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Transformadora e complexa: a práxis docente e a possibilidade de pensar na

1 A PRÁXIS DOCENTE: DISCUTINDO A RELAÇÃO ENTRE TEORIA E

1.4 Transformadora e complexa: a práxis docente e a possibilidade de pensar na

Ao abordar o conceito de práxis, sua evolução histórica e apoiar-se em duas correntes de pensamento, a Educação Popular e o Pensamento Complexo, chega o momento de delinear o próximo passo na busca por compreender a práxis e buscar os indícios ou vestígios em registros dos professores de uma escola infantil que compõem o portfólio de formações continuadas em contexto.

Pode-se perceber na figura abaixo que Morin e Freire, que são os pensadores que escolhemos para realizar este diálogo, apoiam-se em Marx e em sua dialética marxista para pensar o conceito de práxis, ao ponto que, propomos uma composição da práxis docente transformadora e complexa.

Figura 2: Composição da práxis docente transformadora e complexa FONTE: Elaborado pela autora, 2017

É pertinente e audacioso, fazer a relação entre o que já construímos como conceito de práxis e a possibilidade de vivenciá-la em momentos de formação continuada em contexto entre pares, pois, este estudo fortalece a ideia de que os professores devem permanecer em diálogo de suas práticas para/com interlocutores potentes que acreditamos que sejam seus colegas professores, que vivenciam o mesmo contexto educativo cotidiano e que possam no compartilhamento de ideias, de práticas, de referenciais teóricos buscar uma constante reflexão da prática.

E por acreditar nisso, que estou defendendo desde o início deste escrito, referindo-me a pertinência de no próximo capítulo apresentar considerações e argumentos acerca do conceito de formação continuada em contexto e da abordagem dada pela rede municipal na qual a escola em questão está inserida, possibilitando a compreensão de como se deram as vivências que possibilitaram a construção do portfólio.

É importante pontuar que existe um investimento potencial por parte da Rede Municipal através da Secretaria Municipal de Educação aos cuidados da Coordenação Pedagógica Municipal de Educação Infantil de Ijuí-RS, no sentido de organizar diversos e diferentes momentos de experiências e vivências de formação continuada, seja no formato de palestras, seminários, encontros com professores de outras escolas, mas da mesma etapa e, a que nos interessa neste escrito, as formações em contexto, propostas pelas coordenadoras pedagógicas. Dizendo isso, pontuamos que nas próximas linhas e preponderantemente no segundo capítulo, abordaremos peculiaridades acerca da formação continuada em contexto, visualizando-a como possibilidade de práxis docente.

2 O PROFESSOR/COORDENADOR PEDAGÓGICO6 E A FORMAÇÃO

CONTINUADA EM CONTEXTO: A POSSIVEL PRÁXIS DOCENTE EM UMA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL

Manoel de Barros (2015, p. 149) nos provoca com o poema “Apanhador de Desperdícios7” a pensar sobre as palavras que compõem nossos silêncios. Por

muito tempo a formação dos professores viveu em silêncio sob o pressuposto de que a formação inicial bastaria para uma prática pedagógica de qualidade. Este silêncio foi rompido como pedido de socorro dos próprios professores, que já fatigados de tanto informar aquilo que já não mais sabiam, perceberam a importância de, conforme nos propõe Gaston Bachelard (1977), todo professor deveria fazer um voto secreto de continuar sendo estudante pelo resto de sua vida.

E como afirma o poeta, “o nosso quintal é maior que o mundo” (BARROS, 2015, p. 149) pensamos nele como a metáfora de que o quintal é nossa escola e, portanto, pensar na formação continuada de professores em seus quintais, ou melhor, em seus contextos, nos permite pensar na práxis docente possível.

Para tanto, trarei para a discussão uma autora que conceitua e tenciona a formação continuada: Julia Oliveira-Formosinho que propõe o conceito de formação continuada em contexto, muito discutido e ampliado na Educação Infantil. Iniciarei apresentando as concepções desta autora, apoiada nas ponderações necessárias para delinear a discussão a partir dos objetivos já esboçados.

E, conforme podemos observar na figura 3, a composição do pensamento de Oliveira-Formosinho se constitui no imbricamento das proposições de Morin, Freire e outros autores.

6 Evidencio que utilizarei o termo “professor/coordenador pedagógico” em função de que os sujeitos

que ocupam o cargo de coordenador pedagógico são professores de Educação Infantil, concursados para a função de docentes nesta etapa da Educação Básica, sendo exigido aos mesmos a formação de Licenciatura em Pedagogia ou curso complementar em nível de pós-graduação na área da Gestão Escolar, conforme Plano de Carreira do município em que se realizou a pesquisa.

7 O apanhador de desperdícios/ Uso a palavra para compor meus silêncios./Não gosto das

palavras/Fatigadas de informar./Dou mais respeito/Às que vivem de barriga no chão/Tipo água pedra sapo./Entendo bem o sotaque das águas/Dou respeito às coisas desimportantes/E aos seres desimportantes./Prezo insetos mais que aviões./Prezo a velocidade/Das tartarugas mais que a dos mísseis./Tenho em mim um atraso de nascença./Eu fui aparelhado/Para gostar de passarinhos./Tenho abundância de ser feliz por isso. /Meu quintal é maior do que o mundo./Sou um apanhador de desperdícios.

Figura 3: Composição do pensamento de Júlia Oliveira-Formosinho FONTE: Elaborado pela autora, 2017

Pretendo então, nesse capítulo, apresentar o conceito de formação continuada em contexto, proposto por Oliveira-Formosinho (2002, 2007, 2016) a partir de suas vivências junto à Associação Criança8, seguido da ideia de que a

formação continuada em contexto é a construção da práxis, também defendida por esta autora (2016). Ao final do capítulo apresento as concepções de formação continuada que constituem esses espaços na Rede Municipal de Ensino de Ijuí-RS.

2.1 O Professor/Coordenador Pedagógico e a Formação Continuada em