5. A MULHER EMPREENDEDORA NO SETOR AGROPECUÁRIO: UM
5.5 O trabalho como empreendedora
Na análise do trabalho como empreendedora buscou-se analisar em quais atividades a agropecuarista está mais envolvida e o modo como executa seu trabalho. Entretanto para melhor compreensão, o trabalho na empresa foi subdividido em: área de atuação, rotina, delegação de poder, parceria no negócio, participação em outra atividade, a ajuda de filhos e secretária(o), controle de informações, horas trabalhadas, férias, aposentadoria, estilo de gerenciamento e prazer no processo de empreender.
Quadro 16: Roteiro para análise do trabalho como empreendedora
Área de atuação: as áreas onde mais se concentra.
Rotina: existe ou não envolvimento com a rotina das atividades.
Delegação de poder: atribui a cada indivíduo responsabilidade.
Parceria no negócio: existe ou não parceiros no negócio (membros da família, funcionários,...).
Participação em outra atividade: desenvolve outra atividade além da agropecuária.
Ajuda de filhos e secretária (o): trabalha com o auxílio dos filhos; possui secretária(o) que a auxilie.
Controle de informações: como é realizado o controle das informações que acontece na propriedade.
Horas trabalhadas: qual o tempo destinado para o desenvolvimento das atividades.
Férias: a freqüência com que se ausenta das atividades agropecuárias.
Aposentadoria: como encara o aspecto de aposentar-se.
Estilo de gerenciamento: estilo utilizado para gerenciar a atividade e diferencial desde o início da atividade.
Prazer no processo de empreender: o que lhe dá mais prazer no processo de empreender.
No quadro 17, as informações obtidas junto às entrevistadas foram resumidas a fim de possibilitar com que o leitor tenha uma visão globalizada do trabalho desempenhado pela agropecuarista em sua propriedade.
Quadro 17: O trabalho na empresa das mulheres agropecuaristas
Caso Área de
atuação com a rotina
pessoas reportadas
negócio
E1 Adm Sim 20 Sim Sim Sim Sim
E2 Adm Sim 20/25 Sim Sim Sim Sim
E3 Adm Sim 18/30 Sim Sim Sim Sim
E4 Adm Sim 5 Sim Sim Sim Não
E5 Adm Sim 5 Sim Sim Não Não
E6 Adm Sim 14 Sim Sim Não Sim
E7 Adm Sim 4 Sim Sim Não Não
E8 Adm Sim 6 Sim Sim Não Não
E9 Adm Sim 6 Sim Sim Sim Sim
E10 Adm Sim 2 Sim Não Não Não
Legenda: Adm = Administrativa.
A seguir serão apresentadas de forma mais detalhada, cada um dos tópicos do quadro 16.
Área de atuação, rotina e parceria no negócio
Por intermédio das entrevistas foi possível identificar em qual(is) área(s) as mulheres agropecuaristas estão mais envolvidas, assim como a importância que é atribuída a atividade desempenhada pela agropecuarista dentro das propriedades.
E1: Na propriedade é mais um trabalho de formiguinha, que às vezes não está escrito. Não tem um título o que eu faço, mas eu tenho consciência que é muito importante o que eu faço. Como a dona da fazenda, a parte feminina hoje é muito atuante e eu em relação aos funcionários tenho um certo conceito. A parte que me cabe é passar confiança, credibilidade e equilíbrio – esta parte maternal que eu acho muito importante – afinal você está lidando com pessoas.
E2: Trabalho na área administrativa da qual eu não gosto por ser aquela coisa mais rotineira. Gosto muito de lidar na fazenda, mais na agricultura do que na pecuária embora seja uma atividade que a gente faça em menor escala. Acho que sou uma agricultora nata, gosto de plantar, ver crescer e colher.
E3: Trabalho na área administrativa, controlando a parte de pecuária mais do que a agricultura.
E4: A minha função na propriedade é mantê-la em ordem. Não gosto de nada caído, despencando, então esta parte de manutenção é por minha conta (erosão e vegetação).
E5: Eu gosto mais do gado e gosto do que faço. Trabalho com leite e com a criação de gado também. Eu sou uma criadora. Não sei se é meu instinto maternal, mas eu adoro mexer com minhas vacas e bezerros.
