3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 TIPO DE ESTUDO
Objetivando uma maior compreensão acerca do processo de participação social do Plano Plurianual Participativo 2016-2019 do Rio Grande do Norte, o presente trabalho possui natureza descritiva-exploratória e método misto (quali-quantitativo). Assim, conforme as análises de Collins e Hussey (2005) a respeito da pesquisa exploratória, observa-se que ela pode ser considerada como aquela que é “realizada sobre um problema ou questão de pesquisa quando há pouco ou nenhum estudo anterior em que possamos buscar informações sobre a questão ou o problema”. (COLLINS; HUSSEY, 2005, p. 24).
Esse tipo de estudo tem como objetivo “[...] procurar padrões, ideias ou hipóteses, em vez de testar ou confirmar uma hipótese” (COLLINS; HUSSEY, 2005, p. 24). Além disso, suas técnicas estão direcionadas ou associadas a uma hipótese ou proposição que pode ser testada através estudos empíricos que utilizam dados tanto quantitativos quanto qualitativos e, seu método é bastante amplo. Ainda para Collins e Hussey (2005, p. 24)
Técnicas típicas usadas em pesquisas exploratórias incluem estudos de caso, observação e análise histórica, que podem fornecer dados quantitativos e qualitativos. O método para a pesquisa é geralmente muito aberto e concentra-se em reunir uma ampla gama de dados e impressões.
Dessa forma, o presente trabalho exige uma abordagem de análise que Creswell (2010, p. 238), caracterizada como uma pesquisa que emprega análise dos métodos mistos, a qual permite uma interligação entre os enfoques qualitativos e quantitativos, utilizando os potenciais dessas metodologias, conferindo maior credibilidade aos cruzamentos de dados e informações e, assim, transformando-as em uma construção uniforme (CRESWEEL, 2010, p. 238).
A estratégia de métodos mistos utilizada foi a Estratégia Exploratória Sequencial. Inicialmente, ela utiliza uma fase de coleta e de análise dos dados qualitativos e, em seguida, ocorre a segunda fase de coleta e de análise dos dados quantitativos, que é realizada sobre os
resultados da fase qualitativa. O maior peso é conferido à primeira fase e os dados são ajustados por sua vinculação entre a análise dos dados qualitativos e a coleta dos dados quantitativos. Dessa forma, fica evidente que o objetivo dessa estratégia é empregar os dados e resultados quantitativos para auxiliar na compreensão dos dados qualitativos (CRESWEEL, 2010, p. 248). Esses dados quantitativos advêm do levantamento documental, em especial dos formulários das oficinas temáticas, dos quais foram realizadas Análises Exploratórias de Dados (doravante AED).
No tocante aos dados qualitativos, eles foram importantes para a obtenção de informações com atores qualificados, por meio dos roteiros de entrevista e de conversas informais acerca do processo de elaboração e participação social do Plano Plurianual Participativo 2016-2019 do Estado do Rio Grande do Norte. Além disso, foi realizado levantamento documental dos materiais gerados no processo de planejamento, quais sejam, formulários, relatórios, listas de credenciamento, fotos, dentre outros que auxiliaram na análise desse processo de planejamento governamental e na determinação da escada da participação cidadã.
Esse processo de coleta ocorreu entre os meses de agosto e setembro de 2020. Inicialmente se deu pelo levantamento de informações contidas na lista de credenciamento1, para sabermos quais conselhos e técnicos estaduais participaram dos Encontros Territoriais. Em seguida, entramos em contato por meio telefônico (ligação e/ou WhatsApp) e por e-mail. Após o contato e realizadas as tratativas para a participação, foram feitas as entrevistas, seja por meio do envio de arquivo digital por e-mail e WhatsApp, seja por meio de áudios via WhatsApp. Posteriormente, as informações por áudio foram transcritas, e em conjunto com as enviadas por formato digital, foram analisadas, interpretadas e incorporadas ao trabalho de pesquisa.
No tocante às limitações da pesquisa qualitativa, as maiores dificuldades estão relacionadas à Pandemia do Novo Corona Vírus (COVID-19), isso porque, inicialmente estava trabalhando remotamente o que inviabilizou, por um tempo, a continuidade da pesquisa, pois parte das informações necessárias para a seleção e contatos das pessoas estavam nos arquivos da SEPLAN. Assim que retornamos ao trabalho presencial no início do mês de agosto do corrente ano, iniciamos a retomada da pesquisa. Outro ponto a esse respeito foi a dificuldade em entrar em contato com um dos presidentes de um dos Conselhos
1 Lista de credenciamento refere-se a lista geral de presença em cada Encontro Territorial Participativo para
Elaboração do PPA 2016-2019. Nessa lista, estão os nomes e informações de todos os presentes, independente dele ir apenas para a abertura do evento ou não.
Estaduais. Também tivemos que substituir um dos presidentes de outro Conselho Estadual escolhido para a pesquisa por sua vice, por este não ter encaminhado a entrevista, mesmo sendo contatado por diversas vezes. Também tivemos que substituir um dos técnicos estaduais por outro técnico que participou do processo de elaboração do PPA em estudo. Por último, o retorno das pesquisas enviadas por meio dos arquivos digitais demorou um pouco, estendendo o período programado para essa etapa.
