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4.1 RESULTADOS OBTIDOS COM APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO

4.1.3 Transformar a estratégia em tarefa de todos

O princípio, ora abordado, procura identificar se os gestores do IFRN Campus Natal-Central concordam com as afirmações Q9 a Q12, inseridas no instrumento da pesquisa e apresentadas da tabela 5; essas assertivas estão alinhadas à efetivação de deliberações, tomadas em um plano estratégico, e sua absorção por todos aqueles

que estão no campo de abrangência daquelas decisões.

A tabela 5 apresenta assertiva rejeitada para Q9 e Q11, apenas 41% e 49%

respectivamente concordam com o que foi afirmado; ambos os casos obtiveram uma tendência central para mediana e média próxima ao ponto 3, indicando concentração maior de indecisos, moda 3 para Q9 e 4 para Q11; essa última, embora apresente maior repetição daqueles que concordam (moda 4 em Q11), não conseguiu evitar uma avaliação negativa. Foram identificadas, na medida de dispersão para média 3,38 (Q9) e 3,33 (Q11), variância e desvio padrão próximo a 1, demonstrando uma variabilidade dos dados superior às apresentadas nas assertivas Q10 e Q12 do mesmo princípio.

Tabela 5 - Pesquisa de dados quanto transformar a estratégia em tarefa de todos.

Esse resulta possibilita uma leitura sobre a situação percebida pelos respondentes; seguindo o que foi apresentado, é possível apreender que, para prover uma gestão orientada a estratégia no IFRN Campus Natal-Centrais, ações de mobilização necessitam ser intensificadas visando difundir essa prática em toda organização, haja vista que tal campanha não é vista pela maioria daqueles que compõem a gestão do Campus. Outro ponto identificado pelos respondentes como insuficiente foi a ineficácia do sistema de remuneração em virtude de motivar os gestores estratégicos de alto nível para o atingimento dos objetivos institucionais.

Esse resultado remete à interpretação de duas situações possíveis; uma, inclusive, segue “ao pé da letra”, ou seja, valores remuneratórios para aqueles ocupantes de Cargo de Direção (CD) são muito aquém da responsabilidade exercida; a outra, ou

3º Princípio (transformar a estratégia em tarefa de

todos)

( Q9 ) O instituto realiza esforços constantes para que toda a organização com preenda a estratégia, prom ovendo para

tanto treinam entos e capacitações sobre questões estratégicas e o uso de algum a

m etodologia de m edição e

seja, o sistema de remuneração não é fator decisivo para o comprometimento desses gestores.

Ao contrário das anteriores, as assertivas Q10 e Q12 foram ratificadas com percentual de 64% e 54% respectivamente, sendo que, em ambos os casos, foi encontrada uma tendência central 4 para moda e mediana, média 3,72 para Q10 e 3,54 para Q12, e uma medida de dispersão com variância e desvio padrão inferior a 0,9, demonstrando uma variabilidade dos dados menor que as apresentadas nas assertivas negadas (Q9 e Q11). Em face dos resultados, infere-se que a maioria dos respondentes reconhece esforço da gestão do Campus na promoção de qualificação e treinamentos visando almejar os objetivos estratégicos traçados para organização.

Além disso, em Q12 foi confirmado pela maioria que a estrutura de TI comunica claramente, o feedback das ações estratégicas; tal resultado conflita com o que foi negado em Q9, possibilitando tecer uma impressão acerca do conflito. Provavelmente, mediante a acareação das duas afirmativas, exista um sistema de TI, capaz de atender às demandas, mas não exista mobilização satisfatória para a conscientização do papel da estratégia na instituição.

Utilizando o artifício de alinhar as assertivas desse princípio com exploração, explotação e ambidestria organizacional, foram identificadas, apenas, em Q9, ações pertinentes ao grupo de exploração, apresentando, em seu texto, matéria que pode ser alinhada à “descoberta”, fazendo alusão ao esforço organizacional direcionado a treinamentos e capacitações sobre questões estratégicas e, estes investimentos podem promover a criação de conhecimentos e produtos para organização. Ao apresentar resultado negativo de 41% de aprovação, a referida afirmativa inspira preocupação, uma vez que a tal deficiência pode gerar demanda para investimentos em exploração, exigindo do gestor uma escolha que nem sempre é possível devido à existência de outras prioridades, sejam elas a longo ou curto prazo.

Quanto às ações alinhadas à explotação, foi identificada, em Q10, aproximação com questões relacionadas ao “refinamento”, uma vez que remete ao investimento individual ou de equipes promovendo ações de qualificação e treinamentos, sendo esse público diretamente responsável em prover o produto ofertado pela instituição, ou seja, a prestação de serviço para sociedade através do ensino de excelência. O

resultado obtido com a aplicação do questionário demonstra que a maioria dos respondentes reafirma sobre Q10; 64% deles perceberam esses investimentos, contra um percentual de aproximadamente 5% que discordam e de 30% que se mostraram imparciais.

