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2.3 Ensino e Aprendizagem

2.5.2 A Tecnologia e o Ambiente Educacional

Nesse ponto, os conceitos de tecnologia instrucional, tecnologia na educação e tecnologia da educação merecem consideração pela relevância para esta pesquisa. Apesar de não haver consenso entre os pesquisadores, além de uso indistinto, sem entrar na seara semântica, a idéia embutida no conceito de instrucional relaciona-se mais especificamente a ensino e aprendizagem, enquanto educacional segue o sentido mais amplo da educação, conforme posição da AECT12. Tais conceitos fazem sentido e acompanham a discussão conceitual previamente estabelecida neste trabalho, ao considerar instrução como parte integrante da educação. Já a expressão “tecnologia na educação” tem foco mais restrito ao lidar com os usos de instrumentos e recursos ligados à tecnologia (e.g., computacional) no ambiente educacional (SEELS & RICHEY, 1994, p.3-4).

Assim, pensar em tecnologia da educação como combinação ótima de recursos organizados de tal forma a permitir o alcance dos objetivos educacionais estabelecidos, permite notar que, com o tempo, os participantes mudam, ou ao menos seus parâmetros, o que requer, naturalmente, o ajuste do sistema.

Os conceitos estabelecidos por Gentry resumem com precisão a lógica considerada. Seu conceito de tecnologia envolve: “the systemic and systematic application of behavior and

physical sciences concepts and other knowledge to the solution of problems” (GENTRY, 1995, p.7). A partir disso, ele expõe a visão de tecnologia instrucional: “the systemic and systematic application of strategies and techniques derived from behavior and physical sciences concepts and other knowledge to the solution of instructional problems” (GENTRY, 1995, p.7). E também registra seu entendimento sobre tecnologia da educação: “the combination of instructional, learning, developmental, managerial, and other technologies as applied to the solution of educational problems” (GENTRY, 1995, p.8).

Com esse tipo de reflexão, pode-se considerar a influência de aspectos tecnológicos, em sentido amplo, na educação. Recuperando-se a visão de pesquisadores do passado, como por exemplo, a relação forte entre comunicação e educação defendida por Vygotski, e a consideração dos ambientes ricos e na educação proposta por Hebb, pode-se observar que o que era feito há dez anos atrás pode não funcionar de forma eficiente atualmente: a comunicação presente nos dias atuais, parte integrante do ambiente educacional, é diferente, assim como é diferente (provavelmente para melhor) a riqueza do ambiente. Uma década é período bom para ser considerado para essa reflexão (neste trabalho) se for lembrado que o uso comercial, fora do mundo acadêmico, da Internet no Brasil foi admitido em 1995.

O cuidado, nesse ponto, é justamente o duplo sentido da relação problema-solução. Ao se focar, pesadamente, a tecnologia, pode-se passar a caminhar no sentido inverso ao natural, ou seja, solução-problema. Descobrir uma solução (ferramenta) e depois buscar um problema em que ela se encaixe, pode gerar conseqüências não pretendidas, principalmente num contexto de longo-prazo como é o caso da educação.

Enquanto no passado o correio convencional passou a ser considerado como oportunidade de se acessar parte da sociedade em busca de alguma espécie de treinamento, por conta de representar uma forma de comunicação vencendo distâncias, atualmente o uso de correio eletrônico (eMail) mostra mudança substancial de comportamento (e tecnologia) nesse

particular aspecto. Assim, o uso de eMail como substituto ao correio convencional passa a ser contemplado como substituto natural para algumas circunstâncias.

Assim, essa reflexão conduz à experiências já desenvolvidas de educação a distância fortemente dependentes de eMail, simplesmente reproduzindo modelos preparados para outras tecnologias em novos ambientes, que não necessariamente estão atentos aos pontos fortes e fracos do novo ambiente (ANNAND, 2002).

