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Apresentação e análise interpretativa dos dados

4. Prática curricular

4.3. Trabalho individual do professor

Continuando a análise em torno da prática curricular, temos, agora, a categoria referente ao “trabalho individual do professor”, cujo somatório é de  =163, correspondente a 11,3% do tema em análise.

Compreende quatro subcategorias: “áreas mais valorizadas e áreas menos valorizadas”, que representam um somatório conjunto de  =47; “modo de planificar”, com um total de 69 unidades de sentido, ou seja 42,3% da categoria; e “periodicidade da planificação”, correspondente a 28,8% do total da categoria, com 47 unidades de sentido.

Quanto às “áreas mais e áreas menos valorizadas”, consideradas em conjunto, dado o diminuto número de indicadores de ambas (Quadro VIII-A), constatamos que as mais valorizadas se referem ao tradicional “ler, escrever e contar”, tendo 6 (40%) entrevistadas indicado a “Língua Portuguesa”, em 23 unidades de sentido (14,1%); 3 (20%) a “Matemática”, em 10 unidades de sentido (6,1%); e também 3 (20%) o “Estudo do Meio”, em 7 unidades de sentido (4,3%). Destaca-se, no entanto, o indicador relativo à

Língua Portuguesa que apresenta um valor acima das médias, tanto da categoria (X =10,9),

como da subcategoria (X =11,7).

Quadro VIII - A Prática curricular

Trabalho individual do professor – Áreas mais valorizadas e áreas menos valorizadas Trabalho individual do professor

- Áreas mais valorizadas e áreas menos valorizadas -

A B C D E Total 1*

% Total 2**

%

Áreas mais valorizadas

“Língua Portuguesa” 2 6 14 1 23 14,1 6 40,0

“Matemática” 6 4 10 6,1 3 20,0

“Estudo do Meio” 3 4 7 4,3 3 20,0

Total 5 16 0 18 1 40 24,5 --- ---

Áreas menos valorizadas

“Expressões” 6 1 7 4,3 3 20,0

Total 0 6 0 1 0 7 4,3 --- ---

*Total 1 - número de respostas dadas (respostas múltiplas); **Total 2 - número de respondentes. N= 15 X = 11,7 (unidades de sentido); ( da categoria = 163; X = 10,9).

De modo pragmático, uma das entrevistadas expressa assim a suas preocupações educativas:

(...) a minha preocupação é ler, escrever e matemática... e praticar tudo isso, para saber comunicar, para

saber interpretar... (...) tem sido esta a minha preocupação... Depois... outros trabalhos, outras áreas... temos de integrá-las, mas se nós não soubermos aquilo que é básico: falar, comunicar, saber pedir aquilo que queremos, calcular... (D3)

Em contrapartida, as áreas assumidas como menos valorizadas são as “expressões”, com 7 unidades de sentido (4,3%), devidas a três entrevistadas (20%), tal como está expresso nas seguinte passagem de uma das entrevistas:

(...) às vezes, as áreas das Expressões são também deixadas um pouco para trás... são um pouco

esquecidas... (...) É claro que todas as áreas são importantes, mas... (B2)

Situando a análise no plano das etapas da carreira, os valores das frequências encontrados oscilam de etapa para etapa, não se definindo uma tendência em qualquer nenhum sentido.

Torna-se interessante, no entanto, verificar que as áreas assumidas como mais valorizadas por estas entrevistadas, em termos de trabalho individual, não coincidem com as que são mais privilegiadas, no trabalho que dizem privilegiar com os seus parceiros curriculares (Quadro XII-B).

A subcategoria relativa ao modo de planificar o trabalho individual comporta 5 indicadores (Quadro VIII-B), a que correspondem 69 unidades de sentido, a que corresponde uma média deX =13,8, valor que é superior ao da média da categoria.

Quadro VIII - B Prática curricular

Trabalho individual do professor – Modo de planificar Trabalho individual do professor

- Modo de planificar - A B C D E Total 1* % Total 2** % “Individualmente” 7 5 3 5 10 30 18,4 14 93,3

“A planificação é flexível” 1 4 3 5 5 18 11,0 10 66,7

“Com os alunos” 2 1 7 3 1 14 8,6 8 53,3

“Com uma colega” 4 1 5 3,1 2 13,3

“Faço uma planificação formal e outra para me orientar” 2 2 1,2 1 6,7

Total 10 12 17 14 16 69 42,3 --- ---

*Total 1 - número de respostas dadas (respostas múltiplas); **Total 2 - número de respondentes. N= 15 X = 13,8 (unidades de sentido); ( da categoria = 163; X = 10,9).

Dos 5 indicadores que a compõem, 3 reportam-se aos intervenientes na elaboração da planificação e, deles, o mais significativo é “individualmente”, referido por 14 entrevistadas (93,3%), em 30 unidades de sentido (18,4%), o que denota o carácter marcadamente solitário deste tipo de trabalho.

Todavia, embora com menos expressão, é assumida alguma partilha na planificação do trabalho individual, evidenciada pelos indicadores: “com os alunos”, devido a 8 entrevistadas (53,3%), em 14 unidades de sentido (8,6%), e “com uma colega”, relativo a 2 entrevistadas (13,3%), em 5 unidades de sentido (3,1%).

