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4 TESES TRIBUTÁRIAS PARA IMPOSTO DE RENDA

No documento FABIANA DEL PADRE TOMÉ (páginas 57-62)

Umas das maravilhas do Tributário é que, enquanto em outras áreas você costuma advogar para pessoas físicas OU jurídicas, aqui você advoga para ambas, dobrando o número de clientes em potencial.

E para você começar agora mesmo, já colocando essa estratégia em prática, é que eu separei teses de Imposto de Renda aplicáveis a pessoas físicas, tanto para recuperar valores indevidamente pagos nos últimos 5 anos, como para evitar cobranças futuras.

Vamos a elas!

4.1.

NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PENSÃO ALIMENTÍCIA

Essa é uma tese importantíssima e aplicável a um grande número de contribuintes. E, o melhor de tudo, com excelentes chances de êxito.

Atualmente, a Receita Federal exige que a pessoa que recebe pensão alimentícia a declare como rendimentos tributáveis e recolha imposto de renda calculado sobre seu valor.

No entanto, essa exigência é objeto da ADI 5.422, em trâmite no STF. O julgamento iniciou-se ano passado, contando com 2 votos favoráveis ao contribuinte: o do relator, Min. Dias Toffoli, que foi acompanhado pelo Min. Luís Roberto Barroso. Isso é um ótimo sinal!

Quer saber os fundamentos da inconstitucionalidade da tributação do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de pensão alimentícia? Então dá uma conferida nesses trechos do voto do relator, Min. Dias Toffoli:

“Alimentos ou pensão alimentícia oriunda do direito de família não são renda nem provento de qualquer natureza do credor dos alimentos, mas simplesmente montantes retirados dos rendimentos (acréscimos patrimoniais) recebidos pelo alimentante para serem dados ao alimentado. Nesse sentido, para o último, o recebimento de valores a título de alimentos ou de pensão alimentícia representa tão somente uma entrada de valores.

Afora isso, é certo que a legislação impugnada provoca a ocorrência de bis in idem camuflado e sem justificação legítima, violando, assim, o texto constitucional. Isso porque o recebimento de renda ou de provento de qualquer natureza pelo alimentante, de onde ele retira a parcela a ser paga ao credor dos alimentos, já configura, por si só, fato gerador do imposto de renda. Desse modo, submeter os valores recebidos pelo alimentado a título de alimentos ou de pensão alimentícia ao imposto de renda representa nova incidência do mesmo tributo sobre a mesma realidade, isto é, sobre aquela parcela que integrou o recebimento de renda ou de proventos de qualquer natureza pelo alimentante. Essa situação não ocorre com outros contribuintes.”

Não bastassem esses robustos argumentos, ele continua:

“Por fim, vale frisar que o art. 4º, II, da Lei nº 9.250/95, ao possibilitar a dedução das importâncias pagas a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou escritura pública (nos termos lá referidos), na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda devido pelo alimentante, de modo algum afasta o entendimento ora defendido. Diversas deduções admitidas na lei, tal como essa, consistem em verdadeiros benefícios fiscais. E muitas dessas benesses são concedidas pelo legislador quando o próprio imposto incide sobre a renda ou sobre os proventos de qualquer natureza. Na espécie, o alimentante, e não a pessoa

alimentada, é o beneficiário da dedução, dada a incidência do imposto de renda sobre as quantias sujeitas ao tributo por ele recebidas. Repare-se, além do mais, que, como se sabe, o legislador tem boa liberdade para tratar dos benefícios fiscais. Isso significa que, por razões de política fiscal, num juízo de conveniência e oportunidade, pode ele retirar o benefício previsto no citado art. 4º, II, da Lei nº 9.250/95. Paralelamente a isso, registre-se que não cabe ao legislador, visando a compensar esse benefício fiscal concedido, tributar com o imposto de renda os valores decorrentes do direito de família percebidos pelo alimentado a título de alimentos ou de pensão alimentícia.

A percepção desses valores pelo alimentado consiste, na verdade, em hipótese de não incidência do imposto, como visto alhures, não podendo, desse modo, ser alcançada pelo tributo. Concluo, assim, não ser possível a incidência do imposto de renda sobre tais montantes percebidos pelo alimentado.”

Em resumo, considera-se que os valores recebidos a título de pensão alimentícia não são renda do alimentando (beneficiário) e que, caso se pretenda tributar esses valores, estar-se-ia diante de duplicidade de tributação (bis in idem), já que eles compõem a renda do alimentante (que transfere os recursos ao alimentado).

O julgamento teve seu trâmite suspenso por pedido de vista do Min. Alexandre de Moraes, mas está prestes a voltar a ser apreciado. A previsão é que seja retomado nesta sexta (04/02), no Plenário Virtual.

A expectativa para esse julgamento é grande e bem positiva. Por isso, considero ser uma excelente tese. Afinal, todo mundo conhece alguém que recebe pensão alimentícia. Também é uma ótima oportunidade para fazer parcerias com advogados de Direito de Família, pois eles têm muitos clientes nessa situação.

Vale lembrar que, além da medida judicial para impedir o recolhimento indevido, você poderá recorrer ao Judiciário para

recuperar os valores indevidamente recolhidos nos últimos 5 anos!

4.2.

NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS MORATÓRIOS

Como já comentei no Capítulo 1 deste e-book, ao mencionar a gama imensa de possibilidades de prospecção de clientes, aqui você tem outra excelente tese para pessoas físicas. E o melhor: já decidida e pacificada pelo STF! Então, não haverá risco algum na sua adoção, facilitando demais o convencimento do cliente para adotar as medidas para recuperação de créditos tributários.

No julgamento do RE n. 855.091/RS, em 18 de junho deste ano, o STF fixou a tese de que: “não incide Imposto de Renda sobre juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função”.

A quem se aplica essa tese: a todos que tenham recebido remuneração em atraso, e, por conseguinte, acrescida de juros de mora. Pode ser um empregado que ingressou com reclamação trabalhista, pode ser um residente de medicina que recebeu os valores em atraso, pode ser um pensionista ou aposentado que precisou discutir judicialmente seu direito e recebeu valores acumulados, pode ser um servidor público etc.

São, portanto, inúmeras possibilidades.

E como chegar até esses clientes? Sempre se apresentando como tributarista, onde quer que você esteja. Até mesmo numa festa, faça questão de se apresentar como tal. Mas, além disso, é uma oportunidade para parcerias com advogados trabalhistas, advogados de servidores públicos e advogados previdenciaristas.

Esses advogados pleiteiam em juízo as remunerações, aposentadorias e pensões de seus clientes, que demoram anos e, quando pagas, vêm acompanhadas de juros de mora. E sobre esses valores, eles com certeza recolheram indevidamente imposto de renda.

Mas juros de mora, decidiu o STF, têm caráter indenizatório. Por isso, não se sujeitam a esse imposto. E, como NÃO houve modulação dos efeitos dessa decisão do STF, você pode atuar para todos que tenham recebido e, portanto, recolhido indevidamente o imposto nos últimos 5 anos.

É uma oportunidade de ouro! Para você, para o cliente e para o advogado parceiro.

Viu quantas teses e oportunidades estão aí, bem ao seu alcance? Então pare de procrastinar e comece a atuar agora mesmo!

Capítulo

5 O CURSO VOCÊ

No documento FABIANA DEL PADRE TOMÉ (páginas 57-62)

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