2.1 Gestão do conhecimento
2.1.2 Tipos de Conhecimento
O conhecimento é o que se extrai da aprendizagem e assimilação de informações quando estas estão contextualizadas. Assim, é necessário que o individuo enquanto participante de uma organização ou sociedade se atualize constantemente buscando de forma contínua novas informações relevantes e da mesma forma disponibilizando para as outras informações criadas por ele. Especificamente nas empresas, o conhecimento tem muito mais valor agregado quando ele é transferido e aplicado, tanto na estrutura quanto nos processos e produtos (ZANELLA, 2006).
De acordo com Zanella (2006), os tipos de conhecimento são:
Conhecimento Empírico: “é aquele obtido pelo acaso, ou pelo método de tentativa e erro, sem a necessidade de estudo prévio, pesquisa e aplicação. É conhecido por ser adquirido por observação e experiência vivida e transmitido por imitação ou de maneira informal” (Zanella, 2006).
Conhecimento Filosófico: Segundo Zanella (2006), é o tipo de conhecimento que se contrai baseado na razão e na reflexão podendo ser comparado à realidade de maneira mais ampla.
Conhecimento Teológico: De acordo com Zanella (2006) é o conhecimento no qual não é possível ser verificado e mesmo assim e considera indiscutível. É, portanto, apoiado em fundamentos místicos e religiosos.
Conhecimento científico: se caracteriza pela sua constante atualização e renovação além de ter sempre uma hipótese de comprovação, sendo resultado de uma fundamentada investigação regida por fatos e leis (Zanella, 2006).
Segundo Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento é criado a partir de uma estrutura ambígua e/ou paradoxal no qual dois elementos, aparentemente opostos, interagem: Conhecimento explícito e conhecimento tácito.
Autores como Carvalho (2012) citam que o conhecimento explicito é tangível, teórico e racional. Assim, entende-se de uma melhor forma esse conceito pois este tipo de conhecimento pode ser escrito na forma de formulas ou regras. O próprio termo “explícito” já sugere algo que é algo de mais fácil visualização e compreensão. Nas próprias palavras do autor, ele nos apresenta um conceito mais completo de conhecimento explícito: “Representa um conhecimento cristalizado que pode ser comunicado através de números e palavras e pode ser armazenado e transportado por meio de livros, banco de dados e até através de aulas e palestras “ (CARVALHO, 2012).
Ainda segundo Carvalho (2012), o conhecimento tácito é prático e empírico e é oriundo da experiência e de momentos vividos. Além disso, engloba conceitos de emoção e valores bem como crenças e intuições também. De forma resumida, o autor explica que o conhecimento tácito é determinante em nossas vidas pois nos dá uma visão de mundo sem que nós percebemos e corresponde àquele conhecimento que temos e não sabemos explicar da onde veio.
Também, essa pesquisa, baseou-se nos conhecimentos difundidos por Nonaka e Takeuchi (1997) que ilustram a obrigatoriedade da criação do conhecimento nas organizações e para tal, definem os dois tipos de conhecimento existentes:
Conhecimento Tácito: “É o conhecimento que está enraizado profundamente nas ações e experiências do indivíduo, como também nas suas emoções, ideias e valores. É um conhecimento construído de maneira lenta e gradual e que é aparentemente invisível pois se encontra na mente dos usuários” (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Conhecimento explícito: “É o conhecimento que pode ser expresso em palavras, números, gráficos e formas. É facilmente comunicado e compartilhado no formato de formulas, dados e procedimentos. Podem ser
quantificáveis e transmitidos de maneira formal e sistematizada. “ (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
De acordo com Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento tácito ainda pode ser decernido em outras duas dimensões: A dimensão técnica é onde se encontra as habilidades que são difíceis de serem discriminadas, ou seja, aquelas técnicas que adquirimos com nossa experiência e assim chamamos de habilidades informais. Essas habilidades, da dimensão técnica são conhecidas também como Know-how. Elementos como insights e inspirações nos ajuda a lembrar desse conceito. Já a dimensão cognitiva é construída a partir das nossas crenças, valores e emoções. Esses elementos estão enraizados em nós e os percebemos através de nossos costumes e hábitos. São aqueles conhecimentos que estão a tanto tempo conosco que achamos que já nascemos com eles.
Como veremos ainda neste levantamento teórico, Nonaka e Takeuchi (1997) nos afirmam que os conhecimentos tácitos e explícitos interagem entre si a todo o momento nas organizações e o resultado desta interação é um processo de criação e expansão do conhecimento. A Figura 2 ilustra essa interação:
Figura 2 - Quadro de interação entre conhecimento tácito e explícito
Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997).
Esses processos apresentados na figura acima formam o que podemos chama de base do conhecimento. Quando o processo está bem definido e acontece todas as etapas de conversão, o conhecimento é comunicado de diversas formas possíveis inclusive podendo ser interno ou externo à organização, existindo assim a interação necessária para a criação, expansão e manutenção do conhecimento na empresa. Porem, ainda é necessário que seja condensado à
cultura da organização a ideia de aprendizado e atualização continua (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Uma terceira teoria que corrobora para a criação dos conceitos de conhecimento é a da autora Angeloni (2002): ela nos diz que o conhecimento é tudo aquilo que uma organização ou uma determinada pessoa sabe. Podendo ter origem diversa e cronologia ampla. Ainda segundo Angeloni (2002), o conhecimento pode ser explícito, tácito, individual ou organizacional.
Os conhecimentos das organizações e dos atores que fazem parte dela tanto eles tácitos quanto explícitos não podem ser considerados isolados. Eles têm relação entre si, porque as pessoas interagem entre elas e para com a sociedade que está a sua volta, trazendo e levando informações constantemente. Assim Angeloni (2002) sintetiza que o desempenho organizacional está diretamente ligado com a combinação de conhecimentos tácitos e explícitos das pessoas entre si e das pessoas com a organização.
Independentemente dos tipos de conhecimento, o importante a ser lembrado é que todos, sem exceção, para existirem precisaram passar por um processo de aprendizagem, seja ele consciente ou não. Assim, fica claro a importância do aprendizado e que quando ele ocorre conseguimos capacitar as pessoas e as organizações e desenvolvendo, portanto, uma capacidade de compreender, analisar, julga e, principalmente, inovar maior (NONAKA, TAKEUCHI, 1997).