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O tráfico de seres humanos é um problema que não admite restrição de locais, não obedece fronteiras. Desde a declaração de Bruxelas em 2002 que o combate ao tráfico de pessoas configura um dos principais, senão o principal tema da agenda da União Europeia8.

Diversas medidas legais e políticas vêm sendo adotadas, tanto em âmbito nacional como europeu, com os fins principais de proteção dos direitos das vítimas e de combate às

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Dados disponíveis em: <http://www.fao.org/corp/statistics/en/>. Acesso em: 14 ago. 2012.

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Dentre outros princípios, a Declaração - que refere-se ao “povo da Europa” - estabelece que: “Afirmamos o valor, a dignidade e autonomia de cada indivíduo e o direito de todos à maior liberdade possível compatível com os direitos dos outros. Defendemos a democracia e os direitos humanos e procuramos para o maior desenvolvimento possível de cada ser humano.” Disponível em http://www.humanismosecular.org/declaracao-bruxelas.

organizações criminosas, tendo sempre como base a proteção e prevenção, em nível governamental e não-governamental.

Um grave problema que se percebe quando o assunto é o tráfico de seres humanos é a escassez, ou até mesmo a ausência de elementos, de dados obtidos de forma sistemática que possibilitem uma ampla e efetiva compreensão da realidade desse fenômeno. Essa falta – ou deficiência – da percepção do que ocorre realmente tende a prejudicar os esforços que devem ser empregados na luta contra o problema, pois sem informações e dados fiáveis, se torna impossível conhecer a extensão, a natureza e a complexidade das questões envolvidas pelo tráfico.

Conforme é exposto no Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos 2007-2010 de Portugal:

“Para combater eficazmente esta realidade complexa e multifacetada, urge uma abordagem integrada que tenha sempre como acento tônico a perspectiva dos direitos humanos. Nesse sentido, é importante que exista uma harmonização entre a vertente repressiva de combate ao tráfico de seres humanos, que é obviamente norteada pela punição dos traficantes, caldeada por estratégias de prevenção, de apoio, empowerment e inclusão das vítimas de tráfico.” 9

O Protocolo contra o Tráfico de Pessoas não nos dá a exata definição do que seja “exploração”, porém, a legislação apresenta um rol não-exaustivo de formas de exploração10, quais sejam: “Exploração inclui, pelo menos, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, de serviços ou trabalhos forçados, de escravatura, de práticas similares à servidão ou a extração de órgãos.”

Desta forma, os diferentes tipos de tráfico de pessoas (em consentâneo a forma de exploração apresentada) produzem diferentes perfis de vítima, inclusive levando-se em consideração o local onde a prática criminosa desenvolve-se11. Como é possível extrair do Protocolo, a exploração para fins de serviços ou trabalhos forçados configura o tráfico de seres humanos.

9 Comissão para a Cidadania e Igualdade de Gênero, Presidência do Conselho de Ministros, I Plano Nacional Contra o Tráfico de

Seres Humanos, 2007-2010. Lisboa, Portugal. P.15.

10 Deve-se ressaltar que o Protocolo contra o Tráfico de Pessoas vincula à criminalização do tráfico de pessoas, entretanto, não

exige que a legislação nacional utilize os exatos termos da definição de Tráfico de Pessoas nele constante. Ao invés, a legislação nacional deve ser feita de modo consistente com o âmbito legal de cada país, consagrando, no entanto, os elementos típicos presentes nas definições do Protocolo.

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Em Portugal, entre os anos de 2008-2011 foram confirmadas: 65 vítimas para exploração laboral; 51 para exploração sexual; 03 para tentativa de adoção e 01 para exploração sexual e laboral (duas formas não tipificadas). Wrabetz, Joana Daniel. Tráfico de Seres Humanos em Portugal e no Mundo. P. 6.

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As vítimas traficadas para a exploração laboral normalmente são obrigadas a trabalhar nos setores de agricultura, entretenimento, indústria de serviços e manufatura, e geralmente apresentam as seguintes características (dentre outras): vivem em grupos, no mesmo local onde trabalham e raramente ou nunca saem desses lugares; vivem em locais degradados e impróprios, como edifícios agrícolas industriais; não possuem os recursos necessários para o desenvolvimento do trabalho, como roupas adequadas e equipamento de proteção; são mal alimentadas; não têm acesso aos próprios rendimentos (ordinários); não possuem contrato de trabalho; trabalham demasiadas horas por dia; não têm a liberdade de se deslocar livremente; são disciplinadas por meio de multas; estão sujeitas a abusos, ameaças e/ou violência e não possuem formação básica nem licenças profissionais12.

