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5. NORMA: REGULAÇÃO PLÚRIMA DO TRABALHO MARÍTIMO NA

5.1 ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL BRASILEIRA

5.1.1 Os trabalhadores marítimos

5.1.1.3 Trabalho marítimo e legislação complementar relevante

Interessa ainda aos trabalhadores marítimos uma breve análise das legislações que tratam da ordenação do transporte aquaviário e de sua segurança, todas aprovadas no período de 1997 a 1998, no que abarque repercussões quanto a seus direitos trabalhistas, ou que os complementem de maneira relevante.442

A Lei Federal nº 9.342/97443 dispôs sobre a ordenação do transporte aquaviário no Brasil, tratando de itens como bandeira (quais embarcações têm direito a arvorar bandeira brasileira), os regimes de navegação (quais nacionalidades de embarcações podem realizar cada tipo de navegação em águas brasileiras), detalhes sobre o afretamento de embarcações444

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BRASIL. Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e as Leis nos 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações de trabalho. 440

“ Art. 58. [...]

§2º O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador.“ (Redação alterada pela Lei Federal nº 13. 467/17, atualmente em vacatio).

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Em 13 de novembro de 2017, 120 dias após sua publicação oficial.

442 Os decretos que aprovaram e incorporaram ao ordenamento brasileiro as recomendações ou convenções da Organização Internacional do Trabalho, não obstante serem também legislação complementar de suma importância, serão abordados em tópico próprio neste capítulo.

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BRASIL. Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997. Dispõe sobre a ordenação do transporte aquaviário e dá outras providências.

444 Fretamento, ou afretamento, é um contrato pelo qual o armador ou proprietário de um navio mercante se obriga, mediante pagamento de frete, a transportar mercadorias de um porto a outro, tratando-se, assim, de um contrato que diz respeito à locação do navio para prestação de serviços e transporte. Via de regra, quando o navio é cedido sem a obrigação do transporte, não há fretamento, mas sim locação do navio. A legislação brasileira,

e regimes de registro, além de trazer para o viés legal definições importantes quanto a elementos típicos da marinha mercante, como o armador.

Ademais, é ela quem reza que a navegação de apoio marítimo é aquela à qual pertence o trabalhador marítimo da indústria do petróleo (de quem, afinal, tratamos), visto que define que dita navegação é aquela realizada para o apoio logístico a embarcações e instalações em águas territoriais e na ZEE especificamente nas atividades de pesquisa e lavra de hidrocarbonetos e minerais445. Assim, por esta lei se reconhece formalmente que a navegação de apoio marítimo é algo inerente à atividade petrolífera.

No que tange demais aspectos relevantes para o trabalhador marítimo, acreditamos serem estes restritos a dois pontos: o artigo 4º e o §5º do artigo 11.

O artigo 4º define que, nos casos de embarcações com bandeira brasileira446, necessariamente o comandante, o chefe de máquinas e dois terços da tripulação devem ser brasileiros.

Como pela mesma lei à embarcações estrangeiras não se permite a operação de todos os regimes de navegação, salvo quando afretadas por empresas brasileiras (e mesmo assim quando verificada inexistência de embarcação brasileira de mesmo porte, necessidade de interesse público ou em substituição a embarcações em construção no país), este artigo almeja criar reserva de mercado para os trabalhadores marítimos brasileiros, evitando que embarcações antes estrangeiras arvorem bandeira brasileira com o mero intuito de conveniência, mantendo sua tripulação de origem.

Essa “reserva nacional” é relativizada para os navios que fizerem o Registro Especial Brasileiro (REB), uma espécie de segundo registro de propriedade naval que almeja combater a prática da bandeira de conveniência através da cessão, a quem dele fizer parte, de uma série de benefícios, como a exclusão das receitas de frete decorrentes de importação e exportação

contudo, não distingue as formas de utilização do navio e trata-as todas como afretamento (GIBERTONI, 2005, p. 173). Assim, pela Lei Federal nº 9.432/97, seriam três os tipos de afretamento: a casco nu (o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo indeterminado, designando inclusive a equipagem); por tempo (o afretador recebe a tripulação armada e tripulada, para operar por tempo determinado); e o por viagem (onde o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens).

