Polônia x Alemanha), feito pelo Embaixador polonês, nos Estados Unidos da
O DEPOIMENTO DE KURT GERSTEIN
B. Texto do documento
"Em janeiro de 1942 foi nomeado chefe dos serviços técnicos de desinfecção das armas SS, incluindo também uma secção de gases altamente tóxicos. Na qualidade esta, no dia 8 de junho de 1942 recebí a visita do SS Sturmführer Gunther, vestido de paisano. Me ordenou que o procurasse imediatamente, para uma missão ultra- secreta, 100 quilos de ácido prússico e que os levasse a um lugar que somente era conhecido pelo motorista do caminhão."
"Uma semana mais tarde, partimos para Praga. Eu imaginava mais ou menos para que serviria o ácido prúsico e o que havia por detrás daquela ordem, mas aceitei, já que a casualidade me brindava esta ocasião esperada desde há muito tempo, de peneirar até o fundo de todas aquelas coisas. Por outra parte, na minha qualidade de expert em ácido prússico, possuía tal autoridade que me seria fácil declarar, sob qualquer pretexto, que o ácido prúsico não estava em condicões de ser utilizado, que se havia estragado ou algo parecido, evitando assim que fosse empregado para ser empregado no extermínio. Levamos conosco, por casualidade, ao professor e Dr. em
medicina Pfannenstiel, SS-Obersturmbannführer, titular da cátedra de higiene da Universidade de Marburg."
"Partimos com o caminhão até Lublin - Polônia. Alí nos esperava o SS- Gruppenführer Globocnik. Na fábrica de Collin dei a entender a propósito que o ácido estava destinado a matar seres humanos. Na parte da tarde um homem mostrou muito interesse por nosso caminhão. Ao sentir-se observado desapareceu rapidamente. Globocnik nos disse: Este assunto é um dos mais secretos, para não dizer o mais secreto de todos. Quem falar a respeito será fuzilado imediatamente. Ontem mesmo dois charlatões foram fuzilados."
"Na atualidade — era o dia 17 de agosto de 1942 — existem 3 instalações: 1°. — Belzec, na rodovia Lublin-Lwow. Máximo por dia 15.000 pessoas. 2°. — Sobibor (não sei exatamente onde) 20.000 pessoas por dia. 3°. — Treblinka, a 120 km ao Noroeste de Varsóvia.
4°. — Maidanek, próximo de Lublin, em preparacão.
"Globocnik disse: Terão que desinfetar grandes quantidades de roupas procedentes de judeus, polacos, tchecos, etc. Ademais terão que melhorar o serviço de nossas câmaras de gás
[154] que funcionam com o escape de um motor Diesel. É necessário um gás mais tóxico e que atue com mais rapidez, tal como o ãcido prúsico. O Führer e Himmler estiveram aqui, anteontem, dia 15 de agosto, me ordenaram que acompanhasse pessoalmente a todos os que tinham a ver com a instalação (Hitler e Himmler não
podiam ficar fora da farsa).
"O professor Pfannenstiel lhe perguntou: - Mas que disse o Führer ? Globocnik respondeu: O Führer ordenou que se acelere toda a acão. O Sr. Herbert Linden, que estava conosco ontem, me perguntou: Não seria mais prudente queimar os cadáveres, em lugar de enterrá-los ? Outra geração pode julgar estas coisas de outra maneira."
"Eu repliquei (Diz eu, mas refere-se ao que Globocnik respondeu a
Hitler): Cavalheiros, se algum dia chegar a existir uma geração tão covarde e tão
débil que não compreendesse nossa obra tão boa e necessária, o nacional-socialismo não teria servido para nada. Pelo contrário, devia-se enterrar uma placa de bronze mencionando que fomos nós os que tiveram o valor de levar a cabo esta obra gigantesca. Então o Führer disse: — Sim meu querido Globocnik, você tem toda a razão ( ... )."
"No dia seguinte partimos para Belzec. Globocnik me apresentou ao SS Wirth (nome identificado com dificuldade ?) o qual me ensinou as instalações. Aquele dia não vimos nenhum morto, inas um fedor de peste enchia toda aquela zona. Ao lado da estação havia um grande barracão -vestuário, com uma tabuleta "Valores". Mais adiante uma sala com uma centena de cadeiras, "barbearia". Em continuação havia uma passagem de 150 metros ao ar livre, com arame farpado em ambos os lados e letreiros "Aos Banhos e às Inhalacões". Diante de nós uma casa tipo estabelecimento de banhos, à direita e esquerda grandes vasos de concreto contendo gerânios e outras flores. No telhado a estreia de David (!). Na fachada a inscrição: Fundação Heckenholt. "
"No dia seguinte, pouco antes das 7 horas da manhã, me anunciaram: Dentro de 10 minutos chegará o primeiro trem. Efetivamente alguns minutos após chegou um trem procedente de Lemberg — 45 vagões contendo mais de 6.000 pessoas."
"Duzentos ucranianos destinados para aquele serviço arrancaram as portas (!) e com uns chicotes de couro, sacaram os judeus de dentro dos vagões. Um alto-falante deu as instruções: (não indicou em que idioma): Desfazer-se de todas as roupas, inclusive as próteses. Entregar todos os objetos e valor e todo o dinheiro, na seção de
"Valores". As mulheres e as jovens passarão para o pavilhão de barbeiros, para o corte de cabelos. (Os ho
[155] mens não ?). Um Unterführer SS de serviço me disse: São para fazer algo especial para as tripulações dos submarinos."
