Lacunas Respostas Corretas Esperadas Número de erros 1 Wanted/ tried desired 04 2 In/ her/having/its 06 3 To marry 08 4 brother 07 5 daughter 01 6 He 05 7 In 01 Very 7% Happened/took place 6% was 6% his 7% for/to 2% who/he 4% was 2% most 6% of 6% died 5% with 9% he 4% to 1% army 7% men/knights 1% defeated 6% was/got 2% into/in 4% became 8% On 7%
8 With 07 9 divorce 07 10 Refused/denied/didn’t accept 05 11 Forbidden/not allowed 06 12 Very/extremely/really 03 13 His/the/new 02 14 that 04 15 Was/had 07 16 Gave birth 08 17 On 13 18 Wives/women/times 02 19 Helped/made 10 20 of 08
No teste cloze final também foram 300 lacunas preenchidas, das quais 114 foram preenchidas incorretamente. Todavia, se considerarmos o resultado de respostas erradas do teste cloze inicial, houve melhora, pois no final foram 48 lacunas a menos preenchidas de forma incorreta, o que significa aproximadamente 16% a menos no número de erros.
No gráfico a seguir, podemos visualizar os itens linguísticos de cada lacuna a ser preenchida e a incidência de erros para cada um deles em forma de porcentagem.
Gráfico 12. Porcentagem de erros no teste cloze final.
O Gráfico 13 a seguir mostra o desenvolvimento da CLC dos participantes de pesquisa em comparação com o desempenho da CLC nos testes cloze inicial e final.
Gráfico 13. Comparação do desenvolvimento da CC/CLC pelos testes cloze inicial e final. Wanted/ tried/ desired 4% In/ her/having/its 5% To marry 7% brother 6% daughter 1% He 4% In 1% With 6% divorce 6% Refused/denied/didn’ t accept 4% Forbidden/not allowed 5% Very/extremely/really 3% His/the/new 2% that 4% Was/had 6% Gave birth 7% On 11% Wives/women/times 2% Helped/made 9% of 7% 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 INICIAL FINAL
De acordo com os resultados dos testes cloze apresentados no gráfico, podemos observar que a maioria dos alunos demonstrou aumento da CLC. Apenas dois deles mantiveram seus níveis de rendimento iguais, quais sejam, Juliano, do grupo amarelo (obteve melhora de conceito inicial para regular nas produções das avaliações escritas), e Joana, também do grupo amarelo (não variou de conceito, permaneceu regular, mas no decorrer do curso a Pp percebeu que a aluna evoluiu dentro do mesmo nível).
Outro resultado que nos chamou a atenção foi o de Caroline, do grupo laranja, que foi conceituada como incipiente e atingiu o conceito inicial nas produções escritas, apresentou menor desenvolvimento da CLC/CC no segundo teste cloze do que no primeiro.
Defendemos que esses resultados, que não consideramos satisfatórios, devem-se às atitudes negativas de alguns aprendizes com relação ao novo e, às vezes, mesmo sendo incompreensíveis, comprometem fortemente as chances de desenvolvimento das habilidades de comunicação em língua estrangeira.
Concordamos com a afirmação de Savignon (1997,p.108) de que, entre os muitos fatores que podem afetar a aquisição de LE, a atitude – que também pode ser chamada de variável afetiva do aprendiz – é uma das mais sutis. Nós aprendemos o que queremos aprender, independentemente do que nos é ensinado. Essa afirmação pode aplicar-se ao participante Juliano, que perdia muitas aulas acreditando que seu conhecimento de Inglês era suficiente, pois havia morado no exterior e considerava poder comunicar-se de forma satisfatória.
Podemos perceber pelo excerto abaixo que ele mesmo considerava que poderia ter aproveitado mais quando lhe foi pedido que fizesse uma autoavaliação.
Juliano: Eu poderia ter me esforçado mais e não ter faltado tanto às aulas, teria aproveitado mais o curso.
Também temos que levar em consideração que a atitude implica a motivação dos alunos: a realização de uma tarefa é inviabilizada quando esses não estão comprometidos, com seus níveis de motivação intrínseca baixos.
Os níveis de motivação extrínseca desses participantes, que também podem desempenhar um papel importante diante das pressões externas para completar alguma atividade, encontram-se também baixos, pois os participantes percebem que seu desenvolvimento não foi satisfatório e assim não têm motivação para dedicarem-se à resolução da tarefa proposta.
Sabemos que vários fatores podem ajudar a motivar o aprendiz para desempenhar uma determinada tarefa; porém, há algo crucial para que isso ocorra: o aprendiz precisa querer aprender, estar aberto e disposto para a aquisição, pois nenhum professor consegue ensinar um aluno que se recusa a aprender.
Portanto, Juliano, Joana e Caroline foram alguns dos participantes da pesquisa que não se comprometeram realmente durante o curso, pois faltavam às aulas e não participaram da maioria das produções orais, tampouco das escritas.
