3. PNBL – Programa Nacional de Banda Larga
3.1 TELEBRAS
A Telecomunicações Brasileiras S. A. é uma empresa pública federal, vinculada ao Ministério das Comunicações que opera como sociedade anônima aberta, de economia mista, constituída em 9 de novembro de 1972, sob a Lei N° 5.792, de 11 de julho de 1972. Com o processo de privatizações das companhias telefônicas articulada no governo de Fernando Henrique Cardoso, a companhia foi reconfigurada no governo de Luís Inácio Lula da Silva. Hoje a empresa tem por atribuição implementar, manter e utilizar a infraestrutura e as redes de suporte de serviços de telecomunicações da administração pública federal, em conformidade as orientações do Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital e de acordo o Decreto Nº 7.175/2010, que instituiu o P NBL - Programa Nacional de Banda Larga. A Telebras deve ainda prover infraestrutura e redes de suporte a serviços de telecomunicações prestados por empresas privadas, estados, Distrito Federal, municípios e entidades sem fins lucrativos. Além dos setores públicos estratégicos, a em presa também presta serviços de telecomunicações a e mpresas privadas. Por ser uma empresa de economia mista, como a EBC, a T elebras, que é vinculada ao Ministério das Comunicações também está sujeita às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa). O foco da Telebras é fazer com o que PNBL seja aplicado no Brasil levando banda larga de baixo custo e alta velocidade a 4.283 municípios localizados em 26 Estados, mais o Distrito Federal. Tem ainda como meta atender 88% da população brasileira até 2014, o que representa um avanço de número de domicílios com Internet banda
larga no país. O salto esperado é de 12 milhões em 2010 para cerca de 40 milhões até 2014 (Telebras, 2013).
Para que o P NBL seja de fato implementado, apenas o s uporte da Telebras não é suficiente. Em janeiro de 2013, o M inistério das Comunicações firmou acordo com as empresas concessionárias de telefonia fixa58 (Oi, Telefônica, Algar Telecom e S ercomtel)
com o objetivo de expandir a popularização da Internet no Brasil. Foi oferecido conexões de 1 megabit por segundo ao preço de 35 reais (com impostos). De imediato, 2.272 municípios, em 25 Estados e no Distrito Federal, se beneficiaram da parceria. No Maranhão, especificamente, a operadora OI proveu acesso de órgãos públicos aos moradores (que até então utilizavam acesso discado) de 55 municípios, o equivalente a 25,3% de cidades do estado.
QUADRO 4 – Cidades do Maranhão com acesso a Internet banda larga via PNBL Cidade do Maranhão com acesso a Internet banda larga via PNBL
Água Doce do Maranhão Alcântara Altamira do Maranhão
Alto Alegre do Pindaré Araguanã Arari
Axixá Bela Vista do Maranhão Bernardo do Mearim
Bom Lugar Buriticupu Buritirana
Cajapió Cândido Mendes Centro do Guilherme
Centro Novo do Maranhão Cidelândia Dina Rodrigues
Duque Bacelar Fernando Falcão Governador Archer
Governador Edison Lobão Governador Newton Bello Igarapé do Meio
Itaipava do Grajaú Jatobá Jenipapo dos Vieiras
Junco do Maranhão Lago do Junco Lagoa Grande do Maranhão
Lajeado Novo Lima Campos Luís Domingues
Maracaçumé Maranhãozinho Matinha
Milagres do Maranhão Monção Montes Altos
Pedro do Rosário Presidente Médici Santa Filomena do Maranhão Santa Luzia do Paruá Santo Amaro do Maranhão São Félix De Balsas
São Francisco do Brejão São José dos Basílios São Luís
Satubinha Senador Alexandre Costa Sítio Novo
Timbiras Tufilândia Vitorino Freire
Zé doca Fonte: Ministério das Comunicações, 2013.
