4. TERCEIRO MOVIMENTO: Como percorremos? Estabelecendo conexões:
4.1. Metodologia: caracterização do corpus de investigação
4.1.1. Tipologia: a pesquisa exploratória documental
Estabelecer meios para a coleta de dados não é tão fácil como se imagina. O apoio à literatura é de suma importância, pois embasam teoricamente o objeto de estudo, as formas de coleta e análise de dados bem como servem de suporte para uma pesquisa mais fidedigna e com caráter científico.
Partindo dessas premissas e de acordo com os estudos sobre pesquisas educacionais, percebe-se que há uma forte valorização da prática na formação docente, passando a ser tema central de investigação. E, por este motivo, escolhemos a pesquisa exploratória tipo documental: primeiramente realizamos uma pesquisa bibliográfica sobre os trabalhos já realizados sobre currículo, TDIC, Facebook na educação, formação de professores; em segundo momento, a pesquisa teve como foco o documento currículo das Tecnologias para Aprendizagem da cidade de São Paulo.
A pesquisa bibliográfica trata do levantamento, seleção e documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisado, em livros, revistas, jornais, boletins, monografias, teses, dissertações, em sites ou banco de dados de publicações, com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com todo material já escrito sobre o objeto de pesquisa.
Diante dessa perspectiva, utilizamos como bases de dados da revisão de literatura o banco de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e de Universidades Públicas (UNIFESP, USP, UNESP, UNICAMP) e privada (PUC), os periódicos da Scientific Electronic Library Online (SCIELO), a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDBTD) e artigos da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED).
Os descritores escolhidos para a realização da busca foram relacionados ao problema de pesquisa e aos objetivos deste trabalho, sendo eles: Currículo Tecnologias para Aprendizagem, Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), Formação Docente e suas derivações (Formação de professores, formação continuada de professores), Facebook e net-ativismo. Vale ressaltar que esses
descritores foram utilizados de forma combinada, com a intencionalidade de identificar pesquisas que se aproximem mais fielmente do nosso trabalho.
Qualquer tipo de pesquisa em qualquer área do conhecimento, supõe e exige pesquisa bibliográfica prévia, quer para o levantamento da situação em questão, quer para a fundamentação teórica ou ainda para justificar os limites e contribuições da própria pesquisa.
A pesquisa documental, enquanto método de investigação da realidade social, não traz uma única concepção filosófica de pesquisa, pode ser utilizada tanto nas abordagens de natureza positivista como também naquelas de caráter compreensivo, com enfoque mais crítico (SILVA e MARTINS, 2009). Essa característica toma corpo de acordo com o referencial teórico que nutre o pensamento do pesquisador, pois não só os documentos escolhidos, mas a análise deles deve responder às questões da pesquisa, exigindo do pesquisador uma capacidade reflexiva e criativa não só na forma como compreende o problema, mas nas relações que consegue estabelecer entre este e seu contexto, no modo como elabora suas conclusões e como as comunica. Todo este percurso está marcado pela concepção epistemológica a qual se filia o investigador.
No cerne da discussão aqui apresentada, adotamos uma abordagem qualitativa do método, enfatizando não a quantificação ou descrição dos dados recolhidos, mas a importância das informações que podem ser geradas a partir de um olhar cuidadoso e crítico das fontes documentais. Compreendemos ainda que, dependendo da área de pesquisa do investigador e dos interesses do estudo, documentos que podem ser desprezíveis para uns podem ocupar lugar central para outros (SILVA e MARTINS, 2009).
Todos esses conhecimentos são necessários a quem se propõe a realizar a pesquisa documental, bem como o gerenciamento equilibrado do tempo que se tem disponível para realizar a pesquisa. Ao recolher documentos de forma criteriosa o pesquisador passa a gerenciar melhor o tempo e a relevância do material recolhido, o que para alguns autores constitui a pré-análise.
No entender de Gomes (2007), o método está para além da técnica, pois considera quatro dimensões que demarcam esta diferenciação, quais sejam: a
epistemológica, pois a partir de um modelo de ciência se avalia se uma pesquisa é ou não científica; a teórica, que considera os conceitos e princípios que orientam o trabalho interpretativo; a morfológica, uma vez que se estrutura sistematicamente o objeto de investigação e, por último, a técnica, que se ocupa do controle da coleta de dados e do necessário diálogo entre eles e a teoria que os suscitou.
Note-se que no método da pesquisa documental a análise de conteúdo assume a característica de procedimento técnico e sistemático da investigação e, portanto, apresenta fases específicas. Depois de ser selecionada a amostra documental que, neste caso são os Documentos que norteiam o Currículo Tecnologias para Aprendizagem (Elaboração curricular, Orientações Didáticas e Currículo TPA) e os trabalhos acadêmicos que embasaram o Referencial Teórico e a Revisão de Literatura, segue-se o trabalho com a determinação de unidades de análises (SILVA e MARTINS, 2009).
Em relação à fase de análise, essa se dá quando a coleta de dados está praticamente concluída. Primeiramente organizamos todo o material coletado, separando-o em diferentes arquivos, segundo o tipo de instrumento ou a fonte de coleta. O passo seguinte foi a leitura e releitura de todo o material, identificando os pontos relevantes que estivessem de acordo com os objetivos da pesquisa.
Optamos, também, pela perspectiva de abordagem da internet como lugar de pesquisa que, embasados pelo referencial teórico, acreditamos que a rede é entendida como um elemento da cultura e não como uma entidade à parte. A intenção de pesquisar dados preexistentes na internet coloca o pesquisador diante de um contexto singular, uma vez que o campo emergente de estudos baseados na internet ainda não está estabelecido e a aplicação direta de metodologias estabelecidas ainda é incipiente.
A seguir apresentaremos os dados construídos ao longo desses movimentos e realizaremos algumas análises e considerações.
4.2. CONTEXTUALIZANDO DADOS CONSTRUÍDOS: ALGUMAS ANÁLISES