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CAPÍTULO 4. METODOLOGIA DA PESQUISA

4.1 TRAJETÓRIA DA PESQUISA

Em se tratando de pesquisas no ensino superior é comum a constatação dos fenômenos por vias de pesquisa quantitativa, pela mensuração dos fatos. No entanto, há de se considerar por via de regra, que questões oriundas de processos de ensino e aprendizagem carregam consigo o componente sujeito, que vive, pensa e, como consequência, revelam-se elementos que não se pode mensurar.

Na década de 60 é iniciado o interesse na área de Educação Matemática como campo de pesquisa relacionado ao processo de ensino e aprendizagem ao ensino fundamental. Posteriormente ao ensino médio e à formação de professores e depois o ensino superior, vindo a ganhar força apenas nas décadas de 1980 e 1990, onde a Matemática no ensino superior constitui-se tema de investigação no campo de pesquisa da Educação Matemática (IGLIORI, 2009). Portanto, questões relativas ao sujeito que vivenciam as matemáticas oriundas de cursos superiores começam a ser discutidas no âmbito da pesquisa qualitativa.

Ao introduzir o conceito de interação como elemento determinante no processo de ensino e aprendizagem em ambiente de Modelagem Matemática, encontrei-me em um caminho difícil de mensurar, de quantificar, de medir, de verificar. Aproximando, assim, para o lado qualitativo, sujeito a subjetividades na interpretação e entendimento do fato observado e das relações que os sujeitos estabelecem com outros elementos para atingir a aprendizagem matemática.

Tal evidência caracteriza esse estudo dentro de uma abordagem qualitativa de pesquisa, apresentando no seu cerne, princípios da pesquisa qualitativa, descritas por Creswell (2010), a saber: ambiente natural; o pesquisador como um instrumento fundamental; múltiplas fontes de dados; análise de dados indutiva; significados dos participantes; projeto emergente; lente teórica; interpretativa e relato holístico – complexo.

“No ambiente natural, os pesquisadores têm interações face a face no decorrer do tempo” (CRESWELL, 2010, p. 208), por caracterizar a coleta de dados no ambiente em que os sujeitos vivenciam o problema estudado. Com relação ao princípio do pesquisador como um instrumento fundamental garante que o pesquisador qualitativo, ele próprio estrutura os instrumentos e coleta os dados. Seja

isto por documentos, observação ou entrevista com os sujeitos da investigação. Estes últimos caracterizam as múltiplas fontes de dados, isto é, o pesquisador qualitativo não se vale de apenas uma fonte de dados, mas a partir das várias fontes extrai percepções e as organiza a partir de categorias emergentes dos dados. “Os pesquisadores qualitativos criam seus próprios padrões, categorias, e temas de baixo para cima, organizando os dados em unidades de informação” (CRESWELL, 2010, p. 208-209). Traduzem a análise de dados indutiva, podendo “envolver a colaboração interativa com os participantes.” (CRESWELL, 2010, p. 208- 209)

O significado que os participantes da pesquisa dão às coisas, permite na pesquisa qualitativa, que o pesquisador mantenha o foco na aprendizagem do significado dos sujeitos e não aos que pesquisadores trazem para a pesquisa ou significados expressos na literatura. Isso garante que a percepção do problema da pesquisa emerge do significado dos sujeitos, em um percurso da experiência vivenciada para teorização destes, os significados. Além disso fica evidente aqui que em uma pesquisa qualitativa o pesquisador não deve ir para campo com categorias pré-definidas.

A questão do projeto emergente, diz respeito à condução da pesquisa, como forma de garantir que o planejamento inicial não seja pré-estabelecido rigidamente. Com relação à lente teórica, o pesquisador com frequência usa “lentes” para olhar os estudos. Bem como tenta desenvolver um quadro complexo da questão investigada, caracterizado aqui como relato holístico. Além disso, a pesquisa qualitativa garante ao pesquisador fazer uma interpretação do que se enxerga, ouve e entende:

Suas interpretações não podem ser separadas de suas origens, histórias, contextos e entendimentos anteriores. Depois de liberado um relato de pesquisa, os leitores, assim como os participantes, fazem uma interpretação, oferecendo, ainda, outras interpretações do estudo. Com os leitores, os participantes, os pesquisadores realizando interpretações. (CRESWELL, 2010, p. 209)

Tais colocações me permitiram compreender professora-pesquisadora e alunos constituem sujeitos em um sistema de atividade. Sujeitos que vivem no mundo, antes mesmo de atribuir significado às coisas sobre o mundo, envolvendo,

portanto interação com essas mesmas coisas do mundo, em espaço e tempo específicos.

A abordagem e características que atribuem a esta pesquisa, qualidade, agregada a outros elementos, tais como a interrogação e objetivo da pesquisa, precisam ser pensados para definição do método de pesquisa a ser adotada. Para tal, alguns aspectos devem ser levados em consideração, como é o caso do indivíduo/sujeito do processo.

É natural do indivíduo que vivencia experiências no mundo ter que lidar explícita ou implicitamente com questões de como fazer algo. O como fazer algo nos expedem a etapas em uma sequência a ser cumprida, com objetivos a serem alcançados. Esse processo remete-me a uma reflexão sobre a forma de conduzir e compreender como lidar com a questão de investigação Como as interações dos

elementos - sujeito, objeto, artefatos mediadores, regras, divisão do trabalho, comunidade - de um sistema de atividade favorecem aprendizagem em ambiente de

Modelagem Matemática na perspectiva da Teoria da Atividade de Engeström?”.

Uma das relevâncias da pesquisa é estimular a reflexão. Buscando produzir conhecimento que ilumine a interrogação da pesquisa, o pesquisador desenvolve uma atividade sistemática de busca de evidências que o ajudem a formular sobre o fenômeno interrogado. (BARBOSA, 2001, p. 75)

Para além da busca por evidências “como aquilo que se vê” Barbosa (2001) em um contexto, e tendo garantido até o momento os elementos que considero necessários para uma pesquisa qualitativa, vejo-me admitindo a Modelagem Matemática enquanto atividade na perspectiva da Teoria da Atividade de Engeström, pressuposto metodológico para desenvolver esta pesquisa.