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TODO TEXTO TEM UM CONTEXTO

No documento linguagens codigos em br (páginas 108-111)

Agora que já temos critérios para identificar um texto, podemos observar alguns elementos que nos ajudam a interpretar os textos que estão à nossa volta.

Leia os textos a seguir:

Exemplo 2 - CAULOS. Só dói quando eu respiro. Porto Alegre: L&PM, 2001.p.9

IBIÚNA – Vendo sítio. Com 58.744m2

de área, casa 1.075m2 com 4 quantos,

2 suítes, piscina, sauna seca e a vapor, adega, salão de jogos, lago natural com peixes para pesca,

churrasqueira, fogão a lenha, forno de pizza, 2 casas de caseiro, campo de futebol gramado oficial, nascente e floresta naturais. Tratar com José Marques. (011) 1234-5678.

Texto 1 - O Estado de S. Paulo, São Paulo, 5 maio 2002. Caderno Classifolha. Imóveis. p. 6.

Essa diferença entre os textos 1 e 2 nos ajuda a compreender um aspecto muito importante sobre os textos: todos eles têm um contexto, ou seja, uma situação concreta em que são produzidos e, depois, lidos.

O CONTEXTO SOCIAL

Qual foi a situação concreta que motivou a redação do texto 1? Uma pessoa – o Sr. José Marques – deseja vender uma propriedade (seu sítio em Ibiúna) e a anuncia nos classificados de um jornal, para que as pessoas interessadas possam entrar em contato com ele. Então, quem escreveu o texto pensou em quem iria se interessar em comprar aquilo que ele tinha para vender. Poderíamos dizer, portanto, que o contexto desse texto é social (envolve relações entre pessoas de uma mesma sociedade).

O CONTEXTO CULTURAL

E qual seria a situação concreta de produção do texto 2? Como já dissemos, esse texto foi

publicado em um livro que tem por objetivo fazer as pessoas rirem (Comédias para se ler na escola). O autor do livro é um escritor e não pretende vender nenhuma propriedade. Na verdade, se lermos com atenção, veremos que quem anuncia um sítio, nesse caso, é “Deus”.

Essa informação, obtida no texto, é suficiente para percebermos que o autor pretende criar uma situação engraçada a partir da imaginação de que, depois de expulsar Adão e Eva do paraíso, Deus resolveu “vender” sua propriedade. Por isso o texto fala em “Água à vontade. Árvores frutíferas. Caça abundante. Um paraíso”. Para entender esse texto, temos de reconhecer as referências que faz a um outro texto, a Bíblia.

A Bíblia é um livro muito importante para todas as pessoas de religiões cristãs, mas é conhecido também por quem tem outras religiões. Algumas de suas passagens, como a expulsão de Adão e Eva do paraíso, fazem parte da cultura Ocidental. O contexto do texto 2 pode ser identificado como cultural, porque faz referência a conhecimentos transmitidos no interior de uma

SÍTIO – Vendo. Barbada. Ótima localização. Água à vontade. Árvores frutíferas. Caça abundante. Um paraíso. Antigos ocupantes despejados por questões morais. Ideal para casal de mais idade. Negócio de Pai para filhos. Tratar com Deus.

Texto 2 - VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 143.

Você deve ter percebido que esses dois textos são diferentes, embora tenham uma apresentação muito semelhante. O que há de comum entre eles? • o formato: são anúncios de venda, do tipo que se encontra em classificados de um jornal; • o tema: os dois “apresentam” as características de um sítio;

• a estratégia de venda: apresentar os pontos positivos do sítio que se deseja vender. Qual seria, porém, a principal diferença entre eles? Note que o texto 1 foi retirado da seção de classificados de um jornal de grande circulação e o texto 2, de um livro intitulado Comédias para se ler na escola. Será que alguém que deseja vender um sítio vai anunciá-lo em um livro? Claro que não! O título do livro já nos fornece uma pista interessante, porque comédias são obras de ficção com o objetivo de fazer rir. Ora,

Quando lemos um texto, devemos sempre levar em consideração seu contexto, já que essa informação nos ajuda a compreender o sentido do próprio texto.

Esse texto é um cartum (um desenho que representa comportamentos humanos, de modo satírico, feito para publicação em jornal). Nele vemos um grande esquadro na frente do qual um homem conversa com uma mulher. O homem aparenta nervosismo (note que está enxugando o suor do rosto com um lenço) e fala que levou um susto ao saber que o “esquadrão” estava em sua casa.

O que você entendeu desse texto? Difícil, não é mesmo? O que será esse “esquadrão” de que fala o homem? Há diferentes possibilidades de

interpretação desse termo. Uma delas é técnica e faz referência à geometria. Um “esquadrão” poderia ser um esquadro muito grande. E um esquadro é um instrumento chato em forma de triângulo retângulo que serve para traçar ângulos retos ou linhas perpendiculares, muito usado para desenhos geométricos.

A segunda interpretação é histórica e faz

referência a um grupo de justiceiros que atuou no Brasil, durante a década de 1970, e se intitulou Esquadrão da Morte. O Esquadrão da Morte era formado por policiais que se reuniam e matavam os que eles julgavam bandidos. Como símbolo do grupo, eles deixavam, junto ao corpo, um cartaz em que aparecia uma caveira e duas tíbias cruzadas; embaixo, a inscrição: EM (Esquadrão da Morte). Esse grupo foi responsável por muitas mortes.

Com essa informação histórica, o texto faz mais sentido, não é mesmo? O medo do homem explica-se pela ameaça representada pelo Esquadrão da Morte. O desenho que aparece ao fundo é do instrumento usado na geometria. O cartunista está fazendo um jogo de palavras com os sentidos do termo “esquadrão”. Veja que, para compreender o cartum, precisamos recuperar o contexto histórico a que ele se refere e saber o que significou o Esquadrão da Morte.

Reconhecer críticas contra um comportamento como o do Esquadrão da Morte é importante, porque, ainda nos dias de hoje, vemos políticos em campanha eleitoral sugerirem que “bandido bom é bandido morto”, como se a sociedade pudesse dispensar as leis e todos devessem fazer justiça com as próprias mãos.

REDI. Esquadrão da Morte. São Paulo: Arquivo do Estado de São Paulo: I. Oficial, 1999. p. 89.

(Arquivo em Imagens n. 3 Série Última Hora: Ilustrações).

O CONTEXTO HISTÓRICO

Em alguns casos, se não conhecemos o contexto a que faz referência um texto, não conseguimos entender o que lemos. Observe a ilustração acima:

2

O problema enfrentado pelo migrante e o sentido da expressão “sustança” expressos

nos quadrinhos, podem ser, respectivamente, relacionados a a) rejeição / alimentos básicos.

b) discriminação / força de trabalho. c) falta de compreensão / matérias-primas. d) preconceito / vestuário.

e) legitimidade / sobrevivência.

2. Qual é o contexto dos quadrinhos (seqüência de desenhos, com finalidade crítica ou humorística) reproduzidos acima? Explique sua resposta.

No documento linguagens codigos em br (páginas 108-111)