O Ministério das Comunicações constatou que o Programa Brasil Conectado deu resultado positivo e ainda em 2013 divulgou a implantação da segunda fase que chamou de PNBL 2.0, com metas de garantir acesso à banda larga a 90% da população brasileira no
prazo de três a ci nco anos (MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, [s.d.]). Até maio de 2013, segundo o IBGE, cerca de 40% dos domicílios dispunha de acesso à Internet rápida. O investimento de expansão da banda larga está sendo feita pela Telebrás com tecnologia de sinal de rádio, inicialmente, já que o custo de implantação de fibra ótica ainda é muito alto. Segundo o MiniCom, o Brasil precisa de 30 milhões de quilômetros de fibra ótica para que haja acesso de, pelo mesmo, 90% da população. O investimento inicial do PNBL 2.0 pode chegar a cerca de R$ 125 bilhões. Parte da verba de investimento deve vir de leilão público da faixa de 700 MHz, prevista para acontecer em 2014. Em 2013, o país, dispunha de apenas 20 mil quilômetros de fibra disponíveis nas chamadas backbones, que são pontos que permitem capilaridade para distribuição nas 2 mil cidades brasileiras. O PNBL busca corrigir distorções absurdas para pagamento ao acesso à Internet. Em cidades como Macapá (AP) era cobrado cerca de 200 reais e em Breves (PA) chegava a valores astronômicos de até 3 mil reais por um mega de conexão59.
FIGURA 14 – Marca oficial do PNBL utilizada em programas governamentais
Fonte: Ministério das comunicações
Na época do lançamento do projeto, o governo do ex-presidente Lula informou que pretendia proporcionar acesso à Internet a um custo mais acessível do que é praticado no mercado nacional por empresas privadas. Pelos cálculos do pr óprio Ministério das Comunicações em 2010, o valor da assinatura de baixo custo seria fixado no valor médio de R$ 15,00 por assinante. Em comparação com a média do mercado brasileiro, esse valor representava apenas cerca de 20% do valor médio de assinaturas cobradas por provedores privados à época. O governo federal espera que uma das consequências imediatas da aplicação do PNBL seja a p romoção do crescimento da capacidade da infraestrutura de telecomunicações do país, principalmente no campo da Internet. Para isso, ainda em 2010, o governo Lula ressuscitou a Telebras, que foi designada como responsável pela gestão do plano e suporte técnico aos locais de acesso de uso público, como universidades, escolas e hospitais. Como metas de implementação, o g overno esperava “acelerar a en trada da
59 Disponível em: <http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm > Acesso em: 11 ago. 2012,
população na Sociedade da Informação; promover difusão das aplicações de Governo Eletrônico; facilitar aos cidadãos o uso dos serviços do Estado; contribuir para a evolução das redes de telecomunicações do país; contribuir para o desenvolvimento industrial e tecnológico do país” (MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, [s.d.]).
FIGURA 15 - Dimensões do PNBL
Fonte: Ministério das Comunicações.
