3 Centros ou Terminais de Micrologística
3.1 Terminologia e conceito
O princípio fundamental em que se alicerçam os centros de micrologística é o da concentração de fluxos de mercadorias. A sua definição não se encontra ainda estabilizada, pelo que para o fazermos podemos encontrar algumas diferenças tendo por base as características distintas que assumem ou se pretende valorizar, em função da sua propriedade, forma de exploração, localização, funções e serviços que prestam, entre outras.
O relatório Bestufs II, que assume a terminologia de Centros de Consolidação Urbanos (CCU), identifica 13 outras designações, entre as quais: Plataformas logísticas; Centro de distribuição urbana (CDU) – muito presente na literatura –; Centro Logístico; Centro de transbordo urbano; Centros de recolha e entrega de mercadorias; ou Centro de consolidação (Bestufs, 2007, pág. 61).
Mas para além destes, enquanto o relatório LogUrb recorre à terminologia de “Centros de carga urbanos” utilizada nas conclusões da Conferência Europeia dos Ministros de Transportes de 1998, o GELOG (Grupo de Estudos Logísticos da universidade Federal de Santa Catarina, Brasil) refere-se aos “Centros de distribuição de mercadorias” (pág.11) e o projeto Turblog e o Estudo de Logística Urbana para a Zona Piloto da Baixa de Lisboa (ZPILU) designa-os por centros ou terminais de “micrologística”.
Como referido, a definição deixa em aberto diversas características, salvaguardando diferentes soluções ao nível dos intervenientes, serviços, âmbitos territoriais entre outras.
Pela sua abrangência, ainda que não restrita à dimensão urbana, e pela especificação que faz às diversas variáveis que pode assumir, importa atender à definição utilizada pela EUROPLATFORMS (em 1992), citada nas «Bases Estratégicas de Desenvolvimento da Logística e dos Transportes de Mercadorias nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto», segundo a qual Plataforma Logística (pág. 18):
“é uma zona delimitada, no interior do qual diferentes operadores exercem todas as actividades relativas ao transporte, à logística e à distribuição de mercadorias, tanto para o tráfego nacional como para o internacional;
Estes operadores podem ser proprietários, arrendatários dos edifícios, equipamentos ou instalações (armazéns, áreas de stockagem, escritórios, parkings, docas, ...) que estão construídos no centro;
79 Uma plataforma deve ter um regime de livre concorrência, para todas as empresas interessadas nas actividades enumeradas. Deve também estar equipada com todos os equipamentos colectivos necessários para o bom funcionamento das actividades acima descritas e incluir serviços comuns para as pessoas e materiais dos utilizadores. Esta deverá, obrigatoriamente, ser gerida por uma entidade única, pública ou privada".
Neste documento, são diferenciados 3 tipos de plataformas: local (0–30 km), regional (30–300 km) ou nacional/ europeu (>700 km, e que requerem plataformas de transição). Este documento, na aproximação que faz às áreas metropolitanas, refere ainda que “sobretudo nos grandes aglomerados urbanos, surgem as plataformas logísticas, com o objecto de melhorar a infraestrutura urbana e de distribuição das empresas e operadores de transporte, de forma a concertar as operações intermédias entre produção e comercialização, para assim beneficiarem de um maior rendimento do processo económico.” (op. cit. pág.25)
O relatório Bestufs II, direcionado para os territórios urbanos, assume uma definição dos Centros de Consolidação Urbanos (CCU) que vai ao encontro da anterior ao afirmar que se trata de “um dispositivo logístico situado relativamente próximo da área geográfica que pretende servir (seja a área central de uma cidade, a sua totalidade, ou uma localização específica como um centro comercial), no qual variadas empresas de logística entregam mercadorias destinadas a essa área, a partir da qual são feitas entregas consolidadas e, no qual um vasto leque de operações de logística, de valor acrescentado e serviços a retalhistas podem ser fornecidos”.
Entre os elementos de caracterização, este relatório refere que “a área geográfica servida pode variar entre uma área específica de comércio (e.g. Broadmead em Bristol), uma área urbana central (e.g. La Petite Reine em Paris) até uma cidade inteira (e.g. Mónaco)” (Bestufs, 2007, pág.62)
Nas diferentes formulações vistas, surgem os elementos relativos à área geográfica de influência, à consolidação dos fluxos e cargas e à pluralidade de utilizadores e de serviços possíveis. Para alguns autores, a diferenciação da terminologia aplicada resulta da localização e área de influência da plataforma logística.
Enquanto Caiado inclui no glossário a definição segundo a qual os Centros de Distribuição Urbana (CDU) são "instalações localizadas próximas dos limites de um aglomerado urbano, destinadas a desconsolidação de carregamentos de mercadorias de longo curso e à consolidação de carregamentos em veículos mais pequenos para distribuição urbana” (Caiado, 2003, pág. 153), Margarida Pereira e José Afonso Teixeira sublinham que “no centro das cidades onde, pela maior densidade e dificuldade de
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movimentos, podem ser complementados através de pontos de apoio logístico (PAL)” (Pereira e Teixeira, 2002, pág.179)
Fig. 7 – Localização das diferentes tipologias e hierarquias de centros logísticos
Fonte: Pereira e Teixeira, 2002, pág.180. Figura 2
No essencial, qualquer que seja a designação assumida, trata-se de facto de uma plataforma logística, de consolidação de fluxos, onde podem atuar diferentes operadores e se podem processar atividades logísticas (armazenagem e gestão de stocks, etiquetagem, embalamento) que acrescentam valor ao processo.
Como é percetível pelo esquema produzido na fig. 9, também estes autores defendem a necessidade de diferenciação entre logística e logística urbana, em resultado das “transformações operadas na estrutura funcional das cidades e nos processos de reestruturação económica”, considerando que estes “justificam uma nova abordagem do abastecimento urbano” (Pereira e Teixeira, 2002)
81 Nesse sentido, parece razoável que a terminologia possa assumir a expressão de “micrologística” quando se trata de ambiente urbano, por diferenciação e autonomização da “logística”, decorrendo daqui as expressões de Plataformas, Centros ou Terminais de Micrologística.
Naturalmente, a consolidação de terminologias depende de diversos fatores, não sendo previsível qual o que virá no futuro a assumir-se, considerando-se, no entanto, que é clara a conceção que enforma a opção no presente trabalho, que remete para o entendimento de que, no essencial:
Centros ou Terminais de Micrologística são infraestruturas de proximidade, localizadas no espaço urbano, não necessariamente rodoviárias, para a consolidação de fluxos de mercadorias e informação, onde um ou diversos intervenientes podem efetuar serviços logísticos.
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