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CAPÍTULO 1 – REVISÃO DE LITERATURA

1.1 ESTADO DO CONHECIMENTO

1.1.3 Tecnologia Analógica e Digital

De acordo com a Tabela 1, os trabalhos dessa categoria englobam tanto recursos analógicos quanto os digitais como tecnologias assistivas para o ensino e aprendizagem das pessoas com deficiência visual.

Salvino (2017), em sua pesquisa de mestrado, investigou o uso de recursos de tecnologia assistiva no ensino de matemática para um aluno do ensino fundamental com cegueira adquirida numa escola do sertão da Paraíba. Para tanto, a autora, por meio de um estudo de caso qualitativo, analisou as práticas dos professores de matemática e do Atendimento Educacional Especializado (AEE), bem como as dificuldades do aluno cego.

Criou também produtos materiais de tecnologia assistiva para mediar o processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos contribuindo, assim, para a prática assistiva dos professores dessa escola. Os resultados apontaram pontos imprescindíveis para o processo de inclusão escolar como a formação do professor, a disponibilidade de materiais didáticos acessíveis, o desejo do professor de fazer um trabalho diferenciado, bem como o acesso a tecnologias digitais.

Prado (2013) realizou sua pesquisa de mestrado no Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP) do estado de Sergipe com o objetivo de compreender os limites e as possibilidades das tecnologias assistivas no processo de ensino da matemática para alunos com cegueira. Nesse estudo, a autora buscou identificar as tecnologias assistivas disponíveis, conhecer as atividades desenvolvidas pelos professores, suas dificuldades e dos seus alunos. Os resultados evidenciam até que ponto as tecnologias assistivas auxiliam os alunos cegos no ensino da matemática, destacando que as tecnologias assistivas adotadas no Soroban e Informática ficam a desejar, principalmente nos conteúdos estudados a partir do 6º ano do ensino fundamental até o ensino médio.

Galvão (2018), em sua dissertação de mestrado, abordou o problema: “Que contribuições a Modelagem Matemática pode oferecer para a inclusão de alunos com deficiência visual no ensino de matemática no âmbito da educação tecnológica em um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia?” (p. 17). Numa abordagem qualitativa

pautada pelo estudo de caso, avaliou as contribuições de uma proposta pedagógica embasada na Modelagem Matemática como estratégia de ensino evidenciando que a atividade proposta proporcionou o desenvolvimento da autonomia do aluno deficiente visual mediante pesquisa utilizando a internet por meio de um smartphone demonstrando seu conhecimento teórico-matemático, e os materiais adaptados também possibilitaram maior participação e interação do aluno cego no desenvolvimento do trabalho.

Martins (2013), em sua dissertação de mestrado, realizou um estudo de caso qualitativo em que analisou os processos de investigação, elaboração e execução de uma Oficina de Capacitação para Professores de Matemática na área da deficiência visual. Nessa oficina foram apresentados aos professores participantes diferentes recursos pedagógicos e tecnológicos que visam auxiliar, facilitar e promover a inclusão das pessoas com deficiência visual no processo de ensino e aprendizagem da matemática. Foram também analisados o papel do profissional da sala de recursos multifuncionais e discutidas possíveis adaptações de materiais didáticos. Essa pesquisa revelou a fragilidade do sistema no que se refere à capacitação docente e aos recursos didáticos para a inclusão de deficientes visuais no processo de ensino e aprendizagem da matemática.

Mendes (2016), em sua pesquisa de mestrado, desenvolveu uma tecnologia assistiva para o ensino e aprendizagem de geometria espacial para alunos com baixa visão. O aplicativo Edrons é um objeto hiperligado com materiais manipuláveis que foi desenvolvido a partir das observações realizadas no Centro de Apoio Pedagógico (CAP) do Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (Cebrav) com a colaboração do Centro Integrado de Aprendizagem em Rede (Ciar). Essa pesquisa teve como objetivo compreender as características que deve conter um objeto de aprendizagem associado a materiais manipuláveis para o ensino de conteúdos de geometria espacial para alunos com baixa visão. Os resultados mostraram o Edrons como um bom recurso de tecnologia assistiva para esses alunos destacando a importância da mediação docente na realização das atividades e no manuseio do aplicativo para potencializar a aprendizagem dos alunos. Como produto educacional dessa pesquisa, foi elaborado um aplicativo contendo atividades de prisma e pirâmide para alunos com baixa visão.