O desafio de alcance dessas metas é enorme, pois o avanço de acesso ainda passa pela aquisição de bens duráveis, como o c omputador. Dados dos Resultados Preliminares do Questionário da Amostra do C enso Demográfico 2010 do I BGE, divulgados em 16 de novembro de 2011, mostram que o pa ís já tem perto de 22 milhões de domicílios com computador, embora nem todos estejam conectados à Internet. A quantidade de domicílios brasileiros que têm computador (10,6% em 2000), triplicou em 2010 para 38,3%. Os dados apontaram que a capital federal, Brasília, tem posição de destaque no Brasil, com computadores presentes em 63% nos domicílios. Em seguida, vem o estado mais rico e desenvolvido do país, São Paulo, com 53%. O estado do Maranhão apresenta o pior índice percentual com acesso domiciliar aos computadores, apenas 13%, perdendo inclusive para o estado mais pobre do país, o Piauí, com 15%. O IBGE afirma que o computador teve o maior crescimento de presença nos domicílios entre os bens duráveis. O questionário do IBGE foi aplicado em 11% do total de domicílios do P aís (6.192.332, em números absolutos). O modelo de implementação de políticas públicas do Ministério das Comunicações quanto ao PNBL tem como metas60:
60 Ministério das Comunicações, 04.2010. Disponível em: <http://www.mc.gov.br/>. Acesso em: 8 nov. 2011, às
• Acelerar a entrada da população na moderna Sociedade da Informação;
• Promover maior difusão das aplicações de Governo Eletrônico e facilitar aos cidadãos o uso dos serviços do Estado;
• Contribuir para a evolução das redes de telecomunicações do país em direção aos novos paradigmas de tecnologia e arquitetura que se desenham no horizonte futuro, baseados na comunicação sobre o protocolo IP;
• Contribuir para o desenvolvimento industrial e tecnológico do país, em particular do setor de tecnologias de informação e comunicação (TICs);
• Aumentar a co mpetitividade das empresas brasileiras, em especial daquelas do setor de TICs, assim como das micro, pequenas e médias empresas dos demais setores econômicos;
• Contribuir para o aumento do nível de emprego no país; • Contribuir para o crescimento do PIB brasileiro.
A proposta do P NBL, nos dias de hoje, não difere, em tese, do pensamento argumentado pelo sistema de governo militar quando criou um ministério específico para tratar de assuntos ligados às comunicações. Os tempos são outros e a liberdade de expressão, garantida pela Constituição cidadã de 1988, não permite comparações ideológicas, apenas coincidências de aplicabilidade de políticas públicas. Sérgio Mattos (2002, p.36) enfatiza que “[...] nesse período, o Ato Institucional Nº 5, de 13 de dezembro de 1968, foi intensamente usado para cassar mandatos eletivos, para suspender o habeas corpus, constitucional”. Hoje, o foco é integração e acesso social, completamente diferente do pe nsamento controlador do regime ditatorial ao investir em tecnologia das comunicações.
Depois do estabelecimento do Ministério das Comunicações, em 1967, o processo de concessão de licenças passou a l evar em conta não apenas as necessidades nacionais, mas também os objetivos do Conselho de Segurança Nacional, de promover o desenvolvimento e a integração nacional. Entretanto, o favoritismo político nas concessões de canais de TV prolongou-se até o governo da Nova República de José Sarney. (MATTOS, 2002, p.51).
O PNBL é uma considerável possibilidade de avanço e inclusão social. Não apenas o acesso à rede mundial de computadores, com custo acessível vai trazer benéficos ao país. Com acesso à banda larga de qualidade, a população também será incluída a conexões com a
TV digital interativa, e por conseguinte, acesso aos aplicativos, com finalidades diversas. No Maranhão, a integração da sociedade pela rede ainda não representa, como aponta Castells
A interação entre esses processos e as reações por elas desencadeadas fez surgir uma nova estrutura social dominante, a sociedade em rede; uma nova economia, a economia informacional/global; e uma nova cultura, a cultura virtualidade real. (CASTELLS, 1999, p.411). O acesso à Internet banda larga no Maranhão era de longe apenas uma possibilidade. Com o Plano Nacional para Banda Larga (PNBL), a perspectiva de acesso é r eal. Com o PNBL e a TVD implantadas, de fato, a população do estado do Maranhão, principalmente a parcela que carece de acesso a serviços públicos básicos, tem a possibilidade de migrar dos dados estatísticos de desenvolvimento abaixo da linha da pobreza para nível de qualidade de vida com melhores perspectivas. Como exposto anteriormente, a T VD não é ‘ tábua de salvação’ para o Maranhão, mais uma via enorme de acesso ao conhecimento e possibilidades tecnológicas, que por muito tempo fora obstruído, pelo atraso visceral de uma comunidade limitada a pensar a vida com a naturalidade da exclusão social.