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Arnett (2000) aponta cinco características primordiais desta fase do ciclo vital: (1) Idade de Explorações da Identidade (Age of Identity Explorations), na qual os indivíduos exploram a sua vida em diversas áreas, nomeadamente a nível emocional e profissional. Os indivíduos apesar de mais independentes dos pais ainda não assumem responsabilidades de adultos; (2) Idade da Instabilidade (Age of Instability), na qual os indivíduos ainda não sabem ao certo qual o futuro que pretendem, por exemplo, é frequente os jovens saírem de casa dos pais para ingressar na universidade no entanto apenas o fazem para conseguir a independência dos progenitores. Para Arnett, a exploração e a instabilidade andam de mãos dadas; (3) Idade Focada no Self (Self-Focused Age), nesta etapa, o indivíduo realiza uma multiplicidade de escolhas (“Ir para a universidade?”, “Trabalhar a tempo inteiro?”, “Mudar de universidade, de casa, de curso?”) que exigem uma reflexão mais profunda acerca do self. Segundo o autor,

esta fase é normal, saudável e temporária, o que vai ajudar os indivíduos a desenvolver capacidades para o quotidiano, obter um maior conhecimento acerca de quem são e o que querem da vida; (4) Idade do Sentimento de Indefinição (Age of Feeling In-Between), é um período de transição entre as restrições de um período – adolescência – e as responsabilidades do próximo – adultícia. Durante esta etapa os indivíduos sentem-se, em alguns aspetos, adolescentes e noutros sentem-se adultos. O autor concluiu que existiam três fatores para os sujeitos se sentirem adultos, ou seja, aceitarem responsabilidade por si próprios, tomar decisões de forma independente e tornarem-se independentes do ponto de vista financeiro. Porém, estes critérios eram atingidos de forma gradual no processo de desenvolvimento; e (5) Idade das Possibilidades (Age of Possibilities), na qual o indivíduo deve tomar certas decisões relativas ao seu futuro. Predomina a esperança, o positivismo e as elevadas expetativas de alcançar tudo aquilo que sempre desejou.

Os objetivos dos programas de tutoria universitários “deben fundamentarse en la búsqueda de la integración formativa plena de los estudiantes, en el desarrollo de metodologías y

estrategias de estudio y aprendizaje y en posibilitar su inserción profesional” (Sobrado, 2008 citado por Gómez, 2013 p. 245).

A tutoria em contexto escolar abarca três dimensões, a dimensão pedagógica, a dimensão social e a dimensão psicológica. A dimensão pedagógica visa analisar os resultados escolares do aluno auxiliando-o no seu processo de ensino-aprendizagem, adotando estratégias, técnicas e métodos de estudo, promovendo expetativas positivas face à instituição. A dimensão social pretende fomentar no estudante atitudes positivas face à instituição, aos professores e colegas, promovendo a sua integração e participação no contexto escolar. A dimensão psicológica, por sua vez, visa promover a auto-estima e motivação do estudante para as tarefas da instituição e, pretende ainda, ajudar o estudante a conhecer-se a si próprio (Marinho, 2010).

ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO

O enquadramento metodológico tem como objetivos: a formulação do problema, o tipo de estudo, os participantes do estudo, os instrumentos utilizados na recolha de dados e os procedimentos aplicados, e, ainda, o tratamento e análise dos dados.

1.1. Formulação do problema

Esta etapa fundamenta-se em enunciar uma pergunta como ponto de partida que vai permitir ao investigador aprofundar o seu conhecimento sobre o assunto (Triviños, 1987).

Neste estudo, o problema de investigação centrou-se no modo como foi vivenciado o programa de tutoria pelos mentores. Assim, formulámos um conjunto de questões orientadoras que se configuram como um contributo para um melhor conhecimento e compreensão do problema e que passamos a descrever:

• Qual a opinião dos mentores sobre as suas expectativas relativamente ao programa de tutoria da UTAD?

• Qual a opinião dos mentores sobre o contributo do programa de tutoria para o desenvolvimento de competências transversais ao percurso académico?

• Qual a opinião dos mentores sobre a avaliação do processo de formação do programa de tutoria?

