trabalhar o indivíduo como um todo e tendo em mente os mecanismos de funcionamento do corpo humano, podendo evitar lesões ou facilitando sua recuperação.

Portanto, é de fundamental importância que você tenha estudado com atenção as unidades e pesquisado as bibliografias e os sites sugeridos.

12. E REFERÊNCIAS

Lista de figuras

Figura 18 – Corte histológico do tecido nervoso, mostrando os neurônios e as células gliais: disponível em: <http://www.notapositiva.com/superior/enfermagem/anatomia/

tecidonervoso.htm>. Acesso em: 23 nov. 2010.

Figura 19 – Desenho esquemático dos neurônios e seus componentes: disponível em:

<http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/biologia/biologia_animal/

sistema_nervoso/sist_nervoso>. Acesso em: 23 nov. 2010.

Figura 22 – Desenho esquemático da geração e propagação do impulso nervoso:

disponível em: <http://quatilokura.blogspot.com/2007/05/despolarizao-e-repolarizao.

html>. Acesso em: 23 nov. 2010.

13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

LUNDY-EKMAN, L. Neurociência: fundamentos para reabilitação. 2. ed. Rio de Janeiro:

Elsevier, 2004.

MORISCOT, A. S. Histologia para fisioterapia e outras áreas da reabilitação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

SOBOTTA. Atlas de Anatomia Humana. 20. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995.

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