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Adotada pelos EUA em 1976, chamada de “Foreign Sovereign Immunities

Act” que significa Ato das Imunidades das Soberanias Estrangeiras. A partir

dessa data se começou a adotar no mundo inteiro a TEORIA RELATIVA de Imunidade de Jurisdição.

O que faz a teoria relativa sobre imunidade de jurisdição?

Distingue dois tipos de atos:

1)ATOS DE IMPÉRIO: princípio do “par in paren”, de maneira alguma o Estado se submeterá à jurisdição de Estado estrangeiro, a não ser na hipótese de RENÚNCIA.

2)ATOS DE GESTÃO: o Estado se submete à jurisdição estrangeira, quando age como particular.

Por essa teoria, toda vez que um Estado, agir como um Estado, ou seja, pratique atos de Império, se aplica o princípio do “par in paren”, ou seja, de maneira alguma este Estado se submeterá à jurisdição de um Estado estrangeiro, a não ser na hipótese de RENÚNCIA

Agora quando um Estado agir como um particular qualquer, nesse caso se submeterá à jurisdição estrangeira.

Ninguém até hoje conseguiu definir exatamente o que sejam ATOS DE IMPÉRIO e ATOS DE GESTÃO. Embora essa Teoria tenha resolvido muito, ela tem o cunho de proteger os súditos, os cidadãos, os nacionais do Estado estrangeiro que possam sofrer prejuízos de um outro Estado, como é o caso das Reclamatórias Trabalhistas, de Acidentes de Trânsito, de outros contratos, ela é protetiva, só que até hoje ninguém conseguiu delimitar atos de império e atos de gestão.

Qual é a conseqüência dessa falta de delimitação? A conseqüência é por exemplo, Tribunais Norte-americanos estavam condenando países do terceiro mundo a pagar a dívida externa, inclusive penhorando bens de Bancos Centrais

destes países que se encontravam nos EUA, sob o fundamento de que dívida é um empréstimo e então é ato de Gestão., isto é altamente polêmico, o problema é qual o limite entre ato de império e ato de gestão?

O Brasil tem um acórdão do STF, Apelação Cível nº 9696, de 1989, Rel. de Sidney Sanches, Rev. Tr. Jurispr. 133/159, a partir de 1989 o STF nesta Apelação Cível, que julgou exatamente uma reclamatória trabalhista contra os EUA, a partir daí o Brasil adotou a Teoria da IMUNIDADE RELATIVA DE JURISDIÇÃO.

O STF, além disso num acórdão mais recente (AGRAVO 139.671/DF- Rel. Celso de Mello), definiu em síntese quais seriam os atos, (dando uma linha para os juízes), considerados atos de GESTÃO:

a)reclamações trabalhistas

b)processos de indenização civil por danos (acidentes de trânsito)

c)outros litígios decorrentes de situações ordinárias em que o Estado estrangeiro pratique atos de comércio, ou, agindo como um simples particular, atue “ more privatorum ” (natureza privada).

Exemplo: Supondo que os EUA contratem um buffet em Brasília, para recepcionar o Bill Clinton e depois não paga o serviço. Agiu portanto, como um ente privado, contratou um serviço, não pagou, parece que isso estaria dentro da definição do STF do que seriam atos de Gestão.

Atos de Império ficaria o conceito restrito aos atos que ele pratica como Estado. Por exemplo: dentro da Embaixada acontece um crime e eles mandam prender, mandam embora, um cidadão americano. Isso não tem nada que ver com atos de gestão, isso é um ato de império, praticado por um Estado soberano e que o Brasil não pode intervir.

O que interessa são os atos praticados pelo Estado estrangeiro com o particular, de natureza privada.

Todavia, é muito tênue o que pode ser considerado de natureza privado, como vimos dívida externa no plano internacional pode ser considerado ato de gestão.

Na hipótese de se tratar de ato de gestão, ocorre a submissão direta à jurisdição do Estado estrangeiro.