1.2. Tipo de estudo

O presente estudo baseia-se na abordagem qualitativa:

“[...] a análise qualitativa não rejeita toda e qualquer forma de quantificação. Somente os índices é que são retidos de maneira não frequencial, podendo o analista recorrer a testes quantitativos: por exemplo, a aparição de índices similares em discursos semelhantes. Em conclusão, pode-se dizer o que caracteriza a análise qualitativa é o facto de a inferência - sempre que é realizada - ser fundada na presença do índice (tema, palavra, personagem, etc), e não sobre a frequência da sua aparição, em cada comunicação individual.” (Bardin, 1977 citado por Bogdan & Biklen, 1994).

aspectos mais/menos valorizam no programa de tutoria; (2) Opinião dos mentores sobre sobre o contributo do programa de tutoria para o desenvolvimento de competências transversais ao percurso académico; (3) Opinião dos mentores sobre sobre a avaliação do processo de formação do programa de tutoria.

1.3. Participantes

O processo de seleção dos participantes neste estudo é de conveniência, uma vez que não permite a utilização deste tipo de amostra nos estudos exploratórios, que não têm como finalidade a generalização dos resultados ou qualquer tipo de consideração estatística ou representativa. Neste sentido, a nossa a amostra foi constituída por quatro estudantes inscritos no 4ºano do curso de licenciatura de Enfermagem da UTAD.

1.4. Instrumentos de recolha de dados

A técnica de recolha de dados permite a coleta de informações pertinentes junto dos participantes (Quivy & Campenhoudt, 1995).

O instrumento de recolha de dados utilizado foi a entrevista semi-estruturada, por parecer mais adequada neste contexto. Estas entrevistas tinham como finalidade perceber a opinião dos estudantes mentores relativamente à participação no programa de tutoria e ao modo como este foi vivenciado pelos mesmos.

De acordo com Bogdan e Biklen (1994), as entrevistas qualitativas podem ser abertas e centradas em determinados tópicos ou podem ser guiadas por questões gerais. As entrevistas semi-estruturadas implicam um guião definido antecipadamente com algumas questões gerais que visam ser exploradas no desenvolver do discurso dos participantes. Do ponto de vista de alguns autores, este tipo de entrevista “permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos” (Oliveira, 2008).

O guião da entrevista estruturou-se nos seguintes blocos temáticos: (i) expectativas relativamente ao programa; (ii) contributo para o futuro; e (iii) importância do programa. Cada bloco temático abarca diversas questões com o intuito de orientar a entrevista.

1.5. Procedimentos

Como já referido anteriormente, este estudo visa analisar as vivências dos estudantes mentores relativamente ao funcionamento do PT- UTAD no ano 2015/16. Nesta perspetiva adotou-se a metodologia qualitativa através da realização de entrevistas semi-estruturadas por se entender que esta técnica fornece uma visão mais completa e abrangente sobre o assunto. Tendo em conta toda a complexidade envolvente nesta investigação, é de realçar que os princípios éticos foram devidamente cumpridos. Neste sentido, procedeu-se à convocatória dos participantes, de acordo com a sua disponibilidade. Anteriormente à realização das entrevistas, os participantes preencheram um formulário de consentimento informado (Anexo A) no qual estava explícito quais os objetivos do estudo, bem como os objetivos da entrevista, solicitando a sua autorização para proceder à gravação das entrevistas garantindo o anonimato do entrevistado e confidencialidade dos resultados. De seguida, os participantes preencheram, ainda, um questionário sócio-demográfico (Anexo B) com o intuito de obter mais alguma informação sobre o programa de tutoria. Os estudantes mentores aceitaram voluntariamente participar nesta investigação, sendo que foram informados da possibilidade de desistência a qualquer momento da entrevista.

Após a realização das entrevistas, procedeu-se, de imediato, à sua transcrição para posterior análise de conteúdo.

1.6. Tratamento e análise dos dados

A técnica de recolha de dados utilizada foi, como já mencionado, a entrevista semi- estruturada uma vez que possibilita ao entrevistador colocar as questões necessárias à investigação e a relativização dessas questões, sem retirar a liberdade de se expressar ao entrevistado (Oliveira, 2008). Neste sentido, torna-se pertinente a utilização da técnica de análise de conteúdo para uma melhor compreensão do objeto em questão.

