capítulo 111
81) TRANSFORMADORES TRJFASICXDS EM REGIME DESEQUI¬
LIBRADO — APLICAÇÕES CARACTERÍSTICAS DOS DIFERENTES AGRUPAMENTOS
Os tranaCormadores trifitico» do CMtttituidoc pelo agnipamcnid de ir4» iransíormadorm moooCiuco* «obre o memo núcleo de tréi colunar, coníonne ííg. 96.
En4)uanto a carga recundáría for equilibrada e ■iméirka. o hir>ci^
namento do eranaformador trifiu- co pode ler euudado, obaervando se uma só fase, qualquer que seja o esquema das eonexdes das fases primárias e secundáríaS'
Esu simplifica^ de estudo nio 4 maia possível quarsdo o cranifor*
mador triflsico deve alimentar uma carga iortemente desequili¬
brada, Neste último caso o funcit^
namento do transtomador d^ten- deri do (Ípo de agrupamento das fases primárias e secuiMáriaa Serio examinados a seguir, os vários tipos
de agrupamentos. ?*$■ M
4
a) Agfupomfnto titrtÍú<$tTtÍã com ou tom fio neutro
Considere^e o esquema irtdkado na fig. 96 (a), no qual eiU ligada uma carga monofásica entre uma faae e o neutro.
A corrente I| iomeckla pela fase secundária com carga provoca a absorçio de uma corrente 1, na correspondente Case primária.
Se o circuito primário pnasuí tambám o Go neutro, a conente I, voJu através deste, sem iniermsar aa outras dim fasei.
Neste caso o funcionamenco do transíonnador mantém-se regular, pois além da queda de temio na fase afetada nenbum outro fenómerso per¬
turbador se vcrifka. As f.e.m. das trés fases secundárias continuam ainda iguais e simétricas.
Se o circuito (ximirio não possui üo neutro, a corrente It deve neces*
sariamente farer seu reu^no através das outras duas fases primárias As correntes que atravessam esus duas fasm. não sendo equiUIvadas por nenhuma corrente secursdária, agem como correntes magneiíaaates nas respectivas colunas.
ALFONSO MARTICNOSI im»
Em con$e<)üêncÍa destas correntes magnetji^nies. [vo<lu/-se um íorie desequihbrio nos fluxos das ués colunas e poi' conseguinte resuham desequilibradas também as Í4.m. primárias e secundirías, Uma das í.e.m. secundárias dlrninui consideravelmente, enquanto as outras duas jumenum, conforme o diagrama da fig. 96 fb).
H, Hj
Fi|. «
O diagrama vetorial da fíg. 96 (b) mostra também que o desequilíbrio interessa unicamente as tensdes de fase» enquanto as tensdei concaie*
nadas continuam iguais e simétricas, como o sáo também as correspon*
dentes tensÔes primárias.
Pelo exposto concluiee que o agrupamento estrela^esuela não é con¬
veniente para cargas secundárias desequilibradas com Cio neutro, a não ser quanao provldai de Cio neutro também as Cases primárias.
O sistema de ligação estrela^trela é empregado exctusivamenie em sistemas de três fios com cargas praticamente equilibradas.
O agrupamento das fases em estrela apresenta a vantagem de neces- sitar de reduzido isolamento das bobinas com as colunas» pois tal isola- Tuenlo é proporcional à tensão de fase que i
yX
vezes menor que a tensão concatenada.Por esta ratão o agrupamento estrela-estrela é empegado nos tran»
formadores de alta tensão.
b) AgrupOTTuntQ iriánguh-estTflã com ou sem fio neutro
Observandose o esquema da fig. 97. vê^e que a conexão triângulo estrela pmtase otimamente para suportar uma carga monofásica. A
iei
TftA NSFORM ADORES 197
(a) (b)
Fig 97
carga monofásica em questão ê alimentada por uma fase secundária e o neutro» e não altera as temdei dai dentais fases.
A corrente secundária J| provoca a absorção da corrente primária 1|, a qual circula através dos uos e sem interessar as outras duas fa&es primárias.
O diagrama vetorial das tensões e correntes primárias e secundárias adquire a forma indicada na Cig. 97 (b).
Cada coluna do transformador funciona como um transformador mo>
nofásico independente. £ste tipo de conexão é portanto o indicado para transformadores redutores que alícnentam redes de distribuição de baixa lensâo cum quatro fios.
A ligação iriãngulo^trela sem fio neutro encontra amplo emprego transformadores elevadores das usinas geradoras. Nestes, a ligação estrela dos enrolamentos de aha tensão resulta mais conveniente
necessitar menor isolamento.
A conexão em triângulo das fases primárias pomice a circulação livre tia terceira harmônica das correntes magneiizantes. assegurando assim a faxina scnoidal dos fluxos e das tensões.
AI.FONSO «AIITICNOSI
c) AgJüp<iff^•:pto tslrelc- triângulo
Quanil<^ ía&n secun(!árías tU>
cran$locma<lor «cão ligailas em iri-
&nfulo, as respectivas tensões sân obrÍ{(a<las a ailreitir resultante igual a zero» isto é. us setores re*
presentaiivos Uevem (ormar um triângulo íechado.