Nesse sentido, é importante destacar que nesta pesquisa o foco é especifico sobre o paradigma da educação a distância, envolvendo a condição online (Internet) com um ambiente colaborativo virtual admissível. Este foco permite o estudo e a interpretação de subconjunto específico da abordagem de tecnologia da educação considerada.

2.5.2.1 Os Paradigmas: Aula e Sala de Aula

Ao discutir educação, os paradigmas, envolvendo aula e sala de aula, aparecem naturalmente. Isso se dá, em parte, pela forte influência histórica dos ambientes educacionais formais, conforme já mencionado.

Apesar de ser concebível a possibilidade de alguém aprender algo sem estar fisicamente presente em determinado lugar, em um dado horário, ou mesmo, participar de uma aula, essas visões e os comportamentos decorrentes não podem ser considerados simples de serem modificados.

Para tal reflexão, não se pode esquecer que o assunto e as circunstâncias influenciam o aprendizado. Por exemplo, ajudar alguém a aprender a dar um nó em uma gravata pode ser mais fácil utilizando-se meios específicos ao invés de enviar algumas anotações e ilustrações em um pedaço de papel pelo correio (ou em um arquivo digital anexado a um eMail). O uso de vídeo ou software interativo poderia gerar resultados diferentes. Por outro lado, colocar

uma pessoa explicando (instrutor), em frente a 20 alunos em uma sala de aula, pode também criar dificuldades, por conta das repetições, humor, atenção dada a cada indivíduo etc.

Assim, uma boa forma de iniciar a discussão sobre educação a distância, e mais precisamente educação online, é que deve ser encarada como abordagem educacional que considera um grupo específico de pessoas (alunos), com um conjunto de objetivos, e lidando com recursos e restrições dos mais variados tipos. Computadores ou novas alternativas de informação e comunicação devem ser aplicadas em todos os campos, incluindo os ambientes educacionais, quando apresentarem relação entre custo e benefício favorável (ALESSI & TROLLIP, 2001, p.6).

Lembrando-se que, antes de ser educação a distância, é educação, passa a ser perfeitamente possível trazer para esta discussão, toda a reflexão já estabelecida sobre educação. O que não admite o esquecimento da essência da educação em função de abordagem tecnológica restritiva. A sobreposição desta sobre aquela pode trazer conseqüências indesejáveis.

A preocupação sobre novas abordagens e formas de apoiar uma experiência educacional vem de longa data, conforme reflexão de Ellis (1965, p.69) ao referir-se ao crescente interesse sobre instrução programada e “máquinas de aprender”, daquela época.

Barrett (1998, p.3) destaca o crescente interesse e demanda por educação a distância, movimento também observado com a complexidade e extensão da solução. E isso explica o volume considerável de pesquisas e experimentos sobre essa área, incluindo os grupos que concordam com a idéia e, obviamente, aqueles que dela discordam. Esse simples fato pode estar apontando uma fase de transição.

Tal abordagem de transição é fortalecida pelo aparecimento de número crescente de programas e cursos baseados nos conceitos de educação a distância e apoiados pelo massivo desenvolvimento de tecnologias de informação e comunicação. Porém, isso não deve permitir

o esquecimento de momentos originais de educação a distância, como, por exemplo, o estabelecimento de cursos por correspondência (SEELS & RICHEY, 1994, p.xix; THOMAS & KOBAYASHI, 1987, p.5).

Outro ponto relevante é que nova coleção de necessidades de treinamento e educação vem se estabelecendo, o que é ainda mais claro ao observar-se os movimentos em determinados setores da economia. A necessidade de educação continuada, como parte da educação adulta, é outro aspecto dessa questão (HUDDLESTON & UNWIN, 1997).

Os ajustes requeridos por tais mudanças não são necessariamente simples de serem implementados em um ambiente tradicional, ou mesmo em um formato tradicional. Fazer de forma diferente não significa dizer simplesmente substituir algo existente, mas encontrar a combinação ótima de recursos com vistas aos objetivos, de forma que o modelo tradicional não seja a melhor opção.