Tavares (2018), em sua pesquisa de mestrado sobre a pessoa com deficiência visual e o processo de aprendizagem em matemática, realizou estudos com o objetivo de compreender como ocorreu o processo de aprendizagem de conteúdos matemáticos de alunos com deficiência visual que concluíram o ensino médio na cidade de Palmas-TO, buscou também conhecer os conceitos de deficiência visual e identificar os recursos de tecnologia

assistiva disponibilizados no processo de ensino e aprendizagem da matemática. O autor destaca em seus resultados a presença dos conteúdos matemáticos no espaço social, escolar e familiar e a importância do aprendizado e desenvolvimento da matemática para as necessidades humanas enquanto cidadãos. Para Tavares (2018), nos achados do seu estudo foi possível observar que “para um processo educacional mais equitativo, de modo que a matemática seja oportunizada enquanto direito, é necessário que os meios arquitetônicos, urbanísticos, comunicacionais, tecnológicos sejam plenamente acessíveis” (p. 87).

Santiago (2016) realizou sua pesquisa de mestrado com o objetivo de investigar materiais didáticos e recursos de tecnologia assistiva utilizados por alunos com deficiência visual em disciplinas presenciais e a distância de um curso superior para compreender os limites e as possibilidades no processo de ensino e aprendizagem desses alunos. Seus resultados de pesquisa apontaram a demanda por planejamento e adequação dos materiais didáticos pelos professores e técnicos administrativos. A autora apresenta em sua pesquisa um plano de ação intitulado Guia de acessibilidade na Produção de Materiais Didáticos às Pessoas com Deficiência Visual para contribuir com a inclusão da pessoa com deficiência visual no ensino superior e auxiliar professores e técnicos administrativos na prática da educação inclusiva.

Vieira (2018) desenvolveu sua dissertação a partir da necessidade de se repensar metodologias de ensino e aprendizagem de geografia para alunos videntes e deficientes visuais com o objetivo de potencializar a comunicação pedagógica entre esses alunos e seus professores. Essa pesquisa foi desenvolvida em duas fases: na primeira, foi criado um protótipo analógico para o ensino de cartografia; a segunda fase da pesquisa foi destinada a transformar esse protótipo analógico em uma tecnologia digital de informação e comunicação para auxiliar na acessibilidade de todos os educandos, sejam videntes ou não.

Sua pesquisa revelou que a criação desse recurso para o ensino de geografia possibilitou diálogo, interação e acessibilidade entre todos os envolvidos, qualificando, assim, o processo de ensino e aprendizagem em geografia. Vieira (2018) ressalta a relevância de sua pesquisa

pelo fato de que os educadores carecem da utilização das tecnologias digitais e sociais no cotidiano escolar, ou quando as possui, não conseguem administrá-las adequadamente para suas aulas, o que acaba por dificultar o processo de ensino-aprendizagem. Com esta proposta poderemos auxiliar, ampliar e qualificar a autonomia na comunicação e o acesso à informação por parte das PDV. (VIEIRA, 2018, p. 153)

A dissertação de Turino (2019) intitulada Validação de Material Didático para Pessoas com Deficiência Visual: Construção Mútua entre Usuários e Projetistas foi uma

ramificação do Projeto de Pesquisa “Versátil: Desenvolvimento de Recursos Didáticos para Ensino e Aprendizagem de Pessoas com Deficiência Visual”, que teve como objetivo principal validar protótipos de material didático para pessoas com deficiência visual a fim de favorecer a aprendizagem, o desenvolvimento e a inclusão dos alunos. A autora trouxe em seus resultados que o impacto dos materiais didáticos de percepção tátil e universal juntamente com as interações entre os atores envolvidos anteciparam inadequações de uso, visto que os protótipos avaliados obtiveram poucas indicações de melhoria. Destaca-se também como resultado da pesquisa o interesse e a curiosidade despertados nos usuários favorecendo o processo de aprendizagem. Turino (2019) ainda sugere para trabalhos futuros

“desenvolver e projetar um instrumento de avaliação confiável e validado que permita que os professores implementem um ensino de qualidade em suas práticas diárias realizando a missão central do ensino inclusivo” (p. 85).