Com relação ao ambiente, comumente há exposto no local de trabalho avisos em línguas diferentes da língua local; não há avisos sobre saúde e segurança, e o equipamento ter sido concebido ou alterado de forma a poder ser utilizado por crianças13.

Importante se faz ressaltar que os aspectos acima elencados constituem indicadores, não provas da existência do tráfico. Esses indicadores, que podem ser complementados por outros14, são fortes indícios que podem dar início à investigação.

De acordo com a estimativa global publicada pela Organização Internacional do Trabalho, em 01 de junho de 2012, há 20,9 milhões de vítimas de trabalho forçado no mundo. Desse total, 11,4 milhões são mulheres (9,5 milhões homens) e 15,4 milhões são adultos, contra 5,5 milhões de crianças15.

O relatório também afirma que, desse total de 20,9 milhões de vítimas, 18,7 milhões, ou seja, 90% do total são exploradas em atividades da economia privada, por indivíduos ou empresas; e, ainda, desses 90% tem-se que 4,5 milhões (22%) são vítimas de exploração sexual, enquanto

12 Manual contra o tráfico de pessoas para profissionais do sistema de justiça penal. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS,

Nova Iorque, 2009. P. 16.

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Manual contra o tráfico de pessoas para profissionais do sistema de justiça penal. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, Nova Iorque, 2009. P. 17.

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A totalidade de indicadores encontrados na pesquisa não foram aqui exauridos, por uma questão de espaço, optando-se por expor aqueles considerados mais relevantes.

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14,2 milhões (68%) são vítimas de exploração laboral, sobretudo na agricultura, construção civil, indústria ou servidão doméstica.

O artigo 160 da Lei Portuguesa 59/2007, de 04 de setembro, contém diversos dispositivos especificamente sobre o tráfico de seres humanos. Dentre outras disposições, a Lei configura como tráfico:

1- Quem oferecer, entregar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoa para fins de exploração sexual, exploração do trabalho ou extracção de órgãos:

a)Por meio de violência, rapto ou ameaça grave; b)Através de ardil ou manobra fraudulenta;

c)Com abuso de autoridade resultante de uma relação de dependência hierárquica, econômica, de trabalho ou familiar;

d)Aproveitando-se de incapacidade psíquica ou de situação de especial vulnerabilidade da vítima; ou

e)Mediante a obtenção do consentimento da pessoa que tem o controlo sobre a vítima; é punido com pena de prisão de três a dez anos.

O n.º 2, do mesmo Artigo, ainda prescreve que incorre na mesma pena quem “Aliciar, transportar, proceder ao alojamento ou acolhimento de menor, ou o entregar, oferecer ou aceitar, para fins de exploração sexual, exploração do trabalho ou extracção de órgãos” e adverte (no n.º 3) que nesses casos, se o agente usar algum dos meios previstos nas alíneas do n.º 1 ou atuar de modo profissional ou com intenção lucrativa, deve ser punido com pena de três a doze anos de prisão. Ou seja, nesse último caso a pena é mais severa16.

No âmbito nacional, há em Portugal dois mecanismos principais de coleta de dados relacionados com o tráfico de seres humanos, quais sejam: a) Dados recolhidos por meio do Guia Único de Registro para o Tráfico de Seres Humanos (GUR/TSH – modelo dos órgãos de polícia criminal); b) Dados recolhidos por meio do Guia de Sinalização (GS/TSH – modelo das ONG e organizações público-privadas).

16 Portugal também possui legislação que se refere à entrada, permanência e saída de estrangeiros do seu território. Trata-se da

Lei 23/2007, de 4 de julho, que dispõe à pessoa indicada como possível vítima de tráfico um período de reflexão com duração mínima de 30 dias e máxima de 60, o que possibilita a recuperação ao poder dos traficantes. Enquanto durar este período de reflexão, não se pode aplicar medidas de remoção à vítima; seus meios de subsistência, bem como o acesso a tratamento médico urgente, segurança, assistência psicológica, tradução e interpretação e assistência legal ao abrigo são garantidos (Recolha de Dados e Gestão de Informação Anti-Tráfico na União Europeia – Um Manual. Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração. P.59).

