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Tendências

No documento CDP COMPANHIA DOCAS DO PARÁ (páginas 55-62)

7. ANÁLISE DO MERCADO RELEVANTE

7.4. Tendências

Como foi possível ser observado, a logística de escoamento da soja está fortemente voltada para os portos da região Sul e Sudeste do país, com destaque para os portos de Santos, Paranaguá e Rio Grande. No entanto, a grande parte da produção de soja está concentrada na região Centro-Oeste, especificamente no estado do Mato Grosso. Devido a questões de falta de infra-estrutura adequada, como a oferta de hidrovias e ferrovias, no cenário atual ainda é menos custoso transportar a soja da região Centro-Oeste para os portos da região Sul e Sudeste.

A consolidação dos projetos de infra-estrutura anunciados, notadamente a pavimentação integral da rodovia BR-163, ligando Cuiabá-MT a Santarém-PA,

e da viabilidade da navegação ao longo da Hidrovia Tapajós Teles-Pires, relacionados aos portos de Itacoatiara e Santarém, e de a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste e da Ferrovia Norte-Sul, para o Porto do Itaqui, irá acarretar, inevitavelmente, em um reordenamento das rotas de escoamento da soja para os portos das regiões Norte e Nordeste, que ainda contam com uma vantagem em termos de redução de frete marítimo, por estarem mais próximos aos grandes centros consumidores internacionais.

A título de exemplificação, uma análise realizada pela Associação dos produtores de Soja do Estado do Mato Grosso – Aprosoja apontou para uma redução de aproximadamente US$ 40,00 e US$ 53,00 por tonelada no custo de transporte caso o escoamento da soja seja realizado pelo do Porto de Santarém, utilizando a rodovia BR-163 ou a Hidrovia Tapajós Teles-Pires, respectivamente, em comparação com a situação atual de escoamento através do Porto de Santos, utilizando o transporte rodoviário até São Simão, hidroviário até Perdeneiras e Ferroviário até Santos. Essa análise considera a região produtora de Sorriso, na região central do Mato Grosso, conforme é ilustrado nas figuras a seguir.

Figura 10 – Redução do Custo de Transporte da Soja – Porto de Santarém

Fonte: Aprosoja

Os mapas a seguir ilustram essa tendência de incremento das exportações de soja da região Centro-Oeste pelo Porto de Santarém. O mapa a esquerda representa a situação prevista para o ano de 2015, que considera a Ferrovia Norte-Sul, a da Integração do Centro-Oeste e a BR-163 em operação. O mapa da direita ilustra as perspectivas para o ano de 2023, mostrando o incremento dos volumes escoado por essas rotas.

Figura 11 – Perspectivas para o Escoamento da Soja – 2015 e 2023

Fonte: PNLT

Seguindo essa mesma linha de raciocínio, a Aprosoja elaborou os mapas apresentados a seguir, que ilustram a expansão da área de influência do Porto de Santarém, em relação à origem da soja exportada, apresentando a situação atual da área de influência dos portos exportadores de soja e as perspectivas de reordenamento dessas áreas quando da consolidação dos projetos de infra- estrutura considerados no horizonte do ano de 2023.

Figura 12 – Área de Influência dos Portos Exportadores de Soja – Atual e 2023

Fonte: PNLT

Nota-se que a principal alteração ocorre com a área de influência do Porto de Santos, que deixa de abranger as regiões centro, leste e norte do estado do Mato Grosso, que passam a fazer parte das áreas de influência dos portos de Itacoatiara e Santarém e Itaqui, respectivamente.

Segundo estimativas do Food and Agriculture Policy Institute (FAPRI), a produção brasileira de soja deverá ser de 83 milhões de toneladas na safra 2018/2019. Desse total, o instituto prevê que as exportações brasileiras alcancem o patamar de 42,2 milhões de toneladas. Nesse cenário, o Brasil passaria a ser o principal exportador mundial, respondendo por 44% do total, ultrapassando os EUA, que responderiam por 32% do total exportado mundialmente.

As projeções para as exportações de soja brasileira considerando o período compreendido pelos próximos 10 anos apontadas pelo United States

Department of Agriculture (USDA) apontam para um patamar bastante próximo

ao estimado FAPRI, considerando um crescimento superior a 40% nas exportações para ao longo desse período.