A busca dessa alternativa ótima, mais apropriada à nova realidade e contexto, traz consigo possibilidade de reunir meios diversos para servir a um grupo de pessoas (alunos e professores), com suas próprias restrições de acesso e participação em formatos tradicionais.

Por inúmeras vezes, essa reflexão conduz à solução mista, ou seja: combinação de modelos (BENSON, 2001; NBEA, 1997, p.213).

Novos ambientes educacionais para novas necessidades sociais. Em geral, objetivos que não poderiam ser destacados (e atingidos) com alguns meios e recursos do passado, na presença de novas soluções (mais apropriadas) podem ser almejados. Não somente essa abordagem de eficácia, mas também de eficiência, que pode ser contemplada a partir da reflexão sobre o volume de esforço para aprender sem os meios e recursos apropriados.

Essa combinação de idéias não existe apenas nas aplicações das soluções. Pesquisas e teorias que dão suporte à educação a distância, mais especificamente à educação online, reúnem idéias, fundamentos e influências de diversas áreas (SEELS & RICHEY, 1994, p.68):

educação, psicologia, engenharia, comunicações, ciência da computação, administração entre outras. Algumas dessas influências mais essenciais, estão reunidas no quadro seguinte.

- DESENHO (Sistemas, Aprendizagem, Motivação, Percepção,

Instrução, Curriculum)

- DESENVOLVIMENTO (Comunicação, Raciocínio Visual, Aprendizado

Visual, Comunicação Visual, Estética)

- UTILIZAÇÃO (Uso do Conhecimento, Curriculum, Teoria Geral

de Sistemas, Mudanças, Desenvolvimento

Organizacional)

- GESTÃO (Administração Geral, Comunicação,

Motivação, Economia, Informação)

- AVALIAÇÃO (Aprendizagem Comportamental, Aprendizagem

Cognitiva, Mensuração Geral)

Quadro 33 – Educação “Online”: influências

Fonte: Seels & Richey (1994, p.70), adaptado – Org. Cornachione Jr., E. B. (tradução livre).

2.5.2.2 Educação a Distância

A revolução das telecomunicações oferece alternativas pelas quais as pessoas podem se comunicar e, como já destacado, a comunicação exerce influência sobre a educação (DEWEY, 1939; BLOOM, 1954; VYGOTSKY, 1978, 1986). Brufee (1993, p.113-4) sustenta que “pensamos” pois “conseguimos” comunicar, ponto também sustentado por Michael Oakeshott, Vygotsky, Stanley Fish, Clifford Geertz. Essa comunicação é entendida não apenas entre indivíduos (externa), mas também “internamente” como destaca Vygotsky (1978, p.57) nessa passagem: “toda função no (...) desenvolvimento cultural aparece duas vezes: primeiro, no âmbito social, e posteriormente, no âmbito individual; primeiro, entre pessoas (...) e depois internamente”13.

Se levada em termos básicos, educação a distância tem estado presente há muito tempo. Basta considerar a presença do aprendiz e do especialista, ou do aluno e professor, e notam-se várias formas pelas quais o aprendiz adquire conhecimento, cultura, ou habilidades sem estar fisicamente junto, no mesmo tempo e local, de seu professor.

13 Original:“Every function in (…) cultural development appears twice: first, on the social level, and later, on

Segundo este raciocínio, pode-se dizer que a linha que separa educação a distância de auto-aprendizagem não é tão precisa. Contemplar o livro, como exemplo nesse caso, é positivo. Como visto, desde tempos medievais, o livro tem sido utilizado como forma de apoio ao aprendizado. Esse pode ser considerado como um ponto extremo da educação a distância. Há separação ou distância (tempo e local) clara e objetiva entre o provedor e o consumidor do conhecimento, informação, experiência ou habilidade específica de que trata. E não se pode deixar de concordar que aprendizagem ocorre quando um aprendiz interessado lê um determinado livro.

