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No que tange aos aspectos pessoais, foi possível identificar um elemento preponderante no grupo. Referido grupo mostrou-se coerente com o último relatório do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o qual divulgou , em março de 2008, que, no mercado de trabalho, prevalece a desigualdade de gêneros14. A maioria, 69% dos sujeitos

14 A instituição apresentou um balanço de sua Pesquisa Mensal de Emprego, realizada em seis grandes capitais:

Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Os dados colhidos entre janeiro de 2003 e janeiro de 2008 revelam que, no campo profissional, as mulheres ainda estão em desvantagem diante dos homens.

desta pesquisa, compõe o gênero masculino, enquanto apenas 31% representam o gênero feminino.

Gráfico 1. Gênero dos

Esse dado sugere que o ensino jurídico

fortemente atrelado à reprodução de uma cultura masculina, como afirmam Bonelli e Barbalho (2008, p. 276), ou seja, que “[...] estes es

homens por várias décadas, período no qual se constituiu o profissionalismo e o desenvolvimento da ideologia da neutralidade como basilar à expertise”.

Conforme a pesquisa publicada por esses autores, a participação

cursos jurídicos aparece somente a partir da década de 1970, assim mesmo lentamente face do crescimento do número de faculdades privadas de Direito

ampliou as oportunidades de ingresso para aqueles provenientes de o diversificadas.

Sendo o ensino jurídico

predominantemente por homens, brancos, heterossexuais, e atrelada à elite dominante, durante o primeiro século de existência dos cursos de Direito

desigualdades que se repetem na contemporaneidade, pois é um passado que marca profundamente o presente profissional, entre homens e mulheres.

Com relação à faixa etária dos(as) professores(as) investigados, nota

professores(as) com idade de 31 a 35 anos representam um total de 19%; de 36 a 40 anos, também 19%, e 22 % estão entre as idades de 41 a 45 anos, ou seja,

compõe o gênero masculino, enquanto apenas 31% representam o gênero

Gênero dos (as) docentes pesquisados (as)

e dado sugere que o ensino jurídico, nas instituições pesquisadas

fortemente atrelado à reprodução de uma cultura masculina, como afirmam Bonelli e Barbalho (2008, p. 276), ou seja, que “[...] estes espaços mantêm-se reservados somente aos homens por várias décadas, período no qual se constituiu o profissionalismo e o desenvolvimento da ideologia da neutralidade como basilar à expertise”.

Conforme a pesquisa publicada por esses autores, a participação

cursos jurídicos aparece somente a partir da década de 1970, assim mesmo lentamente face do crescimento do número de faculdades privadas de Direito,

ampliou as oportunidades de ingresso para aqueles provenientes de o

Sendo o ensino jurídico brasileiro, historicamente, uma construção articulada predominantemente por homens, brancos, heterossexuais, e atrelada à elite dominante, durante o primeiro século de existência dos cursos de Direito, reforçam

desigualdades que se repetem na contemporaneidade, pois é um passado que marca profundamente o presente profissional, entre homens e mulheres.

Com relação à faixa etária dos(as) professores(as) investigados, nota

s(as) com idade de 31 a 35 anos representam um total de 19%; de 36 a 40 anos, também 19%, e 22 % estão entre as idades de 41 a 45 anos, ou seja, obtém

compõe o gênero masculino, enquanto apenas 31% representam o gênero

nas instituições pesquisadas, esteja fortemente atrelado à reprodução de uma cultura masculina, como afirmam Bonelli e se reservados somente aos homens por várias décadas, período no qual se constituiu o profissionalismo e o desenvolvimento da ideologia da neutralidade como basilar à expertise”.

Conforme a pesquisa publicada por esses autores, a participação das mulheres nos cursos jurídicos aparece somente a partir da década de 1970, assim mesmo lentamente, em , nos anos 1990, que ampliou as oportunidades de ingresso para aqueles provenientes de origens sociais

historicamente, uma construção articulada predominantemente por homens, brancos, heterossexuais, e atrelada à elite dominante, reforçam-se os traços de desigualdades que se repetem na contemporaneidade, pois é um passado que marca

Com relação à faixa etária dos(as) professores(as) investigados, nota-se que s(as) com idade de 31 a 35 anos representam um total de 19%; de 36 a 40 anos, obtém-se a média de 38

anos de idade, apresentando poucos casos de pessoas com mais de 50 e menos de 30 anos. Interessante observar que 16% do total de participantes preferiram não

idade.