E6: Meu trabalho é na administração, no gerenciamento. Eu fiscalizo tudo, faço as compras de gado, as compras, as vendas, vou à fazenda e olho o serviço.
E7: Eu trabalho com o gerenciamento da propriedade, a administração. Eu gosto de fazer compras e vendas, ou seja, da comercialização e do planejamento.
E8: Eu sou a administradora da fazenda. Gosto muito do trabalho a campo, da parte prática da atividade, mas até por uma série de circunstâncias eu tenho que abranger outras também. Mas na verdade, eu gosto de lidar na leiteria (sala de ordenha). É parte prática do trabalho que eu mais gosto.
E9: Eu agora hoje estou mais na organização dos projetos, na elaboração disto e o campo eu tenho dividido com meu filho. Não deixo de estar gerenciando com ele todos os aspectos. A área que eu gosto muito é da genética porque você procura os embriões e depois de períodos você vê ali o resultado.
E10: Em tudo, pois sou a proprietária, a gerente, a administradora. Eu atuo em tudo.
Tendo como base, as informações do quadro 17 e os depoimentos de cada mulher agropecuaristas, constata-se que todas elas atuam mais na área administrativa, o que significa que estão no comando dos negócios, gerenciando todas as atividades que acontecem nas propriedades. O trabalho mais pesado geralmente é executado por funcionários, cujo número é variável em cada caso estudado.
Todas as mulheres empreendedoras agropecuaristas procuram manter contato com a rotina do dia-a-dia da(s) propriedade(s). Este contato geralmente é feito através de presença contínua e interação sobre o tipo de atividades que estão sendo desenvolvidas na propriedade. Outro aspecto importante de ser ressaltado é
que dentre as agropecuaristas, existem aquelas que: a) permanecem durante a semana na propriedade e retornam à cidade no final de semana; b) vai e volta quase todos os dias devido à proximidade das propriedades; c) algumas vezes por semana vão até a propriedade para se interar do que está acontecendo, permanecendo alguns dias lá e depois retornam. Todas as agropecuaristas apresentaram, durante as entrevistas, preocupação em se manter informadas do que ocorre em sua propriedade, uma vez que, ressaltaram a importância da presença física e o controle de informações.
Dos dez casos, nove deles possuem parceiros no negócio, ou seja, estes parceiros são os próprios membros da família, funcionários e/ou cooperativas. No caso E10 não se atribuiu parceria ao negócio, tal resposta vem de encontro ao período de transição6 pelo qual a propriedade está passando. Entretanto, E10 já tem firmado um contrato de 10 anos com uma cooperativa para o plantio de cana em parte de sua propriedade, tendo em vista que ainda não tem em mente a qual atividade irá se dedicar daqui para frente.
6 A agropecuarista E10 está fazendo uma análise sobre qual tipo de atividade é mais viável para ser desenvolvida em sua propriedade.
Participação em outra atividade, delegação de poder e ajuda dos filhos
Em cinco casos, a atividade desenvolvida é tida como ocupação exclusiva por parte da agropecuarista, ao passo que, em outros cinco casos a mulher agropecuarista divide esta ocupação com outra, sendo membro (sócia/proprietária) de algumas empresas.
Percebeu-se que todas as agropecuaristas procuram delegar poder, considerando que as atividades são distribuídas e cada indivíduo é responsável por determinado tipo de tarefa, ou seja, cada funcionário tem a responsabilidade de se preocupar em desempenhar bem o papel que lhe é destinado.
Devido ao fluxo de tarefas a serem executadas, cinco das agropecuaristas optaram em contar com o auxílio de um(a) secretário(a), a fim de, se manterem mais atualizadas sobre o que ocorre na(s) propriedade(s) quando não estão pessoalmente lá. Outras cinco agropecuaristas optaram por não utilizar os serviços de secretária, uma vez que têm seus próprios filhos responsáveis por esta parte ou porque diariamente estão lá para estar a par do que está acontecendo na propriedade. Nos casos E1, E2, E3, E4 e E9, os filhos auxiliam suas mães desempenhando as funções de administrador, agrônomo ou veterinário, devido à própria formação que possuem na área e/ou especialização na área rural.
Controle de informações
A abordagem sobre a obtenção de informação visa identificar o processo pela qual a empreendedora se mantém informada do que está ocorrendo na propriedade e como é que ela faz para manter o controle das atividades que estão sendo desenvolvidas na fazenda.