Especificamente com relação às projeções de produção de soja no Brasil, ressalta-se a estimativa calculada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) que aponta para uma produção de 105 milhões de toneladas no ano de 2020, o que corresponde a um crescimento de cerca de

55% no período. Considerando somente a produção do estado do Mato Grosso, o Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) considera a produção do estado passando das atuais 18,2 milhões de toneladas para 27,1 milhões de toneladas no ano de 2020, representando um crescimento de aproximadamente 50%.

Essas perspectivas para o avanço do mercado de soja no Brasil são balizadas em fatores com a disponibilidade de área no país que deverá continuar a crescer, havendo disponibilidade de mais de 100 milhões de hectares de terras aptas ao plantio da soja somente no cerrado brasileiro. Além disso, a expectativa de crescimento da produção nacional e da demanda mundial pode ser creditada aos seguintes fatores:

1. Aumento da população humana, a qual consumirá mais soja, principalmente, via consumo de carnes produzidas a partir dos farelos de soja e de milho;

2. Aumento do poder aquisitivo da população urbana, destacadamente no continente asiático, no qual se localiza o maior contingente de potenciais consumidores da soja;

3. Substituição do farelo de carne, elaborado a partir de restos de carcaças bovinas, pelos riscos que isto representa na transmissão “do mal da Vaca Louca”, mantendo aquecido o mercado do farelo de soja.

4. Potencial de utilização da soja como matéria prima para a indústria de biodiesel, tintas, lubrificantes, plásticos, entre outros;

5. Crescente consumo de farelo de soja para alimentar a crescente indústria de carnes do Brasil, atualmente o maior exportador mundial;

6. Redução do protecionismo e dos subsídios à soja por parte dos países ricos via pressão dos mercados e da Organização Mundial do Comércio, aumentando, conseqüentemente, os preços internacionais e estimulando a produção e as exportações brasileiras e,

7. Exoneração de parte dos pesados tributos incidentes sobre a cadeia produtiva da soja no Brasil, o que estimularia mais produção, uma vez que incrementaria sua competitividade no mercado externo.

Diante dessas considerações, parece racional acreditar no futuro da produção brasileira de soja, já que, entre os grandes produtores mundiais de soja, o Brasil figura como o país que apresenta as melhores condições para expandir a produção e atender ao esperado incremento da demanda mundial. Excetuando a Argentina, que ainda poderá aumentar um pouco a sua área de produção, os demais competidores do Brasil, EUA, China e Índia, estão com suas fronteiras agrícolas quase ou totalmente esgotadas.

Deve-se destacar, ainda, a decisão dos EUA de reduzir sua área destinada ao plantio de soja em favor do milho, de forma a atender a crescente demanda por etanol.

Com base nessas estimavas apresentadas anteriormente, somado ao fato de existirem perspectivas de aumento na oferta de acessos ao Porto de Santarém, que permitirá uma melhor ligação com a região Centro-Oeste, as perspectivas de escoamento da produção de soja pelo Porto de Santarém são bastante promissoras.

Até o momento, conforme foi visto anteriormente, o Porto de Santarém foi responsável por aproximadamente 3,5% das exportações de soja do país. Dado esse cenário de expansão da infra-estrutura de acessos é possível pensar que este patamar sofra um aumento significativo ao longo dos próximos anos. Considerando que a região de influência do Porto de Santarém, representada pela região oeste do estado do Mato Grosso, que representam cerca de 10% da produção nacional de soja, adotou-se a hipótese que esta participação mantenha essa mesma proporção ao longo do cenário de projeção e que, de maneira correspondente, a participação das exportações de soja pelo Porto de Santarém alcancem gradativamente a participação de 8% em relação as exportações nacionais, compatível com as projeções das entidades mencionadas anteriormente.

Esse incremento na participação do Porto de Santarém nas exportações da soja combinado com as projeções de produção e exportação de soja fornecidas pelas diversas instituições apresentadas anteriormente, resultará em uma movimentação de cerca de 6 milhões de toneladas de soja, a partir do ano de 2025, realizada pelo Porto de Santarém.

No documento CDP COMPANHIA DOCAS DO PARÁ (páginas 55-62)

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