2.2. Instituição: Jardim de Infância
2.2.1. Tipo de Instituição e Funcionamento Global
O Jardim de Infância onde o nosso estágio foi realizado é uma Instituição da Rede Pública do Ministério da Educação, sendo que “consideram-se integrados na rede pública os estabelecimentos de educação pré-escolar a funcionar na directa dependência da administração central, das Regiões Autónomas e das autarquias locais” (Lei nº 5/97, capítulo V, artigo 13º: 24) e pertence ao Agrupamento (“unidade organizacional, dotada de órgãos próprios de administração e gestão, constituída por estabelecimentos de educação pré-escolar e escolas de um ou mais níveis e ciclos de ensino (...)” (Decreto- Lei nº 75/2008: 2344)) Vertical de Escolas Diogo Cão (AVEDC), sendo constituído por 23 Jardins de Infância, 25 Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico e 1 escola do 2º e 3º ciclo. Os seus principais órgãos são o diretor (“órgão de administração e gestão do
agrupamento de escolas nas áreas pedagógica, cultural, administrativa, financeira e patrimonial” (Regulamento Interno AVEDC, 2009:14), conselho geral (“órgão de direcção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade do Agrupamento, assegurando a participação e representação da comunidade educativa” (Regulamento Interno AVEDC, 2009:12), conselho pedagógico (“órgão de coordenação e supervisão pedagógica e orientação educativa do agrupamento de escolas nomeadamente nos domínios pedagógico-didáctico, da orientação e acompanhamento dos alunos e da formação inicial e contínua do pessoal docente e não docente” (Regulamento Interno AVEDC, 2009: 15) e conselho administrativo (“órgão
deliberativo em matéria administrativo-financeira do agrupamento de escolas, nos termos da legislação em vigor” (Regulamento Interno AVEDC, 2009:17).
Neste agrupamento existe um Regulamento Interno, documento fundamental para o funcionamento de cada instituição, que foi lido e aprovado por todos os encarregados de educação e sempre que necessário será consultado pelos mesmos.
Nele encontram-se vários pontos fundamentais para o funcionamento de uma instituição. Trata-se de um:
“documento que define o regime de funcionamento do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada, de cada um doa orgãos de administração e gestão, das estruturas de orientação e dos serviços administrativo, técnicos e técnico-pedagógicos, bem como os direitos e os deveres dos membros da comunidade escolar” (Decreto-Lei nº 75/2008: 2344, artigo 9º).
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Tal como é referido no Regulamento Interno do AVEDC (2009: 3), o respetivo documento:
“estabelece a composição e as competências dos diversos órgãos de administração e gestão, das estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica e dos serviços, bem como um conjunto de normas, regras e procedimentos que visam contribuir para um bom funcionamento do agrupamento, para a defesa dos bens comuns e para o desenvolvimento de atitudes de respeito mútuo, de convivência tolerante, justa e autónoma”.
Existe também um Projeto Educativo (PE) (“Excelência +, Cidadania +”) e um Projeto Curricular (PCA) que são comuns a todas as instituições. Quanto ao PE este pode ser definido como:
“um documento elaborado por uma equipa com a participação da comunidade educativa (alunos, professores/educadores, pais e restante pessoal) que estabelece as linhas mestras pelas quais a escola se rege. Tal documento levará em conta: factores pessoais, (...) relacionais, (...) estruturais e (...) pedagógicos, sendo, por isso, um documento de escola” (Ricardo; Costa; Pinto & Braga, 2000:41).
O PE abre novos motivos de interesse e de realização pessoal aos educadores, apresentando como grande potencialidade, a sua obrigatoriedade de participação dos vários atores no processo educativo. Ele pressupõe autonomia, que por sua vez, pressupõe a disponibilidade de prestar contas.
Também as OCEPE (Ministério da Educação, 1997: 43-44) esclarecem que:
“(...) o projecto educativo do estabelecimento deverá explicitar, de forma coerente, valores e intenções educativas, formas previstas para a concretizar esses valores e intenções (estratégias globais, horário, actividades colectivas, etc) e os meios da sua realização [, devendo este mesmo projeto educativo] envolver todos os adultos que exercem um papel na educação das crianças: a direcção e/ou o director pedagógico, o educador, o pessoal auxiliar e os pais”.