A análise de conteúdo pretende compactar toda a informação retirada das entrevistas a fim de selecionar os discursos mais significativos a partir dos quais emergem as categorias e

subcategorias (Martins, 2004). Neste sentido, elaboraram-se quadros categoriais que foram, no decorrer da investigação, reformulados, estabelecendo-se assim, conclusões

(Martins, 2004).

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Nesta parte, primeiramente realiza-se uma breve caracterização do grupo que constituiu a amostra e, posteriormente, procede-se à apresentação dos dados obtidos em função das questões que orientaram a entrevista, relativamente à opinião dos mentores sobre:

• os aspectos mais/menos valorizam no programa de tutoria;

• o contributo do programa de tutoria para o desenvolvimento de competências transversais ao percurso académico;

• a avaliação do processo de formação do programa de tutoria.

Os sujeitos da amostra serão identificados como (E1), (E2), (E3) e (E4), com o objetivo de se preservar a identidade dos mesmos.

Caracterização sumária dos participantes

Quadro 2. Caracterização do grupo de mentores participantes no estudo

Mentores Sexo Idade Habilitações

académicas Deslocado E1 M 22 Estudante de Enfermagem Sim E2 F 21 Estudante de Enfermagem Sim E3 F 33 Estudante de Enfermagem Não E4 F 26 Estudante de Enfermagem Não

O grupo de participantes neste estudo foi de quatro mentores. Relativamente à caracterização sócio-demográfica, incluíram-se as seguintes variáveis: sexo, idade, habilitações académicas, deslocado da sua residência, observando-se:

• Predominância do sexo feminino; • Média de idades acima dos 25;

• Estudantes do 4ºano de licenciatura em Enfermagem como habilitação académica; • Metade dos participantes encontram-se deslocados da sua residência familiar.

Tabela 2. Categorias e Subcategorias

Categorias Subcategorias

Expetativas relativamente ao programa

Expectativas positivas Expectativas negativas

Contributos para o futuro

Competências relacionais

Competências de trabalho em equipa

Importância do programa de tutoria

Oportunidade de desenvolvimento pessoal Constrangimento

A tutoria e/ou mentoria é uma modalidade que tem como objectivo o desenvolvimento integral do indivíduo, assenta na experiência e visa essencialmente a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal.

As principais competências da mentoria baseiam-se numa relação de apoio, num processo de ajuda, num processo de ensino e aprendizagem, num processo de desenvolvimento

profissional, num processo reflexivo e formal. Para que este processo de aprendizagem seja bem sucedido, é importante que o mentor assuma o cargo de forma voluntária, demonstrando uma vontade intrínseca de auxiliar e apoiar o aluno, e com ele partilhar o seu conhecimento, as suas práticas e estratégias de resolução de problemas. Neste sentido, o treino de um mentor passa por um processo de formação que visa a aquisição de estratégias de aconselhamento, metodologias de trabalho, recolha e partilha de informação sobre a instituição educativa,

formação em técnicas de estudo e aquisição de competências para lidar com vários tipos de pessoas e situações, nomeadamente com a diversidade de estilos, formas e comportamentos de aprendizagem.

Através da análise de conteúdo foi possível o estabelecimento de categorias e subcategorias dos discursos significativos (Anexo F) que orientam a formulação dos resultados do estudo. Os resultados aqui ostentados referem-se à opinião dos mentores sobre o modo como foi vivenciado o programa de tutoria.

Quanto à categoria das expetativas relativamente ao programa, emergem como subcategorias as expectativas positivas e as expectativas negativas. Relativamente às expectativas positivas, as opiniões dos mentores divergem em dois sentidos, isto é, alguns apontam o programa como sendo um suporte social: “(...) acho que ajuda bastante termos um suporte” (E2). E, outros mentores afirmam que a solidariedade é importante: “é realmente nós podermos ajudá-los na integração, tanto na cidade, por exemplo vimos de meios mais pequenos, e na matéria, sobretudo, porque logo no 1º ano” (E2).

“E sermos solidários uns com os outros. Solidariedade é importante, ajudar o outro” (E4).