Assim, como juízes, recebendo um processo de indenização, verifica-se se se trata de ato de gestão, manda-se CITAR e prosseguir. Agora, se se tratar de ato de império, o que se faz?

Deve-se citar, e o Estado vai renunciar ou não a sua IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO.

A RENÚNCIA, em primeiro lugar, só se aplica para atos de império. Não se fala em renúncia para atos de gestão.

Além disso a renúncia pode ser TÁCITA ou EXPRESSA.

TÁCITA, quando o Estado contesta, não se manifesta. Contestando submete-se à autoridade estrangeira. Ou então quando ele entra com determinada ação.

EXPRESSA: quando o Estado faz um documento dizendo que está renunciando sua imunidade de jurisdição.

Só que o silêncio puro e simples do Estado estrangeiro não pode ser presumido como renúncia. Por exemplo: o juiz cita e o Estado estrangeiro não faz nada, ignora a citação.

Existem três decisões do STF a respeito de que o silêncio não significa renúncia.

A renúncia dada no processo de conhecimento não se aplica ao processo de execução.

Significa que, se eventualmente for julgado um processo que diga respeito a atos de império e posteriormente se decida executar e se descobre que o Estado, por exemplo, os EUA tinham um apartamento no Rio de Janeiro, alugado para um escritório, utilizado de forma privada, sem vinculação com suas funções estatais.

TÁCITA

RENÚNCIA ATOS DE IMPÉRIO

EXPRESSA (silêncio não pode presumir)

Pode-se penhorar este apartamento? Se o processo inicial envolvia atos de império, a renúncia dada no processo de conhecimento não vale para a Execução, então mesmo que ele tenha um bem de natureza privada no território brasileiro não se poderá executar, terá que se fazer nova consulta para saber se ele se submete a Execução estrangeira.

Outra observação. No processo de conhecimento há a citação. No processo de Execução, não. A citação no processo de execução é para pagar. Não se pode citar para pagar. Precisa fazer uma consulta para saber se o Estado renuncia a sua imunidade de execução, e aí sim, se ele renunciar, pode-se prosseguir com o processo de execução. É diferente o procedimento no processo de conhecimento e no processo de execução.

Agora, se estivermos falando de atos de gestão, julgamos a reclamatória trabalhista contra os EUA, que tem aquele apartamento no Rio. Pode-se penhorar ou não? Sim. Sem qualquer problema. Simplesmente, pode-se fazer a penhora, o leilão para pagar o reclamante. Aí não há problema sendo caso de ato gestão e existindo bens que não estejam afetados às funções estatais dentro do território nacional.

Para penhorar noutro Estado estrangeiro o único meio é por Carta Rogatória.

Na ordem internacional há um princípio de reciprocidade. Quando uma sentença contra o Brasil vai ser executada, vai ser acatada nos EUA, eles também vão acatar as nossas aqui, porque esta é uma teoria universal. Então com relação a atos de gestão não vai ter problemas – o que vai acontecer é que eles vão pagar.

Toda essa matéria é doutrinária, não se vê jurisprudência, se procurarmos não vamos encontrar jurisprudência relativa à execução.

COMPETÊNCIA

RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS – artigo 114 da CF. JUSTIÇA DO TRABALHO – Recursos normais.

ESTADO ESTRANGEIRO ou ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL contra MUNICÍPIO ou PESSOA DOMICILIADA NO BRASIL – Justiça Federal de 1º Grau; art. 109, II, III, CF. Cabe depois Recurso Ordinário para o STJ,

isso não vai para o TRF, vai direto para o STJ, artigo 105, II, letra “c” da CF.

ESTADO ESTRANGEIRO ou ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL contra a UNIÃO, ESTADO MEMBRO, DISTRITO FEDERAL, TERRITÓRIO, a competência originária é do STF, artigo 102, I, “e”, CF.

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