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4.3 Tradição, modelos e aspectos culturais

4.3.3 Tipos e modelos de artesanato em pedra-sabão

Atualmente a maioria dos artesãos não extrai a matéria-prima, esta é comprada de terceiros. Os artesãos relatam ser mais viável a compra da matéria-prima do que extraí-la e depois produzir as peças de artesanato. As oficinas pesquisadas neste trabalho são unidade fixas e utilizam energia elétrica nos seus processos produtivos. Além do artesanato com pedra-sabão, o principal item, as três empresas pesquisadas possuem outros negócios como a revenda de outros objetos que não sejam feitos de pedra-sabão e em um caso o artesão também possui uma mercearia.

Sobre os modelos de peças produzidas atualmente as identificadas nesta pesquisa foram: barril; bichinhos; castiçal; cinzeiro, dominó; esculturas; fonte/cascatas; imagem sacra; jarro-ânfora; luminária; panelas; formas; grelhas; porta-copo; porta-incenso; porta-joias; porta-livro; porta-retratos; relógio; tampa; vaso; jogo de xadrez e dama; taças; copos; pias; molduras de espelhos; aparadores; e mesas. Essas peças possuem ainda variações quanto ao modelo, tamanho e a cor da peça, a qual depende da matéria-prima utilizada e acabamento.

Sobre os processos artesanais encontrados atualmente, pode-se dizer que existe o modelo tradicional, o qual atende à demanda de objetos utilitários, como cestaria e panelas de pedra, argila ou ferro; o modelo em que o artesão torna-se um artista popular, neste a peça deixa de ser utilitária e passa a ter outros valores, como o de estima; e em contraponto a este último modelo está o modelo de “industrianato”, em que o artesão busca produzir mais peças uniformizadas e com menores custos, em uma tentativa de competir com a indústria

(ROMEIRO e ANDRADE, 2010)5. Além desses modelos, para o caso estudado – artesanato

em pedra-sabão - é possível citar outro exemplo que diz respeito às peças feitas por encomenda e que utilizam um dos dois modelos anteriormente citados, sendo esses: o artesanato tradicional ou o “industrianato”.

Quando se trata de um artesanato tradicional, geralmente o cliente busca adequar as características da peça original do artesão às suas necessidades ou tentar replicar uma peça anteriormente produzida pelo artesão. Como exemplo das modificações feitas à pedido do cliente, pode-se citar a solicitação da diminuição da altura de uma fonte para que ela se adéque ao espaço físico no qual ela será instalada. No caso do “industrianato”, geralmente são comerciantes que necessitam de uma determinada quantidade e modelo de peças e então, fazem esta encomenda para o artesão. No caso das peças de artesanato tradicional, essas geralmente possuem um valor monetário maior, já os “industrianatos” seguem o padrão de se caracterizarem por peças muito baratas.

No caso de SROP a presença do modelo de “industrianato”, de acordo com um dos entrevistados, foi intensificada com o surgimento no Brasil na década de 90 das “lojas de 1,99”, nas quais todos os produtos são vendidos pelo valor de R$1,99. Nestas lojas encontram-se substitutos para peças em pedra-sabão como porta-retratos, copos, jogos de dama e xadrez. Com isso, muitos artesãos viram-se instados em competir com essas peças e tentar assim garantir a sua subsistência. A venda de peças maiores e mais elaboradas, apesar de maior valor monetário, possuía uma demanda instável e, além disso, a quantidade de peças menores vendidas e/ou procuradas estava em decadência, com isso essa mudança de “estratégia”, de acordo com o artesão, se mostrava como a solução para esses problemas.

Na tentativa de atender à necessidade de padronização das peças, já que esta é uma característica do “industrianato”, outras demandas de organização da produção e também

5 ROMEIRO FILHO, E.; ANDRADE, J. S. de. Design of the oppressed: reflections on a Brazilian

outros problemas surgiram, entre esses se podem citar: a perda da identidade local do artesanato, como um dos exemplos tem-se a produção de estátuas do Cristo Redentor; a formação de preço dos produtos incorreta, os quais muitas vezes não cobrem o custo de produção; e, além disso, as maiores quantidades de itens produzidos implicaram também em maior quantidade de resíduo.

Ao produzir o “industrianato” de pedra-sabão, essas peças possuem um suposto menor custo de produção, suposto, pois não há mensuração dos reais custos das peças, e confirmando a experiência de alguns artesãos, observa-se que o desperdício da matéria-prima pode ser maior. Quando um artesão, na essência do que vem a ser produzir artesanato, possui alguma ideia sobre uma determinada peça, é viável que ele execute a sua ideia aproveitando ao máximo possível a matéria-prima que ele adquiriu previamente ou posteriormente à sua ideia. Ao produzir o “industrianato” as especificações das peças muitas vezes exigem um aproveitamento reduzido dos blocos de pedra-sabão, e, portanto, gerando maior quantidade de resíduo. Fato semelhante a este acontece quando há a exigência de um determinado cliente sobre as características que ele deseja que existam nas peças.

A produção do artesanato tradicional é representada principalmente pelas panelas, fontes, chafarizes e pias. Há casos em que o artesão é procurado por clientes a fim de produzirem peças semelhantes a outras anteriormente produzidas pelo artesão ou são procurados com uma determinada demanda específica, como uma pia batismal com determina dimensão, que atenda às características arquitetônicas da igreja em que será instalada e às especificações de usabilidade a pedido do pároco da igreja, por exemplo. Há também o caso de artesãos que tentam ou projetam migrar para o modelo de arte popular, buscando produzir peças únicas e que sejam reconhecidas como de sua autoria. Porém, devido à necessidade de sua própria subsistência ainda necessita produzir o que é mais procurado, que é o artesanato tradicional, o “industrianato” e as variações desses.