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PRINCIPAL DIFERENÇA Os eventos são contínuos e o estado do sistema muda

5 APLICAÇÃO DE SISTEMAS DINÂMICOS NO SETOR DE SAÚDE

5.1 Trabalhos publicados pela System Dynamics Society

Os trabalhos mais recentes desenvolvidos e publicados nas conferências realizadas pela System Dynamics Society que tratam da aplicação da teoria dos sistemas nos serviços de saúde são mostrados neste trabalho.

Estudos como o desenvolvido por Hirsch (2004) descrevem um modelo que pode ser usado para simular os efeitos da maioria dos incidentes nos sistemas de saúde. O autor relata que o modelo pode simular uma variedade de eventos provenientes de tornados e explosões, que ocorrem em um curto espaço de tempo, até epidemias, que envolvem um período de tempo maior. Estes eventos podem ser simulados com ou sem danos previstos para as instalações de saúde e danos ao profissional do setor. O estudo também possibilita a previsão de investimentos futuros, como um aumento da capacidade e do estoque de medicamentos, reduzindo a vulnerabilidade dos sistemas de saúde quando ocorrem estes incidentes. O modelo pode ser usado como um simulador independente ou conectado a outros modelos que possuem diferentes estruturas críticas.

Outro estudo desenvolvido por Heffernan, Martin e MacDonnell (2004), é um trabalho feito junto à Aliança Nacional de Saúde da Austrália e refere-se à modelagem de sistemas dinâmicos, que possibilitam ter uma ampla visão do futuro do uso da medicina. O modelo contempla, com detalhes, as diretrizes do uso de novas drogas, o retorno dos benefícios do uso da medicina na macroeconomia e mudanças estruturais internas nas próximas quatro décadas. O principal objetivo desta modelagem em sistemas dinâmicos é formar a base para o orçamento da área de saúde. O modelo permite a quantificação do impacto econômico do uso da medicina em

segmentos informais, a exploração dos limites dos gastos governamentais e a capacidade da população em pagar as despesas com saúde. Os autores fizeram a calibração do modelo com dados estatísticos do sistema de saúde da Austrália, considerando um horizonte de tempo equivalente a 40 anos e as tendências para os próximos 40 anos. Os autores exploram a teoria e a prática, além de discutirem situações futuras na área de saúde. Os destaques baseiam-se na influência do estudo para debates públicos na área de saúde, a comparação dos dados obtidos em outros países desenvolvidos, a evolução do sistema e as opções globais de políticas de saúde.

Um estudo desenvolvido por Wolstenhome (1999) mostra a aplicação da teoria dos sistemas dinâmicos no desenvolvimento de políticas para o sistema de saúde da Inglaterra. O modelo apresenta o fluxo dos pacientes dentro do serviço de saúde e é usado para testar alternativas de melhoria entre os setores que compõem tal serviço. Os testes incluíram o uso de instrumentos para cuidados intermediários, prevenindo a necessidade de tratamentos mais complexos. A diminuição do tempo de permanência dos pacientes nos hospitais é demonstrada como um grande ganho nos tempos totais de espera, sem que para isso sejam feitas mudanças óbvias, como o aumento da capacidade de leitos (número de leitos).

Dangerfield e Roberts (1999) indicam uma coletânea de trabalhos de diferentes autores, que demonstraram interesse em adotar a modelagem utilizando a teoria dos sistemas dinâmicos no setor da saúde. Os mapas e modelos são desenhados com um alto nível de agregação e mostram decisões relacionadas às alocações de orçamentos e sérios conflitos entre cargos clínicos e de gestão. A coletânea contém sete artigos com temas variados, que refletem e descrevem aplicações dos sistemas dinâmicos em situações reais da área de saúde. A maior parte dos trabalhos envolve dados que informam estimativas de parâmetros reais ou mostram a avaliação de modelos validados. Nos casos em que os dados não estão disponíveis, estudos de casos considerando informações relevantes de processos reais são apresentados.

Os dois primeiros artigos descrevem os problemas com as filas de espera. Gonzalez Busto e Garcia (1999), no artigo “Waiting lists in Spanish Public Hospitals: a system dynamics approach”, descrevem um estudo detalhado de filas em hospitais da Espanha. O principal assunto é como os gestores reagem e recorrem às ações para gerenciar o problema que provoca um desempenho inaceitável do sistema. O modelo compara os resultados obtidos com os dados reais. Van Ackere e Smith (1999) no trabalho “Towards a macro-model of National Health Service waiting lists” tratam do mesmo assunto, mas no Reino Unido. De acordo com Dangerfield e

Roberts (1999), estes dois trabalhos mostram uma avaliação real de aspectos relativos aos problemas das filas e o que os modelos devem considerar. O trabalho “Optimisation as a Statistical Estimation Tool: An Example in Estimating the Aids Treatment-Free Incubation Period Distribution”, desenvolvido por Dangerfield e Roberts (1999), apresentam a otimização de um sistema dinâmico, onde o modelo é empregado para o ajuste de dados de casos de AIDS. Os casos estão crescendo nos Estados Unidos através de transfusões de sangue contaminadas com o vírus. O resultado é estimar a forma e os parâmetros da distribuição estatística para o tempo de incubação do vírus.

O estudo desenvolvido por Royston et al (1999), intitulado “Using system dynamics to help develop and implement policies and programmes in health care in England” descreve um modelo de sistema dinâmico de redução gradual de ações e decisões. É considerado uma reflexão de muitos anos de trabalho conduzido pelo UK´s Ministry of Health Operational Research Group. O artigo traz um modelo criado para compreender os aspectos da emergência do setor de saúde e do setor social, envolvendo comportamentos de curto e longo prazo.

Immediato e Hirsch (1999), no trabalho “Microworlds and Generic Structures as resources for integrating care and improving health”, mostram o recente avanço na metodologia dos sistemas dinâmicos nomeada de microworlds. Tal conceito tem avançado pela arquitetura de novos softwares, que permitem a criação de características semelhantes àquelas criadas nos softwares de sistemas dinâmicos. Finalmente, Cavana et al (1999), no trabalho “Drivers of quality in health services: different world-views of clinicans and policy managers revealed”, fazem uma grande contribuição com estudos de caso de parâmetros qualitativos utilizados na construção de modelos. O estudo desenvolvido por Wolstenholme (1999), “A patient flow perspective of U.K. Health Services: exploring the case for new 'intermediate care' initiatives”, faz parte da coleção já citada neste trabalho.