E1: Eu tenho ficado na fazenda durante 15 dias depois retorno para a cidade e vou me reinteirando sobre o que está acontecendo na empresa. Quando estou na cidade fico como que teleguiando o que está acontecendo lá, apesar de ter o apoio do filho que passa a semana lá e retorna na sexta-feira ou no sábado. Nós vamos ao final de
semana e meu filho passa quatro dias se relacionando com a parte de vendas e com a rotina do dia-a-dia.
E2: No dia-a-dia é por telefone. Eu ligo e por telefone obtenho informações de quais atividades estão sendo desenvolvidas na Fazenda do Mato Grosso – por ser algo mais rotineiro, pessoal mais de campo, eu não tenho tanto problemas. No Paraná onde é um gado puro é necessário ter mais cuidados, controle e atenção. Também tem a agricultura que exige um envolvimento maior no decorrer do ano agrícola, onde você sempre tem que estar preparando a terra. Por isso é que eu acompanho por telefone
E3: Sempre telefono e também tenho relatórios, balancetes, mapas de gado que meu secretário faz para mim. Agora meu secretário está indo para uma fazenda uma semana sim e outra não para me trazer as informações também.
E4: Nós sempre estamos lá – uma ou duas vezes por mês - sempre estamos à frente de tudo além de contar com o meu administrador.
E5: Eu tomo conhecimento porque vou todo dia praticamente à propriedade. Marco tudo o que estou fazendo, o que está acontecendo porque senão eu me perco também.
E6: Para obter as informações eu vou em locus para ver o que está acontecendo e participar. Uma vez por semana eu vou às fazendas aqui perto, cada dia uma. Na fazenda de Cascavel (Pr) eu vou a cada 20 dias e no Mato Grosso (MT) eu vou a cada 2 meses. Fora isto o meu funcionário vai sozinho e eu vou sabendo o que está acontecendo lá, geralmente por telefone e depois pessoalmente.
E7: Quando não estou lá, controlo principalmente por telefone.
E8: Primeiro, eu fico muito na propriedade e geralmente eu tomo conhecimento das coisas na hora em que está acontecendo. No final de semana ou quando eu tiro férias ou coisa assim nós temos um caderno (diário da propriedade) onde estão todas as anotações. E uma outra coisa, nós temos com estes funcionários responsáveis uma reunião de fechamento para discutir e debater o que foi feito ou não.
E9: Na propriedade mais distante o contato é feito via rádio, telefone, sistema de comunicação. O controle das atividades é feito por contato com nosso gerente que administra todas as fazendas e nos passa as informações
E10: Quando não estou na propriedade eu ligo. Quando saio da propriedade deixo uma lista de atividades a serem feitas e depois só vou averiguar se foram cumpridas.
Analisando o relato de cada agropecuarista é possível afirmar que o controle das informações referentes às atividades que estão sendo e/ou vão ser desenvolvidas nas propriedades é feito por intermédio de quatro mecanismos: 1) Presença física; 2) Telefone ou outro meio de comunicação; 3) Administrador, gerente; e 4) Formulários de controles (balancetes e relatórios). Na verdade, as agropecuaristas procuram monitar o funcionamento das atividades, sem necessariamente utilizar-se de força física para atingir os resultados. Isto é uma das muitas atitudes dos empreendedores e que podem ser atribuídas às agropecuaristas.
Horas trabalhadas, férias e aposentadoria
É importante destacar que a quantidade de horas utilizadas para a execução de atividades na propriedade rural diferencia-se da atividade urbana, tendo em vista que, não existe um horário específico para desenvolver as tarefas. Neste tipo de atividade, o indivíduo precisa seguir as condições metereológicas, ou seja, se as condições climáticas estão propícias para o plantio ou colheita, é necessário fazê-lo sem se importar muito com horários. As agropecuaristas E1 e E7 destacam a necessidade de acompanhar o horário que os funcionários trabalham:
Eu acho que quando a gente convive na fazenda, a gente segue o ritmo de lá.