"Em continuação, se inicia a marcha. À direita e esquerda os barracões, atrás duas dúzias de ucranianos, com o fuzil na mão. Se aproximam. Wirth e eu nos encontramos diante das câmaras da morte. Completamente nús, os homens, as mulheres, as crianças, os mutilados passam (não explica como se portam os
mutilados durante o desfile). Numa esquina, um SS alto, com uma voz de
predicador, fala aos coitados (não diz o idioma que fala o SS e nem a origem
dos judeus): — Não vos passará nada mal. Terão que respirar a fundo. Isto fortalece
os pulmões, é um meio excelente para prevenir enfermidades infecciosas, uma boa desinfecção." "Perguntam qual seria sua sorte. O SS diz: Os homens terão que trabalhar, construir casas e ruas. As mulheres não serão obrigadas a fazê-lo; se ocuparão da limpeza e da cozinha."
"Era para alguns daqueles coitados, um último sopro de esperanças, o suficiente para fazê-los marchar, sem resistência, para as camaras da morte. Mas a maioria deles sabia de tudo, o fedor era revelador. Sobem por uma pequena escada de madeira e entram nas câmaras da morte, a maioria sem dizer nada, empurrados pelos que vinham atrás. Uma judia de uns 40 anos, com os olhos em brazas, amaldiçoa os assassinos, e depois de levar umas chicotadas do próprio capitão Wirth, desaparece na câmara de gás. Muitos rezam, outros perguntam: Quem nos dará a água para a morte ? — ritual israelita —. Nas câmaras, uns SS empurram aos homens: Enchê-las bem, ordenou Wirth. De 700 a 800 em 93 metros quadrados (aqui, Poliakov aumentou de 25 metros quadrados, que constam do Processo Eichmann de Jerusalém e constantes do seu próprio livro ... ). As portas são fechadas. Naquele momento compreendo o motivo da inscrição Heckenholt. Heckenholt é o encarregado do motor Diesel, cujos gases de escapamento estão destinados a matar os infelizes. 0 SS-Unterscharführer se esforça para pôr em marcha o motor. Mas não funciona. Chega o capitão Wirth. É evidente, tem medo, já que eu assisto o desastre. Sim eu vejo tudo e observo. Meu cronômetro marca o tempo, 50 minutos, 70 minutos e o Diesel não funciona... Os homens esperam na câmara de gás. Em vão. Estão chorando como na sinagoga, diz o professor Pfannenstiel, olhando para dentro da câmara, pelo visor. O capitão Wirth, furioso, aplica umas quantas chicotadas no ucraniano que atua como ajudante de Heckenholt. Ao cabo de 2 horas e 49 minutos — (o relógio registrou tudo) — o Diesel se poe em marcha. Trans-
[156] correm 25 minutos. Muitos já estão mortos, como se pode ver pelo visor, já que uma lanterna ilumina por um momento o interior da câmara."
"Ao final de 32 minutos, finalmente, estão todos mortos. Do outro lado, uns trabalhadores judeus (!) abrem as portas de madeira. Foi-lhes prometido — por seu terrível serviço — salvar sua vida e uma pequena porcentagem (!) dos objetos de valor e do dinheiro encontrados. Como colunas de basalto, os homens continuam em pé, não tendo o menor espaço para cair ou para inclinar-se. Inclusive na morte se reconhecem as famílias ESTREITANDO-SE AS MÃOS". (Recomenda-se ao leitor
consultar algum médico conhecido, se a reação de uma pessoa que esteja sendo sufocada é de dar as mãos ao parente mais próximo... e peço perdoar-me por ter que entrar em detalhes tão terríveis, mas necessários para o entendimento).
"Custa separá-los, para esvaziar a câmara e preparar para o próximo carregamento. Tiram os cadáveres azulados, húmidos de suor e de urina, as pernas cheias de merda e de sangue menstrual. Duas dúzias de trabalhadores se ocupam de
controlar as bocas, que abrem por meio de uns garfos de ferro. Ouro do lado esquerdo, não há ouro do lado direito. Outros controlam os ânus e órgãos genitais, buscando moedas, diamantes, ouro, etc. Uns dentistas arrancam os dentes de ouro, pontes, coroas. No meio deles o capitão Wirth. Está no seu chão, o mostrando-me uma grande lata de conservas, cheias de dentes, me diz: Veja você próprio o peso do ouro. É unicamente de ontem e anteontem (Este capitão Wirth, conforme
linhas atrás do depoimento, mostrou todo o campo no dia anterior, inclusive o setor de banhos e instalacões e não tinha nenhum morto ... )."
"Não podes imaginar o que encontramos cada dia, dólares, diamantes, ouro. Verás por ti próprio, completa Wirth. Me levou junto a um joalheiro, que tinha a responsabilidade de todos aqueles valores. Me fez conhecer também a um dos chefes de um dos grandes armazens berlinenses, "Kaufhaus des Westens", e a um homenzinho que faziam tocar violino, os chefes dos comandos de trabalhadores judeus. É um capitão do exército imperial austríaco, cavalheiro da cruz de ferro alemã, me disse Wirth."