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Diferente da teoria sociointeracionista, a teoria cognitiva de aprendizagem multimídia foi elaborada mais recentemente e leva em consideração as tecnologias como pressuposto para a aprendizagem, porém por ser um pouco mais atual essa teoria não descarta teorias clássicas e anteriores a ela tendo em seu arcabouço os princípios de teorias como a teoria significativa de Ausubel e a teoria cognitiva de Piaget.

O pesquisador Richard Mayer (2009) que desenvolveu essa teoria é professor de Psicologia na Universidade da Califórnia, Santa Barbara (UCSB), onde atua desde 1975. Ele recebeu um Ph.D. em Psicologia pela Universidade de Michigan, em 1973, e atuou como

professor assistente de Psicologia na Universidade de Indiana (1973-1975). Seus interesses de pesquisa estão voltados à área de psicologia educacional e cognitiva. Sua pesquisa atual envolve a interseção da cognição, instrução e tecnologia, com foco especial na aprendizagem multimídia, sendo o computador o suporte de aprendizagem. Mayer (2009) é ex-presidente da Division 15 (Psicologia da Educação) da Associação Americana de Psicologia; ex-vice- presidente da Associação Americana de Pesquisa Educacional da Division C (Ensino e Instrução); ex-editor do “Educational Psychologist”; ex-co-editor de “Instructional Science”; e ex-presidente do Departamento de Ciências Psicológicas e do Cérebro da UCSB.

Mayer (2009) defende que as pessoas aprendem melhor quando as ideias são expressas com “palavras e imagens” juntas, e não apenas com “palavras”; dessa forma, sua teoria se baseia em explicar como essa aprendizagem por meio de palavras e imagens juntas acontece. Mayer (2009) afirma ainda que a informação processa-se através de dois canais, o verbal e o visual; por exemplo, se num processo de aprendizagem o professor conduzir a sua explicação através de palavras e imagens, os alunos poderão aprender com maior êxito, se a aula por exemplo for focada apenas no sistema de verbalização entre professor aluno, utilizando apenas palavras, os alunos terão maior dificuldade em recordar o que foi dito pelo professor pouco tempo após a informação ter sido transmitida.

A teoria cognitiva da aprendizagem multimídia é baseada em doze princípios elaborados por Mayer (2009). Esses princípios podem ser observados no quadro a seguir:

Quadro 8 - Princípios da Teoria Cognitiva de Aprendizagem Multimídia segundo Mayer (2009)

O quadro 8 foi desenvolvido por Silva (2001) em seu trabalho de dissertação, em que resumidamente aponta os princípios da teoria de Mayer (2009). Segundo Mayer (apud SILVA, 2001), não há uma ordem para os princípios, mas uma sequência textual que também foi adotada na elaboração desse quadro.

Esses princípios explicam como Mayer (2009) entende como acontece ou como deve acontecer a aprendizagem multimídia. No princípio da sinalização, por exemplo, Mayer (2009) afirma que as pessoas aprendem melhor quando são adicionadas “pistas” que destacam a organização do conteúdo essencial. No material multimídia, livros ou animações, “pistas” como setas, meios de categorizações e classificação do conteúdo, além de alguns destaques em informações importantes, facilitam a organização e a estruturação do conteúdo durante o aprendizado.

Algumas pesquisas já se preocuparam em aplicar essa teoria a fim de verificar a aprendizagem através da multimídia. Trazemos como exemplo a pesquisa de dissertação de Rodrigo Rosalis da Silva realizada em 2013, intitulada, “A transposição com expansão do

conteúdo do livro didático de matemática para o tablet na perspectiva da teoria cognitiva de aprendizagem multimídia”, que buscou mostrar como o livro didático pode ser transposto

para o tablet; ele analisou essa transposição através da teoria cognitiva da aprendizagem multimídia. Essa pesquisa é caracterizada como uma pesquisa de conteúdo, em que o autor analisou os livros didáticos do PNLD em especial os livros de matemática. Os conteúdos desses livros foram levados para o tablet com o intuito de enriquecer a interatividade, e que aparecem no tablet através de vídeos, imagens e áudio. Essa pesquisa se mostrou importante pois o autor relaciona a aprendizagem multimídia com a aprendizagem em sala de aula, comparando e analisando os conteúdos presentes no livro didático e que agora passam para o tablet.

Nesta pesquisa, Silva (2001) buscou mostrar que mesmo com a ferramenta digital tablet sendo inserida nas escolas públicas e sendo bastante atrativa para os alunos, fazendo com que muitas vezes os professores usem esse recurso em sala de aula é necessário estar atento à aprendizagem dos alunos e não simplesmente à dinamicidade e ao entusiasmo que a tecnologia traz. De acordo com Silva (2001, p. 133),

É importante ressaltar que, na proposta de transposição, tomamos o devido cuidado para que o aprendiz não fosse esquecido, em momento algum, por causa do possível entusiasmo causado pelos recursos do tablet. Procuramos,

ao pensar em um recurso nesse dispositivo para explicar certo conteúdo, analisar se ele seria viável para a aprendizagem. Nos casos em que o tablet se mostrou viável, pensamos em como trabalhar com esse dispositivo da melhor maneira possível a fim de não sobrecarregar o sistema cognitivo do aluno, provocando como consequência a não aprendizagem.

Outras pesquisas baseadas na teoria cognitiva da aprendizagem multimídia também ressaltam o fato de se estar atento aos objetivos da tecnologia para a aprendizagem. Almeida, Chaves, Coutinho e Júnior, em sua pesquisa de 2014, intitulada “Avaliação de objetos de

aprendizagem sobre o sistema digestório com base nos princípios da teoria cognitiva da aprendizagem multimídia”, buscaram através de uma pesquisa bibliográfica avaliar objetos de

aprendizagem digital que tratam sobre o sistema digestório. Em suas análises perceberam que dos objetos analisados a grande maioria não atende aos critérios da teoria cognitiva da aprendizagem multimídia e não leva em consideração os processos de aprendizagem do aluno, como afirmado no trecho a seguir:

O princípio de sinalização foi atendido de forma satisfatória em apenas quatro dos dez objetos analisados. Percebe-se, portanto, que o direcionamento da atenção do aluno para elementos importantes nos textos e nas imagens está ausente ou subutilizado no desenvolvimento da maioria desses OAs (ALMEIDA; CHAVES; COUTINHO; JÚNIOR, 2014, p. 1009).

Dessa maneira, os mesmos concluem que a pesquisa feita indica que, em relação ao conteúdo do sistema digestório, existe a necessidade de que o planejamento e a construção de objetos digitais de aprendizagem sejam orientados por preceitos e critérios que visem tornar o uso dos recursos multimídia mais eficiente.

Assim é possível perceber que a teoria cognitiva da aprendizagem multimídia tem sido usada em trabalhos com uso das tecnologias para explicar o uso de determinadas ferramentas, dispositivos ou mesmo aplicativos, não sendo o desenvolvimento da aprendizagem o principal foco das pesquisas; no entanto, essa teoria é relevante pois faz conexões com teorias clássicas da aprendizagem a partir de uma visão contemporânea, contribuindo para o entendimento da aprendizagem através da multimídia que tem estado tão presente no cotidiano dos alunos e da escola.