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Capela de Nossa Senhora dos Prazeres

Erguida possivelmente no início do século XVIII, a Capela Nossa de Senhora dos Prazeres nos remete aos primórdios da colonização mineira. Em 1725, a existência da Capela aparece demonstrada pela certidão de batismo de Anna, filha de Paschoal Ferreira da Costa e Josepha Cubas de Mendonça.

O batizado foi realizado pelo padre Antônio Moutinho, na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres. Os documentos podem ser encontrados na Casa Setecentista de Mariana.

A fachada da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres segue as características das primeiras matrizes mineiras: frontão triangular simples, sem ornamentação decorativa ou movimentação. As torres, em telhadinho, são características do período. A frente da Capela lembra muito a fachada do Rosário, de Mariana. Apesar da Capela hoje pertencer ao município de Ouro Preto, sua concepção está mais conectada à história da exploração de ouro na região da atual cidade de Mariana. Sabe-se que a ocupação da região onde atualmente se encontra Lavras Novas e a própria construção da Capela surgem como resposta à diminuição do ouro no entorno da cidade de Mariana.

A planta da Capela é do tipo retangular, composta por: nave, capela-mor, corredores laterais e sacristia. O corpo da Capela aparece circundado por muro de alvenaria arredondado. Na frente da Capela, há uma praça com canteiros e bancos, onde ergue-se uma cruz esculpida em pedra. O escudo e os adornos que enfeitam a portada possuem características do barroco e do rococó. Internamente, a Capela possui um conjunto de três altares. O altar principal, apesar de singelo, é mais elaborado que os outros e nos faz lembrar o estilo rococó. A parte de baixo dos púlpitos, como o cruzeiro, também é confeccionada em pedras de cantaria.

A Capela, apesar da sua simplicidade arquitetônica, possui grande relevância paisagística e cultural para a comunidade. Entende-se que nos primórdios da colonização mineira, o templo representava um ponto de referência para os antigos mineradores, que utilizavam o largo da Capela como ponto de reunião e até para breves acampamentos.

A topografia plana do local onde está a Capela contribui até hoje para realização de eventos culturais nos locais. A Capela é administrada pela Irmandade Nossa Senhora dos Prazeres, que cuida da conservação do monumento e da realização das missas e comemorações religiosas.

Os monumentos e a fé dos moradores

A devoção dos moradores de Lavras Novas é uma tradição que desde sempre vem norteando a organização social do Distrito. A Irmandade Nossa Senhora dos Prazeres, fundada em 1762 com a inauguração da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, mantém há várias gerações o controle social, político e religioso do Distrito. Entregar-se à fé e à devoção era uma forma de criar vínculos sociais. A adoração ao Padroeiro é o principal dever das Irmandades e por isso, quando combinada com as comemorações, representava um elemento primordial para a união do grupo.

A Irmandade funcionava como uma forma de aprendizagem dos parâmetros comportamentais pertencentes ao grupo.

Em Lavras Novas, desde os tempos setecentistas, a Irmandade Nossa Senhora dos Prazeres foi a protagonista no desempenho dos ofícios religiosos. Composta estritamente por homens nativos de Lavras Novas, atualmente a Irmandade atua na gestão da paisagem cultural, na organização das festividades religiosas, no apoio às missas e no culto à Padroeira, além de prestar assistência funeral aos seus membros. A organização Mesa Administrativa, criada como um “braço” gerencial da Irmandade Nossa Senhora dos Prazeres, tem a função de “porta voz” da padroeira, principalmente no que se refere às demandas administrativas que surgem oriundas da execução dos objetivos propostos pela Irmandade.

No passado as Irmandades criavam um calendário litúrgico com obrigações religiosas e festividades que arrecadavam recursos a serem utilizados na salvaguarda do patrimônio religioso. Percebe-se que essas práticas não se perderam com o tempo.

Na atualidade os membros da Irmandade Nossa Senhora dos Prazeres utilizam os eventos culturais e as festividades religiosas como ferramenta de preservação dos monumentos e na defesa da posse da terra. São realizados diversos eventos culturais na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres e no seu entorno. Os eventos trazem visibilidade para o patrimônio religioso material e imaterial do distrito garantindo a sua manutenção.

Fotos da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres

Figura 34- Vista frontal da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres Fonte: Arquivo pessoal. Data: dez/2016

Figura 35- Foto interna da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres Fonte: Arquivo pessoal - Data: Dez/2016

Figura 36 - Foto do altar principal da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres Fonte: Arquivo pessoal - Data: Dez/2016

Figura 37 - Apresentação da Orquestra de Ouro Preto, realizada na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres Fonte: http://www.orquestraouropreto.com.br/concerto/concerto-lavras- novas-ouro-preto-mg-series-orquestra-

Figura 38 - Apresentação musical no largo da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres Fonte: http://www.ouropreto.mg.gov.br/index.php?page=distrito&id=6. Data: Maio/2017

Figura 6 - Vista aérea da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres Fonte: retrip.com.br/o-que-fazer-em-lavras-novas/. Data: Abr/2017

Figura 7 - Vista aérea do entorno da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres Fonte: retrip.com.br/o-que-fazer-em-lavras-novas/. Data: Abr/2017

Curiosidades

A devoção a Nossa Senhora dos Prazeres ou Nossa Senhora das Alegrias originou-se em Portugal, por volta de 1590. Conta a história que a Virgem Maria apareceu em cima da fonte de água da cidade de Alcântara durante a peste. Após o aparecimento da imagem, curas milagrosas aconteceram na vida de pessoas que beberam a água da fonte. Por causa das peregrinações, os donos das terras onde ficam a fonte resolveram levar a imagem da Virgem para dentro da sua casa. A imagem, porém, desapareceu da casa aparecendo numa outra fonte.

Localização

Os visitantes não terão dificuldade de encontrar a Capela. Ela está localizada na rua principal de Lavras Novas, na área comercial do Distrito.

Fonte das informações: Ficha de Inventário - Prefeitura Municipal de Ouro Preto Autor: Angelo Antonio da Silveira