Figura 15 : Linhas de estudo da Linguística Textual (LT)
Fonte: Adaptado de Rocha (2017).
O fato de a LT definir o texto baseado em três grandes pilares já representa um grande avanço em sua definição visto que o texto era visto como um conjunto de frases.
Em linhas gerais, segundo Favero e Koch (2000), o estudo do texto passou a ter uma perspectiva mais interacional. É interessante destacar que no início da LT, essa ciência se preocupava mais com os aspectos sintático-semânticos da língua e não com o texto como unidade macro.
Isso durou até o começo dos anos 70, quando, segundo Koch (2000) começa a estudar o texto como unidade básica de sentido.
Com o passar dos anos, foi somente a partir da década de 80 que a LT começou a estudar o texto da forma que estuda até os dias de hoje, ou seja, desenvolvendo uma teoria textual consistente.
A partir de então ao Linguística Textual (LT) começa a entender o texto como uma manifestação linguística, sendo que ele representa a materialização máxima da língua, segundo Rocha (2007).
Koch (2014) afirma que a Linguística Textual (LT) vê o texto como uma unificação complexa e que é pertinente às ações humanas. Se pararmos para pensar, realmente o texto é uma unidade complexa visto que além de me preocupar com os fenômenos gramaticais, nós precisamos nos preocupar com o seu sentido e a forma que o enunciador vai interpretar a mensagem em questão.
Em outras palavras e levando em consideração a complexidade textual, entendemos que a LT aborda os seguintes aspectos na composição e na compreensão textual, segundo Rocha (2017):
• Linguístico;
• Paradigmático;
• Semântico:
• Gramatical;
• Lexical.
É a partir dessa grande diversidade textual que um texto deixou de ser estudado unicamente em sua forma escrita, ou seja, o texto passou a ter a sua versão oral.
Figura 16 : Tipos de Texto
Fonte: Adaptado de Rocha (2017).
Isso se dá porque também devemos levar em consideração os seguintes aspectos:
• Processo;
• Ação;
• Interação.
A LT defende que o falante de uma forma geral se comunica através de texto, ou seja, percebemos que a definição de interação mudou um pouco, não é mesmo? Antigamente, ao buscar em uma gramática, encontrávamos que o falante se comunica através da fala, mas isso também mudou graças ao estudo do contexto que será estudado em breve.
Figura 17 : Texto
Fonte: @pixabay.
É importante reforçar que foi a partir dos anos 90 que a LT começou a abranger outros elementos, como por exemplo o interacionismo e isso fez com que essa linha de pesquisa desenvolvesse os termos:
• Textualidade;
• Textualização.
A textualidade faz com que um texto seja entendido como uma estrutura complexa, ou seja, ele está além daquela definição gramatical que diz que o texto representa uma sequência de frases e/ou palavras.
Por outro lado, nós temos a textualização que está mais relacionado para a lógica do texto. Em suma, a textualidade estuda os elementos da coesão e a textualização estuda os elementos relacionados com a coerência.
Entende-se como coesão uma espécie de ligação entre as partes de um texto, uma espécie de conector de frases e palavras. O fato de trabalhar a coesão em um texto, segundo Koch (2010), faz com que possamos atribuir alguns elementos importantes em sua composição, como por exemplo:
• Legibilidade
A legibilidade é um elemento que faz a estruturação do meu texto, estabelece uma relação entre os termos do mesmo. Em outras palavras, a
legibilidade está relacionada ao uso de palavras adequadas para que um indivíduo se expresse de forma adequada.
Por sua vez, entendemos que a coesão se divide em duas partes:
Figura 18 : Tipos de Coesão
Fonte: Adaptado de Koch (2010).
A coesão lexical se dá quando em um texto há o emprego de sinônimos e antônimos; hipônimos e hiperônimos etc. Por outro lado, a coesão referencial, segundo Koch (2010), se dá quando alguns termos são mencionados no texto e dessa forma a sua linearidade não é perdida. A coesão referencial se divide em:
• Coesão Referencial Anafórica: é quando o termo mencionado está dentro do texto.
• Coesão Referencial Catafórica: é quando o termo mencionado está fora do texto.
IMPORTANTE:
Dentro da intertextualidade pode-se fazer menção a outro texto, podendo estar explícito ou disfarçado. Em outras palavras, seria a superposição de um texto a outro, uma adaptação.
Voltando a falar da textualização, temos a coerência que é construída pelos envolvidos no processo comunicacional e isso depende do/da, segundo Koch (2010):
• Situacionalidade;
• Intencionalidade;
• Aceitabilidade;
• Informatividade;
• Intertextualidade.
Dos elementos supracitados, já estudamos a intertextualidade.
Vejamos agora os que faltam definir. A Situacionalidade se relaciona a uma determinada situação de produção, por exemplo, se alguém pede para escrever o meu endereço, eu não posso escrever um poema, em outras palavras, precisamos saber o que escrevemos e em que contexto isso está acontecendo. A Intencionalidade é um termo que surgiu com a Análise do Discurso (AD) e se relaciona ao efeito discursivo que quero causar nos meus interlocutores, ou seja, qual é a minha real intenção em produzir um determinado texto?
Por outro lado, temos a Aceitabilidade que não vai depender do emissor, mas sim do receptor. Para que um texto seja aceito ou refutado, devemos considerar alguns aspectos, como por exemplo:
• Ideologia;
• Aspectos culturais;
• Pontos de vista;
• Argumentação;
• Persuasão.
Enfim, podemos elencar facilmente uma série de fatores que fazem com que o receptor aceite ou não a informação textual do emissor. Já a Informatividade se relaciona ao nível de informação que o emissor tem acerca de um determinado assunto para passar ao seu receptor, ou seja, será que o emissor tem conhecimento suficiente para passar uma determinada informação?
Figura 19 : Informação
Fonte: @pixabay.
Existem outros aspectos a serem trabalhado, porém, por uma questão de distribuição curricular, ficamos nessas definições supracitadas.