Essa idéia de educação a distância não é nova e tem sido explorada como forma de sustentação de novas demandas da sociedade. Ao longo do tempo é utilizada em diferentes contextos e condições, e esse fenômeno vem sendo observado e analisado (BARRETT, 1998; CONWAY, 2000; ENOCKSON, 1997; NEIL, 1981; NOBLE, 2002; RUSSEL, 2001; SEELS; RICHEY, 1994; THOMAS; KOBAYASHI, 1987).

Dessa reflexão um ponto importante surge. Como em qualquer outra área, ou assunto, quando a forma natural dá espaço para o relacionamento formal, contratual, burocrático entre as partes, mudanças importantes se fazem presentes. Com Sócrates e seus alunos, considerando-se que se conheciam bem, a existência de interesse e motivação era suficiente para oferecer condições de aprendizagem. Não havia espaço ou desejo de credenciais formais. Atualmente, participantes do ambiente educacional parecem encarar a burocracia com intensidade diferente do próprio aprendizado. Independentemente da abordagem (e.g., formal vs. informal, educação a distância vs. tradicional), quando os participantes não estão buscando primariamente a educação, os resultados podem ser inesperados. A esse respeito, em particular, ponto de vista interessante quanto a algumas dessas questões é explicitado e discutido amplamente por Noble (2002), sobre os “digital diploma mills”14.

Assim, sem considerar educação a distância uma idéia “nova”, o fato que ilumina essa área, atualmente, é a evolução dos elementos (e.g., participantes, meios, propósitos etc.). De materiais impressos, envolvendo consumo notável de tempo entre cada interação, ao uso do rádio, televisão e meios mais recentes como a Internet (SEYAL, RAHMAN & RAHIM, 2002), educação a distância tem estado presente. Especificamente sobre o tema desta pesquisa, o trabalho de Hlavna (2001) a respeito de um programa de estudo em casa, em administração, é bom exemplo que relata a combinação de motivação e interesse com a abordagem de educação a distância.

O uso de diversos meios para facilitar o aprendizado (e.g., tutoriais, hipermídia, repetições, simulações, jogos, ferramentas, ambientes abertos de aprendizagem, testes e aprendizado pela Internet) é explorado por Alessi & Trollip (2001, p.102) que consideram tal ação como algo que pode fomentar melhores resultados.

De igual modo, Wallace (NBEA, 1996, p.106-16) apresenta a tecnologia como estratégia educacional ao discutir tutoriais em computadores, ferramentas de gestão educacional, software de apresentação, software multimídia para facilitar o aprendizado, software para autoria de materiais educacionais, tele-computação para ensino e aprendizagem e usos educacionais de realidade virtual.

Encarando a tecnologia como instrumento educacional, Kizzier (NBEA, 1995, p.10-24) apresenta exemplos de tecnologia na educação: tecnologia adaptativa, inteligência artificial e sistemas especialistas, sistemas telefônicos automatizados, leitores de código de barras, CAD (computer assisted design), CD-ROM, editoração eletrônica, educação a distância, boletim eletrônico, eMail, sistema de suporte ao desempenho, mesas digitalizadoras, facsimile, sistemas de suporte a grupos, hipermídia, I-Mail, software integrado, livros interativos, tecnologia de vídeo interativo, multimídia, sistemas operacionais (ambientes e interfaces gráficas), software de apresentação, sistemas de projeção, máquinas de leitura, scanners,

programas de tradução, TV-computador, vídeo-texto, visualizador 3D, vídeo-conferência, realidade virtual, e reconhecimento de voz.

