• Nenhum resultado encontrado

Trabalho permanente vs temporário por sector

No documento BOLETIM MENSAL SETEMBRO (páginas 80-97)

emprego permanente e a tempo inteiro pode fornecer nova evidência de que as variações nos padrões de crescimento do emprego em 2006 foram generalizadas nas diferentes categorias de emprego.

Numa perspectiva sectorial, foi registada em geral uma evolução positiva em todos os sectores. A evolução que mais se destaca em 2006 consistiu no aumento significativo do emprego permanente no sector dos serviços e na interrupção da forte queda do emprego permanente na indústria (ver Gráfico B2). Em 2006, prosseguiu o aumento do emprego temporário em todos os sectores da economia. Tendências de longo prazo e perspectivas Contudo, em termos gerais, a recuperação em certos sectores do mercado de trabalho em 2006 não interrompeu a tendência em curso de

aumento na taxa de emprego das mulheres e dos trabalhadores mais velhos, bem como nos rácios do emprego temporário e a tempo parcial (ver Gráfico C). As tendências positivas nestes segmentos do mercado de trabalho podem estar em parte relacionadas com reformas no mercado de trabalho no passado2 e, como tal, mostram activamente os benefícios de novos progressos nessas reformas

no futuro.

2 Para mais pormenores, ver o artigo intitulado “Developments in the structural features of the euro area labour market over the last decade”, na edição de Janeiro de 2007 do Boletim Mensal.

Gr á fi c o C Ta xa s de e m prego da s m ulhe res

e do s t ra b al ha d ore s m a is ve l hos e r á c io d o e m prego t e m p or á r io e a t e m po pa rci a l (percentagens)

Fontes: Eurostat e cálculos do BCE.

Nota: Taxa de emprego = emprego / população da categoria correspondente. Rácio do emprego temporário (a tempo parcial) = emprego temporário (a tempo parcial) / emprego total. 10 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 0 10 20 30 40 50 60 rácio do emprego a tempo parcial (escala da esquerda) rácio do emprego temporário (escala da esquerda) taxa de emprego do grupo etário 55-64 (escala da direita) taxa de emprego das mulheres (escala da direita)

As expectativas de emprego têm vindo a seguir uma tendência ascendente desde meados de 2005 (ver Gráfico 48). Tanto as expectativas dos inquéritos ao emprego da Comissão Europeia como o índice de emprego do IGC estão disponíveis até Agosto e confirmam as perspectivas favoráveis prevalecentes no mercado de trabalho, apontando para novas melhorias no emprego da área do euro no início do terceiro trimestre de 2007.

4 . 3 P E R S P E C T I VA S PA R A A A C T I V I DA D E E C O N Ó M I C A

No geral, os dados disponíveis sugerem que a actividade económica na área do euro continua a expandir -se a taxas sustentadas. Os fundamentos favoráveis da economia da área do euro – nomeadamente a situação financeira sólida do sector empresarial e o mercado de trabalho forte – constituem bons indícios para uma absorção tranquila da turbulência dos mercados financeiros. A actividade económica mundial deverá manter -se robusta e apoiar as exportações e o investimento da área do euro. O crescimento do consumo na área do euro deverá fortalecer -se ainda mais ao longo do tempo, acompanhando os desenvolvimentos no rendimento disponível real, à medida que as condições no mercado de trabalho continuam a melhorar.

De acordo com esta avaliação, as mais recentes projecções macroeconómicas elaboradas por especialistas do BCE para a área do euro prevêem que o crescimento do PIB real se situe num intervalo entre 2.2% e 2.8% em 2007 e entre 1.8% e 2.8% em 2008 (ver Caixa 9).

Não obstante, os riscos para estas perspectivas favoráveis apresentam -se em baixa e relacionam -se sobretudo com um impacto potencialmente maior da reavaliação em curso do risco nos mercados financeiros, de desequilíbrios mundiais e pressões proteccionistas, bem como de novos aumentos do preço do petróleo e das matérias -primas.

crescimento do emprego na indústria excluindo a construção (escala da esquerda)

expectativas de emprego na indústria transformadora (escala da direita) 2002 2003 2004 2005 2006 2007 -2.5 -2.0 -1.5 -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 25 G r á f i c o 4 8 C re s c i m e n t o d o e m p reg o e ex p e c t at i va s d e e m p reg o

(taxas de variação homólogas (%); saldos de respostas extremas; dados corrigidos de sazonalidade)

Fontes: Eurostat e Inquéritos da Comissão Europeia às Empresas e Consumidores.