No que concerne às expectativas negativas do programa de tutoria, a falta de tempo apresenta- se como um dos acontecimentos mais marcantes para os mentores. Nas entrevistas realizadas, todos os mentores abordaram este tema e partilharam da mesma opinião: “Inicialmente pensei que ia conseguir acompanhá-los mais” (E4);

“Os fatores negativos para nós é realmente o tempo, porque só estamos cá os dois primeiros meses e depois saímos para ensino clínico e fica mais complicado” (E2);

“É a falta de tempo” (E3); “Falta de tempo” (E1).

Revisando a teoria de desenvolvimento de Chickering, retratada no enquandramento teórico, o primeiro vetor diz respeito ao desenvolvimento de competências intelectuais, físicas e manuais, sociais e interpessoais. Assim, Chickering e Reisser (1993) apontam que o desenvolvimento de uma competência está intimamente ligado com o sentimento de

confiança que o estudante constrói quando lida com os acontecimentos da vida, gere os seus problemas e obtém êxito na realização das tarefas que se propõe realizar.

A categoria contributos para o futuro emergiu, também, dos discursos dos estudantes

mentores, distribuindo-se por duas subcategorias: competências relacionais e competências de trabalho em equipa.

Os mentores referem as diferentes personalidades como estando na base da aquisição de competências relacionais. Esta perspectiva é validada em quase metade dos discursos pelas seguintes opiniões: “O facto de lidarmos com os problemas dos outros e com o feitio das pessoas, nem toda a gente tem um feitio igual ao nosso (...) no programa de tutoria já não somos nós a escolher, já são nos atribuídos os tutorados e nós temos que nos moldar, por assim dizer, ao feitio de cada um” (E1).

“São personalidades distintas num único grupo, e nós criamos adaptações para os perceber a todos e até o que para um é importante o outro banaliza e acho que é importante nesse sentido” (E2).

Quanto à aquisição de competências de trabalho em equipa são escassos os discursos que apontam nesta direção: “Acho que é importante o trabalho em equipa, nós aprendemos também um bocado a trabalhar em equipa. Porque nós podemos-lhe ensinar muita coisa ou ajudar em muita coisa mas eles também, de certeza, que nos vão ensinar alguma coisa” (E3).

Corrobora estes resultados a teoria de desenvolvimento de Chickering, quarto vetor, ao referir o estabelecimento de relações interpessoais que contribuam para o desenvolvimento da identidade, incluindo a aceitação e o aumento da tolerância às diferenças individuais, assim como a capacidade para estabelecer relações íntimas saudáveis (Chickering & Reisser, 1993; Dinis, 2013; Larrosa, 2000).

Na Teoria Psicossocial do Desenvolvimento, Erikson refere no estádio de generatividade vs. Estagnação que o indivíduo tem a preocupação com tudo o que pode ser produzido e em que sente que a sua personalidade foi enriquecida, através das vivências passadas, isto acontece porque existe uma necessidade inerente ao homem de transmitir, de ensinar e de incutir nos outros um pouco de si (Veríssimo, 2002).

No que respeita à importância atribuída ao programa de tutoria, os discursos convergem nesta categoria de análise para duas subcategorias, a oportunidade de desenvolvimento pessoal e o constrangimento. Relativamente à primeira subcategoria, verificamos que se manifesta de forma incisiva na maioria dos discuros, salientando-se as seguintes afirmações: “É assim, a nível pessoal, mais valias são muitas e isto até já é uma experiência para o futuro (...) nós que estamos a terminar a nossa licenciatura, provavelmente, vamos ingressar no mercado de trabalho e lá também acaba por ser, esperamos nós, um bocadinho um programa de tutoria não é” (E1).

“A nível pessoal, também incentiva-nos a este dever que é integrar bem as pessoas e faze-las sentir bem” (E3).

“(...) acho que vai ter ‘pernas para andar’ e tanto a nós como aos nossos colegas que conseguimos ajudar vai deixar marcas para o futuro e foi, na minha opinião, foi positivo” (E2).