Tem que acordar mais cedo, ver o que está precisando para dar aquele enfoque para atingir os objetivos. (E1)
Quando eu estou lá, eu acabo me envolvendo muito com o trabalho. Na leiteria, por exemplo, o trabalho começa às 5 horas da manhã e acaba às 8 horas da noite. Eu procuro sempre estar com os funcionários pelo menos nestes dois horários mais críticos, que são as primeiras horas do dia e as últimas. O trabalho é bastante. O agricultor não tem muito feriado, sábado e
domingo, quando é época de plantio você tem que plantar sábado, domingo e feriado - se for o caso. (E7)
No depoimento de E6 comprova-se a necessidade de se trabalhar em dias fora da semana e a sobrecarga que existe em determinados dias mesmo estando no escritório:
Eu trabalho a hora que precisar, não tem sábado. Se precisar ir ao sábado para a fazenda e ficar trabalhando, eu vou. Se precisar ir ao domingo, eu vou.
Eu não tenho um horário fixo. Eu trabalho na hora que precisar. Normalmente eu fico aqui no escritório de manhã e a tarde quando eu estou em Londrina (Pr) tem muita coisa para resolver o dia inteiro.(E6)
Em todos os casos estudados a quantidade de horas trabalhadas mencionadas pelas agropecuaristas segue o ritmo da fazenda, ou seja, se é necessário começar às cinco horas da manhã e encerrar as dez da noite, elas estão lá até o fim. E se é preciso trabalhar aos sábados, domingos ou feriados por uma questão de aproveitamento do clima (plantio, colheita), lá estão elas prontas para acompanhar as atividades. Isto demonstra claramente que a quantidade de horas destinadas à realização do trabalho rural é muito variável, pois existem dias ou períodos que se trabalha de sol a sol e outros em que o ritmo de trabalho tende a diminuir, até mesmo por condições climáticas e períodos de plantio ou colheita.
Apenas três agropecuaristas destacaram que trabalham de 6 a 8 horas no escritório quando permanecem na cidade, isto se deve a presença diária do filho e/ou gerente nas propriedades que monitoram as atividades, entretanto quando estão na propriedade buscam acompanhar as atividades de perto.
Ao se questionar sobre férias, as mulheres empreendedoras agropecuaristas as expuseram da seguinte maneira:
E1: De vez em quando a gente precisa tirar umas férias. Eu acho que sei conciliar o dia-a-dia com um pouco de lazer também. Acho que é importante isso. Não ficar
esperando muito por umas férias, mas sim aprender a ter qualidade de vida, porque com o mundo moderno é muito importante isso.
E2: Eventualmente tiro. Não tem especificamente datas, geralmente são datas em que tenho menos trabalho (fora de temporada, depois da exposição).
E3: Tiro férias de vez em quando. Vou visitar minha filha que mora no exterior.
E4: Nós tiramos férias em abril. É o mês que o meu marido pode sair. Nós temos que dar férias para os funcionários que têm filhos na escola, em janeiro. Então nós podemos sair depois de fevereiro.
E5: Eu tiro, mas não é todo ano não.
E6: Eu tiro férias. Não digo que agora eu vou sair um mês. Eu tiro férias assim, às vezes eu tiro uma semana, pois não dá para sair muito. As coisas ficam desorganizadas e quando eu chego, a minha mesa está enorme, cheia de coisa para resolver.
E7: Tiro, mas sem época específica, uns 7 ou 15 dias.
E8: Tiro, mas não tem muita data não.
E9: Tiro uma vez por ano quando meu marido tira.
E10: Tiro e isto é sagrado. Tiro 15 ou 20 dias de férias, meio que aleatório.
Analisando os depoimentos de cada agropecuaristas concluiu-se que todas elas procuram tirar uns dias de férias; entretanto, percebe-se que procuram conciliar suas férias com as dos funcionários. Quando saem, buscam não permanecer muitos dias longe das atividades agropecuárias. Com exceção das agropecuaristas E2 e E3 que têm datas pré-estabelecidas, as demais saem da rotina meio que aleatoriamente.
Em relação às mulheres empreendedoras do setor agropecuário verificou-se que dentre as dez entrevistadas, apenas E8 apresentou sua disposição em se aposentar ao passo que as outras nove afirmaram não pensarem sobre isto. Em relação a pensar em se aposentar, cada agropecuarista apresenta sua versão:
E1: A minha meta não é muita esperança na aposentadoria não. As coisas parecem que vão ficando mais difíceis, o tempo da gente já não rende tanto então é
importante fazer e, estar construindo sempre. A gente tem que estar muito animado com estes objetivos aí. O importante é sempre estar em ação.