Nota: Os saldos de respostas extremas são corrigidos da média. expectativas de emprego na construção

expectativas de emprego no comércio a retalho expectativas de emprego no sector dos serviços

2002 2003 2004 2005 2006 2007 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 25 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 25

C a i x a 9

P RO J E C Ç Õ E S M A C RO E C O N Ó M I C A S PA R A A Á R E A D O E U RO E L A B O R A DA S P O R E S P E C I A L I S TA S D O B C E

Com base na informação disponível até 24 de Agosto de 2007, os especialistas do BCE prepararam projecções para a evolução macroeconómica da área do euro1. De acordo com essas projecções,

o crescimento real médio anual do PIB situar-se-á entre 2.2% e 2.8% em 2007 e entre 1.8% e 2.8% em 2008. A taxa média de crescimento do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) global deverá situar-se entre 1.9% e 2.1% em 2007 e entre 1.5% e 2.5% em 2008. Pressupostos técnicos sobre taxas de juro, taxas de câmbio, preços do petróleo e políticas orçamentais

Os pressupostos técnicos relativos às taxas de juro e aos preços do petróleo e das matérias-primas não energéticas têm por base as expectativas do mercado, com uma data-limite de 14 de Agosto de 2007. Relativamente às taxas de juro de curto prazo, medidas pela taxa EURIBOR a três meses, as expectativas do mercado são medidas por taxas a prazo, reflectindo de forma resumida a curva de rendimentos na data-limite. Tal implica um nível médio geral de 4.3% em 2007 e 4.5% em 2008. As expectativas do mercado quanto às taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública a dez anos nominais na área do euro apontam para um perfil constante no nível de 4.5% de Agosto. O cenário de referência inclui também o pressuposto de que os diferenciais dos empréstimos bancários observarão um ligeiro aumento ao longo do horizonte de projecção, reflectindo a recente experiência de uma maior consciência dos riscos nos mercados financeiros. Com base na trajectória implícita nos mercados de futuros na quinzena que terminou na data- -limite, parte-se do pressuposto de que os preços médios anuais do barril de petróleo se situarão em USD 68.1 em 2007 e USD 71.9 em 2008. Pressupõe-se que o aumento médio anual dos preços das matérias-primas não energéticas em dólares dos Estados Unidos se situe em 20.0% em 2007 e 5.7% em 2008.

Adoptou-se o pressuposto técnico de que, ao longo do horizonte de projecção, as taxas de câmbio bilaterais permanecerão inalteradas nos níveis médios prevalecentes no período de duas semanas findo na data-limite. Tal implica uma taxa de câmbio EUR/USD de 1.37 e uma taxa de câmbio efectiva do euro 3.1% mais elevada em 2007 do que a média para 2006 e 0.5% mais elevada em 2008 do que a média para 2007.

Em termos de política orçamental, os pressupostos têm por base os planos orçamentais nacionais dos diferentes países da área do euro. Incluem todas as medidas de política que já foram aprovadas pelos respectivos parlamentos ou que foram especificadas em pormenor e que muito provavelmente serão aprovadas no âmbito do processo legislativo.

1 As projecções macroeconómicas dos especialistas do BCE complementam as projecções macroeconómicas elaboradas por especialistas do Eurosistema, produzidas numa base semestral conjuntamente por especialistas do BCE e dos bancos centrais nacionais da área do euro. As técnicas utilizadas são consistentes com as utilizadas nas projecções elaboradas pelos especialistas do Eurosistema, conforme descrito em “A guide to Eurosystem staff macroeconomic projection exercises” (Guia das projecções macroeconómicas elaboradas por especialistas do Eurosistema), publicado em Junho de 2001 pelo BCE. Com vista a reflectir a incerteza em torno das projecções, são utilizados intervalos para apresentar os resultados relativos a cada variável. Os intervalos baseiam-se nas diferenças entre resultados observados e projecções anteriores elaboradas ao longo de vários anos. A amplitude dos intervalos é igual ao dobro do valor absoluto médio dessas diferenças. Na presente conjuntura, devido à evolução dos mercados financeiros, presume-se que a incerteza em torno das projecções é maior do que a habitual.

Pressupostos relativos à conjuntura internacional

De acordo com a projecção de referência, espera-se que a conjuntura externa da área do euro permaneça favorável ao longo do horizonte de projecção. Embora se projecte que o crescimento real do PIB nos Estados Unidos e no Japão seja um pouco inferior aos dos últimos anos, espera- se que o crescimento real do PIB nos mercados emergentes da Ásia se mantenha bastante acima da média mundial, projectando-se também que, na maioria das outras grandes economias, o crescimento continue a ser dinâmico.