Como referido anteriormente, o estabelecimento de relações interpessoais em contexto académico difere quando estudantes mais velhos do ensino superior interagem numa rede social em que a maioria dos colegas é mais nova e com diferentes experiências (Oliveira, Monteiro, Alho, Tavares & Diniz, 2010).

No que diz respeito ao constrangimento, os discursos dos mentores são quantitativamente menos significativos, de que são exemplos: “Apesar, de lá está, acho que a idade aqui é um bocado...gera alguma barreira (...) acho que nos viam mais como um professor e não como um colega (...)” (E3).

Tabela síntese 2.1. Opinião dos mentores sobre os aspectos mais/menos valorizam no programa de tutoria

Mentores Expectativas positivas Expectativas negativas

Suporte social Solidariedade Falta de tempo

E1 X

E2 X X X

E3 X

E4 X X

Tabela síntese 2.2. Opinião dos mentores sobre o contributo do programa de tutoria para o desenvolvimento de competências transversais ao percurso académico

Mentores Competências relacionais Competências de trabalho em equipa

E1 X

E2 X

E3 X

E4

Tabela síntese 2.3. Opinião dos mentores sobre a avaliação do processo de formação do programa de tutoria Mentores Oportunidade de desenvolvimento pessoal Constrangimento E1 X E2 X E3 X X E4 X

CONCLUSÕES E SUGESTÕES

A abordagem teórica sobre as vivências académicas dos estudantes do ensino superior, apresentada no decorrer desta investigação, forneceu orientação para estabelecer os objetivos e fundamentou os resultados bem como as conclusões, que agora pretendemos sintetizar. Foram três as questões de investigação que nortearam este estudo sobre o modo como foi vivenciado o programa de tutoria pelos estudantes mentores.

No que respeita à categoria sobre as “expectativas relativamente ao programa”, emergem, por um lado, as subcategories expetativas positivas, nomeadamente o suporte social e a

solidariedade, e, por outro, as expectativas negativas, sendo apontada unanimemente a falta de tempo. Apesar de os mentores revelarem expectativas positivas face ao programa, apontam dificuldades relativas à falta de tempo.

A categoria “contributos para o futuro”, integra as competências relacionais, marcada pela partilha e proximidade das relações sociais que se cruzam com as características pessoais de cada indivíduo e as competências de trabalho em equipa, com vista a reforçar os laços

afetivos entre mentor e tutorado, e aprendendo um com o outro realçando assim, o espírito de entre ajuda.

Relativamente à categoria “importância do programa de tutoria”, os mentores apontam a oportunidade de desenvolvimento pessoal e o constrangimento. No que concerne à primeira subcategoria, os mentores realçam, por unanimidade, a mais valia que o programa de tutoria representa para o seu futuro, referindo que quando ingressarem no mercado de trabalho eles próprios estarão num programa de tutoria ainda que não oficial. Por outro lado, o

constrangimento reafirma, uma vez mais, a idade cronológica dos mentores como um entrave ao sucesso do programa de tutoria.

Neste sentido, apontam-se algumas sugestões que possam contribuir para o aperfeiçoamento do programa de tutoria nomeadamente: (1) ter em consideração as idades dos estudantes mentores; (2) os mentores deveriam ser estudantes do 3º ano, uma vez que os estudantes de enfermagem de 4º ano de licenciatura ingressam em estágio clínico ficando praticamente sem disponibilidade para os tutorados; (3) reunir, atempadamente, com os mentores para proceder às entrevistas; (4) participar no processo de formação dos estudantes mentores para obter mais informações sobre o mesmo.

De um modo geral, os mentores tentaram transmitir aos seus tutorados sentimentos positivos, de apoio, cumplicidade, espírito de entre ajuda, realçando todo o conhecimento, experiências que alcançaram durante o seu percurso académico e que terão todo o prazer em partilhar com eles.

LIMITAÇÕES DO ESTUDO

Uma das principais limitações deste estudo diz respeito ao número de participantes. Tivemos para este estudo um número muito reduzido de participantes, constituído por quatro

estudantes mentores.

Em segundo lugar, dos oito cursos piloto que integravam este programa de tutoria apenas conseguimos entrevistar mentores da licenciatura em Enfermagem. Neste sentido, os resultados também não podem ser generalizados.

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