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Reza ainda que os demais tipos de navegação são: de apoio portuário (exclusivamente em portos e terminais), de cabotagem (entre portos brasileiros), de interior (em hidrovias interiores) e de travessia (entre duas margens ou transversalmente aos cursos de rios e canais).

446 Que, por inteligência do artigo 3º da mesma lei, só pode ser a) aquela inscrita no Registro de Propriedade Marítima do Brasil, de propriedade de pessoa física residente e domiciliada no país ou de empresa brasileira; ou b) sob contrato de afretamento a casco nu com empresa brasileira, quando suspende-se provisoriamente a bandeira no país de origem.

de mercadorias das bases de cálculo de contribuições para PIS e COFINS.447 Nos casos das embarcações com REB, devem ser brasileiros apenas o comandante e o chefe de máquinas.

O §5º do artigo 11, por sua vez, traz curiosa menção à necessidade de que sejam celebradas novas convenções e acordos coletivos de trabalho para as tripulações das embarcações registradas no REB, “os quais terão por objetivo preservar as condições de competitividade com o mercado internacional”.

Tal menção da necessidade de celebração de novas convenções e acordos coletivos é, a nosso ver, descabida e não possui força cogente, não podendo interferir, anular ou motivar novos termos às negociações coletiva realizadas.448

Por sua vez, a Lei Federal nº 9.537/97 dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional.

Trata, especificamente, de uma série de normas quanto a atribuições da autoridade marítima (Ministério da Marinha), as medidas administrativas que por ela podem ser aplicadas, as penalidades e detalhes sobre o serviço de praticagem, e uma recapitulação do papel do comandante, atualizando aquilo encontrado no Título III do Código Comercial.

Sua maior contribuição aos trabalhadores marítimos diz respeito à efetiva caracterização de tal categoria como empregado, e não como cooperativado ou admitido por qualquer outra forma que não seja o contrato de trabalho.449

Ademais, reza que os termos do embarque e desembarque do tripulante se submetem às regras de dito contrato de trabalho, bem como estabelece a imposição da necessidade de habilitação específica, a ser concedida para o exercício de cargos e funções a bordo das embarcações.

Por fim, o Decreto nº 2.596/98, que estabelece o regulamento de segurança do tráfego aquaviário traz, entre outras coisas, as medidas complementares aptas a efetivar o porte, uso e

447 ESTUDOS ADUANEIROS. REB, Pré-REB e Pró-REB. Disponível em:

<https://estudosaduaneiros.com/reb/>. Acesso em: 10 ago. 2017.

448 Ressalve-se ainda que “condições de competitividade”, por mais das vezes, é termo que costuma se apresentar como eufemismo para precarização de direitos trabalhistas.

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“[...] o reclamante exercia a função de marinheiro de convés do rebocador CABEDELO (de propriedade da CODERN), considerado, portanto, aquaviário na forma da Lei nº 9.537/97, que dispõe sobre a segurança do trânsito aquaviário em águas sob jurisdição nacional. De acordo com a lei, o trabalhador dessa categoria profissional deve ser enquadrado como empregado, e não como cooperativado, conforme o art. 7º da referida lei: [...] O tripulante na acepção literal dessa lei, ‘é o aquaviário ou amador que exerce funções, embarcado, na operação da embarcação’ (art. 2º, XX). Assim, a legislação não admite outra forma de contratação do empregado senão a modalidade de contrato de trabalho.” (TST - AIRR: 772005420115210013 77200-54.2011.5.21.0013, Relator: Cláudio Mascarenhas Brandão, Data de Julgamento: 20/11/2013, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 29/11/2013)

infrações relativas ao certificado de habilitação, de interesse para o trabalhador marítimo por penalizar tanto quem conduza embarcação sem habilitação para operá-la, como quem contrate tripulantes que não a tenham.