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Tipos de discursos

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CAPÍTULO II – LINGUAGEM E DISCURSO

2.1 Tipos de discursos

Para estabelecer uma apuração mais distinta do discurso, é preciso analisar a linguagem, com foco na análise de discursos. Assim, averigua-se que existem diversos formatos de discursos, como o religioso, político, social etc.. Para Verón (2005, p. 249), “o que varia de uma frase a outra não é o dito, mas a relação do locutor ao que ele diz, as modalidades de dizer”. Essa função nos veículos de comunicação cabe aos jornalistas ou aos colunistas contratados, que escrevem de acordo com a política, a ética e os valores dos meios em que trabalham.

Orlandi (1979) definiu um quadro epistemológico que apresenta a análise de discurso em três regiões de conhecimento cientifico:

- Ideológico-cultural: teoria das formações sociais e suas transformações transmitidas pelo materialismo histórico;

- Discursiva: Teoria da determinação histórica dos processos semânticos

Deste modo, uma mensagem nunca produz automaticamente um efeito. Todo discurso desenha um campo de efeitos de sentido e não um e único efeito tornando a relação produção-recepção é complexa.

Com pequenas alterações, muitas vezes nem sentidas pelos leitores, são inseridas de forma a persuadir e formatar sua opinião de acordo com o que é lido. Para Ducrot (1971), deixar entender os fatos que não queremos assinalar de modo explícito é apresentar, em seu lugar, outros fatos que podem aparecer como a causa ou a consequência necessárias dos primeiros. Deste modo, os verbos de opinião e os operadores argumentativos podem ser utilizados de forma a induzir o leitor a crer no que o veículo deseja.

Os discursos embutidos nestes textos e escritos pelos jornalistas, de acordo com a ética jornalística, deveriam seguir uma linha informativa textual. Porém, para Medina, o ser humano isolado é insuficiente para alcançar uma resposta satisfatória. O vazio que possui precisa ser preenchido, condicionando, assim o aparecimento de certo tipo de agente, os “trabalhadores intelectuais”. Esses seriam os meios de comunicação, os “mass media”. Neste caso, os jornalistas preenchem seus textos com opiniões próprias ou do veículo em questão.

Dijk segue uma linha parecida de pensamento, pois relata que o discurso chega a influenciar o raciocínio dos receptores, controlando indiretamente o pensamento dos leitores. Para ele, as ideologias e os valores podem ser construídos por meio do discurso que, além de outras instituições, também são oferecidos pelos meios de comunicação, já que cada palavra inserida num contexto do discurso jornalístico conta com uma carga ideológica por parte do enunciador. Quando analisados diretamente os textos que relatam os fatos do funk, é perceptível que há uma diferença de classes sociais (entre os leitores e os personagens das matérias). Em um dos leads é exemplificada a discriminação ao usar as palavras pobres, subúrbio e indigente. Gonçalves (2005) corrobora e completa dizendo que uma palavra pode ser entendida com diferentes formas, o que pode causar ainda mais impacto ao leitor- receptor.

Sabe-se que a palavra, inserida no contexto da comunicação, é prenhe de significados e de ideologias e que a escolha de uma e não de outra marca a posição do indivíduo frente ao fato abordado, ou seja, as palavras podem ocupar o lugar umas das outras, conforme o contexto, mas sempre imprimindo nuances diferentes de significação (GONÇALVES, 2005, pp. 35-52).

Para se ter um efeito desejado ou uma ênfase em algum aspecto, análises são feitas averiguando-se os textos e as imagens que compõe todo o cenário. Verificam-se os operadores argumentativos (KOCH, 1995), os verbos introdutores de opinião (MARCUSCHI, 1991), a utilização de gírias, paráfrases etc.. Mas, para se obter um retorno mais preciso destas análises, a contextualização temporal é fundamental para entender o motivo e os discursos utilizados.

A contextualização de tempo é um fator extremamente significativo, já que a potencialidade individual de necessidades influencia os padrões de atenção das pessoas para o conteúdo da mídia (DEFLEUR, 1993).

Mesmo com a criação do estereótipo, a imagem do funkeiro e do rapper exerce fascínio sobre um número de jovens que encontra na sociabilidade e nos estilos que promovem formas fundamentais de expressão e comunicação (HERSCHMANN, 1997).

Essa relação entre espaço social, o gosto e o estilo de vida de certos grupos de pessoas, as formas de consumo cultural, além das relações entre os discursos e os mercados simbólicos, são retratados por Bourdieu (2005) no contexto da modernidade nesta amplitude de contextualização e da oportunidade de acessibilidade a qualquer meio ou mensagem.

A análise de discurso é a construção de um dispositivo da interpretação, que tem como característica colocar o dito em relação ao não dito, o que o sujeito diz em um lugar com o que é dito em outro lugar (ORLANDI, 2000). Assim, não se busca uma verdade ou sobre o que é certo ou errado, mas se analisa qual o sentido linguístico e histórico.

Deste modo, o movimento funk é o objeto de estudo desta pesquisa por entender que, se o assunto é relevante para uma matéria, ele é de conhecimento do leitor e oferece certo sentimento neste que a lê, pois o próprio texto enunciativo já possui uma relação com o receptor, de modo que já se supõe a ligação entre eles (BAHKTIN, 1997).

O jornalista, desde que assume uma relação com o meio de comunicação e depois com o leitor, possui metaforicamente linhas de veracidade, objetividade e relação com tudo que for de extrema necessidade de seu leitor. Aqueles que produzem a revista devem seguir ideologicamente o mesmo discurso do veículo. Estes que estão relacionados com o discurso inserido sofrem uma carga de valores e ideologia. “Ao fazer parte de uma determinada comunidade (profissional, sectária, política, ideológica), o falante age como ideólogo, tendo restrita sua liberdade de produzir enunciados não alinhados com o arcabouço ideológico do grupo” (OLIVEIRA, 2008).

Gill (2002) conseguiu identificar pelo menos 57 variedades de análise de discurso. Em todas, encontrou uma origem comum na crítica à ciência social tradicional, o que lhe confere

uma base metodológica diferente. “Uma conclusão dessa posição epistemológica é que a análise de discurso não pode ser usada para tratar os mesmos tipos de questões como os enfoques tradicionais. Ela sugere, ao invés, novas questões, ou maneiras, de reformular as antigas” (2002, p. 245).

Deste modo, o conceito real da análise de discurso é o de “como práticas sociais determinadas pelo contexto sócio-histórico, mas que também são partes constitutivas daquele contexto (...) e cujas implicações político ideológicas procuravam desvelar, de um ponto de vista crítico” (PINTO, 1999, p. 17). Essa análise está relacionada com “a função das ideologias como constitutivas da produção/reprodução dos sentidos sociais, por força dos aparelhos ideológicos, desenvolvida por Louis Althusser” (PINTO, 1999, p. 17). Assim, das formas de discursos existentes, as que são de direto contato com a revista Veja e as matérias citadas nesta pesquisa são:

- Discurso autorizado: é proferido por alguém dotado de autoridade para ser o porta-voz de um determinado segmento ou instituição. Pode ser tanto de um médico, gerente ou de uma empresa, que neste caso é a Editora Abril, representada pelo jornalista que assina a matéria;

- Discurso autoritário: o enunciador impõe a vontade sobre o ouvinte/leitor, sem oferecer oportunidade de responder ou questionar. Significa a vontade de poder, de influenciar comportamentos;

- Discurso emocional: transmite mensagens pelo viés da emoção do significado presente no texto, não o impedindo de ser extremamente eficiente com a persuasão.

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