Já no estudo de Barrett (1998, p.27), atividades de programas de educação a distância incluem: treinamento apoiado pela Internet, vídeo-conferência, tele-cursos, mídia impressa, gravações em vídeo, áudio-conferência, tele-conferências (conferências por satélite), quiosques, CD-ROM multimídia e eMail.

Conseqüentemente, apoiando-se nas pesquisas apresentadas e nas idéias de múltiplas alternativas envolvendo tecnologia como apoio a educação, parece natural, evitando-se o caminho de “saber primeiro a resposta e depois buscar um problema”, que a tecnologia pode oferecer respostas para as novas necessidades da sociedade, nesses termos educacionais.

Sobre educação a distância, referindo-se ao paradigma dos excluídos, Brufee (1993, p.108) defende a seguinte solução:

“Besides their use on campus in collaborative college and university classrooms, television and microcomputers can also be used collaboratively in ‘distance learning’ programs at the ends of television, radio, telephone, and microcomputer feedback networks. The admirable goal of these projects is to provide people who cannot attend a college or university an opportunity to get a college or university education”.

O IDECC15 (2001, p.3-4) apresentou relatório destacando o conceito de educação a distância, mencionando o fundamento histórico dos termos que guarda relação com a instrução conduzida por correspondência e também destacando a existência de diversos termos utilizados como sinônimos (e.g., eLearning, virtual classes, virtual learning, cyber- learning, aprendizagem distribuída, aprendizagem combinada etc.):

“…distance learning is education and training that occurs when the learner is at a remote location (…) The underlying assumption (…) is that at some point the learner is separate by distance from an instructor, and in many cases the delivery of instruction is enhanced by various technologies (…) print, video technologies, including cable TV, video cassettes, satellites uplinks, downlinks, compressed video, and interactive video; audio technologies, and computer and telecommunication systems”

Para estabelecer um padrão em seu relatório, o IDECC elegeu o termo educação a distância.

Mas, os autores não convergem com respeito ao conceito de educação a distância. De acordo com Anderson (1993, p.14), que pesquisou profundamente esse conceito, a única constante dentre os autores é a existência de separação física entre professor e aluno por meio de recursos tecnológicos. Porém essa visão de separação, não deve ser considerada “literalmente”, conforme a conclusão de Conway (2000, p.17-8) que destaca a conectividade permitida por esse meio: “espaço de aprendizagem baseado na conectividade eletrônica”16.

Ao discutir os argumentos de Holznagel & Olson e o uso da tecnologia na educação a distância Enockson (1997, p.22-3) destaca: “…traditionally (…) has been defined as the application of science to the improvement of the human condition, with science as the knowing and the pursuit of knowing. Technology is the doing, the effective and the efficient ways of doing”.

O governo brasileiro estabelece seu conceito de educação a distância, em legislação específica, o Decreto 2.494 de 10/fevereiro/1998, que regulamenta o Art. 80 da LDB (Lei n.º 9.394/96):

“Educação a Distância é uma forma de ensino que possibilita a auto- aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação”

A abordagem à educação a distância, como observada, influencia diferentemente a forma de atuação de cada agente do ambiente educacional. Especificamente, instituição, assunto, professor e aluno, encaram o problema com algumas diferenças a partir de seus pontos de vista.

Essa mudança de papéis pode ser considerada, ao mesmo tempo, pelo lado positivo e negativo da educação a distância. Positivo, pois, pela mudança, objetivos inalcançáveis passam a ser alcançáveis e, negativo, pois alguns dos envolvidos com educação não estão dispostos a mudar de comportamento, mudar a forma de fazer as coisas.

