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2. Revisão da Literatura

2.3. O Relato do Risco

2.3.2. Tipologia de Riscos

Dado que são múltiplas as variáveis presentes no tecido empresarial, serão também múltiplos os fatores que afetam as mesmas e que, consequentemente, produzem um determinado ambiente de risco na obtenção dos resultados (Cea, 1995 e Lopo, 1999).

Os estudos levados a cabo até à data com o intuito de mensurar o risco, é de notar que os critérios utilizados para a classificação do risco seguiram critérios idênticos. De uma forma geral, as diferenças estão essencialmente nos termos usados para descrever as mesmas ideias, conceitos.

Neste contexto, apresentamos de seguida algumas tipologias de risco, adotadas por diversos organismos e autores.

A CNC (1996) no DC 17, ponto 4.2.1, carateriza o risco de forma idêntica à contida na IAS 32 “Instrumentos Financeiros: Divulgação e Apresentação” (IASB, 2004):

Risco de mercado:

Risco da moeda – Corresponde ao risco de flutuação do valor de um instrumento

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Risco da taxa de juro do justo valor – Compreende o risco de flutuação do valor de um

instrumento financeiro, devido a alterações nas taxas de juro do mercado;

Risco de preço – Depreende do risco de flutuação do valor de um instrumento

financeiro, como resultado de alterações nos preços de mercado, cujas alterações sejam causadas por fatores específicos ou por fatores que afetem todos os instrumentos negociados no mercado.

Risco de crédito – Inclui o risco de incumprimento de uma obrigação, por parte de um dos participantes, fazendo com que a outra parte incorra numa perda financeira;

Risco de liquidez ou risco de financiamento – Compreende o risco de dificuldades na obtenção de fundos para satisfazer compromissos associados aos instrumentos financeiros. O risco de liquidez pode resultar de uma incapacidade de vender rapidamente um ativo financeiro no fecho do mercado pelo seu justo valor;

Risco de taxa de juro do fluxo de caixa – Respeita ao risco de flutuação do valor dos futuros fluxos de caixa de um instrumento financeiro devido a alterações nas taxas de juro do mercado.

Solomon & George (2000), Papa (2007) e Serrasqueiro (2009), distinguem o risco de acordo com a sua natureza financeira ou não financeira

Risco Financeiro – Resulta da não adequação da gestão dos fluxos de caixa; de incerteza quanto à volatilidade das taxas de juro, taxas de câmbio, créditos e à variação dos produtos financeiros. O risco financeiro reveste-se de particular importância, no que respeita ao reporte financeiro, uma vez que está diretamente ligado aos ativos e os passivos monetários. Este tipo de risco subdivide-se em risco de preço (risco das taxas de juro, taxa de câmbio, capital próprio, de mercadorias e instrumentos financeiros), risco de liquidez e risco de crédito;

Risco Não-Financeiro ou Financeiro Indireto –Neste caso, os riscos são categorizados consoante a sua origem, distinguindo-se em:

Riscos externos - aqueles que resultam de circunstâncias externas à empresa e sobre os quais é mais difícil agir ou até mesmo quantifica-los. Estes resultam de fenómenos sociais,

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políticos ou económicos, e apenas podem ser minorados através de planos de contingência ou seguros.

Riscos internos - são os que resultam de circunstâncias internas, relacionadas com a

atividade normal da empresa.

Linsley & Shirves (2006) optaram por categorizar os riscos empresariais, conforme o esquema de classificação definido pelo ICAEW (1998) e posteriormente, por Kajüter (2003). Nesta classificação, o risco é diferenciado em risco financeiro, risco operacional, risco empowerment, risco tecnológico e processamento de informação, risco de integridade e risco estratégico. Esta classificação tem em conta o tipo de informação: se se é quantitativa ou não-quantitativa, se transmite boas, más ou notícias neutras e, por fim, se se refere a acontecimentos passados ou futuros.

De forma similar, Bozzolan & Beretta (2004) propuseram um modelo no qual o risco é classificado do seguinte modo:

Estratégico – No que respeita aos meios e formas de se atingir os objetivos, missão e desempenho;

Características da empresa – Refere-se à estrutura organizacional e financeira da empresa, nomeadamente, ao método de organização, gestão de recursos humanos, forma de como as operações são geridas, existência de alterações de propriedade, fusões e aquisições, estrutura tecnológica e processos de negócios;

Ambiente em torno da empresa – Diz respeito ao ambiente externo em que a organização está envolvida, designadamente à legislação e regulamentação política, económica, financeira, social e ambiental.

Outra classificação semelhante é apresentada por Jorion (1997) e Tirado & Cabedo (2003), que referem que as empresas estão sujeitas a três tipos de risco:

Risco de Negócio – Respeita ao ambiente interno da organização, ou seja, é o risco interno que a empresa enfrena ao tentar criar vantagens competitivas e criar valor para os acionistas e restantes stakeholders. Está diretamente relacionado com o setor de atividade em que a empresa opera, e inclui inovações tecnológicas, design dos produtos e marketing;

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Risco Estratégico –É um risco externo, o qual se relaciona com as mudanças no ambiente económico e político;

Risco Financeiro – Esta relacionado com possíveis perdas nos mercados de capitais.

Nem todos os tipos de risco afetam de igual forma as organizações. Deste modo, é fundamental identificar e gerir os riscos empresariais, o que implica delimitar prioridades, para que os mesmos possam ser adequadamente identificados e geridos para depois serem divulgados.

Para que a respetiva divulgação seja completa e eficiente deverá basear-se em quatro aspetos fundamentais: tipo de risco; referência temporal (futuro ou passado); impacto (positivo, negativo ou neutro); e a quantificação do impacto. É importante, contudo, realçar que nem sempre é possível determinar quantitativamente todos os riscos, pois, como já referido anteriormente, o risco está estritamente relacionado com a incerteza, que muitas das vezes é de difícil mensuração.

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