Em geral, a projecção é de que o crescimento real anual do PIB mundial fora da área do euro atinja, em média, 5.6% em 2007 e 5.3% em 2008. O crescimento dos mercados externos de exportação da área do euro deverá situar-se em cerca de 5.5% em 2007 e 6.9% em 2008. Projecções para o crescimento real do PIB

A primeira estimativa do Eurostat para o crescimento real do PIB da área do euro no segundo trimestre de 2007 aponta para um crescimento trimestral em cadeia de 0.3%, face a 0.7% no primeiro trimestre do ano. De acordo com a projecção, o PIB real registará taxas de crescimento trimestral em torno de 0.5-0.6% ao longo do horizonte. Neste contexto, projecta-se que o crescimento real médio anual do PIB se situe entre 2.2% e 2.8% em 2007 e entre 1.8% e 2.8% em 2008. De entre os factores subjacentes, espera-se que o crescimento das exportações continue a apoiar a actividade económica, dado que se pressupõe que a procura externa continue a registar um crescimento robusto. A expectativa é de que o crescimento robusto das exportações e os lucros crescentes apoiem o investimento, embora se espere uma moderação do ritmo de crescimento deste último com a maturação do ciclo e a maior restritividade das condições de financiamento. Espera-se que o crescimento do consumo privado seja apoiado pelas tendências favoráveis dos mercados de trabalho.

Projecções relativas a preços e custos

De acordo com a projecção, a taxa média de crescimento do IHPC global situar-se-á entre 1.9% e 2.1% em 2007 e entre 1.5% e 2.5% em 2008. Em consonância com os pressupostos relativos aos preços do petróleo, que têm por base os preços actuais dos futuros do petróleo, espera-se

Q u a d ro A P ro j e c ç õ e s m a c ro e c o n ó m i c a s p a r a a á re a d o e u ro

(variação média anual, em percentagem)1), 2)

2006 2007 2008

IHPC 2.2 1.9-2.1 1.5-2.5

PIB real 2.9 2.2-2.8 1.8-2.8

Consumo privado 1.9 1.4-1.8 1.5-2.7

Consumo público 1.9 1.3-2.3 1.2-2.2

Formação bruta de capital fixo 5.2 3.6-5.2 1.4-4.6

Exportações (bens e serviços) 8.2 4.6-7.4 3.9-7.1

Importações (bens e serviços) 7.9 3.7-6.7 3.6-7.0

1) As projecções para o PIB real e respectivas componentes baseiam-se em dados corrigidos de dias úteis. As projecções para as exportações e importações incluem o comércio intra-área do euro.

2) Os valores avançados incluem a Eslovénia já em relação a 2006, excepto no que diz respeito ao IHPC, onde este país é incluído só a partir de 2007. A projecções de Setembro de 2007 incluem, pela primeira vez, Chipre e Malta como parte da área do euro nos intervalos projectados para 2008. A variação anual, em percentagem, para 2008 foi calculada utilizando uma composição da área do euro que inclui dados relativos a Chipre e Malta para 2007 e 2008. Os pesos de Chipre, de Malta e da Eslovénia no PIB da área do euro são, em termos aproximativos, 0.2%, 0.1% e 0.3%, respectivamente.

que o contributo positivo dos preços dos produtos energéticos e das matérias-primas não petrolíferas para a evolução dos preços no consumidor diminua consideravelmente em comparação com os últimos anos. Além disso, de acordo com os pressupostos actuais, considera-se que a contribuição dos impostos indirectos até agora prevista será nula em 2008, face a 0.5 pontos percentuais em 2007. Simultaneamente, as projecções têm por base a expectativa de que o crescimento dos salários será ligeiramente mais elevado ao longo do horizonte de projecção do que em 2006. Projectando-se que o crescimento da produtividade do trabalho permanecerá, em geral, estável, tal implica um aumento do crescimento dos custos unitários do trabalho. Os efeitos ascendentes de custos unitários do trabalho mais elevados são, no entanto, atenuados na projecção de referência pela expectativa de uma taxa de crescimento ligeiramente decrescente das margens de lucro. Comparação com as projecções de Junho de 2007

Em comparação com as projecções macroeconómicas elaboradas pelos especialistas do Eurosistema, publicadas no Boletim Mensal de Junho de 2007, o intervalo projectado para o crescimento real do PIB em 2007 foi ajustado ligeiramente em sentido descendente, como reflexo dos efeitos dos preços do petróleo um pouco mais elevados e das condições de financiamento ligeiramente mais restritivas. O intervalo projectado para o crescimento real do PIB em 2008 permanece inalterado.