Nas palavras de Alves (1992), citado em Ricardo, Costa, Pinto & Braga (2000: 41), PE é um documento:
“que orienta a acção educativa, que esclarece o porquê e para quê das actividades ecolares que diagnostica os problemas reais e os seus contextos, que exige a participação crítica e criativa (...) de generalidade de actores que prevê e identifica os recursos necessários de forma realista (...) e que sabe o que avaliar, para quê, como e porquê”.
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João Barroso (s/d), citado em Ricardo, Costa, Pinto & Braga (2000: 41), sugeriu que, “o projecto educativo corresponde a um conjunto de princípios, valores e políticas capazes de mobilizarem a acção da escola e a tomada de decisões”.
Por fim, Costa (1991), citado em Ricardo, Costa, Pinto & Braga (2000: 41), diz- nos que um “documento essencialmente pedagógico que estabelece a identidade própria da escola através da adequação do quadro legal em vigor à sua situação concreta, apresenta um modelo geral de organização e os objectivos pretendidos pela Instituição (...)”, bem como “diz respeito ao conjunto de decisões ligadas às opções curriculares e organizacionais da resposta socioeducativa encarada numa perspectiva institucional” (Mendonça, 2002: 32).
Assim sendo, trata-se então de um documento elaborado por uma equipa com a participação da comunidade educativa, ou seja, alunos, professores/educadores, pais, etc., e onde são estabelecidos um conjunto de princípios e regras pelas quais a escola se rege, sendo também um instrumento de gestão e de autonomia e onde é:
“(...) consagrada a orientação educativa do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada, elaborado e aprovado pelos seus órgãos de administração e gestão para um horizonte de três anos, no qual se explicitam os princípios, os valores, as metas e as estratégias segundo os quais o agrupamento de escolas ou escola não agrupada se propõe cumprir a sua função educativa” (Decreto-Lei 75/2008:2344, artigo 9º).
Relativamente ao Projeto Curricular de Grupo/Turma (PCG/PCT), segundo a circular nº 17/DSDC/DEPEB/2007, emanada do Ministério da Educação, este é um “documento que define as estratégias de concretização e de desenvolvimento das orientações curriculares para a educação pré-escolar, e do Projeto Curricular de Estabelecimento/Escola, visando adequá-lo ao contexto de cada grupo/turma”.
Este documento tem então como objetivo dar ao educador uma estrutura de organização pessoal tendo em consideração os interesses, saberes e personalidade do grupo com que vai trabalhar.
Outro documento comum ao Agrupamento de Escolas em questão é o Projeto Curricular de Agrupamento (PCA), sendo este um:
“documento que define as estratégias de desenvolvimento do currículo, visando adequá-lo ao contexto de cada estabelecimento/escola ou de Agrupamento e integrado no respectivo Projecto Educativo [, tendo] em conta as características do grupo e as necessidades das crianças” (circular nº 17/DSDC/DEPEB/2007).
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Este projeto tem como função servir de instrumento de gestão pedagógica de maneira a orientar a ação dos agentes educativos, tendo em vista uma maior cooperação, articulação e coerência. Serve também como estímulo à reflexão e com ele pretende-se dinamizar a escola e contribuir para o sucesso escolar dos alunos.
O presente documento terá como referencial o Currículo Nacional e os princípios gerais do PE, adaptando este currículo às opções de cada escola, com vista a promover o desenvolvimento de competências e dar resposta aos problemas da mesma. O PCA é adequado depois no PCT de acordo com os alunos, a sua caraterização e as suas necessidades. No PCA está definida a organização curricular para todos os ciclos desde a Educação pré-Escolar, as metas e os planos de ação prioritários, assim como, os problemas/necessidades diagnosticados pelos docentes. Nele estão também explanados os critérios de distribuição do serviço letivo, as competências a desenvolver pelos alunos, são definidas as linhas orientadoras para a elaboração do PCT e, por fim, são apresentados os critérios de avaliação.
Não posso deixar de referir também o Plano Anual de Atividades (PAA), tratando-se de um documento de planeamento, que define, “(...) em função do projecto educativo, os objectivos, as formas de organização e de programação das actividades e que procedem à identificação dos recursos necessários à sua execução” (Decreto-Lei 75/2008: 2344, artigo 9º).