3. MATERIAL E MÉTODOS
3.4. Experimento em casa de vegetação
3.4.2. Transporte de nitrato e crescimento das plantas
A emergência das plantas ocorreu seis dias após o plantio, em 13/03/2003. No Quadro 6 pode-se observar um resumo das atividades executadas durante a condução do experimento. Nos dias 27/03/2003 (14 DAE) e 10/04/2003 (28 DAE) foram aplicadas a segunda e a terceira dose de N, com o intuito de monitorar o movimento de NO3- no
solo. O N foi aplicado na extremidade superior de cada coluna com auxílio de uma seringa cirúrgica, como descrito para a primeira aplicação de N.
Após a aplicação de N do dia 27/03/2003 foi realizada uma irrigação de 3,2 mm em todas as colunas. No dia seguinte, 12 horas após a aplicação de N, foram desmontadas 3 colunas de solo para quantificar a massa radicular, a umidade do solo e concentração de nitrato no solo nas profundidades de 0-10, 10-20, 20-30, 30-40 e 40-50 cm. Também foram desmontadas 3 colunas de solo às 24 e 48 horas após a aplicação de N, da mesma forma como descrito acima, porém sem coleta de raízes.
Na terceira aplicação de N (10/04/2003), uma lâmina de água de 41 mm foi aplicada, objetivando simular a ocorrência de uma chuva de igual magnitude. Às 12, 24 e 48 horas após a aplicação do produto químico, três colunas de solo foram desmontadas e amostras de solo foram retiradas em todas as profundidades. Três colunas de solo não receberam a última aplicação de N e nem a lâmina de irrigação e foram desmontadas no dia 11/04/2003, para a determinação da umidade e da concentração de nitrato em todas as profundidades. Durante a desmontagem das colunas, as amostras de solo para a determinação do conteúdo de água no solo eram acondicionadas em recipientes de alumínio e as amostras para a determinação de nitrato eram acondicionadas em sacos plásticos e mantidas refrigeradas até a realização das análises.
O conteúdo de água no solo foi determinado por meio do método gravimétrico (EMBRAPA, 1997). As determinações de N mineral no solo foram realizadas por meio de arraste de vapor semimicro Kjeldahl, sendo o N mineral extraído por solução de KCl 1 mol L-1. A determinação de nitrato foi feita usando-se uma alíquota de 20 mL da solução extraída com KCl. Nessa alíquota foi adicionada liga Devarda e destilada em seguida (TEDESCO et al., 1985),
Para a determinação da massa seca da parte aérea das plantas e das raízes em função do tempo, três colunas de solo foram desmontadas semanalmente (Quadro 6). A parte aérea das plantas era cortada e acondicionada em estufa de ventilação forçada sob temperatura de 65 oC, até obtenção de massa constante.
Considerando-se que tenha havido distribuição uniforme das raízes no solo, a massa seca de raízes foi obtida coletando-se 50% do volume total de solo contido em cada anel de PVC e em todas as profundidades (Figura 5). As raízes foram separadas do solo e de outros fragmentos por meio de lavagens manuais com água corrente e em
Quadro 6 – Datas da aplicação de irrigação e nitrogênio, coleta de parte aérea e raiz (planta), amostras de solo para umidade e nitrato e número de colunas desmontadas, em cada coleta, durante a condução do experimento.
Data Planta Umidade Nitrato Irrigação Aplic. N Colunas
07/03/03 3,2 mm 25 kg/ha 08/03/03 x x 3 20/03/03 x x x 3 27/03/03 3,2 mm 35 kg/ha 28/03/03 (12 HASF) x x x 3 28/03/03 (24 HASF) x x 3 29/03/03 (48 HASF) x x 3 04/04/03 x x x 3 10/04/03 41 mm 50 kg/ha 11/04/03 (SAUF) x x x 3 11/04/03 (12 HAUF) x x 3 11/04/03 (24 HAUF) x x 3 11/04/03 (48 HAUF) x x 3
HASF = horas após a segunda fertirrigação; SAUF = sem aplicação da última fertirrigação; HAUF = horas após a última fertirrigação.
peneira com malha de 1 mm. As raízes limpas foram levadas à estufa até massa constante. A concentração de N total na massa seca de raízes e parte aérea foi obtida pelo método Kjeldahl, descrito por TEDESCO et al. (1985). O N total absorvido pela planta foi obtido por meio da multiplicação da massa seca dos diferentes órgãos da planta pela percentagem de N no tecido vegetal. Pelo fato do modelo SIMASS-C calcular a absorção de N das plantas considerando somente a forma nítrica, foi necessário transformar a quantidade total de N no tecido vegetal para a forma de nitrato para possibilitar a comparação entre os valores de absorção estimados e observados. A relação utilizada para fazer a conversão de N total para NO3- foi que 1 g de N = 4,43 g
N – NO3-.
O crescimento radicular foi obtido a partir da verificação visual da profundidade do sistema radicular nos anéis que formavam as colunas de solo, no momento em que as colunas eram desmontadas.
Os estádios de desenvolvimento da cultura foram identificados em relação aos dias após a emergência (Quadro 7), baseando-se em escala proposta por RITCHIE et al.
Figura 5 – Ilustração das amostras de solo para a coleta de raízes nas camadas das colunas desmontadas.
(1993). O cálculo da necessidade hídrica da cultura do milho no período foi determinado por meio da evapotranspiração real da cultura, a qual foi estimada pela pesagem de 4 colunas de solo da parcela experimental. Em cada coluna, a lâmina de água evapotranspirada fo i considerada como sendo a diferença observada no peso da coluna em duas pesagens consecutivas, espaçadas de 24 horas. Os valores de evapotranspiração real da cultura estão apresentados no Apêndice B.
Quadro 7 – Estádios de desenvolvimento da cultura do milho e sua correspondência em dias após a emergência (DAE).
Data DAE Estádio Sigla
13/03/2003 0 emergência VE 16/03/2003 4 primeira folha V1 20/03/2003 7 segunda folha V2 24/03/2003 11 terceira folha V3 29/03/2003 16 quarta folha V4 03/04/2003 21 quinta folha V5 09/04/2003 27 sexta folha V6
Além das determinações mencionadas anteriormente, foram selecionadas e monitoradas três plantas para determinações não destrutivas de área foliar e senescência foliar. A metodologia adotada para a obtenção da área e da senescência foliar foi a mesma descrita no item 3.2.
Durante a condução do experimento, foram medidas as temperaturas máxima e mínima diárias dentro da casa de vegetação. Os demais dados meteorológicos requeridos pelo modelo SIMASS-C modificado foram obtidos na Estação Climatológica Principal da UFV (Apêndice B).
Além de dados meteorológicos, o modelo SIMASS-C modificado necessita também de dados de entrada referentes às condições de cultivo (data de plantio e de colheita, temperatura basal, densidade de plantio e profundidade de semeadura), características das plantas (área foliar máxima, coeficiente de cultura, período de crescimento das raízes e profundidade máxima das raízes), características do solo (Quadro 5) e parâmetros do soluto (coeficiente de difusão do soluto em água pura, coeficiente de partição e concentração inicial do soluto).
3.5. Estatística utilizada para comparar os resultados estimados com os resultados