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3. MATERIAL E MÉTODOS

3.6 Procedimentos de coleta de dados

3.6.3 Terceira Etapa

Esta etapa refere-se às avaliações biomecânicas relacionadas ao calçado de futsal. Na etapa da avaliação biomecânica foram consideradas as avaliações dinâmicas e de temperatura (por se considerar de interface mecânica e biomecânica)

Antes de iniciar as coletas fez-se necessário a orientação verbal e repasse por escrito aos participantes sobre todos os procedimentos a que eles estariam sendo submetidos e qual a finalidade de tais testes. Os voluntários assinaram um termo de consentimento específico sobre tais coletas (Anexo D).

Os voluntários que aceitaram participar do estudo foram submetidos a uma anamnese (observação visual) realizada pela autora para verificar a presença de calos, bolhas ou machucados no pé que pudessem impossibilitar o uso do calçado e a coleta de dados. Caso fosse presenciada qualquer lesão os voluntários eram

dispensados da coleta, contudo, não foi observada nenhuma limitação à participação.

Para esta etapa os seguintes procedimentos foram executados:

a) Avaliações referentes à Temperatura

a.1) Temperatura do pé: O voluntário foi previamente orientado a não aplicar loções ou cremes nos pés, não utilizar medicamentos vasoativos ou praticar atividade física antes do teste.

Inicialmente o voluntário passava por um processo de termalização no ambiente, permanecendo 10 minutos sentado. Um sensor termo-resistido (termo- higrômetro digital) foi fixado com fita micropore diretamente no dorso do pé direito do voluntário, entre o primeiro e o segundo metatarsos. A temperatura superficial do pé era verificada até atingir valores entre 28ºC e 31ºC e estar estável. Atingindo a faixa de teste o voluntário era orientado a vestir um par de meias novas, o calçado e iniciar uma caminhada de 5 minutos a 5km/h na esteira ergométrica da marca Inbramed Master, para adaptar-se ao procedimento. Ao final dos 5 minutos, imediatamente o voluntário iniciava a corrida a uma velocidade de 10km/h durante 15minutos, totalizando 20 minutos de teste.

Os valores de temperatura foram coletados no início e ao final do procedimento. A diferença entre o valor final e o inicial determinou a variação de temperatura.

a.2)Variação da Radiação Térmica do sistema pé-calçado: para determinar a variação da emissão de radiação térmica do sistema pé-calçado uma imagem termográfica da região frontal e uma da lateral do calçado com o voluntário utilizando o calçado foram realizadas antes e ao final da corrida em esteira. Para a aquisição das imagens termográficas a câmera foi posicionada em um ângulo aproximado de 70° em relação ao pé e a uma distância de 30 cm do voluntário, que permaneceu em pé sobre um apoio de fundo branco (FIGURA 32).

Figura 32 - Posicionamento da câmera térmica para realização das imagens.

Para análise da imagem, optou-se por uma linha de 6cm que abrangeu toda a imagem termográfica do cabedal correspondente a região da cabeça dos metatarsos do calçado, nomeada “frontal” e uma linha na lateral do cabedal, correspondente aos metatarsos, nomeada “lateral”. A variação da radiação foi calculada com base nos valores de início e fim do teste de 20 minutos de uso do calçado.

Os procedimentos experimentais para a determinação da temperatura superficial do pé e da variação da radiação térmica ocorreram simultaneamente.

a.3) Variação da massa da meia: o par de meias utilizado para todos os procedimento foi da meia esportiva algodão cano longo marca TriFil®, composta de 67% algodão, 26% poliéster, 4% poliamida e 3% elastodieno. Foi utilizado um par novo de meias em cada modelo de calçado avaliado e para cada voluntário. A massa do par de meias foi verificada antes do teste e após o teste de temperatura do pé, seguindo o mesmo procedimento descrito para aferição da massa do calçado. A variação de massa do par de meias foi utilizada com o intuito de mensurar o acúmulo de umidade no material durante o procedimento.

b) Avaliações Dinâmicas

b.1) Caracterização das componentes Fy e Fx da Força de Reação: As coletas aconteceram em ambiente de laboratório. O peso dos voluntários foi aferido sobre a plataforma para posterior normalização dos dados pelo peso corporal. Em seguida foi solicitado aos voluntários:

1) correr uma distância de 15m, na velocidade de 15km/h (±5%), tocando um pé sobre a plataforma de força.A velocidade foi controlada através do conjunto de sensores de barreira. A distância até alcançar a plataforma de força era de 8m, a distância entre os sensores era de 3m e após passar por sobre a plataforma de força o voluntário tinha uma área de 4m para desacelerar (FIGURA 33). O voluntário era orientado a desacelerar após passar pelas fotocélulas posicionadas depois da plataforma. Foram coletadas 10 tentativas válidas para este movimento (posicionamento de todo o pé sobre a plataforma e velocidade correta). O valor médio das 10 tentativas foi utilizado na análise.

Figura 33 - Ilustração da passarela de coleta, onde se observam as plataformas de força (P1 e P2), o conjunto de sensores (A e B), a distância de 3m entre eles e o sentido do movimento (C).

2) simular um passe de bola curto, deslocando-se uma distância de 8 metros (em média 5 passos), a uma velocidade de aproximação para o chute de 8km/h (±5%). Foi solicitado ao voluntário deslocar-se em direção a plataforma e então tocar a plataforma com o pé de apoio e passar a bola, que ficava posicionada na distância

P1 P2 (A) (B) (C) A P2 P1

de preferência do voluntário (FIGURA 34). Uma rede foi posicionada 4 metros a frente do voluntário para reter a bola. Foram coletadas 5 tentativas válidas (posicionamento de todo o pé sobre a plataforma e velocidade correta), sendo utilizado o valor médio das 5 tentativas para a análise dos dados.

Figura 34 - Ilustração do movimento de passe sobre a plataforma de força (P1).

Para todas as velocidades estabeleceu-se um limite de variação de ± 5%, sendo desconsiderados os registros dinâmicos efetuados acima ou abaixo desta faixa de tolerância pré-estabelecida.

b.2) Caracterização da Distribuição de Pressão Plantar: as palmilhas foram colocadas entre o pé e a palmilha interna do calçado, conectadas via cabo ao sistema Pedar que ficava fixado com cinto à cintura do voluntário. A frequência de aquisição foi de 50Hz. O voluntário realizou os movimentos de corrida (15km/h ±5%) e passe (8km/h ±5%), exatamente como descrito no procedimento anterior referente a FRS. Para a distribuição de pressão plantar foram coletadas 5 tentativas válidas para cada movimento. Para ambos foi considerado o valor médio das 5 tentativas na análise dos dados.

As coletas referentes à FRS e distribuição de pressão plantar não foram sincronizadas e tão pouco simultâneas.

Os parâmetros relativos às coletas dinâmicas (movimentos, velocidades e distâncias) foram determinados com base em procedimentos realizados previamente, descritos no Anexo E. Os parâmetros definidos se apoiaram em dados da literatura especializada (DOGRAMACI; WATSFORD, 2006; CASTAGNA et al., 2009) e os resultados dos procedimentos prévios também estão de acordo com resultados obtidos em tais estudos.

Para todas as avaliações o ambiente de coleta foi controlado e mantido à temperatura de 23°C ± 2°C e umidade relativa de 50± 5%, conforme a NBR 10455- ParteB/2005.

Todos os voluntários utilizaram os três modelos de calçado em todos os procedimentos. A ordem dos calçados foi randomizada por sorteio para cada voluntário.