Raposo (2006) realizou seu trabalho de mestrado com o objetivo de compreender o impacto do sistema de apoio da Universidade de Brasília (UnB) na aprendizagem de universitários com deficiência visual. Analisando as distintas ações que esse sistema de apoio da UnB desenvolve por meio de tutores especiais e das tecnologias assistivas de que dispõe, a autora pôde perceber e concluir em sua pesquisa que os recursos técnicos e tecnológicos proporcionaram aos universitários com deficiência visual a acessibilidade à informação e destaca a importância do papel instrumental do aluno/tutor especial nas diferentes ações de apoio desenvolvidas, dentro e fora da sala de aula. Raposo (2006) acredita que

o apoio, para além da dimensão da instrumentalização adequada e eficaz, possibilita oportunidades de conhecimentos, uma vez, que à medida que são adquiridos, se transformam em motivo para aprender com a experiência e para interrogá-la, de modo que possam abrir caminhos para novas idéias. (RAPOSO, 2006, p. 142)

Tânia N. da Costa Silva (2014) trabalhou em sua pesquisa de mestrado na temática do ensino e aprendizagem da química por meio das tecnologias assistivas para deficientes visuais no ensino médio, em que buscou analisar de que forma essas tecnologias utilizadas no Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento à Pessoa com Deficiência Visual de Boa Vista – Roraima contribuem na aprendizagem dos conteúdos dessa disciplina. Seus resultados apontaram que esse centro de apoio promove inúmeras possibilidades de acesso a novos conhecimentos em que a utilização de tecnologias assistivas auxiliam significativamente nesse processo, estimulando e favorecendo o potencial cognitivo, a socialização e a aprendizagem. Segundo Silva (2014), a utilização de recursos de tecnologia

assistiva no cotidiano escolar dos estudantes “os torna mais autônomos e faz com que se reconheçam como seres capazes. Isso eleva sua autoestima e aumenta suas expectativas de vida em relação a diversas atividades do cotidiano escolar, como, por exemplo, romper com as barreiras que os impedem de aprender química” (p. 92). A autora destaca ainda a importância da formação continuada dos professores que possibilita a reflexão, o crescimento e a mudança de práticas pedagógicas excludentes.

Tatiane Santos Silva (2014) realizou sua pesquisa de mestrado numa abordagem qualitativa pautada pelo estudo de caso intitulado Ensino de Ciências em uma Perspectiva Inclusiva: Utilização de Tecnologia Assistiva com Alunos com Deficiência Visual. Seu objetivo principal foi analisar o processo de ensino e aprendizagem de Ciências com alunos com deficiência visual em uma escola da rede pública de ensino em Aracaju-SE quanto à utilização de recursos de tecnologia assistiva. Em seus resultados, a partir das falas dos participantes e observações realizadas, foi percebido que as condições de aprendizagem desses alunos não estavam condizentes com uma efetiva inclusão tendo em vista que as professoras entrevistadas não possuíam qualquer formação inicial ou continuada para esse público, os alunos com deficiência visual em alguns momentos só se limitavam a ouvir as aulas, pois não tinham acesso a recursos de tecnologia assistiva que lhes proporcionassem o entendimento sobre elementos estritamente visuais no ensino de Ciências. Na terceira etapa dessa pesquisa, os alunos tiveram acesso a tecnologias assistivas e relataram a importância do acesso a esses materiais assistivos para aprendizagem e entendimento das aulas.

O deficiente visual, ao longo de sua trajetória acadêmica, enfrenta diversas barreiras para vencer todas as etapas de escolarização. Da educação infantil ao ensino superior, as dificuldades de aprendizagem pela falta de tecnologias assistivas para potencializar a aquisição de conhecimentos deixam lacunas irreparáveis na formação desses sujeitos.

Diante dos trabalhos analisados, a partir dos princípios do estado do conhecimento, observa-se que os espaços de estudo e pesquisa sobre essa temática precisam se tornar cada vez mais amplos. Dos 33 trabalhos analisados, apenas três dissertações de mestrado focaram seus estudos desta temática nos estudantes com deficiência visual no ensino superior.

Contudo, essa pesquisa é relevante para que se abram cada vez mais espaços de estudos voltados para o deficiente visual nessa etapa de formação acadêmica superior tão significativa para a carreira profissional e inserção desses sujeitos no mercado de trabalho.

Realizado o levantamento do estado do conhecimento, apresentamos a revisão da literatura no que tange aos aspectos relacionados à inclusão educativa, seus aspectos históricos, legais e tecnologias assistivas.