Em contrapartida, Roberta, Natália, Camila, Talita, Débora e Ariel foram os participantes que tiveram melhora mais significativa no seu desempenho do teste cloze inicial para o final e acreditamos que esse fato deve-se ao comprometimento deles desde o início do curso, pois realmente assumiram o papel dos aprendizes no ensino comunicativo e no PTBT.
Para Savignon (2001), desde o início do comunicativismo, em todas as realizações dessa abordagem, destaca-se a centralidade do papel do aluno no processo de aprendizagem, suas necessidades e interesses.
Defendemos que o desenvolvimento desses participantes deve-se ao fato de eles terem cumprido adequadamente seus papéis de aprendizes de língua, já que conseguiram independência, reconhecendo a responsabilidade da sua própria aprendizagem, além de partilhar dessa responsabilidade com o professor e com os outros aprendizes.
Em uma visão mais ampla do papel do aluno nas aulas de LE, Hall (2001) afirma que todos os aprendizes de LE são confrontados com a tarefa de descobrir como aprender a língua, começando com diferentes expectativas sobre a aprendizagem atual, porém, de cada aprendiz individualmente será exigido que se adapte e readapte continuamente ao processo, relacionando a ele mesmo o que está sendo aprendido.
Os resultados obtidos nos testes cloze indicaram que um número significativo de participantes (80%) apresentou melhora, pois assumiram seus papéis de aprendizes e refletiram sobre sua aprendizagem processando as mudanças necessárias para que houvesse progresso no desenvolvimento de sua CLC/CC.
Na sequência, com o propósito de triangularmos os dados dos testes cloze inicial e final, apresentamos as respostas dos participantes da pesquisa a uma pergunta do questionário final sobre a sua capacidade de comunicar-se oralmente na língua-alvo no início do curso comparada ao final.
Com certeza a minha oralidade se desenvolveu, porque antes do curso o que eu falava oralmente não era produzido por mim, apenas lido ou repetido de algum texto. Agora,
certo ou errado, consigo falar e escrever a partir de minhas idéias e pensamentos. (Amanda).
Acredito que melhorei minha fala, tenho a impressão de que agora eu começo a pensar em inglês, tenho mais curiosidade de como se fala tais coisas em inglês e isso tem sido muito bom porque eu geralmente busco aquilo que desejo aprender. (Poliana).
Com certeza melhorou muito! Claro que ainda tenho um longo caminho pela frente, mas em relação à forma que entrei no curso, estou “falando fluentemente” o inglês. (Roberta).
No início do curso eu sentia como se eu tivesse um obstáculo que atrapalhasse meu desenvolvimento oral. Com a prática das atividades eu fui adquirindo mais confiança e conhecimento que foram me ajudando a desenvolver essa capacidade da fala. (Angélica).
Apesar das dificuldades e das reclamações (somente da minha parte) tenho evoluído. Talvez estaria melhor se tivesse me esforçado mais e frequentado mais às aulas. (Heloísa).
No início do curso eu praticamente não conseguia me expressar, além disso somava- se a inibição e o medo de “falar errado”. Agora consigo me comunicar, faço-me entender e adquiri pronúncia (menos incorreta) e compreensão do vocabulário. Consegui compreender o conteúdo, além de ter mais motivação para estudar. (Camila)
Evolui bastante tanto no aspecto de inibição quanto na fala ser mais livre e por ter mais argumentos e bagagem por causa do conteúdo que é sempre retomado. (Talita). No início do curso eu não conseguia criar frases em inglês, sabia palavras jogadas, que não se ligavam. Agora já consigo formular frases e contar pequenas estórias, apesar de ter uma grande dificuldade em relação à gramática. Sinto que se continuar a ter um ensino baseado em tarefas, brevemente consiga superar minha deficiência em gramática e usá-la corretamente na criação de novas tarefas. (Débora).
Nos últimos anos, após iniciar este método, tenho aprendido muito mais. Com o velho ensino pelas tabelas de verbos e gramática, jamais consegui formular uma frase própria. Hoje, consigo ler até livros em inglês, e compreender boa parte do que falam em inglês na TV, o que parecia que jamais aconteceria. (Ariel).
Observamos que Talita atribui sua evolução na língua ao fato de termos trabalhado com um único conteúdo temático, que era sempre retomado. Isso fez com que ela tivesse mais argumentos para expressar-se, ocasionando aumento de seu vocabulário, o que a deixou mais segura e motivada para expressar-se na língua-alvo.
Também a partir do comentário de Talita, constatamos que há indícios de que um único conteúdo temático, desde que seja relevante e rico em insumo real, pode ajudar no desenvolvimento da CLC de alunos de Letras de contexto adverso.
O capítulo seguinte contém as considerações finais, conclusões, encaminhamentos e sugestões para novos conceitos de avaliação.