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CAPÍTULO II – A Construção da Linguagem Audiovisual

3.2. Vídeo 1 Interdisciplinaridade e Transversalidade

3.2.2. Texto

A formatação do texto em produções audiovisuais pode ser compreendida como um dos pilares essenciais para o entendimento do conteúdo de um vídeo.

O texto audiovisual é, acima de tudo, a linguagem utilizada para comunicar, informar, educar, explicitar, narrar e contextualizar por meio de imagens e ações o que se pretende abordar em um vídeo educativo. Neste sentido, Wohlgemuth (2005, p.87) destaca que a “pedagogia audiovisual tem por princípio recuperar, produzir, conservar e reproduzir o conhecimento popular, agregado ao conhecimento científico moderno sempre que necessário”. Desta forma, o texto audiovisual possibilita a obtenção de aprendizado e cultura.

Já Morin (2007) acentua que a cultura é o primeiro capital humano. E entre a cultura e a sociedade, a linguagem se destaca, por ser, segundo o autor, o nó de toda cultura.

Para o autor “a linguagem, portanto, é a encruzilhada essencial do biológico, do humano, do cultural, do social”. Vai além, descrevendo que para ele “o homem faz-se na linguagem, a linguagem está em nós e nós estamos na linguagem.” Por

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meio da linguagem nosso pensamento, nosso eu é traduzido de forma implícita e explicita (p.44-45).

Antes de prosseguir, cabe esclarecer que, além do texto audiovisual, um vídeo educativo requer o auxílio de textos acadêmicos. Em entrevista, Mônica Teixeira esclarece que os vídeos são baseados em problemas e evidencia essa dinâmica.

Na aprendizagem baseada em problemas é diferente, porque se tem um problema. E aí o problema determina o que é possível aprender, porque você vai aprender a partir das questões que o problema coloca. Nesse sentido a gente tem muito mais liberdade. E é muito menos baseado em textos. É muito mais baseado nas situações. Claro que é baseado nos textos, mas o ponto de partida não é o texto. Acho que essa é a diferença (TEIXEIRA, 2012).

Essa proposta é baseada em uma metodologia de ensino conhecida como Aprendizagem Baseada em Problemas (ou PBL, na sigla em inglês). Guimarães (2010), em uma reportagem sobre um congresso realizado na USP e que discutiu a aprendizagem baseada em problemas destaca:

Mais que um método, a PBL consiste em uma concepção diferenciada da relação entre ensino e aprendizagem. Isso significa que o aluno não será mais agente passivo nessa relação. Será agente ativo e tenderá a desenvolver uma situação de autonomia no aprendizado (GUIMARÃES, 2010).

Mesmo tendo esse direcionamento, para se conceber um vídeo é preciso atentar-se para a estrutura do texto. Wohlgemuth (2005) destaca que essa linguagem é tanto audível como visível. “Tudo aquilo que pode ser explicado pela imagem não precisa ser repetido pelo áudio, para não criar uma redundância”. O autor ainda explica que “a imagem e o áudio são complementares e, assim, originam o audiovisual (mensagens múltiplas)” (p.50).

No vídeo pode-se analisar ainda que o texto é atrelado a diversos outros elementos. “A narrativa da televisão é feita de imagens e sons, mas também de tempo e espaço”, enfatiza Coutinho (2005). Para a autora, essa observação da linguagem audiovisual deve ser compreendida pelo viés estético, pois “fala mais ao sensível que à razão, mais ao emocional que ao consciente” (p.21).

Observou-se ainda que o texto do vídeo Interdisciplinaridade e

Transversalidade é abundantemente indicativo. O vídeo é iniciado com uma

sequência de narrações com dados de coordenadas de latitude e longitude. Após essa abertura, a narradora apresenta uma das alunas presentes no vídeo. “Esta é Alejandra, é do Ribeirão Anhumas que ela e os outros estão falando”. (01’19” – 01’44”). E essa indicação está presente em diversos momentos do vídeo, como no trecho abaixo:

Isto é uma aula, uma maneira diferente de ensinar e de aprender. Aqui os professores estão utilizando a interdisciplinaridade e a transversalidade. Para entender esses dois conceitos, ouvimos o professor Nilson José Machado, que é da Faculdade de Educação da

Universidade de São Paulo, a USP. (02’14” –02’34”).