Cada desequiUbrio que lerMle a produzir-&e entre estas tensões é compcnsailo pui uma corrente que circula nas cr^ fases
Aplicaniiosc uma carga mono¬
fásica. conforme fig. 98. as tensões secundária» continuam íguaís e si*
métricas. A corrente de circulado interna produz no triângulo se*
cunüário eievadas perdas ôhmícas t dispersões magnéticas.
(!) A^rupúmtnto tnânguío' triângulo
Seste tipo de agrupamento as tensões primárias de linha lesul- tam iliretamente aplicadas âs fases
S
irmârias do transformador, itans- ormandi^se nas correspondente»tensões secundárias de linha.
Assim sen<lo. resulta que ex¬
cluindo as pequenas dissiioetrias devidas âs diferentes queda* de tensão, as tensões secundárias po*
dem ser consideradas iguais e si*
métricas, qualquer que seja o de*
sequilibrio da carga.
O agrupamento triângulo^lrün*
guio é considerado ótimo para ali¬
mentar cjrgas for temente desequi¬
librada*.
Este tipo de agrupamento tem a notivel característica de manter inal¬
teradas a* trés tensões secundárias, também quando se interrompe ou le elimina um lado do triângulo, conforme fíg. 100 fa).
TltAN5FORMAEX>f(ES 109
Pis. 100
Realiu-se assim um transformador com triângulo aberto ou em "'V".
o que se verifica através do diagrama vetorial da fig. 100 (b). A tensão secundária X,Xs é idêntica â que existia no funcionamento com o triln*
guio fechado. Esta propriedade é particuUrmenie intereuante quando Oo empregados transformadores monofásicos, poii oferece a piMíbili- dade de realizar a transformação trifisica somente com dois transfor¬
madores mcmofásicos ligados conforme fig. 100 (c). A potência que pode ser transformada com este sistema é 58 % da relativa ao triângulo com|deto.
c/ Agrupamento ettfeU ugueiague
O agrupamento estrela-ríguezague corresponde ao aquciiiH tia fig. lOÍ.
Cada fase secundária com|^-se de duas meudes, dispostas sobre ifuas diferentes colunas, agrupadas em série, entre sí> em sentido contrário uma com respeito à outra,
Este agrupamento tem como consequência a eliminação da terceira harmônica da icnsâo secundária estrelada, Ugando^se. em séríe, duas bo¬
bina* de fases diferentes, uma em secuído contrário da outra as terceiras harmônicas das tensões nas referidas bobinas se anulam reciprocaiisente, A spbdivisão de cada fase secundária sobre duas colunas tem também a finalidade de compensar os desequilíbrios das tensões devidos à di*si- isetria da carga nas trés fases.
Este tipo de agrupamento pode ser empregado, vantajosamente, em substituição ao triânguloesirela. na aliíDeniaçío dc redes de baixa ten¬
são com quatro fios.
Na fig. 101 (b) está indicado o diagrama vetorial da transformação.
A tensão de fase primária H, determinará nas duas meias fases secun-
IIO AI.FONSO MARllGNONl
<3átlas. enroladai na mewia coluna, as ieniO« v, e v,'. EsUS duas iensõe>
secundárias são iguais e em fase encre si, mas oposias a H|.
Analogamcnie, i tensão Hs torrcspondeni as duas lensóes itansformu das vj e Va', e por fim à tensão primária H, as duas icnsões Vj e v,'.
Em vista dos agrupamentos feitos entre as bobinas secundárias, as tensões de fr:»e secundária aiuam entre o centro X. e os bomcs x,; x*: xj A tensão entre Xo e X,. representa a diferença vetorial entre a lensão v, (meia bobina da primeira coluna) e a tensão Vg' (meia bobina tia se¬
gunda coluna), estando as duas bobioas agrupadas em s^ie, uma em sentido contrário da outra,
Veriíica-se então: Vxj @ vf-vT*
analogamente;
Vxí = v7- v'j e ViV = V,' - vJ
As tris tensões de faie secundárias resultam compostas conforme índica
0 diagrama ila (ig. 101 (c).
(a)
Fig. 101
TRANSFORMADORES III
Indicando com N| o nõmero de espiras de cada fase primária e com Ng o número de espiras de cada fase secundária, obtém-se;
N,/2 I N, -Vb =-V„
N. 2 N,
Do diagrama da fjg, 101 (c) resulta que a tensão de fase secundária v, é iomcciâ» em val<x pela expressão:
v.= /~3v, resulta entio
/ 8 N, N, Vx*-V„ = 0,865-Vs
2 Nj N:
Usando-se o mesmo número de espiras, o agrupamento tiguezague loreece uma tensão secundária igual a 86,5% da tensão que se obteria com o agrupamento normal em estrela.
Inverumenie, para se obter a mesma tensão secundária com o agru¬
pamento riguetague, precisa-se aumentar o número das espiras secun¬
dárias da quantidade correspondente ã relação;
1
2
/->
ou seja de 15,6%.
Para aplicações especiais o maior custo do agrupamento ziguezague é compensado pela vantagem da eliminação da terceira harmónica das tensões secundárias e de ter-se um transformador capaz de suportar cargas desequilibradas.
82) CONSIDERAÇÕES PARA O PROJETO DOS TRANSPOR-