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Esses procedimentos levam em consideração, essencialmente, dados com foco nas vítimas; secundariamente ficam os relativos aos traficantes17. A obtenção e análise desses dados estão atualmente sob a responsabilidade do Observatório do Tráfico de Seres Humanos (Direção-Geral de Administração Interna/DGAI – Ministério da Administração Interna) em cooperação com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Gênero.

No que concerne a uma ação mais objetiva e direta, o Observatório do TSH produz estatísticas, análise de dados geográficos, investigação (principalmente sobre políticas públicas) e relatórios. Vale ressaltar que essa ampla atividade do Observatório não exclui os procedimentos de recolha e análise de dados pelas autoridades policiais. Deve haver uma complementariedade das ações. As estatísticas em âmbito judicial ficam a cargo da Direção-Geral da Política de Justiça (Ministério da Justiça), que tem como fontes a polícia e a Procuradoria-Geral da República. Há, também em Portugal, o Centro para Vítimas de Tráfico, constituído por uma equipe multidisciplinar, que objetiva recolher informações e enviá-las ao Observatório do Tráfico de Seres Humanos. Além de tudo isso, existe ainda algumas ONGs locais que realizam trabalho semelhante, todavia, essas organizações têm de ter uma estruturação formal e sistemática, para que o sistema de obtenção de dados seja confiável.

A identificação do tráfico de seres humanos não é algo simples: os criminosos aplicam o máximo de esforços a fim de garantirem que será difícil detectar as suas atividades, de que irão ver-se impunes.

3 Estatíticas sobre o tráfico na rota Brasil-Portugal

Os fatores sociais e econômicos, outrora dissertados, corroboram para o quadro que propicia a prática do tráfico internacional humano. Os números que envolvem o delito chamam atenção das

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As variáveis utilizadas no GUR/TSH e no GS/TSH são relacionadas com: a) dados referentes à localização da suposta vítima; b) dados referentes à pessoa da vítima; c) dados sobre as formas de coerção exercidas sobre a vítima; d) dados sobre o direcionamento a mecanismos de apoio. Quanto aos dados relativos aos traficantes (GUR/TSH), estes dizem respeito à nacionalidade; no GS/TSH há também dados de nacionalidade mais o sexo, idade, relação com a vítima, participação no crime, etc (Recolha de Dados e Gestão de Informação Anti-Tráfico na União Europeia – Um Manual. Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração. P. 142).

organizações internacionais e demais órgãos responsáveis pelo combate e prevenção; mediante o fenômeno da globalização, comumente se torna o recrutamento de pessoas para o labor.

Os dados expostos pela UNODC18 ratificam os pontos levantados neste trabalho: no ano de 2010 houve larga movimentação financeira na Europa fita da exploração sexual, perfaz 03 bilhões de dólares, fruto do tráfico de cerca de 70 mil pessoas, sendo 84% destinadas à exploração sexual19. Consoante o Sistema Nacional de Estatísticas de Segurança Pública e Justiça Criminal (SINESPJC) da Polícia Militar, no período de 2006 a 2011 houve em torno de 1.735 de indivíduos vítimas de tráfico interno de pessoas para fins de exploração sexual20, no âmbito internacional, entre 01 e 04 milhões de pessoas são traficadas, sendo 90% mulheres e crianças21, aduz Siqueira (apud GIANNECCHINI, 2012, p. 01):

O Brasil é apontado pela ONU como um dos maiores "fornecedores" de mulheres e crianças para o tráfico de seres humanos para fins de exploração do comercial sexual - o maior exportador de mulheres na América Latina. As mulheres brasileiras mais valorizadas no "mercado internacional", [...], são as mulatas, bastante requisitadas na Espanha, Portugal, Itália e Suíça22.

Deste modo, é fulcral ao Estado brasileiro o aprimoramento das redes de enfrentamento ao crime, tendo em vista ser um dos principais países de origem dos traficados.