O texto se destaca pelas palavras isto e aqui. Além disso, esse trecho é acompanhado por imagens do professor falando com os alunos no meio de uma rua, uma aluna escrevendo em uma prancheta e na aparição do professor Nilson José Machado andando junto à jornalista/narradora.

Aos 5 minutos do vídeo a narradora apresenta três professores da escola Ana Rita que desenvolvem na prática a Transversalidade e a Interdisciplinaridade com os alunos. Neste momento, o texto é casado com as imagens, com a arte e com as indicações da narradora. A tela é dividida em três e conforme ela vai apresentando os professores, entram as imagens dos mesmos. “Fabiana é professora de Química. Ederson é professor de Geografia e Patrícia de Língua Portuguesa”. (05’02” – 05’37”).

Outro exemplo desse texto audiovisual é encontrado aos 7 minutos e 50 segundos do vídeo. Neste trecho, a narradora diz “está é a segunda parte da atividade”, neste momento aparecem imagens em sequência do corredor da escola com vários alunos caminhando para porta de saída.

Da mesma forma, essa particularidade textual faz-se presente aos 8 minutos e 24 segundos, na qual a narração diz: “O Ribeirão Anhumas recebe em suas águas, além dos esgotos não tratados de residências, resíduos químicos industriais da região. Olha aí a transversalidade na aula de Química”. (08’24”– 08’33”).

Já aos 9 minutos e 30 segundos, o vídeo indica “este é Maurício Compiani”. Neste trecho, as imagens revelam o ambiente externo próximo ao Ribeirão

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Anhumas. Essa apresentação serve para introduzir a entrevista (sonora) com o docente da Unicamp, responsável por realizar a capacitação dos professores envolvidos no projeto.

Logo, o texto audiovisual pode ser denominado como indicativo tanto pelas palavras empregadas, como pelas imagens que são utilizadas. Neste sentido, Barbeiro e Lima (2002, p.95-96) destacam que “o primeiro passo para a redação de um texto na TV é conhecer as imagens que poderão ser usadas na edição” e segue apontando que “é preciso saber o que usar para fazer o casamento da palavra com a imagem. Não descreva no texto exatamente o que está na imagem. O resultado será a redundância”.

Além disso, outra constatação em relação ao texto no vídeo é que, em alguns momentos, ele é introdutório para outro elemento audiovisual que virá na sequência, como por exemplo, uma entrevista (sonora) ou a inserção de som ambiente (sobe som).

A eficácia de comunicação dos meios eletrônicos, em particular da televisão, deve-se também à capacidade de articulação, de superposição e de combinação de linguagens diferentes – imagens, falas, música, escrita – com uma narrativa fluída [...] (MORAN, 2005, p.97).

Nota-se, portanto, que há uma preocupação com o texto audiovisual. Essa atenção é iniciada no trabalho da produção e na formatação do roteiro, como veremos no próximo vídeo Cidade Educadora: Para entender a Estação da Luz. No entanto, o texto, que apresenta particularidades e articulações, deve ser pensado em sua totalidade. Assim como outros componentes audiovisuais ele “remete à articulação dos pares binários: parte-todo, simples-complexo, local-global, unidade- diversidade, particular-universal”, ressalta Santos (2008, p.73), ao se referir às características do princípio holográfico na área educacional pelas possibilidades e dinamismos.

A visão holográfica abre nova perspectiva aos pesquisadores da área educacional. [...] Trata-se de atuar em duas direções opostas: contexto e unidade simples (todo e parte), estabelecendo a interligação dinâmica (SANTOS, 2008, p.73).

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