Já quanto aos dados quantitativos, inicialmente pensávamos em aplicar um questionário fechado (composto por questões de identificação pessoal e questões que utilizam a escala de conceitos: Péssimo; Ruim; Regular, Bom e Ótimo) com os atores qualificados – que seriam tabulados e analisados, e nos ajudaria na compreensão desse planejamento participativo, na análise dos dados e resultados qualitativos e na construção de melhorias metodológicas na participação social para o próximo Plano Plurianual.
Entretanto, a partir dos resultados prévios obtidos pela pesquisa qualitativa, optou-se para a utilização na quantitativa pela lista de presença2 dos participantes das oficinas temáticas, dos “Encontros Territórios”. Nessa listagem, foi possível identificar o nome do participante, a entidade que o mesmo pertencia e outras informações. Dessa maneira, com os dados tabulados e analisados a partir das categorias definidas (Público, Privado e Sociedade), foi possível a compreensão desse momento participativo, na análise dos dados e resultados sobre a representatividade de cada categoria, além de termos identificado pontos a serem melhorados na metodologia participativa para a próxima elaboração. Esses dados possibilitaram a contextualização dos dados presentes no perfil dos participantes, a partir dos questionários que viabilizaram um pano de fundo que reforça as análises qualitativas.
A coleta dos dados quantitativos ocorreu durante os meses setembro e outubro, e foi realizada nos arquivos da própria SEPLAN (tanto em meio físico quanto digital), especificamente, na Coordenadoria de Planejamento, Acompanhamento e Controle – COPLAC, referentes à elaboração do Plano Plurianual 2016-2019. O processo de análise, tabulação e compilação ocorreu durante os meses de setembro e outubro, tanto na própria SEPLAN quanto em minha residência.
Durante a coleta houveram algumas limitações surgidas durante o percurso, devido principalmente à Pandemia da COVID-19. Por causa dessa pandemia, ficamos trabalhando remotamente e os documentos necessários que continhas os dados estavam nos arquivos da SEPLAN, fazendo com que inviabilizasse, por um momento, a continuação da pesquisa.
2 Lista de presença refere-se à relação dos participantes que estiveram presentes em cada oficina temática
Outra limitação refere-se às Listas de presença das oficinas temáticas, ao analisarmos os arquivos que continham as informações para a análise e tabulação dos dados quantitativos, verificou-se a existência de inconsistências no quantitativo de participantes nas oficinas, fazendo com que demandasse mais tempo para interpretação, análise, tabulação e compilação das informações.
Neste sentido, utilizamos essa abordagem porque suas vantagens estão relacionadas à combinação de investigação qualitativa e quantitativa e ao uso de métodos múltiplos para a construção da pesquisa, que não se torna apenas um produto de um procedimento específico ou de alguma situação particular, ela vincula os dois tipos de dados a uma construção única, abrangendo a máxima amplitude na descrição. Ou seja, a explicação e compreensão dos problemas do objeto de estudo será mais coerente e confiável. Em contrapartida, as desvantagens direcionam-se à “[...] necessidade de uma extensa coleta de dados, a natureza de tempo intensivo da análise de dados textuais e numéricos, e a exigência de que o pesquisador esteja familiarizado com as formas de pesquisa quantitativas e qualitativas” (CRESWEEL, 2010, p. 241).
Assim, para proporcionar mais relevância e coerência ao trabalho, a pesquisa teve como subtipo o Estudo de Caso que se refere a uma abordagem metodológica de investigação especialmente adequada quando procuramos compreender, explorar ou descrever acontecimentos e contextos complexos, nos quais estão simultaneamente envolvidos diversos fatores e setores. Segundo Yin (2001):
[...] o estudo de caso representa uma investigação empírica e compreende um método abrangente, com a lógica do planejamento, da coleta e da análise de dados. Pode incluir tanto estudos de caso único quanto de múltiplos, assim como abordagens quantitativas e qualitativas de pesquisa (YIN, 2001, p. 10).
Neste sentido, foi utilizado o estudo de caso por se tratar de importante estratégia metodológica para a pesquisa em ciências humanas e sociais, pois permite ao investigador um aprofundamento em relação ao fenômeno estudado, revelando nuances difíceis de serem enxergadas “a olho nu”. Além disso, esse tipo de estudo favorece uma visão holística sobre os acontecimentos da vida real, destacando-se seu caráter de investigação empírica de fenômenos contemporâneos.
O Estudo de caso contribuiu para analisar, mais específica e detalhadamente, o processo de participação social do Plano Plurianual Participativo 2016-2019 do Estado do Rio Grande do Norte, por meio de dados qualitativos e quantitativos; utilização de fotografias, imagens e figuras que auxiliaram na compreensão dos encontros territoriais; e informações
coletadas na Coordenadoria de Planejamento, Acompanhamento e Controle – COPLAC, da SEPLAN-RN. O estudo de caso também possibilita diversas formas de uso de diferentes estratégias de pesquisa, além de representar uma definição operacional e possíveis variações.