Especificamente na rota migracional Brasil – Portugal, o Observatório de Tráfico de Seres Humanos (OTSH) – vinculado ao Ministério da Administração Interna português -, revela em seu relatório de 2009, que:

além de vítimas, os brasileiros aparecem também como alguns dos principais aliciadores, aponta o governo do país. Entre os 84 casos sob investigação aberta no ano passado [2008], brasileiros aparecem em como possíveis agressores em nove. Depois dos próprios portugueses (25 casos), a principal nacionalidade de aliciadores é de

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Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

19 Dados coletados em RODRIGUES, T. C. O tráfico internacional de pessoas para o fim de exploração sexual e a questão

do consentimento. 2012. 201. Dissertação (Mestrado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo,

2012.

20

BRASIL. Blog do Ministério da Justiça. Disponível em: http://blog.justica.gov.br/inicio/primeiro-relatorio-consolida-dados- sobre-trafico-de-pessoas-no-brasil/>. Acesso em: 19 mai. 2013

21

GIANNECCHINI, L. Mulheres jovens e crianças são as principais vítimas do tráfico de seres humanos no mundo. Disponível em: http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=4033&cod_canal=31>. Acesso em: 19 mai. 2013.

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romenos (12). Entre os apenas nove casos confirmados, dois foram de mulheres aliciadas por brasileiros23.

O cenário elucidado pelo OTSH afirma que 40% do traficado com destino a Portugal são mulheres, logo, é preponderante a sua utilização para os fins de exploração sexual. Os números são assustadores, pois revelam que é patente a necessidade de melhorias quanto ao trato sobre o assunto e o uso de medidas (por ambos os Estados) cabíveis para atender ao problema.

4 Condições de trabalho encontradas em Portugal

O tráfico de pessoas envolve uma forte vulnerabilidade das vítimas, que pode ser classificada em três tipos: a) vulnerabilidade pessoal (pré-existente): aspectos físicos ou mentais, crianças, idosos, gênero, gravidez, cultura, língua, religião, situação familiar; b) situacional (criada): relativa a questões sociais, culturais ou isolamento linguístico e, por terceira e última, a vulnerabilidade circunstancial (criada) que está ligada a situação de desemprego prolongado ou situação de destituição económica. Esse último tipo de vulnerabilidade é o que mais nos interessa nesse momento.

Na rota Brasil-Portugal não tão-somente há a finalidade de exploração sexual, mas o trabalho análogo ao escravo, às condições laborais encontradas são temerosas: em sua maioria não há realização de contrato (e apreensão de documentos), portanto, enseja ao pagamento irregular e irrisório, jornadas de trabalho desproporcionais com deliberações de agressões físicas, além das más condições de higiene e alojamento.

O trabalhador brasileiro detém como caracterizador, aponta relatório de 2011 da UNFPA (Fundo Mundial de População das Nações Unidas):

A exploração no trabalho é relativamente naturalizada e enfrentada construindo uma ideia sobre a intensa capacidade de trabalho dos brasileiros (as), delineada através do contraste com a relação que estrangeiros de uma outra nacionalidade têm como o trabalho, valorizada em uma hierarquia na qual os estrangeiros são inferiorizados.24

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PORTUGAL. Observatório de Tráfico de Seres Humanos. Tráfico de pessoas em Portugal envolve brasileiros como vítimas

e aliciadores. Disponível em: <http://www.otsh.mai.gov.pt/?area=203&mid=000&sid=1&sid=000&cid=CNT4c29b76c3957b>.

Acesso em: 15 mai. 2013.

24

UNFPA. Relatório sobre a situação da população mundial de 2011. Disponível em: http://www.unfpa.org.br/Arquivos/swop2011.pdf>. Acesso em: 20 mai. 2013.

Nos países de origem uns dos fatores que podem estar inseridos no tráfico de pessoas em relação ao trabalho (ou falta dele) é a grande e crescente desigualdade salarial entre pessoas qualificadas e não-qualificadas, e a elevação das taxas de desemprego. Quanto aos países de destino se observa que há uma ideia de estabilidade, ou de política estável, mais oportunidades de trabalho, porém necessidade de mão-de-obra barata relacionada à precariedade do mercado de trabalho e crescimento da chamada ‘indústria do sexo’.