Gráfico 2. Porcentagem das idades

Conforme anteriormente mencionado, a partir dos dados fornecidos nos questionários verifiquei que a maiori

da Ditadura Militar, entre os anos de 1964 e 1985. Esse dado é de grande relevância uma vez que o contexto histórico em questão representou uma nova fase na educação brasileira Conforme contribuem Haidar e Tanuri (2002, p.59

Se pautou em termos educacionais pela repressão, privatização do ensino, exclusão de boa parcela dos setores mais pobres do ensino elementar de boa qualidade, institucionalização do ensino profissio

regular sem qualquer arranjo prévio para tal feito, divulgação de uma pedagogia calcada em técnicas... e não raro confusa legislação educacional.

Nota-se que o Regime Militar, no que tange às produções intelectuais, produziu educação, sob o caráter anti

perseguidos, Universidades foram invadidas; estudantes feridos e algu confrontos com a Polícia

predominavam o cerceamento de liberdade de expressão e a inexistência dos direitos fundamentais de garantias constitucionais caracterizava a “normalidade” política da época, , apresentando poucos casos de pessoas com mais de 50 e menos de 30 anos. nteressante observar que 16% do total de participantes preferiram não se manifestar

Porcentagem das idades dos(as) docentes

forme anteriormente mencionado, a partir dos dados fornecidos nos verifiquei que a maioria dos(as) professores(as), 66 % foi graduada no período da Ditadura Militar, entre os anos de 1964 e 1985. Esse dado é de grande relevância uma vez que o contexto histórico em questão representou uma nova fase na educação brasileira Conforme contribuem Haidar e Tanuri (2002, p.59-60)

Se pautou em termos educacionais pela repressão, privatização do ensino, exclusão de boa parcela dos setores mais pobres do ensino elementar de boa qualidade, institucionalização do ensino profissionalizante na rede pública regular sem qualquer arranjo prévio para tal feito, divulgação de uma pedagogia calcada em técnicas... e não raro confusa legislação educacional.

se que o Regime Militar, no que tange às produções intelectuais, produziu o caráter anti-democrático de suas diretrizes: professores(as) foram demitidos e

niversidades foram invadidas; estudantes feridos e algu

olícia, através dos aparelhos repressivos. O ambiente no predominavam o cerceamento de liberdade de expressão e a inexistência dos direitos fundamentais de garantias constitucionais caracterizava a “normalidade” política da época, , apresentando poucos casos de pessoas com mais de 50 e menos de 30 anos. se manifestar quanto à

forme anteriormente mencionado, a partir dos dados fornecidos nos foi graduada no período da Ditadura Militar, entre os anos de 1964 e 1985. Esse dado é de grande relevância uma vez que o contexto histórico em questão representou uma nova fase na educação brasileira.

Se pautou em termos educacionais pela repressão, privatização do ensino, exclusão de boa parcela dos setores mais pobres do ensino elementar de boa nalizante na rede pública regular sem qualquer arranjo prévio para tal feito, divulgação de uma pedagogia calcada em técnicas... e não raro confusa legislação educacional.

se que o Regime Militar, no que tange às produções intelectuais, produziu-se na democrático de suas diretrizes: professores(as) foram demitidos e niversidades foram invadidas; estudantes feridos e alguns mortos nos através dos aparelhos repressivos. O ambiente no qual predominavam o cerceamento de liberdade de expressão e a inexistência dos direitos fundamentais de garantias constitucionais caracterizava a “normalidade” política da época,

favorecendo assim a construção de subjetividades, opiniões, concepções importantes na estrutura do pensamento do docente.

Nessa perspectiva, um docente entrevistado comenta a respeito de suas aulas na graduação, que ocorreram em meio ao contexto da Ditadura Militar:

Curiosamente os meus professores tinham mais responsabilidades como docentes do que o que vejo hoje, mas eles não tinham muita noção do que fazer. Hoje nós temos noção do que fazer, embora não tenhamos tanta responsabilidade, é um paradoxo. Eles vinham repetindo conceitos de que eles também aprenderam daquela forma. Agora, hoje, nós temos toda liberdade porque a Constituição brasileira assim nos possibilita, mas eu vejo assim, uma certa inércia da nossa parte. (P6)

A fala do(a) professor(a) ressalta um problema, do qual me dispus tratar mais à frente, a respeito da postura docente diante do novo paradigma Constitucional. Conforme minhas experiências como aluna do curso de Direito, muitas vezes, percebia a desconexão que a interpretação de algum conteúdo mantinha com o Direito pensado nos moldes contemporâneos15.