Os novos intervalos projectados para a taxa de crescimento anual do IHPC global em 2007 e 2008 encontram-se dentro dos intervalos avançados pelas projecções de Junho de 2007.

Q u a d ro B C o m p a r a ç ã o c o m a s p ro j e c ç õ e s d e J u n h o d e 2 0 0 7

(variação média anual, em percentagem)

2006 2007 2008

PIB real – Junho de 2007 2.9 2.3-2.9 1.8-2.8

PIB real – Setembro de 2007 2.9 2.2-2.8 1.8-2.8

IHPC – Junho de 2007 2.2 1.8-2.2 1.4-2.6

As perspectivas orçamentais para a área do euro mantêm -se conformes às anteriores expectativas de um desaparecimento progressivo dos desequilíbrios orçamentais, no contexto de uma conjuntura macroeconómica geralmente favorável. Contudo, a informação mais recente aponta para riscos de afrouxamento pró -cíclico das políticas orçamentais em alguns países, sob a forma de aumentos da despesa pública e/ou reduções de impostos não financiadas. As lições do passado mostram que os governos da área do euro deverão seguir estratégias orçamentais prudentes e aproveitar a actual conjuntura económica favorável para progredir a nível da consolidação orçamental e atingir objectivos orçamentais de médio prazo quanto antes, no máximo até 2010. Tal deverá proporcionar um importante amortecedor caso haja um desvanecimento de receitas inesperadas, embora deixando margem de segurança para ter em conta a incerteza que envolve a avaliação da posição cíclica em tempo real.

E VO L U Ç Ã O O R Ç A M E N TA L E P E R S P E C T I VA S PA R A 2 0 0 7

As estatísticas mais recentes sobre as finanças públicas trimestrais são, no geral, consistentes com a maior redução do défice orçamental da área do euro em 2007 prevista na Primavera de 2007 pela Comissão Europeia e outras instituições internacionais. Embora os dados da área do euro para o primeiro trimestre de 2007 aparentem dar sinais iniciais de uma moderação do dinamismo da receita, no geral, as receitas públicas continuaram a crescer a um ritmo sólido, ultrapassando a taxa de crescimento da despesa pública (ver Gráfico 49). Os dados recentes sobre a despesa incluem o resultado de consideráveis efeitos temporários da despesa no final de 2006.

A maioria dos países da área do euro parece estar actualmente em vias de atingir os objectivos orçamentais (nalguns casos insuficientemente ambiciosos) por si estabelecidos nas últimas

actualizações dos programas de estabilidade no final de 2006 e início de 2007, apesar das derrapagens na despesa e dos cortes fiscais em alguns países. Estes desenvolvimentos orçamentais deverão ser motivados sobretudo pela conjuntura macroeconómica favorável, que apoia a actual forte cobrança de receitas e um crescimento moderado da despesa. Prevê -se que a orientação orçamental para a área do euro, em termos da variação do saldo orçamental primário corrigido do ciclo, se torne moderadamente mais restritiva. Contudo, líquida de efeitos temporários, deverá manter -se globalmente neutra. Em reflexo do aumento dos excedentes primários, o rácio da dívida pública para a área do euro também deverá continuar a seguir uma trajectória descendente. Quanto aos países da área do euro ainda sujeitos ao procedimento relativo aos défices excessivos, em Itália prevê -se que o défice público caia para um valor inferior a 3% do PIB em 2007, enquanto em Portugal se deverá manter acima deste valor de referência.

P L A N O S O R Ç A M E N TA I S PA R A 2 0 0 8 E A N O S S E G U I N T E S

A maioria dos países da área do euro está actualmente em fase de preparação dos projectos de orçamento para 2008, bem como de actualização dos planos de médio prazo. No entanto, dado que a informação sobre os planos orçamentais ainda por concluir, nesta fase apenas se pode proceder a uma avaliação

5 E VO L U Ç Ã O O R Ç A M E N TA L

receita total (dados trimestrais) despesa total (dados trimestrais) receita total (previsões anuais) despesa total (previsões anuais)

2005 2006 2007 2008 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 7.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 7.0

Gráfico 49 Estatísticas e previsões

financeiras trimestrais das administrações públicas (taxas de variação homólogas (%))

Fontes: Cálculos do BCE com base em dados nacionais e do Eurostat, Comissão Europeia.

Nota: O gráfico mostra a evolução da receita total e da despesa total em termos de somas móveis de quatro trimestres para o período de T1 2005 a T1 2007, mais as previsões para 2007 e 2008 das previsões da Primavera de 2007 publicadas pela Comissão Europeia.

provisória das perspectivas para as finanças públicas na área do euro. A discussão que se segue sobre planos orçamentais para 2008 restringe -se aos países de maior dimensão da área do euro.