Os excertos, a seguir transcritos, sustentam o acabado de afirmar:

(...) Os meninos lá fazem os projectos que eles querem... lá vão dizendo o que é querem fazer e o que não

querem fazer... (...) (E1)

(...) [A planificação] a da turma... (...) ou faz-se sozinha ou faz-se com a colega... por exemplo, do ano de

escolaridade anterior ou do ano seguinte... (...) (E1)

Os restantes 2 indicadores têm a ver com a funcionalidade da planificação e entre eles o que detém maior peso percentual é “a planificação é flexível” (18 unidades de sentido ou 11,0%, resultantes de 10 entrevistadas ou 66,7%), o que deixa transparecer a importância atribuída a documentos de trabalhos abertos às circunstâncias educativas que vão surgindo em cada contexto.

O outro indicador: “faço uma planificação formal e outra para me orientar”, com 2 unidades de sentido (1,2%), devidas a 1 entrevistada (6,7%), encontra-se retratado na seguinte transcrição:

(...) primeiro tento sempre... aquelas planificações... como vêm nos livros (...) isso é para inglês ver, como

eu costumo dizer... (...) Não podemos estar com utopias... (...) Eu primeiro tento sempre fazer... tenho as planificações ali num dossier se vier aí um inspector... (...) agora passaram-se dois meses de trabalho com os alunos... Agora é que eu penso... fazer mesmo uma planificação para ficar, não a tal formal... (...) (B2)

Atendendo-nos, agora, às etapas da carreira, os indicadores “individualmente”, “a planificação é flexível” e “com os alunos” estão presentes em todas elas, oscilando os seus valores de uma para outra, embora se possa delinear uma certa tendência de sentido crescente, quanto à flexibilidade da planificação, à medida que se avança no percurso profissional.

O indicador “com uma colega” surge nas etapas: C e D, correspondendo somente a duas das entrevistadas, o que evidencia a pouca importância atribuída ao trabalho conjunto com os colegas, no tocante à planificação do trabalho de cada professora.

Embora pouco expressivo, dado que se deve a apenas uma das entrevistadas situadas na segunda etapa, o indicador “faço uma planificação formal e outra para me orientar”, coloca-nos questões relacionadas com a funcionalidade subjacente às planificações elaboradas pelos professores, no sentido de se saber até que ponto estas são consideradas, realmente, documentos de trabalho e de suporte prática docente ou se, simplesmente, são tidas como documentos formais, referentes a uma prática virtual, não coincidente com o trabalho que é desenvolvido.

Passemos, de seguida, à análise da subcategoria “periodicidade da planificação”, apresentada Quadro VIII-C, e que contém 47 unidades de sentido, equivalentes a 28,8% da categoria, e que compreende 6 indicadores.

O indicador que mais se destaca, em termos percentuais relativos, é “mensalmente/bimensalmente”, com 12 unidades de sentido (7,4%), extraídas de 10 das entrevistas (66,7%).

Quadro VIII - C Prática curricular

Trabalho individual do professor - Periodicidade da planificação Trabalho individual do professor

- Periodicidade da planificação - A B C D E Total 1* % Total 2** % “Diariamente” 6 1 7 4,3 4 26,7 “Quinzenalmente” 1 5 1 7 4,3 4 26,7 “Semanalmente” 3 2 3 8 4,9 6 40,0 “Mensalmente/bimensalmente” 3 2 2 3 2 12 7,4 10 66,7 “Trimestralmente” 5 2 7 4,3 3 20,0 “Anualmente” 2 1 3 6 3,7 5 33,3 Total 8 9 9 14 7 47 28,8 --- ---

*Total 1 - número de respostas dadas (respostas múltiplas); **Total 2 - número de respondentes. N= 15 X = 7,8 (unidades de sentido); ( da categoria = 163; X = 10,9).

Com 8 unidades de sentido (4,9%) e devido a 6 das entrevistadas (40%), segue-se o indicador “semanalmente”. “Anualmente” constitui outro dos indicadores desta subcategoria, colhido em de 5 entrevistas (3,3%), e a que correspondem 6 unidades de sentido (3,7%), uma das quais foi assim verbalizada:

(...) no início do ano faço planos, planos para o ano lectivo... (...) vejo o que é que vou fazer durante o ano

(...) (C1)

Em conformidade, constata-se que se seguem, com 7 unidades de sentido (4,3%), relativas a 4 entrevistas (26,7%), em cada caso, os indicadores “diariamente” e “quinzenalmente”, estando este último expresso no seguinte excerto:

(...) eu costumo programar de quinze em quinze dias, mais ou menos, com os temas que penso dar

durante esse tempo... (...) (D2)

O indicador “trimestralmente” é o menos significativo, uma vez que só o foi referenciado por 3 entrevistadas (20,0%), embora tenha alcançado 7 unidades de sentido (4,3%).

Saliente-se, ainda, que o indicador “mensalmente/bimensalmente” é o único que se encontra em todas as etapas da carreira, indiciando ser o mês a unidade de tempo preferida pelo grupo das entrevistadas para a planificação do seu trabalho individual.

É de salientar que a unidade de tempo mais pequena, expressa pelo indicador “diariamente”, surge apenas nas duas últimas etapas e, inversamente, a unidade de tempo mais alargada, considerada no indicador “anualmente”, aparece nas três primeiras etapas.

Os restantes indicadores encontram-se dispersos pelas diversas etapas, sem que se evidencie nenhuma tendência na sua distribuição.