Ao(à) docente cabe a tarefa de constantemente atualizar seus conhecimentos políticos, tecnológicos, pedagógicos, teóricos e sociais. Essa é considerada uma profissão que exige renovação a cada momento, uma vez que o acúmulo de conhecimento e a atualização são desafios permanentes na vida de professores(as).

Além dos conhecimentos específicos, os(as) professores(as), em geral, e os(as) do Ensino Superior, em especial, devem sempre buscar informações do que se passa a sua volta, seja no âmbito local como também internacional. A fim de averiguar os meios pelos quais os(as) professores(as) procuram manter- se informados sobre acontecimentos atuais, pedi- lhes que identificassem os três veículos de informações mais utilizados.

15No último capítulo, serão tratadas com mais propriedade as concepções de Direito, bem como de Democracia presentes no cenário jurídico-político brasileiro.

Gráfico 3.Meios pelos quais

Como pode ser visto, os(as) 35 professores(as) pesquisados(as) demonstraram afinidades em relação ao jornal escrito e

somaram o equivalente de 56% das in

as revistas por 15%, o jornal emitido pelas rádios 2% e os livros por 9% deles(as). Nenhum dos(as) pesquisados(as) manifestou a busca de informações por meio de outras pessoas.

Um dado chamou

mantêm informadas: apenas 9% recorrem aos livros informação. Essa realidade mostrou

Pró-livro16, no final de 2007 a qu

São 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que somam 95 milhões, leem, em média, 1,3 livro por ano.

Os dados mostram que o

não é socialmente valorizada e o livro não tem um lugar assegurado. Tanto é que 86% dos não-leitores nunca foram presenteados com livros na infância, enquanto no universo dos considerados leitores esse índice cai para 48%

16 Os dados estão na pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita com 5.012 pessoas, em 311 municípios, de todos os Estados, em 2007. O Instituto Pró

OSCIP - mantida com recursos constituídos por contribuições de entidades do mercado editorial, com o objetivo principal de fomento à leitura e à difusão do livro.

Meios pelos quais os(as) professores(as) buscam se manterem informados

Como pode ser visto, os(as) 35 professores(as) pesquisados(as) demonstraram jornal escrito e à Internet nas mesmas proporções: os dois juntos somaram o equivalente de 56% das indicações, enquanto o jornal falado foi citado por 18%, as revistas por 15%, o jornal emitido pelas rádios 2% e os livros por 9% deles(as). Nenhum dos(as) pesquisados(as) manifestou a busca de informações por meio de outras pessoas.

dado chamou-me atenção no que tange aos meios pelos quais as pessoas se m informadas: apenas 9% recorrem aos livros ou os consideram como fontes de a realidade mostrou-se coerente com uma pesquisa realizada pelo Instituto , no final de 2007 a qual confirma que o brasileiro lê pouco, principalmente

São 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que somam 95 milhões, leem, em média, 1,3 livro por ano.

Os dados mostram que o livro é pouco presente no imaginário do brasileir

não é socialmente valorizada e o livro não tem um lugar assegurado. Tanto é que 86% dos leitores nunca foram presenteados com livros na infância, enquanto no universo dos considerados leitores esse índice cai para 48%.

Os dados estão na pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita com 5.012 pessoas, em 311 municípios, de O Instituto Pró-Livro (IPL) é uma Organização Social Civil de Interesse Publico mantida com recursos constituídos por contribuições de entidades do mercado editorial, com o objetivo principal de fomento à leitura e à difusão do livro.

os(as) professores(as) buscam se manterem informados

Como pode ser visto, os(as) 35 professores(as) pesquisados(as) demonstraram nternet nas mesmas proporções: os dois juntos dicações, enquanto o jornal falado foi citado por 18%, as revistas por 15%, o jornal emitido pelas rádios 2% e os livros por 9% deles(as). Nenhum dos(as) pesquisados(as) manifestou a busca de informações por meio de outras pessoas.