A assertiva Q11 apresentou minoria de 49% dos respondentes que ratificaram a afirmação, ao relacioná-la à ação de explotação, uma vez que é percebido alinhamento da assertiva com ações de “seleção”, atribuindo-lhe um sistema de remuneração, diferenciado por meio do Plano de Carreira dos técnicos e professores que fazem parte da instituição. Assim, é previsto melhoramento da remuneração por meio do avanço da escolaridade (ensino médio, graduação, mestrado, doutorado) e capacitação em cursos relacionados à área de atuação específica ou adjacentes onde o servidor se insere.

Em consequência a esses estímulos, é provavel que aconteça o reforço do conhecimento institucional e a estimulação da seleção entre aqueles mais ou menos determinados; entretanto o resultado obtido demonstra que a maioria não concorda com a afirmação de que a estrutura da remuneração proporciona o efetivo comprometimento das pessoas com os objetivos estratégicos de alto nível, sendo identificado, nas respostas, um percentual de 25,6% de indecisos e a mesma percentagem daqueles que discordam, parcialmente, com a afirmativa.

Assim, foi identificado, em Q11, um percentual de 51% dos gestores que não concordam com a existência de relação satisfatória entre o que é percebido em termos de remuneração e a motivação financeira promovida para o comprometimento dos agentes no atingimento do objetivo estratégico organizacional. Tal situação remete às limitações devido à burocracia do regime público, impossibilitando promover outros tipos de remuneração a não ser aquela prevista em lei. Outros fatores também podem interferir nessa adesão; estudos demonstram a existência de colaboradores com visão principiante acerca da estratégia. Além dessa barreira, tais estudos identificaram a mesma fragilidade quanto aos incentivos vinculados à estratégia, ou mesmo, a uma cultura organizacional, capaz de dedicar tempo para aqueles agentes que se propõem a discutir, estrategicamente, o rumo da organização (MIRANDA, 2014).

A última questão desse princípio, a assertiva Q12, ao afirmar que as estruturas de TI disponíveis no IFRN comunicam claramente o feedback das ações estratégicas, além de procurar identificar a percepção dos gestores quanto a transformar a estratégia em tarefa de todos, apresentando um viés direcionado à “eficiência”

pautada na explotação, tema abordado na literatura acerca da ambidestria organizacional. É importante ensejar que, apesar de quase 54% dos respondentes concordarem com a assertiva, desses, apenas 7,96% concordam totalmente. Outro ponto a ser observado na questão é a média de 3,5 e a moda 4; esses dois resultados demonstram fragilidade quanto à ratificação dos respondentes em relação à afirmação aqui referida, principalmente quando se analisa o resultado de 0,75 do desvio padrão, o menor entre todas do segundo princípio. Esse resultado esse que demonstra maior homogeneidade dos dados de Q12, ou seja, eles estão mais próximos da média.

Ao apresentar os gráficos na figura 10 (assertivas Q9 a Q12), pode-se verificar que, na maioria dos resultados, as respostas variavam entre 3 (imparciais) e 4 (concordo parcialmente). O caso de Q9 chama atenção para a negação ao que foi afirmado e ao grande número de indecisos (moda 3) em reconhecer os esforços organizacionais para promover a conscientização sobre as estratégias da gestão, já em Q10, é percebida, visualmente, uma tendência favorável dos respondentes quanto ao instituto associar o ato de atingir seus objetivos estratégicos ao investimento individual ou de equipe, assertivas aparentemente similares, mas que apresentaram resultados contrários. Pelos resultados, é permitido inferir que existe reconhecimento quanto aos investimentos em treinamentos e capacitações, mas esses não surtem efeitos desejados para uso de uma metodologia de medição e gestão de desempenho adequada à realidade do Campus (Q9).

Outro fato curioso apresentado, na figura 10, assertiva Q11, foi a simetria das respostas 2 e 3, discordantes e indecisos respectivamente, ambos os resultados foram de 25,6%, demonstrado uma parcela considerável daqueles que não concordam que a estrutura da remuneração proporciona o efetivo comprometimento das pessoas com os objetivos estratégicos de alto nível. Por fim, na mesma figura, vê-se, no gráfico Q12, uma tendência de os respondentes orbitarem entre a imparcialidade (3) ou a concordância parcial (4) da assertiva Q12, ou seja, apesar da maioria ratificar que as estruturas de TI disponíveis, no IFRN, comunicam, claramente,

o feedback das ações estratégicas, com base no uso de uma metodologia de medição e gestão de desempenho, constata-se um percentual ínfimo daqueles que concordam totalmente e um acúmulo considerável de resposta, com tendência à imparcialidade, comprovando, assim, fragilidades nessa afirmação.

Ao verificar o coeficiente de correlação entre todas as assertivas desse terceiro princípio, novamente foi constatado um percentual inferior a 60%, demonstrando um nível de relação não considerável, sendo desprezado nessa discussão.

Figura 10 - Resultados em gráficos de barras das assertivas Q9 a Q12 (1 discordo totalmente e 5 concordo totalmente) conforme 3º Princípio (transformar a estratégia em tarefa de todos).

Fonte: elaborado pelo autor.