Em 1809 o valor de um escravo era de 40 mil dólares, em 2009, uma pessoa valia 90 dólares. De acordo com a Estimativa Global da OIT - publicado a 01 de junho 2012, há hoje, cerca de 20,9 milhões de trabalhadores forçados ao redor do mundo. Esse total está assim dividido por regiões, aproximadamente:

 Ásia e o Pacífico: 56% (11.700.00);

 África: 18% (3.700.00);

 América Latina e Caribe: 9% (1.800.00);

 Europa Central e Sudeste (não incluindo a União Europeia): 8% (1.600.00);

 União Europeia: 7% (1.500.00);

 Oriente Médio: 3% (600.000).

Portanto, conclui-se que a região Ásia-Pacífico é a que possui maior número de vítimas de trabalho forçado. No tráfico para exploração de trabalho, em Portugal, as estatísticas de 2008- 2011 demonstram que houve 65 vítimas confirmadas25, sendo 53 do sexo masculino e 46 cidadãos portugueses. O estudo da OIT sobre trabalho forçado publicado em 2005 assinalava 12,3 milhões de vítimas do trabalho forçado e tráfico sexual. Contrariamente a 2005, esta estimativa de 2012 não separa as vítimas de tráfico de pessoas como um subconjunto da estimativa global de trabalho forçado.

Das 23 vítimas de tráfico confirmadas em Portugal, em 2011, 18 foram para fins de trabalho forçado, contra apenas 03 para exploração sexual (sendo ainda 01 para tentativa de adoção e outra para finalidade desconhecida). O que parece estar acontecendo atualmente é que o índice de vítimas para finalidade de exploração laboral está cada vez mais crescente, sendo superior às vítimas para fins sexuais.

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De acordo com as mesmas estatísticas, para fins de exploração sexual essa taxa foi de 51 vítimas. Dados encontrados no Manual de Tráfico de Seres Humanos em Portugal e no Mundo, do Observatório do Tráfico de Seres Humanos, sob a Chefe de Equipa Joana Daniel Wrabetz.

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Para um efetivo combate ao tráfico de seres humano é necessário que haja cooperação, multidisciplinariedade, integração; é preciso educar e sensibilizar, investigar, proteger, assistir e prevenir, e tudo isso só é possível com o conhecimento da realidade desse fenômeno criminoso.

Conclusão

Ao longo deste artigo foi dissertado sobre os fatores que contribuem para a migração Brasil – Portugal, conforme os dados alhures, e o tráfico humano internacional. É alarmante o número de caso e suas motivações, esta prática delituosa lança luz a outros problemas de ordem social, como o desemprego, a falta de moradia, educação de baixa qualidade e o acesso escasso às outras políticas públicas.

Infelizmente, é alarmante o quadro de pessoas traficadas no Brasil, conforme o Ministério da Justiça, 475 foram vítimas por diversos tipos de exploração entre os anos de 2005 e 2009. Ademais, aduz Pereira e Vasconcelos (2007, p. 28) “existe um envolvimento activo de portugueses que, geralmente com o auxílio de um contacto no Brasil, angariam mulheres para trabalhar nos seus bares de alterne e na prostituição em Portugal”, vindo a ocasionar o grande fluxo migratório irregular.

O recrutamento ocorre em detrimento das circunstâncias sofríveis pelas quais passam os indivíduos, ora vítimas, em seus locais de origem. Destarte, não há de se falar em vetor resultante de um único ponto, mas de correlação, tais como: à busca por melhores condições de vida, oportunidades de trabalho, às desigualdades sociais e à discriminação.

Tais pontos são preponderantes para o fácil aliciamento de indivíduos com promessas de uma vida mais digna, além disso, o convite ilusório de viver com boas condições financeiras noutro país. Diante do quadro elucidado no decorrer deste trabalho, é necessário apontar meios de solução da problemática.

Um dos modos para a busca do combate e prevenção às práticas infracionais do tráfico, reside à cooperação internacional entre países.

Bibliografia

Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração. Recolha de Dados e Gestão de Informação Anti-Tráfico na União Europeia – Um Manual. Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração (ICMPD), Viena – 2009. freetheslaves.net.

Comissão para a Cidadania e Igualdade de Gênero, Presidência do Conselho de Ministros, I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos, 2007-2010. Lisboa, Portugal.

Declaração Internacional sobre o Direito ao desenvolvimento de 1986.

Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Viena. Manual contra o tráfico de pessoas para profissionais do sistema de justiça penal. Módulo 2: Indicadores de tráfico de pessoas. Organização das Nações Unidas, Nova