pelos quais as pessoas se ou os consideram como fontes de se coerente com uma pesquisa realizada pelo Instituto confirma que o brasileiro lê pouco, principalmente livros. São 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que

maginário do brasileiro, a leitura não é socialmente valorizada e o livro não tem um lugar assegurado. Tanto é que 86% dos leitores nunca foram presenteados com livros na infância, enquanto no universo dos

Os dados estão na pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita com 5.012 pessoas, em 311 municípios, de Social Civil de Interesse Publico - mantida com recursos constituídos por contribuições de entidades do mercado editorial, com o objetivo

Após levantar dados gerais, o questionário se voltou para questões relac

formação do docente, considerando desde o ensino fundamental até o momento atual. Cabe aqui, uma observação interessante, quando comparada a formação nos três graus de ens ensino fundamental foi cursado por 53% dos docentes em rede pública e apenas 38% em privada. Ao entrar para o ensino médio e superior, a situação se inverteu: 59% dos pesquisados cursaram o então chamado “colegial” na escola privada e 41 % na escola

Da mesma forma, mantendo a prevalência pelo ensino particular no que tange à graduação, 78% dos docentes graduaram

Gráfico 4.Tipos de instituições na Quanto à renda mensal familiar

classe socioeconômica mais alta, considerando que 47% responderam um valor que varia entre R$4.501,00 a R$8.500,00, e 31% superam o valor de R$ 8.501,00.

traçar, até o momento, a síntese do perfil dos(as) professores(as) pesquisados(as): homem; classe média alta; formado pelo ensino Superior privado e no período da Ditadura Militar.

17 Esse dado será mais bem explorado mais adiante, face superior em instituições privadas bem como a justificação do liberal burguesa.

Após levantar dados gerais, o questionário se voltou para questões relac

considerando desde o ensino fundamental até o momento atual. Cabe aqui, uma observação interessante, quando comparada a formação nos três graus de ens ensino fundamental foi cursado por 53% dos docentes em rede pública e apenas 38% em privada. Ao entrar para o ensino médio e superior, a situação se inverteu: 59% dos pesquisados cursaram o então chamado “colegial” na escola privada e 41 % na escola

Da mesma forma, mantendo a prevalência pelo ensino particular no que tange à graduação, 78% dos docentes graduaram-se em instituições privadas e os 22% restantes em públicas.

Tipos de instituições nas quais foram cursados os três graus de ensino

Quanto à renda mensal familiar17, os participantes demonstraram pertencer a uma econômica mais alta, considerando que 47% responderam um valor que varia entre R$4.501,00 a R$8.500,00, e 31% superam o valor de R$ 8.501,00.

a síntese do perfil dos(as) professores(as) pesquisados(as): homem; classe média alta; formado pelo ensino Superior privado e no período da Ditadura Militar.

Esse dado será mais bem explorado mais adiante, face à análise da maioria ter cursado ensino médio e ensino superior em instituições privadas bem como a justificação do status quo conforme uma mentalidade tipicamente Após levantar dados gerais, o questionário se voltou para questões relacionadas à considerando desde o ensino fundamental até o momento atual. Cabe aqui, uma observação interessante, quando comparada a formação nos três graus de ensino: o ensino fundamental foi cursado por 53% dos docentes em rede pública e apenas 38% em privada. Ao entrar para o ensino médio e superior, a situação se inverteu: 59% dos pesquisados cursaram o então chamado “colegial” na escola privada e 41 % na escola pública. Da mesma forma, mantendo a prevalência pelo ensino particular no que tange à graduação,

se em instituições privadas e os 22% restantes em públicas.

rês graus de ensino

traram pertencer a uma econômica mais alta, considerando que 47% responderam um valor que varia entre R$4.501,00 a R$8.500,00, e 31% superam o valor de R$ 8.501,00. Dessa forma, pude a síntese do perfil dos(as) professores(as) pesquisados(as): homem; classe média alta; formado pelo ensino Superior privado e no período da Ditadura Militar.

à análise da maioria ter cursado ensino médio e ensino conforme uma mentalidade tipicamente

Gráfico 5. Renda mensal dos membros da unidade

Embora a crise do ensino jurídico tenha sido alvo nas discussões docentes e muito se tenha feito para afastar-se dess

educacional, profissionais que

sua importância e da necessidade de envolvimento num “processo identitário” para a profissão docente. Nessa perspectiva

formação identitária dos sujeitos pesquisados.

2.2. Como se deu o envolvimento com o Direito e o que é ser professor para o (a)