Na Alemanha, o Ministro das Finanças divulgou em Julho o projecto de orçamento federal, anunciando o plano orçamental de médio prazo para o governo federal, bem como as projecções para o saldo orçamental. O governo alemão reviu em baixa as projecções para o défice orçamental de 2007, de 1.2% para cerca de 0.5% do PIB. O Ministro das Finanças prevê que o défice orçamental se mantenha em 0.5% do PIB em 2008, diminuindo ligeiramente para 0 -0.5% em 2009, para atingir o objectivo de médio prazo de um orçamento equilibrado em 2010 e passar a um excedente em 2011. De acordo com este projecto de orçamento, as receitas do governo federal deverão ultrapassar consideravelmente os anteriores planos de receita orçamental de 2007 este ano, e também entre 2008 e 2010. Prevê -se que cerca de metade das receitas mais elevadas a nível federal sejam gastas, ao invés de serem utilizadas para uma redução mais rápida do défice e da dívida. As informações mais recentes sugerem uma melhor execução orçamental em 2007 e 2008.

Em França, o novo governo anunciou um pacote de redução dos impostos em Junho. O governo estima que o impacto negativo da reforma sobre as receitas fiscais seja de 0.1% do PIB em 2007, 0.6% em 2008 e 0.8% em 2009. Prevêem -se novas alterações ao sistema fiscal, embora os pormenores e o calendário não sejam ainda claros. O governo francês indicou que prevê agora um défice orçamental de cerca de 2.4% do PIB em 2007, que cairá para 2.3% em 2008. O objectivo de médio prazo deste país de um orçamento equilibrado não deverá ser atingido até 2012, embora sejam feitos esforços para que tal aconteça antes dessa data, possivelmente em 2010, se o crescimento económico exceder as expectativas.

Em Itália, o governo apresentou o seu Documento de Planeamento Económico e Financeiro (DPEF) para o período 2008 -11. O DPEF inclui os efeitos de uma lei que prevê atribuir cerca de 0.4% do PIB em financiamento público adicional em 2007 para beneficiários de pensões baixas, bem como famílias e jovens. Algumas destas despesas serão estruturais. Prevê -se que estas despesas adicionais sejam apenas parcialmente financiadas por receitas mais elevadas do que o previsto. No geral, o governo projecta agora um défice de 2.5% do PIB em 2007, que cairá para 2.2% em 2008 e 1.5% em 2009. Relativamente aos objectivos actuais, o objectivo de médio prazo de Itália de um orçamento equilibrado não deverá ser atingido antes de 2011.

N E C E S S I DA D E D E E V I TA R E R RO S PA S S A D O S

A situação orçamental actual partilha traços comuns com a anterior recuperação económica (1999 -2000), porque os planos e objectivos orçamentais parecem novamente reflectir a expectativa de que o forte desempenho da receita pública observado poderá revelar -se de carácter permanente. Também no período 1999 -2000 as expectativas gerais eram de persistência das perspectivas económicas e orçamentais bastante positivas, o que, por seu lado, encorajou os governos a baixar os impostos e a aumentar as despesas numa base permanente sem compensar com medidas estruturais relacionadas com a despesa. O ano 2000 constituiu, de facto, um ponto de viragem para o crescimento económico, tendo as perdas subsequentes de receita pública e as necessidades adicionais de despesa conduzido a uma deterioração substancial das finanças públicas na área do euro, o que, nesta altura, ainda terá de ser totalmente corrigido (ver Quadro 9).

No contexto da actual conjuntura económica positiva, é assim de extrema importância que se evitem os erros do passado e que todos governos da área do euro ponham em prática as lições retiradas do episódio de 1999 -2000. Em primeiro lugar, deverão utilizar a actual oportunidade para, de uma forma célere, rectificar os desequilíbrios orçamentais de forma a atingir posições orçamentais de

médio prazo sólidas. Tal permitirá o funcionamento dos estabilizadores orçamentais automáticos na próxima recessão económica e uma preparação para as consequências orçamentais do envelhecimento da população ao reduzir os rácios da dívida pública a um ritmo adequado. Em segundo lugar, os governos não deverão prosseguir políticas orçamentais discricionárias expansionistas, sejam estas sob a forma de despesa adicional permanente não financiada e/ou cortes fiscais. Para

No documento BOLETIM MENSAL SETEMBRO (páginas 80-97)

Documentos relacionados