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CAPÍTULO 2: (IN)SUCESSO ESCOLAR E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL

2.3 Desenvolvimento pessoal e profissional de professores

2.3.1 Trabalho colaborativo

A necessidade de melhorar o sucesso escolar dos alunos e a aprendizagem, levou a repensar na qualidade dos docentes e do ensino na sala de aula. É pedido aos docentes que se desenvolvam profissionalmente, que frequentem formação contínua, de modo a que atualizem os seus conhecimentos, e que trabalhem colaborativamente. Contudo muitos docentes ainda trabalham isoladamente, separados dos seus colegas, a maior parte do tempo.

Day (2001, p. 129) sugere o trabalho colaborativo como fundamental para o desenvolvimento profissional dos docentes. Deste modo, Ponte e Serrazina (2003, p. 5) acrescentam ainda que “a colaboração é uma estratégia de grande utilidade para enfrentar problemas ou dificuldades, em especial aqueles que não se afigurem fáceis ou viáveis de resolver de modo puramente individual como os que surgem frequentemente no campo profissional.”

Roldão (2007, p. 28) define trabalho colaborativo como “um processo de trabalho articulado e pensado em conjunto, que permite alcançar melhor os resultados visados, com base no enriquecimento trazido pela interacção dinâmica de vários saberes específicos e de vários processos cognitivos em colaboração.”

Na opinião de Ferguson (1999, p. 4) “most educators were not specifically prepared to work together in these many different ways. Historically, teachers were prepared for “individual practice” rather than “group pratice.”” A mesma autora menciona ainda que “in fact, collaborative is hard work that takes time, commitment, skills, and the kind of continuity that helps to build a shared understanding.” (1999, p. 5)

Projeto Ritmus: Uma Experiência para o Sucesso na Matemática e de Desenvolvimento Profissional de Professores

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Boavida e Ponte (2002) referem que na colaboração

“é fundamental que os participantes manifestem abertura no modo como se relacionam uns com os outros, dispondo-se a um contínuo dar e receber, assumindo uma responsabilização conjunta pela orientação do trabalho e sendo capazes de construir soluções para os problemas no respeito pelas diferenças e particularidades individuais.” (pp. 5-6)

Os autores (2002, p. 6) anteriormente mencionados referem ainda que num trabalho que envolva a colaboração de diferentes participantes tem que existir entre eles “uma base comum” que está relacionada com “os objectivos e as formas de trabalho e de relação”. Assim sendo, para se desenvolver um trabalho colaborativo tem de existir um “objectivo geral, ou pelo menos, um interesse comum, partilhado por todos.” Para além dos objetivos comuns cada participante pode ter “objectivos particulares específicos”. Ponte e Serrazina (2003, p. 6) partilham a mesma opinião quando referem que

“para a coesão do grupo, é importante que todos os participantes partilhem em grau significativo os objectivos comuns. Mas também é importante que tenham os seus objectivos individuais, ligados à sua função profissional, à sua personalidade, aos seus projectos, pois isso reforça naturalmente o seu envolvimento no trabalho e o seu sentido de realização pessoal.”

Roldão (2007, p. 29) acrescenta ainda que:

“trabalhar colaborativamente implica que cada indivíduo tenha um contributo a dar que tem de ter o seu processo de construção individual e singular, que requer também tempos e modos de trabalho individuais. As próprias tarefas de trabalho colaborativo entre professores podem/devem incluir momentos de trabalho individual para preparar ou aprofundar o trabalho no colectivo no momento seguinte.”

Após a análise realizada podemos concluir, com Roldão, que o trabalho colaborativo

“estrutura-se essencialmente como um processo de trabalho articulado e pensado em conjunto, que permite alcançar melhor os resultados visados, com base no enriquecimento trazido pela interacção dinâmica de vários saberes específicos e de vários processos cognitivos em colaboração. Implica conceber estrategicamente a finalidade que orienta as tarefas (de ensino) e organizar adequadamente todos os dispositivos dentro do grupo que permitam (1) alcançar com mais sucesso o que se pretende (as aprendizagens pretendidas), (2) activar o mais possível as diferentes potencialidades de todos os participantes (no âmbito do grupo-disciplina, do grupo-turma, ou outros) de modo a envolvê-los e a garantir que a actividade produtiva não se limita a alguns, e ainda (3) ampliar o conhecimento construído por cada um pela introdução de elementos resultantes da interacção com todos os outros.” (Roldão, 2007, p. 27)

Mas será fácil os docentes desenvolverem trabalho colaborativo?

Num projeto de investigação realizado por Simão, Flores, Morgado, Forte e Almeida (2009, p. 72), estes autores concluíram como principais constrangimentos ao

53 trabalho colaborativo: “dificuldades pessoais, falta de formação e de oportunidades de desenvolvimento profissional relevantes, aliados a factores de natureza organizacional e contextual.”

Parente (2005, p. 106) concluíu na sua investigação que para existir trabalho colaborativo nas escolas devemos pensar na sua organização e nos constrangimentos que poderão existir: "será possível uma colaboração efectiva, rentável, criadora, imaginativa, onde as pessoas se sintam bem, se repensarmos a organização da escola, mesmo com os “tais” constrangimentos possíveis (e imaginários…). É preciso conhecê-los muito bem para os podermos superar. "

O desenvolvimento de um trabalho colaborativo pode levar algum tempo mas tem vantagens para os professores e para os alunos sendo de destacar as enumeradas por Hord (1997) (citado em Day, 2001, p. 272):

 “Menor isolamento dos docentes;

 Maior empenho na missão e nos objetivos da escola e mais energia no trabalho no sentido de potenciar a missão da escola;

 Maior probabilidade de os professores estarem melhor informados, profissionalmente renovados e inspirados a inspirar os alunos;

 Avanços no sentido de fazer mudanças e adaptações curriculares em função dos alunos;

 Maior probabilidade de conseguir uma mudança sistemática fundamental.”

Em síntese neste capítulo podemos verificar que o insucesso escolar é uma realidade com que os professores se confrontam diariamente e que têm que tentar solucionar. É uma preocupação dos sucessivos governos, tendo sido proposto a implementação de vários projetos com o objetivo de diminuir tal insucesso e também uma preocupação dos investigadores portugueses que se debruçaram por construir conhecimento nesta área. Salientamos que para os vários autores estudados uma das formas de aumentar o sucesso escolar baseia-se no desenvolvimento profissional de professores sendo o trabalho colaborativo visto como uma das formas promotoras, que pode ser desenvolvida pelos docentes.

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