E2: No momento ainda não penso em me aposentar. Cada vez que me aproximo de uma idade mais avançada, menos eu penso em me aposentar. Acho que é medo de morrer.
E3: Não acho bom me aposentar. Não gostaria, acho que ficaria doente.
E4: É um aposentar fictício porque você pode se aposentar para ser remunerada ou porque a lei exige, mas na realidade você continua na atividade. Trabalhando mais ou da mesma maneira que antes.
E5: Não penso em me aposentar e não tem como isto. Acho que meus filhos vão me aposentar na marra. Acho que vou tocar até não ter como. Talvez eu diminua o ritmo.
E6: Eu acho terrível a aposentadoria. Eu acho que trabalhar é a melhor coisa.
Trabalhar é melhor.
E7: Não, acho que não. Primeiro por até agora não estou pagando nada de aposentadoria, agora é que fui me alertar para isto e meu contador vai ver o quê eu preciso fazer. Eu vou começar a pagar, mas eu não quero parar de trabalhar não.
Acho que o que me mantém viva até hoje é o trabalho.
E8: Eu acho que sim. Eu nunca pensei nisto.
E9: Não penso em me aposentar, nem pensei nisto ainda. A gente tem que estar preparado para a aposentadoria, tem que estar preparado para envelhecer. Vou continuar atuando até “sair desta para melhor”, este é meu objetivo.
E10: Não penso em me aposentar. Acho que isso que fiz é quase uma aposentadoria. Agora que minhas filhas já estão casadas, independentes e meu filho já está trabalhando e estudando, eu não tenho mais que me preocupar com sobrevivência. Acho que tudo isso contribuiu para que eu fizesse parceria com a cooperativa. Eles até comentaram: isto é uma boa aposentadoria.
Em relação à aposentadoria verifica-se que grande parte das mulheres empreendedoras agropecuaristas não se preocupa muito em se aposentar. Este posicionamento em relação a aposentadoria pode estar relacionado com a faixa etária deste grupo de mulheres agropecuaristas. Na verdade estas mulheres buscam no meio agropecuário um lugar para realização pessoal e descanso, ou seja, para
elas, estar em contato com a terra ou animais têm um significado muito especial que é o de estar trabalhando em um setor de identificação pessoal. Geralmente quando pensam em aposentadoria percebem que ela acarreta certa privação em relacionar-se com as atividades e que as deixam muito próximas da morte.
Entretanto E4 e E7 ressaltam que o ato de se aposentar é uma exigência por lei, entretanto se trabalha da mesma forma que antes ou até mais. O trabalho é encarado como uma fonte de vida, um incentivo para continuar caminhando. Outro ponto destacado por E9 diz respeito a estar preparada para a aposentadoria e envelhecimento, sem deixar de lado o trabalho. A agropecuarista E10 considera a parceria com uma cooperativa de cana-de-açúcar como um bom rendimento, ou seja, uma boa aposentadoria, tendo em vista que este recurso é para uso próprio e não dos familiares.
Estilo de gerenciamento e prazer no processo de empreender
Ao se trabalhar com o estilo de gerenciamento, buscou-se identificar o comportamento da mulher agropecuarista na condução das atividades de sua propriedade. A seguir é possível visualizar como cada uma expôs seu modo de gerenciamento:
E1: A gente fica muito com o pé no chão e não tão consumista. Você fica muito amadurecida. São valores que se aprende e que são impossíveis de serem negados. No trabalho com a terra é importante que você tenha percepção para que você vá lá e busque o que é a realidade, as dificuldades e saiba perceber a qualidade de vida.
E2: Com certeza eu me capacitei mais e a medida que a gente se capacita mais a gente muda. Eu mudei também por causa da experiência adquirida. A gente aprendeu muitas coisas com os erros e buscou solucioná-lo de alguma forma ou com uma técnica. A tecnologia é uma coisa que eu tenho procurado fazer e eu mudei.
E3: Gerencio diferente porque meu filho entrou para me ajudar e daí ele passou a ajudar na administração do negócio fazendo um planejamento de trabalho,
E3: Gerencio diferente porque meu filho entrou para me ajudar e daí ele passou a ajudar na administração do negócio fazendo um planejamento de trabalho,