Lamb & Smith (2000) sugerem cuidados ao lidar com educação a distância, apresentados em dez tópicos importantes: 1) alunos são indivíduos, 2) tecnologias mudam e evoluem, 3) tecnologias falham, 4) planejamento mostra, 5) alunos postergam, 6) acompanhe- os ou perca-os, 7) alunos gostam de retorno (feedback), 8) tecnologia consome tempo, 9) aprender ativamente é crítico, e 10) alunos têm grandes idéias. A vulnerabilidade de um programa baseado em educação a distância, passa pela forma de se encarar essas questões, segundo os autores. Além disso, a questão de qualidade é fundamental. Não há lógica em se conceber um ambiente educacional que seja pior que a alternativa existente. No caso de educação a distância, a lógica é a mesma: quando sua eficácia, eficiência e qualidade não forem alcançadas por outros meios.

Contudo, críticas acerca de modelos de educação a distância não são novas nem poucas, como esses exemplos de Neil (1980, p.40) reforçam:

“1- The achievements of distance-learning systems could only be inferior and second best to those of conventional systems;

2- Distance learning inevitably leads to a reduction in academic standards in the subjects dealt with and in the quality of the teaching;

3- Certain subjects and disciplines, anyway, cannot be learned satisfactorily through distance-learning (e.g., medicine, science, technology, and engineering);

4- In higher education, open access distance-learning systems would lead to over-production of people with degrees;

5- Distance-learning systems are possibly cost-ineffective, largely owing to massive drop-out of students.”

E, nessa mesma pesquisa, Neil reúne respostas a essas críticas (1980, p.41), porém com algumas reservas acerca de assuntos e disciplinas. As considerações que levam a qualidades de validade, confiabilidade e credibilidade em sistemas de educação a distância são:

“1- The creation and production of learning materials of exceptional quality;

2- The use of well-conceived teaching styles, teaching methods and student-

support services clearly designed to promote effective independent learning;

3- The design of curricula manifestly relevant to specified and real needs for education;

4- The avoidance of excessive unorthodoxy or adventurousness, while maintaining a prudently innovative approach to curriculum design. 5- The careful evaluation of student performance and the consistent analysis and use of feedback information to improve the system” Apesar desses pontos não serem compartilhados pelos autores consultados, o interessante é a visão ampla que oferecem acerca de pontos fortes e fracos da educação a distância, datada de 1980. Isso reforça a idéia de que bem antes da Internet e outras alternativas correntes, alguns desses pontos são suficientemente sólidos para encarar a realidade de hoje.

Isso reforça que o conceito de tecnologia da educação não é “novo”. Mais ainda, idéias que relacionam educação e tecnologia têm sido discutidas pelos autores, e podem ser aqui resumidas em duas abordagens: tecnologia na educação e educação na tecnologia.

EDUCAÇÃO TECNOLOGIA

EDUCAÇÃO TECNOLOGIA

Figura 9 – Educação e Tecnologia (Org. Cornachione Jr., E. B.)

A abordagem de “tecnologia na educação” está baseada na existência de fortes fundamentos dos ambientes educacionais tradicionais (e.g., paradigma de aula e sala de aula),

com a aceitação de conceitos inerentes, além de contemplar a inclusão de algumas soluções que envolvem tecnologia para auxiliar e suportar melhores resultados e desempenhos.

Por outro lado, a abordagem de “educação na tecnologia” está baseada em alternativas e novas condições oferecidas pela dimensão tecnológica, focalizando a inserção ou adaptação do ambiente educacional e suas tradições com relação a essa nova dimensão.

A consideração da segunda abordagem requer mais cuidado em termos do envolvimento de todos os participantes, e mais, planejamento de toda a solução no sentido de alcançar melhores resultados em situações específicas, pelo fato de ser importante reforçar a idéia de que não há sentido racional em adaptar-se toda uma solução educacional se os resultados esperados não forem melhores.

A literatura (ALESSI; TROLLIP, 2001; ANNAND, 2002; BENSON, 2001; FLOWERS, 2001; GRABE; SIGLER, 2002), nesse aspecto, sugere a existência de falhas advindas das tentativas de se adentrar a dimensão da educação a distância, apenas com pequenos ajustes, ou adaptações em materiais ou pequenas partes do ambiente educacional.

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